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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Á conversa com a Ana #6 - "É quase impossível encontrar quem fale do que é ser mãe e ter um problema de saúde mental"

Estes dias descobri, através deste blog, que "1 em cada 5 mulheres irá sofrer de algum tipo de perturbação mental no período perinatal, a nível mundial." Descobri também que “7 em cada 10 mulheres escondem o que sentem, ou que com frequência o tentam disfarçar, sofrendo em silêncio com problemas que têm um enorme impacto em si, na sua vida conjugal e familiar.”

 

Não sei quais serão os números por aqui, em Portugal e, mais do que isso, não sei quem serão essas pessoas e quais serão as suas histórias. Porque pura e simplesmente não se fala, não se conhece quem tenha vivido ou esteja a viver uma depressão pós parto (ou um baby blues, ou uma psicose, ou…).

 

Olhando para as mães, para as fotos nas redes sociais, os comentários, os textos, as conversas entre amigas e colegas, parece que a maternidade é (apenas) uma bênção, uma coisa maravilhosa, que tudo faz valer a pena, porque quando vemos o sorriso deles tudo o resto desaparece. E tudo isto é verdade.

 

Ser mãe, para mim, tem sido uma viagem de descoberta de um amor que não cabe em mim. Com a C. descobri o que é amar incondicionalmente, o que por si só não é algo simples e automático. Amar alguém, filho ou não, sem quaisquer ses, mostrá-lo e senti-lo no dia-a-dia, mesmo no meio do cansaço, do stress, das tarefas infindáveis de um adulto, acrescido da mochila que trazemos do nosso passado, exige muito de nós. Exige uma enorme capacidade de autoconhecimento e de autorregulação emocional.

 

Mas, para além disto, existe sempre o outro lado, o lado de que ninguém fala. O lado menos bonito da maternidade. Não porque seja a maternidade em si. Tudo na vida, e em nós, contém um lado sombrio. Não gostamos de falar dele, mas devíamos e precisamos. E a maternidade é um lugar tão cheio de sombras das quais não se pronuncia qualquer palavra! Como descobri os tabus e os estigmas que envolvem a maternidade!

 

A primeira camada é o ser mãe em si, independentemente da existência de um problema de saúde mental. Uma mulher, depois de ser mãe, descobre que o mundo tem altas expectativas e ideias pré-definidas sobre o que é ser mãe. É regressar ao trabalho e perguntarem “Então custou muito voltar, não foi?”, eu responder “Não” e dizerem “Ah, não digas isso”, “Coitada” (da minha filha), “É porque é o primeiro dia”.

 

Estas expectativas e aquilo que vemos e ouvimos à nossa volta, do “é cansativo, mas vale a pena”, “ser mãe é mesmo assim”, fazem-nos ter receio de expressar o que realmente acontece, o que sentimos e o que pensamos. Pelo menos, comigo foi assim. Houvera dias em que me custou desempenhar o papel de mãe, em que me senti terrivelmente cansada e com vontade de que chegasse a hora de deitar da C. para finalmente poder descansar. E não há os “mas”, os “foi um dia terrível, mas a minha filha sorriu e esqueci tudo”. Não. Foi um dia terrível e tive vontade de não ser mãe por um bocadinho, ponto. É mesmo assim. Estar vivo implica passar por momentos distintos, de amor, de dor, de alegria, de tristeza. É uma alternância entre um lado, o luminoso, e o outro, o sombrio. É normal. É inevitável. Falemos com honestidade sobre isso. E ouçamos com empatia e compaixão.

 

Engraçado que em diversas situações sociais, tais como aniversários de crianças, eu e o meu marido vamos encontrando casais, recém pais, tal como nós. E, à pergunta de como tem corrido a experiência, todos respondem “sim, está a correr bem”. E a seguir, eu ou ele dizemos “nós tivemos um início difícil, a Ana teve uma DPP.” E aí algumas mães soltam discretamente, baixinho, que também foi difícil para elas.

 

Mas se é difícil encontrar quem fale de forma honesta e total acerca do que é ser mãe, encontrar quem fale sobre o que é ser mãe e viver um problema de saúde mental, é quase impossível. Quando iniciei o meu tratamento, e ao longo deste, senti uma necessidade muito grande de falar. Falava com o meu marido, mas precisava também de falar com quem tivesse passado pelo mesmo. Precisava de falar para não sentir que era a única. E então procurei grupos de partilha, presenciais e virtuais, ou organizações que pudessem trabalhar nesta área, e não encontrei nada.

 

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Perguntei à médica de família, e ela não conhecia nenhum. Perguntei à psicóloga, e ela não conhecia nenhum. A psicóloga perguntou a colegas psicólogos, e ninguém conhecia. Uau! Como é possível? A experiência mais comum da nossa humanidade, ter filhos, e não existe ninguém, em Portugal, a falar sobre isso. Encontrei grupos de partilha nos EUA, em Inglaterra, no Brasil. Encontrei organizações que abordam estes temas e elaboram respostas para apoiar estas famílias e aqui, em Portugal, não encontrei nada.

 

Até que, numa dessas deambulações pela Internet, descobri este blog. Li os posts de partilhas e enviei um e-mail à Ana a contar a minha experiência. E fiquei surpreendida por ela ter respondido e me perguntar se podia publicá-lo. Não tinha pensado nisso. Acho que quando enviei o e-mail respondi apenas à minha necessidade de falar com alguém que passou pelo mesmo do que eu. Mas, a partir daí, abriu-se uma janela imensa de experiências e aprendizagens. Obrigada minha querida Ana por teres falado.

 

Grupos de Mães: quando, onde e como?

Já há vários meses que dei inicio à integração de uma área específica, afeta ao desenvolvimento e dinamização de grupos de mães, no âmbito do Projeto Mulher, Filha & Mãe, considerando os seus objetivos e metodologia. 

 

Não me foi de imediato possível aprofundar a sua prática, uma vez que, o tempo era cada vez mais escasso, e me encontrava a realizar a Especialidade e Mestrado em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria. Contudo, esta, é uma área de grande interesse que pretendo desenvolver e onde pretendo apostar. 

 

Terminada a fase de estudos e práticas associadas, emerge a necessidade de iniciar o desenvolvimento destes grupos, e é ótimo ainda antes de ter começado com estas divulgações, já ter pessoas interessadas não só em integrar estes grupos, como em disseminá-los para outros pontos do País. Estamos a trabalhar nisso, mas por agora fica a questão: quando, onde e como é que estes grupos de mães se vão desenvolver?

 

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Onde? 

 

Os grupos de mães vão ocorrer, por agora, em dois centros distintos: 

- Árvore dos bebés (centro de atividades para grávidas, bebés, família - Loures);

- Passo a Passo (centro de desenvolvimento para a criança e família - Lisboa)

- Cantinho do Mimo (centro de desenvolvimento, reabilitação e bem-estar da criança e família - Almada)

 

 

Quando?

 

Árvore dos bebés

4ªfeiras (a partir do dia 10 de Maio)

16h00 - 17h00

 

Passo a Passo

Sábados (a partir de 13 de Maio)

11h30 - 12h30

 

Cantinho do Mimo

3ªfeiras (a partir de 23 de Maio)

11h00 - 12h00

 

 

Como?

 

Os grupos terão inicio com um mínimo de 3 pessoas e um máximo de 8 pessoas e são abertos à participação de grávidas e mães interessadas em participar, sendo que as últimas, podem trazer os seus bebés.

 

Com a realização destes grupos pretende-se criar um espaço propício para conversarmos sobre os vários temas que vão sendo abordados ao longo da sessão, e que acima de tudo, são do principal interesse e/ou iniciados pelas participantes. Não se pretendem tabus, julgamentos, dúvidas por esclarecer ou qualquer outro tipo de questões que deixem qualquer uma desconfortável. Pretende-se sim, muita descontração, informalidade, colocação de questões e envolvimento, com rumo ao bem-estar e tranquilidade possível, nesta fase de vida. 

 

A grande mais-valia destes grupos, para além de tudo o que descrevi anteriormente, e que considero importante também salientar, é o facto de estar sempre presente uma enfermeira com conhecimentos e competências aprofundados no âmbito da saúde mental materna, podendo esclarecer qualquer questão desta índole, trabalhar em parceria qualquer desequilíbrio identificado (no grupo e/ou individualmente) e poder referenciar outros profissionais competentes na área da maternidade, no mesmo âmbito, caso se verifique necessário. 

 

Lembrem-se que não existem fórmulas mágicas para se ser mãe. Contudo, existe a intuição e a sabedoria materna, assim como, muitas experiências para partilhar, e sobre as quais, juntas podemos refletir. Por isso... vamos conversar? 

 

 

Inscrições:

- Árvore dos bebésgeral@arvoredosbebes.pt ou 211 930 127 | 927 316 365

 

- Passo a passo geral@passoapasso.pt ou 217 524 155 | 968 746 266

 

- Cantinho do Mimo - geral@cantinhodomimo.com ou 212 740 543 / 926 630 158

 

 

Questões sobre os grupos:

blog@mulherfilhamae.pt