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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Já ouviu falar… Mas sabe o que é ter uma depressão?*

Falamos imensas vezes na palavra depressão. Criámos – enquanto sociedade - uma conotação negativa e pejorativa desta palavra. Dizemos a palavra depressão e ouvimos os respetivos feedbacks:

 

- Coitadinho(a)!

- Sempre achei que era uma pessoa frágil!

- Como é possível, parecia tão forte e saudável!

- Agora tem de ir para o hospital dos malucos?!

 

Todas estas expressões têm algo em comum, a falta de informação. Muitos de nós desconhecemos o que é realmente a depressão. A depressão é uma doença que afeta mais de 350 milhões de pessoas no mundo. 

 

Partilho convosco a forma que mais utilizo para explicar às pessoas com quem trabalho o que é a depressão. Espero que gostem do vídeo: I had a black dog! (Eu tinha um cão preto!) Vídeo criado e publicado pela OMS – Organização Mundial de Saúde.

 

 

*Publicação sugerida por Isabel Sofia Pires (Terapeuta Familiar) 

Crónicas da nossa Equipa Clínica: "10 conselhos para evitar estados de ansiedade e depressão"

No último texto explorei o tema: Nem todas as pessoas têm de gostar de nós! E coloquei-vos duas perguntas para reflexão… 

 

Sim, sabemos que não é assim tão simples. Todos gostamos de nos sentir queridos e amados. É mais fácil falar deste tema do que o sentir “na pele” e sim, também sabemos que existem pessoas “tóxicas” com as quais somos – pelos mais diversos motivos – obrigados a lidar. Mas para isso também partilho convosco 10 “conselhos” que podem ajudar-vos a gerir estas situações que tantas vezes provocam ansiedade e momentos mais depressivos:

 

Lembre-se: “Nem todas as pessoas têm de gostar de si!” Mas quem gosta realmente de si, gosta por aquilo que é, com os seus defeitos e com as suas qualidades.

 

Não mude só para agradar a outros! Agrade-se a si mesmo e isso poderá – consequentemente – agradar aos outros porque quem gosta de nós gosta de nos ver bem e felizes.

 

Aprenda a perceber quem é que realmente lhe faz falta. Estarmos rodeados das pessoas certas é um excelente antidepressivo.

 

Não preste demasiada atenção às opiniões dos outros. As opiniões mudam tão facilmente que não devem ser levadas de forma rígida e muitas vezes corremos o risco de interpretar de forma errada o que nos é dito. Valorizando o que não devíamos.

 

Levamos a vida a ouvir esta frase mas muitas vezes esquecemos: “Não faça aos outros aquilo que não gosta que o façam a si”.

 

Por algum motivo sabe que se vai cruzar com uma ou mais pessoas que considera “tóxicas”, por isso, vai preparado para a situação e antes de estar com essas pessoas ouça – as vezes que precisar – aquela música que lhe dá aquela energia positiva e que o faz sentir feliz. Quando sentir que a energia positiva se está a esvair trauteie mentalmente essa música como um mantra e verá que ajuda um pouco a gerir a situação.

 

Está obcecado com alguma opinião mais desfavorável que ouviu sobre si e não consegue desligar, há que atuar e mudar o foco. Dicas: Veja aquela série que o deixa sempre bem-disposto, veja aquele filme que o deixa sempre a rir à gargalhada, leia um livro que o absorva da realidade, coloque as suas músicas preferidas e dance como se ninguém o visse, vá passear àquele local que o faz espairecer, faça alguma atividade que sinta que o faz feliz. A vida é demasiado curta para perdermos tempo a massacrar-nos com o que não nos faz felizes!

 

Não viva preso aos amigos do passado apenas porque em certo momento da vida tiveram um papel importante. Podemos fazer amigos em qualquer fase da nossa vida. Valorize a amizade e os bons amigos que estão ao seu lado agora!

 

Uma das minhas preferidas! Faça uma lista de tudo aquilo por que está grato na vida! Vai perceber que as críticas que o podem magoar nem uma gota no oceano são perante tudo aquilo que tem para se sentir grato. A felicidade é uma escolha, nem sempre é fácil mas força, ela está em si! E se precisar de apoio nós estamos aqui!

 

10º … !

O décimo conselho é para ser preenchido por si e se quiser pode partilhá-lo connosco! 

 

 

 

* Crónica realizada por Isabel Sofia Pires (Terapeuta Familiar).

Crónicas da nossa Equipa Clínica: "Pois é, nem todas as pessoas têm de gostar de nós".

São muitas as vezes que encontro nas minhas sessões pessoas que são prisioneiras da opinião de outras e são muitíssimas as vezes que tal facto as encaminha para um estado de grande ansiedade e de depressão. Para abordar este tema tão sensível partilho convosco esta história:

 

CARREGAR LENHA

Todas as manhãs, Manuel, acompanhado pelo seu filho e por um belo burro branco, ia buscar lenha à floresta. Quando já tinha lenha suficiente, carregava o burro e voltavam os três para casa, atravessando a rua principal da aldeia.

Certo dia, Manuel ouviu um dos aldeões dizer:

- Olha o descaramento do Manuel e do filho. Vão com as mãos nos bolsos e o pobre burro carregado até não poder mais. Que falta de vergonha, é preciso ser muito cruel para com os animais e tal, e tal…

Manuel ficou muito incomodado com aqueles comentários.

No dia seguinte, decidiu que o filho carregaria uma parte da lenha. Deste modo, pensava ele, o burro não iria tão carregado e os aldeões não o criticariam.

Mas não foi bem assim.

Ao passar em frente a um dos aldeões ouviu que comentavam com aparente indignação:

- Que vergonha! Olha para ele. Vai ali, com as mãos nos bolsos, enquanto o filho e o burro carregam a lenha. Nunca se viu uma coisa destas e tal, e tal…

Manuel ficou ainda mais incomodado com aquelas críticas do que com as do dia anterior. Ficou a pensar que talvez os aldeões tivessem razão. Que era um desavergonhado e que não poderia permitir aquela injustiça. Teria de mudar. Fazer qualquer coisa para que todos vissem que se tinha emendado.

Assim, no dia seguinte, decidiu carregar a lenha do burro; desta forma, tanto ele como o filho levariam a lenha, e os aldeões veriam que ele tinha mudado.

Mas não foi assim.

Ao passar em frente aos aldeões, ouviu o seguinte:

- Olha que idiotas os dois, o pai e o filho. A carregar a lenha, enquanto o burro vai ali tranquilo, sem levar um raminho sequer.

 

O Manuel tornou-se prisioneiro da opinião dos outros, para conseguir agradar aos outros, para que todos falassem “bem” dele, não soube discernir entre as críticas que o poderiam ajudar a melhorar a situação e as críticas provenientes de pessoas que criticam simplesmente porque gostam de criticar.

 

Todos nós temos de enfrentar críticas mas todos devemos aprender a discernir entre as críticas positivas e aquelas que simplesmente devemos ignorar pois nenhum ser humano pode depender daquilo que os outros dizem ou não sobre nós. Olhamos para o exemplo do Manuel e podemos compreender o risco de que se se prestar demasiada atenção às críticas isso pode fazer com que atuemos de forma ridícula e entrarmos numa espiral de sentimentos menos positivos.

 

Voltamos ao título deste texto: Nem todas as pessoas têm de gostar de nós!

Já diz o provérbio: “Não se pode agradar a gregos e a troianos.” Somos diferentes! É um facto!

Faço-lhe duas perguntas para refletir:

- Gosta de todas as pessoas que conhece?

- Todas as pessoas têm de gostar de si?

 

Como resposta a estas questões deixo-vos esta frase humorística e um próximo texto que brevemente será publicado no blog.

 

Estejam atentos!

 

 

 

*Crónica por Isabel Sofia Pires (Terapeuta Familiar).

Crónicas da nossa Equipa Clínica - "Sexualidade na gravidez e no pós-parto – Mitos e Realidades!"*

Comecemos por definir o que é a sexualidade. Segundo o conceito da Organização Mundial de Saúde, a sexualidade é: uma energia que nos motiva a procurar amor, contacto, ternura, intimidade, que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados. É ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; a sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações, e por isso influência também a nossa saúde física e mental.

 

Esta definição de sexualidade é extremamente completa e integra toda a realidade da sexualidade em qualquer fase da vida adulta – inclusive – durante a gravidez e no pós-parto, fases que vamos abordar neste texto.

 

Assim que uma mulher engravida aparecem sempre uns “velhos do Restelo” com teorias sobre o sexo na gravidez, muitas delas baseadas unicamente em mitos. Vamos hoje desmistificar algumas ideias, sim? Vamos lá!

 

Mito: O orgasmo pode afetar o desenvolvimento fetal.

Realidade: Os orgasmos são positivos em qualquer fase e está provado que quando a mulher grávida vivencia um orgasmo o feto tem - igualmente – uma sensação de bem-estar.  

 

Mito: Ter relações sexuais no primeiro semestre pode causar um aborto?

Realidade: Não há qualquer impedimento do casal manter a sua vida sexual exceto se houver expressas contraindicações médicas.

 

Mito: As grávidas não sentem prazer.

Realidade: O prazer sexual sentido pela mulher não está diretamente relacionado com a gravidez. No entanto, algumas mulheres grávidas afirmam que conseguem sentir mais prazer sexual na gravidez devido a uma maior sensibilidade sensorial. Outras sentem uma maior inibição devido às mudanças corporais e a sua influência emocional. Não podemos – de forma alguma – generalizar.

 

Mito: A penetração pode magoar o/a bebé.

Realidade: O/A bebé está protegido pelo útero e a penetração não magoa o/a bebé. O nosso corpo é inteligente e está preparado para a atividade sexual mesmo durante a gravidez, se esse for o desejo do casal. Contudo, relembro que caso existam expressas contraindicações médicas para não terem relações sexuais com penetração as mesmas devem ser cumpridas.

 

É importante que a realidade seja conhecida por tod@s!

 

Na gravidez a mulher sofre imensas alterações hormonais, físicas e emocionais que tem de gerir da melhor forma e nem sempre (ou quase nunca) é uma tarefa fácil. Muitas vezes as alterações que ocorrem no corpo da mulher durante o período de gestação e no pós-parto podem provocar sentimentos de diminuição de autoestima que, por consequência, provocam uma imagem de menor beleza e capacidade de sedução que pode culminar no decrescimento do desejo sexual. Também há fases da gravidez e do pós-parto que provocam alguma diminuição do apetite sexual, nomeadamente os enjoos e o cansaço intrínseco. Outras vezes as alterações são positivas para as mulheres que se sentem mais femininas e atraentes com as novas curvas corporais e por consequência mantêm ou elevam a sua autoestima. Não há um padrão rígido, depende das mulheres, da gravidez, da relação de casal, de muitos elementos que podem influenciar estas fases.

 

 

Não nos podemos esquecer dos homens pois também eles lidam de forma diferente com a gravidez e com o pós-parto da mulher, o que influencia direta ou indiretamente o desejo e atividade sexual do casal. Por exemplo, há homens que se sentem mais atraídos pelas formas do corpo da mulher gestante e há outros homens que – muitas vezes influenciados pelos mitos em cima identificados – diminuem a sua libido. Não há uma postura certa ou errada nesta realidade, depende sempre das pessoas, do casal. O importante é que haja sempre diálogo entre os dois pois é uma regra fundamental na relação de casal, conforme já foi referido aqui.

 

Deste modo, é visível que a gravidez e o pós-parto são fases que o casal é obrigado a gerir com muito tato. Atualmente o tema da atividade sexual nestas fases ainda é considerado tabu. É muito importante que os casais não tenham receio de solicitar informações desta natureza e que dialoguem muito sobre o que querem e o que sentem, juntos enfrentam obstáculos e encontram soluções. A falta de diálogo e compreensão nestas fases pode originar situações mais complexas, entre elas, a depressão pós-parto. Neste ponto saliento também a retoma da atividade sexual no pós-parto que deve ser controlada pela mulher em parceria com o homem. A mulher é que deve reconhecer se se sente preparada – física e psicologicamente - para retomar a atividade sexual plena, não nos esquecendo das alterações hormonais que a mulher continua a sofrer no pós-parto e durante todo o período de amamentação. Mais uma vez relembro que o diálogo é crucial no casal e a partilha de todas as questões que existam.

 

O casal deve procurar sentir-se bem com as mudanças que ocorrem e não viver com dúvidas ou receios. Por exemplo, um casal que tenha contraindicação médica para praticar sexo deve perguntar ao/à especialista se está a especificar sexo com penetração pois é importante distinguir e relembrar que – caso o casal queira manter a sua intimidade sexual nestas fases – existem muitas formas de explorarem a sexualidade sem penetração e de forma prazerosa para ambos.

A prescrição nestes casos é simples: criatividade!

 

 

*Crónica por Isabel Sofia Pires (Terapeuta Familiar)

Crónicas da nossa Equipa Clínica - "Casais que dialogam são mais felizes!"*

Utilizo imensas vezes esta história nas sessões de terapia de casal:

 

Um casal tomava o pequeno-almoço no dia das suas bodas de prata.
Enquanto a mulher passava a manteiga no miolo do pão para dar ao seu marido, pensava: “Sempre quis comer a melhor parte do pão – o miolo! Mas amo tanto o meu marido que, em 25 anos, sempre lhe dei o miolo para agradá-lo... Hoje acho que tenho o direito de satisfazer o meu desejo, pelo menos uma vez na vida…”

Para sua imediata surpresa, o rosto do marido abriu-se num sorriso sem fim e ele disse:
- Muito obrigado, meu amor. Durante 25 anos sempre quis comer a côdea do pão, mas como tu sempre gostaste tanto dela, jamais te ousei pedir!

 

É uma história que nos fala de amor. Uma mulher que deixa de comer a sua parte preferida do pão para a dar – por amor – ao marido, que por sua vez aceita pois pensa que a outra parte é a preferida da sua esposa e não lhe quer tirar esse prazer. Quantas vezes os casais praticam gestos semelhantes?

 

Achamos que estamos a fazer o outro feliz mas não é a realidade… É importante percebermos que somos todos diferentes. Ninguém pensa igual a ninguém e se não dissermos aquilo que queremos e gostamos o outro não tem a capacidade de adivinhar. Não é correto nem saudável esperar que o outro adivinhe o que estamos a pensar! É essencial transmitirmos de forma clara aquilo que desejamos e ouvir o mesmo do outro lado!


Uma regra fundamental na relação de casal é:

 

DIALOGAR, DIALOGAR, DIALOGAR E AINDA, DIALOGAR!

 

Evitamos situações com as da imagem infra em que um membro do casal não sabe – por exemplo – o porquê do outro não estar feliz:

 

 

 

Atenção, a comunicação não-verbal também é muito importante mas na relação de casal não resulta se não for acompanhada pela comunicação verbal, pelo diálogo a dois.

  

 

P.S.: NÃO SE ESQUEÇAM DE DIALOGAR

 

 

 

*Crónica por Isabel Sofia Pires (Terapeuta Familiar).

 

Crónicas da nossa Equipa Clínica - "Mas será que existem famílias perfeitas?!"

Desde que nascemos que somos bombardeados por imagens cuja legenda na nossa mente diz: Família Perfeita!

Crescemos a ser influenciados pelos modelos familiares que nos rodeiam, olhamos para a nossa família e tentamos compará-la com outras. Quem é que nunca o fez em alguma fase da vida, em criança, na adolescência ou na vida adulta? Podemos chamá-lo como o sentimento: “a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha” J

 

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Há uns meses estava a ouvir uma entrevista e, em certo momento, o entrevistador questionou se o percurso da entrevistada teria sido diferente se tivesse nascido no seio de outra família… A resposta foi excelente, disse que não sabia como teria sido se tivesse nascido noutra família porque nasceu nesta e é só esta que conhece. Tal e qual.

 

 

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Cada família é única. Na terapia familiar vemos a família como um todo. É com esta visão sistémica e comunicacional que procuramos entender as interações que ocorrem dentro do sistema familiar, tendo presente que cada membro está em interação com todos os outros.

Vamos fazer um exercício com uma analogia simples que apresentamos para explicar a família como um sistema:

  • Imaginem a roda de madeira de uma carruagem rústica.
  • Agora imaginem que cada elo de ligação da roda é de uma madeira diferente.

Com o andar da carruagem cada elo vai respondendo de forma diferente aos caminhos percorridos. Correto?

  • E o que acontece quando um elo está mais fragilizado e/ou desgastado que outro?

Os outros elos fazem um esforço maior para não deixar que a roda se parta…

  • Mas se um elo se partir o que acontece aos outros? O que acontece à roda?

Partem-se… A roda deixa de funcionar e a carruagem não anda.

  • Para que a carruagem volte a andar de forma equilibrada a roda é levada ao mestre marceneiro.

 

Deste modo, quando trabalhamos com um ou mais membros da família estamos a trabalhar o todo. Sendo a família um sistema, quando há mudança num membro da família, há – consequentemente - mudança nos outros membros procurando-se assim manter o equilíbrio e “andamento da carruagem”.

Voltamos, então, à pergunta inicial: Existem famílias perfeitas?

 

Não. Não existem famílias perfeitas da mesma forma que não existem pessoas perfeitas. Existem sim, famílias que são perfeitas nas suas imperfeições!

 

 

Famílias que funcionam. FAMÍLIAS QUE NÃO TÊM DE SER PERFEITAS; BASTA SEREM FELIZES!

 

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Crónica por Isabel Sofia Pires (Terapeuta Familiar)