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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Á conversa com a Laura #1 - O nascer de uma mãe. Ou a transformação de uma mulher?

Passados quase seis meses do nascimento da minha filha, eu agora sei e compreendo que eu senti e vivi - e por vezes ainda sinto e vivo - como se eu tivesse morrido após ela nascer e que eu fiz um profundo luto sobre a minha "morte" ao longo dos meses: o meu tempo pessoal acabou, o meu sono não é contínuo, o meu corpo não é o meu corpo, o meu pensamento não é assertivo, a minha casa não é arrumada, os meus lugares não estão alcançáveis, a minha identidade desapareceu... Quem sou eu? Onde eu estou? A Laura?? A Laura morreu.

O meu coração pulsava, os meus pulmões oxigenavam e a minha vida corria à velocidade da luz, escorregadia como a fina areia que nos desaparece entre os dedos das mãos quanto mais a queremos agarrar, mas eu não estava aqui. Eu não estava em lado nenhum. Sentia-me as cinzas de uma árvore, outrora enorme, esbelta, poderosa e repleta de flores, agora queimada após um terrível incêndio, feita louca à procura das minhas raízes, mas preferindo deixar o que restava de mim, voar. Voar para o infinito e para sempre.

Um misto de querer controlar e fugir, um misto de existir e desaparecer, um misto de euforia e de horror; uma bipolaridade permanente que tanto caracteriza as minhas inúmeras máscaras com que eu disfarço as minhas latejantes feridas emocionais, mais antigas que o universo, a que se dá o pomposo nome de transtorno bipolar, mas que é muito mais que um transtorno neurológico: é morar no mais rápido elevador alguma vez criado entre o céu e o inferno.

Sentia que não tinha nascido raio de mãe nenhuma em mim!!! Eu sentia era que eu tinha morrido!

E depois?

Depois, eu não morri. Eu transformei-me.
Através da consciência do meu amado marido e maravilhoso pai da nossa bebé, da minha força de vontade e determinação em querer viver e não apenas existir em negação e juntamente com uma indispensável rede de apoio de profissionais e entidades competentes que me ajudaram e me continuam a ajudar e muito, Kundalini Yoga e meditação, o conhecimento "sem filtros" de mim mesma e a tomada da minha consciência pessoal, foi como que acordar de um longo sonho - ou pesadelo? - e percebi: Eu não morri nem sou apenas a mãe da minha bebé. Eu sou Eu. Com todas as minhas plenas virtudes e os meus plenos defeitos. Eu acertei e errei. Eu adorei e detestei. Eu consegui e desisti.
Eu sou.
Eu sou uma mulher, sou a mãe da minha amada bebé, sou uma filha - a minha mãe guarda-me onde quer que ela esteja para lá da Terra e eu estou em vias de perdoar o meu pai, onde quer que ele esteja aqui na Terra - sou uma amiga, sou a amante do meu amado marido, sou uma pessoa, sou luz, sou alma, sou coração, sou o meu corpo, sou consciente, sou poderosa, sou sábia, sou honesta, sou sincera, sou linda, sou sim, sou não, tenho a certeza que sou, não sei bem se sou, sou verdadeira, sou força da natureza e sou amor. Sou nada e sou tudo. Tudo e nada o que eu quiser.

Que liberdade!

 

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Isto é o nascer de uma mãe.

De eu ser mãe. De tu seres mãe. De ela ser mãe e de elas serem mães. Da tua mãe. Da mãe da tua mãe. De tu como mãe de ti mesma - e por vezes também pai.

Eu não sei bem quem era e agora sou uma mulher plena. Agora eu sou uma mãe. Foi e é tão duro e tão maravilhoso.

Que bom que eu "morri"! Que bom que eu me tornei mãe.

Sim, VIVA o dia da saúde mental materna!

VIVA, porque é preciso falar sobre isto. 

VIVA, porque é preciso apostar nisto. 

VIVA, porque é preciso investigar sobre isto. 

VIVA, porque é preciso divulgar isto. 

VIVA, porque é preciso trabalhar em prol de melhores recursos para todas as mulheres que, na busca do seu sentido materno, se confrontam com desequilíbrios ao nível da saúde mental. 

 

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E apesar de todos os dias serem dias em que devemos atentar na saúde mental materna, eu diria que VIVA haver um trabalho a ser realizado a nível mundial que se debata para que neste dia, em todo o mundo, os focos se voltem para as mulheres enquanto mães, e para a necessidade que existe de se falar, apostar, investigar, divulgar e trabalhar mais arduamente em prol de todas elas, e consequentemente, dos seus bebés e das suas famílias. 

 

De seguida apresento-vos todas as organizações que trabalham, atualmente, para que a atenção nas mulheres e mães, e na sua saúde mental, seja uma prioridade de atenção/intervenção:

 

Postpartum Support International, Estados Unidos da América

Maternal Mental Health Alliance, Reino Unido

Maternal Mental Health Awareness Alliance, Bakirkoy Women Mental Health Center, Turquia

Center of Perinatal Excellence, Austrália

National Coalition for Maternal Mental Health, Estados Unidos da América

Perinatal Mental Health Project, Africa do Sul

Maternal Wellness Clinic, Canada

Mother First, Canada

La Teppe Medical Centre, França

Post & Ante- Natal Distress Support Group, Nova Zelândia

Reproductive Mental Health Programme, Canada

The Marce Society for Perinatal Mental Health, International (França)

Marce Society (Mares), Espanha

Marce Gesellschaft, Alemanha

Postpartum Support Network (PSN), Nigéria

 

 

Um grande bem-haja a todos eles! 

 

Mais informações? Consultem o site:

http://wmmhday.postpartum.net/about/

"Já gritei com o meu filho e já me senti a pior mãe por isso"

Este foi o comentário que uma leitora deixou no facebook do blogue, após a publicação deste texto.

 

"É msm verdade, já gritei e já me senti a pior mãe por isso...mas sei que a tarefa mais difícil é mesmo conseguir o malabarismo de todas as tarefas e ainda desfrutar da maravilha que é ser mãe, é um misto constante de cansaço e alegria...pena que muitas de nós tenhamos pouco apoio num papel tão importante que desempenhamos. Parabéns a todas porque é uma luta diária que com amor por um filho vencemos todos os dias "

 

Acredito que várias mulheres gritem, e que posteriormente, sofram em silêncio por isso. 

Acredito até que muitas sejam invadidas por pensamentos/emoções angustiantes, que não esperavam, que não querem, que temem, mas que se instalam sem pedir, ou mesmo, sem avisar. E pior. Têm crítica sobre isso, e mesmo assim, continuam a sofrer em silêncio com medos, muitos medos. Medo de que possam ficar sem os seus bebés, do que quem as rodeia possa pensar de si, de considerarem que está a ficar "maluca", e pior de tudo, de se confrontarem pessoalmente com todos eles, com todos esses pensamentos e emoções, e terem de viver, sozinhas, lado a lado, por muito tempo com toda essa culpa maldita que lhes está associada, que teima em ficar, e que é difícil de desaparecer. 

 

Começar a maternidade com o coração amarrado ao que deveria ter sido e não foi, ao que queria que se fosse e não é, não é um bom presságio para ninguém. É amargo de se saborear, duro de roer, e muito angustiante de se sentir. Mas é a realidade de muitos.

 

Imagino só, esta minúscula possibilidade, ínfima entre tantas, sobre como é que todas estas sensações convivem no dia-a-dia de cada uma, dia após dia. Com todos os malabarismos, todas as lutas, todas as opiniões alheias, todas as expectativas, todas. Imagino, só.

Imagino, e arrepia-me, só de imaginar, as que convivem com tudo isto, sem se sentirem apoiadas por ninguém, ou mesmo sem ninguém. Sem pai, sem mãe, sem marido, sem amigos, sem família. Imagino... sozinhas... com todos os desafios do dia-a-dia, como é que será? Ou mesmo acompanhadas, mas mal. Vai dar ao mesmo: sozinhas. 

 

 

Imagino as noites mal dormidas, mas sem ninguém, ou com muito poucos, a quem recorrer para ajudar. Imagino as várias vezes que pediram para sair mais cedo do trabalho, que cansadas percorrem quilómetros para a tempo chegar, e que chegando a casa, têm tudo para fazer. Depois de um dia de trabalho comum e/ou bastante extenuante, pensar que às sete ou às oito da noite, esta ainda é uma criança, e que ainda muita paciência, dedicação e trabalho há para fazer. Compreendo que muitas se possam sentir atacadas por esta vida, por esta realidade, por estes percursos e que juntando as noites mal dormidas, ao fraco apoio que sentem, à confusão do dia-a-dia, às dúvidas que emergem em todos os momentos, à sensação de insegurança, às incertezas económicas, à sensação de se estar só, entre tantas outras possibilidades, não me é muito difícil imaginar uma mãe a gritar com um filho. 

 

Imagino tudo isto junto, ou mesmo só e simplesmente, uma ou outra coisa em uníssono dia após dia e não me é muito difícil imaginar esta realidade partilhada.

 

É-me sim, muito difícil de compreender, como é que ainda tão poucos dos que deveriam, se focam e agem sobre isto. Porque gritar, pode não ser o caminho mais adequado, mas onde se verifica um pedido de ajuda, mesmo que não declarado, deveria haver, para lá dos incentivos atuais, uma capacidade de prestação de apoio emocional nestas circunstâncias que, infelizmente, não há! 

 

Portanto, antes de julgarmos mães que gritam com os seus filhos, sabendo de antemão que este (até) poderá ser dos primeiros impulsos latentes a um pedido de ajuda não declarado, porque não refletirmos mais aprofundadamente sobre isto? 

Resultados do Questionário: Serviços de apoio a pessoas com experiência de Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto.

Há alguns dias responderam a um questionário que lancei intitulado de "Serviços de apoio especializado a pessoas com experiência de Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto".
 
Em primeiro lugar, muito agradeço a quem dispensou um pouco do seu tempo para responder ao questionário, embora já tenha tido a oportunidade de o fazer de forma mais particular.
 
De qualquer forma, mesmo para os que gostavam de ter respondido mas não tiveram possibilidade, para os que não repararam, ou para qualquer outro leitor que possa ter interesse, aqui ficam os resultados principais do questionário.
Existem mais resultados para serem trabalhados - e que serão brevemente - mas atualmente trago-vos os gerais e quantitativos.
 
 
Foram 314 as respostas que foram contabilizadas.
 
  • Relativamente às pessoas que responderam ao questionário

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  • Em relação à experiência das 314 pessoas perante o Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto, chamo a vossa atenção para o facto da quantidade de pessoas que afirma ter passado por um mau momento no pós-parto, adicionada às que afirmam ter passado por uma dessas experiências, ser sempre superior à das pessoas que afirmam que não, no total.  

experiência dpp.png

experiência app.png

experiência bpp.png

 
  • Apesar dos dados anteriores, a quantidade de pessoas que afirma ter pedido ajuda é muito pouca, e ao mesmo tempo, muito próxima das que referem ter pensado em pedir ajuda, mas que acabaram por não o fazer, como podem ver de seguida:

 

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apoio bpp.png

 
  • As poucas pessoas que afirmaram, em ambas as situações, ter pedido ajuda (46 pessoas), referiram que pediram ajuda aos seguintes profissionais/nos seguintes locais:

 

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  • Contudo, a grande maioria das pessoas afirma que se tivesse acesso a um local onde houvesse, quer promoção do bem-estar emocional na gravidez e no pós-parto, quer acompanhamento especializado no caso de desenvolverem um Blues, Depressão e/ou Ansiedade no pós-parto, recorreria a este tipo de serviços:

 


se tivesse acesso acompanhamento.png

se tivesse acesso promoção bem estar emocional.p

 

No final, 74 pessoas deixaram comentários afetos ao tema, na sua grande maioria partilhando experiências menos positivas relativas à gravidez e ao pós-parto, e outras, incentivando o trabalho dentro deste âmbito. 
 
 
Com todos os dados que resultaram das vossas respostas espero ter-vos colocado a refletir sobre o tema, e aproveito para vos convidar a visitar o site do Projeto Mulher, Filha & Mãe, onde também irei publicar os resultados deste questionário brevemente, e caso queiram fazer alguma sugestão e/ou observação com vista ao estabelecimento de parcerias e/ou aperfeiçoamento do respetivo projeto, ou simplesmente para esclarecerem alguma questão, não hesitem em contactar-me! 
 
 
blog@mulherfilhamae.pt

Depressão Pós-Parto: Quando é que pediram ajuda?

Há quem tenha pedido quando sentiu que a angústia rasgava a vontade de viver num momento em que uma nova vida havia florescido.

 

 

E vocês, quando é que pediram ajuda? 

 

Partilhem connosco! 

#eupediajuda

 

blog@mulherfilhamae.pt

Histórias que dão a cara por esta causa #21 - "Depressão Pós-Parto é sentirmo-nos más mães por estarmos a passar por tudo isto "

Hoje trago-vos um relato na primeira pessoa associado a uma vivência pessoal de depressão pós-parto sobre a qual esta leitora muito tem refletido, transmitindo-nos através de um contacto via email, uma uma mensagem muito objetiva, emocionante e realista, que me autorizou a publicar.
 
Partilhem também a vossa história, as vossas vivências, seja na primeira pessoa, ou não, sobre blues, depressão, ansiedade e/ou psicose pós-parto, por exemplo.
 
Vamos dar continuidade a esta partilha, demonstrando e relatando sem medos e/ou preconceitos, que maternidade nem sempre rima com felicidade.
 
blog@mulherfilhamae.pt
 

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"Boa tarde,
 
O que eu sei da depressão pós-parto é que é muito difícil quem nos rodeia entender aquilo que se passa na realidade. Pensam que a mãe está assim porque deixou de ter as atenções sobre ela porque passaram a ser sobre o bebé, pelo menos é o que mais tenho ouvido... Na realidade é um sofrimento em silêncio e uma dor inexplicável. É incontrolável o choro, a angustia e a culpabilização que se sente.
 
É não entender como se desejou este ser tanto e se sofreu tanto para o ter que agora que está aqui sentimos que é um fardo porque não nos conseguimos ligar a ele. É sentir-se culpada por ter estes sentimentos. É querer se refugiar num buraco e que nos deixem em paz e querer que este ser não seja tão dependente de nós para podermos ter um pouco de descanso. É não entender porque estamos a sofrer tanto quando devíamos era estar felizes - até porque é o que toda a gente nos diz e é o que esperam de nós. É sentir que somos 'escravas' deste ser e não conseguimos desfrutar dele como os outros porque o cansaço nos ultrapassa. É chorar de forma incontrolável sem saber ao certo o porquê. É olharmos-nos ao espelho e não nos reconhecermos pois tal foi a forma que o nosso corpo modificou.
E finalmente é sentirmo-nos más mães por estarmos a passar por tudo isto e a sentir o que estamos a sentir.
Este descontrolo hormonal leva-nos a um estado extremo numa altura em que mais precisávamos de estar bem.
É uma verdadeira depressão como qualquer outra e requer ajuda e apoio.
 
Admiro as mães que tiveram que passar por tudo isto sozinhas." 

Sobre saúde mental na gravidez e no pós-parto #11

Segundo Bowlby (1969), a relação de vinculação entre a mãe e a criança orienta todas as relações futuras da criança e portanto, influencia o seu desenvolvimento social e cognitivo. Entre as características principais das relações de vinculação seguras, a harmonia e a sincronia afectiva entre a mãe e a criança podem favorecer o desenvolvimento de estilos particulares de comunicação por parte da criança. Por outro lado, as crianças identificadas como tendo uma relação de vinculação segura exploram mais activamente o ambiente, um facto que pode potencialmente implicar diferenças no modo de comunicar. 

 

 

 

Veríssimo, M., Blicharsky, T., Strayer, F. & Santos, A. (1995). Vinculação e estilos de comunicação da criança. Análise Psicológica 1-2 (XIII), p. 145-155.

Sobre saúde mental na gravidez e no pós-parto #10

As condições de vida das famílias têm vindo a mudar de forma radical nos últimos anos. Em quase todas as culturas existem rituais que servem para conferir um estatuto especial à mulher puérpera e que actuam essencialmente no sentido de aumentar a sua autoestima, de diminuir as suas dificuldades na relação conjugal e de clarificar o seu estatuto social. No entanto, esses rituais de passagem estão a desaparecer nas sociedades ocidentais atuais e a falta desses rituais cria um terreno propicio ao proliferar das perturbações relacionadas com a maternidade, nomeadamente porque a função desses rituais era assegurar o apoio social e suster a atuoestima da puerpera, duas circunstancias intrinsecamente reoacionadas com a depressão pós-parto.

 

 

Figueiredo, B. (2001). Depressão Pós-Parto: Considerações a propósito da intervenção psicológica. Psiquiatria Clínica, 22, (3), pp. 329-339.

Documentário sobre Depressão Pós-Parto׃ Dark Side of the Full Moon

Já viram ou ouviram falar? 

 

 

Descobri um pedaço do documentário há pouco tempo, e resolvi adaptá-lo para português. 

 

Um documentário que retrata de uma forma bastante clara, real e objetiva o que é a depressão pós-parto, o sofrimento que causa nas mulheres e respetivas famílias, quais as respostas que encontraram nos seus locais de residência, a opinião de vários profissionais de saúde e algumas das suas expectativas e trabalho realizado em prol da saúde mental na gravidez e no pós-parto. 

 

Logo no inicio, está descrito no vídeo que:

"Dar à luz é suposto ser uma das épocas mais felizes da nossa vida. Mas e se não for, e se ninguém estiver a ajudar?"

 

E eu pergunto:

Quantos de nós é que se identificam com esta questão?

 

Vejam e partilhem! 

 

 

blog@mulherfilhamae.pt

Ao pai do meu filho: Preciso de ti!

És o pai do meu filho, e só por isso preciso de ti! 

 

Optámos por enveredar pelo complexo e maravilhoso mundo da parentalidade, e só por isso, preciso de ti! 

Desejando muito em uníssono, ou nem por isso, este bebé que acolho em mim, implica com todas as certezas que eu precise mesmo muito de ti!

Engravidámos os dois, e projetamos física e emocionalmente, tudo o que poderemos vir a construir em conjunto, e só por isso, preciso de ti!

Fico enjoada, vomito, estou mais irritada, lamechas, com falta de memória, tranquila, feliz, e com todo o tipo de emoções e expectativas à flor da pele, e só por isso, preciso de ti!

Estou quase a parir, e preciso muito de ti! 

Tenho imensas dores, medos, receios, angústias e preciso de mandar tudo à merda, e preciso de ti!

Quero beijar-te, mostrar-te que te amo, dizer-te que tudo poderia ter sido diferente - podendo até nem ter sido - e só por isso, preciso mesmo muito de ti! 

Estou completamente apaixonada pelo nosso filho. Aquele que eu e tu, planeámos, expectamos, imaginámos, e que agora, contemplamos. E só por isso, preciso mesmo muito de ti! 

Doem-me as mamas, dói-me o rabo, doem-me as costas, dói-me a sutura, e acima de tudo, dói-me o peito. Por vezes o coração. A ansiedade aumenta a cada dia que passa depois do nosso filho ter nascido. Será que serei boa mãe? Será que conseguirei educá-lo? Será que? Será? Porra! Como eu preciso de ti... 

 

Preciso de ti para encarares.

Preciso de ti para me ouvires. 

Preciso de ti para me compreenderes. 

Preciso de ti para acreditares comigo que tudo voltará a ser idêntico ao que era, mas agora, bem melhor!

Preciso de ti para me aconchegares.

Preciso de ti para me pedires aconchego e para compreenderes, que por momentos, os meus braços podem estar ocupados, mas que o meu coração mantém o mesmo espaço reservado em exclusivo para ti. 

Preciso de ti para me mostrares que me amas. Que me queres. Que percebes que por agora o sexo não é uma prioridade, mas que o tempo faz com que tudo volte a ser como era, ou quem sabe, bem melhor!

Preciso de ti para me olhares enquanto mulher. Para puxares por esse meu lado também. 

Preciso de ti para me confrontares com o que achas que não está bem, mas para saberes ouvir o que sinto e que poderá estar em discórdia também. 

Preciso de ti para pedires ajuda a alguém, caso eu não me sinta mesma nada bem, e não reconheça, não compreenda.

 

No fundo, preciso de ti para vivermos a vida que idealizámos, e que agora foi completamente abanada pelo nascimento de quem muito esperámos. 

 

Preciso de ti para tudo isto, e quem sabe, até para muito mais. 

Mas se por agora não puderes estar e sentir comigo esta fase que vivemos, e que pode não estar a ser tão feliz como expectámos, sabe que sozinha (é bem provável que) também conseguirei. Mas é bem mais difícil e doloroso também.