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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Ansiedade e depressão na gravidez e pós-parto: Porquê pedir ajuda?

Porque há solução! 

 

Porque o sofrimento não tem de ser uma constante. 

Porque não é necessário suportar tudo em silêncio.

Porque voltar a estar bem consigo mesma, é uma forte possibilidade.

Porque existem vários recursos a que pode recorrer.

Porque vai-se sentir mais tranquila e segura.

Porque tem muitos dos recursos que precisa dentro de si para ultrapassar este momento.

 

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A gravidez e/ou o pós-parto podem não ter começado da forma mais tranquila possível, ou pelo menos, da forma como esperou. Contudo, não tem de permanecer assim. Há profissionais que a podem apoiar, existem recursos a que pode ter acesso, e com o tratamento e acompanhamento adequado pode voltar a encontrar o equilíbrio que procura. 

 

Considerando o meu percurso pessoal e profissional, desenvolvi um projeto de apoio a mulheres com alterações emocionais na gravidez e no pós-parto, sendo que, atualmente posso ajudá-la através de três vias: através dos grupos de mães, através da consulta individual (online e presencial) e através da formação.

 

  • Grupos de mães 

 

A realização dos grupos de mães surgiu com o objetivo de criar um espaço propício para conversarmos sobre vários temas relativos à maternidade, que vão sendo sugeridos sessão a sessão, e que acima de tudo, sejam do interesse das que participam. Neste espaço não se pretendem tabus, julgamentos, dúvidas por esclarecer ou qualquer outro tipo de questões que deixem qualquer uma desconfortável, mesmo que discretamente. Pretende-se sim, muita descontração, informalidade, colocação de questões, envolvimento e um rumo em direção ao bem-estar e à tranquilidade possível, nesta fase da sua vida. 

 

Os grupos são para grávidas e recém-mães (até ao primeiro ano após o nascimento), e são momentos em que podem levar os vossos bebés, conversar com mulheres e mães que estão na mesma fase de vida, colocar as vossas questões, descontrair e usufruir da mais-valia de ter sempre presente, no mínimo, uma enfermeira com conhecimentos e competências específicas no âmbito da saúde mental no período da gravidez e do pós-parto. 

 

Os grupos são realizados na região de Lisboa e existem dois tipos de grupos, pelo que, caso esteja interessada contacte-me para conversarmos sobre qual o que se ajusta melhor ao que procura. 

 

  • Consulta individual (online e presencial)

 

Esta consulta surge com o propósito de ser um acrescento em termos de apoio e acompanhamento nesta fase da vida da mulher e respetiva família (grávidas e recém-mães), especialmente, quando a mesma sente que está a passar por um momento menos positivo a nível emocional durante a gravidez e no pós-parto, sentindo-se, por exemplo, mais tensa, irritada, ansiosa, preocupada, triste, com vontade de chorar constantemente, entre outros.

 

Os objetivos específicos em termos de acompanhamento individual serão traçados para cada mulher, em parceria com a mesma, após a primeira consulta. Os objetivos gerais da consulta são os seguintes:

 

 

- Executar uma avaliação global de saúde mental da mulher e respetiva família, nesta fase específica de vida;

- Executar uma avaliação das capacidades internas da mulher e respetiva família e recursos externos para manter e recuperar a saúde mental;

- Avaliar o impacto que o problema de saúde mental tem na qualidade de vida e bem-estar da mulher e respetiva família, com ênfase na sua funcionalidade e autonomia;

- Identificar os problemas e as necessidades específicas da mulher e respetiva família no âmbito da saúde mental perinatal;

- Avaliar o impacto na saúde mental de múltiplos fatores de stresse relacionados com a transição para a maternidade; 

- Conceber estratégias de empoderamento que permitam à mulher e respetiva família desenvolver conhecimentos, capacidades e fatores de protecção;

- Orientar a mulher e respetiva família no acesso aos recursos comunitários mais apropriados, tendo em conta o seu problema de saúde mental;

- Fornecer orientações às mulheres e respetivas famílias para promover a saúde mental e prevenir ou reduzir o risco de doença mental no período perinatal;

- Promover adesão ao tratamento em mulheres com doença mental;

- Implementar intervenções psicoeducativas e técnicas psicoterapêuticas para promover o conhecimento, compreensão e gestão dos problemas relacionados com a saúde mental, assim como, para promover a consciencialização face à atual problemática, e que facilitem as respostas adaptativas que permitam à mulher recuperar a sua saúde mental e que a permitam libertar tensões emocionais e vivenciar experiências gratificantes nesta fase de vida;

 

  • Formação 

 

A formação surge para facilitar a sensibilização para a área da saúde mental perinatal nos seus mais variados e amplos aspetos, assim como para esclarecer qualquer questão relacionada com o tema. Esta formação pode ocorrer no seio da família, numa associação, numa instituição de saúde, num centro clínico, ou em qualquer outro local onde se verifique esta necessidade. Os temas podem ser sugeridos por mim, ou selecionados pelos interessados, e as datas são definidas consoante a disponibilidade de ambos. 

 

 

Para mais informações (preços, datas, locais, etc.):

blog@mulherfilhamae.pt

Porque é que o nosso cérebro se torna ansioso?

A ansiedade está presente numa grande fatia da população portuguesa, e o mesmo aplica-se quando falamos sobre saúde mental perinatal

 

Há pouco tempo li um livro sobre algumas técnicas para controlar a ansiedade, de Margaret Wehrenberg, e de uma forma bastante simples e objetiva a autora leva-nos a compreender o lado mais técnico da ansiedade. Achei curiosa a forma como fez a ponte entre a neurociência e o comportamento humano para o leitor (mesmo podendo ser o útimo leigo na questão) para que este pudesse aceder de forma mais simples a este tipo de informação. Desta forma, e tendo em conta que a ansiedade é um tema que muitas vezes é abordado quando falamos de gravidez e pós-parto, resolvi trazer aqui um pequeno resumo para responder à questão: Porque é que o nosso cérebro se torna ansioso? 

 

O cérebro integra uma rede complexa de células cerebrais chamadas de neurónios, todas interligadas entre si.

Há muito ainda para conhecer sobre o funcionamento do cérebro, contudo, algo que se sabe até agora é que todos os pensamentos que temos e todas as emoções que sentimos, são resultado da atividade cerebral, e da mesma maneira que não nos sentimos bem quando algum órgão não está a funcionar adequadamente, os nossos pensamentos e emoções podem sofrer perturbações se o cérebro não estiver a funcionar bem.

 

 

Os neurónios comunicam entre si através de mensageiros específicos, os chamados neurotransmissores. Quando há problemas ao nível da sua quantidade - podem ser insuficientes, ou suficientes, mas não conseguirem passar a mensagem de um neurónio para outro, ou estarem presentes em excesso - e qualidade - no que toca ao local do cérebro onde são recebidos, ou, por exemplo, se houverem dificuldades no recebimento da mensagem no ponto de chegada, podendo haver neurónios que não as recebem com facilidade - a pessoa pode desenvolver ansiedade, ficando preocupada, reagindo excessivamente ao stress, ficando em pânico, ou até dando demasiado importância a coisas que não a merecem.

 

O tipo de sintoma que sentimos depende do tipo de neurotransmissores que tem problemas num determinado local do cérebro.

 

Estes sintomas podem ir desde o negativismo, à preocupação, a uma maior sensibilidade à ameaça, à perda de controlo emocional, a preocupações recorrentes, à demonstração de uma atitude inflexível, à agitação geral, à inquietação interior, tensão física e mental, ataques de pânico, sensação de desespero, concentração excessiva nos pormenores, entre outros. 

 

Durante o período perinatal (que vai desde a conceção até ao pós-parto), muitas pessoas referem sentir ansiedade de uma forma geral, com vários tipos de manifestações como as supracitadas, tal como, em parte, já abordei aqui

Seja neste período, ou em qualquer outro da vida, aprender e praticar algumas técnicas de meditação e relaxamento pode ajudar a atenuar este tipo de sintomatologia. Nesta fase, o controlo da ansiedade ganha um maior relevo tendo em conta o período em questão, e a influência do comportamento materno sobre o feto/bebé.

 

Em breve falarei mais sobre algumas técnicas de meditação e relaxamento, e divulgarei algumas datas para as podermos aprender e realizar em grupo, tal como aconteceu aqui. 

 

Interessados? 

blog@mulherfilhamae.pt

Workshop: Alterações emocionais na Gravidez e no Pós-Parto

No dia 17 de Fevereiro (6ªfeira), entre as 18h00 e as 19h30, estarei no Centro de atividades para grávidas, bebés e crianças - Árvore dos bebés - a falar sobre Alterações emocionais na Gravidez e no Pós-Parto

 

Podem consultar o evento no facebook, aqui.

 

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Gostavam de esclarecer dúvidas sobre o tema?

Querem conhecer outras pessoas na mesma fase da gravidez/pós-parto?

Gostavam simplesmente de trocar algumas ideias ou aprender um pouco mais sobre o tema?

 

Então não hesitem e inscrevam-se

 

Para mais informações:

geral@arvoredosbebes.pt    |     211930127

 

 

Conto convosco?

Sobre saúde mental na gravidez e no pós-parto #9

 

O que diferencia a Perturbação da Ansiedade Generalizada (PAG) da preocupação normal são, sobretudo, os aspetos quantitativos, isto é,  a quantidade de tempo e os recursos psicológicos consumidos em preocupação e na tentativa do controlo da mesma. Adicionalmente, mulheres com PAG têm demonstrado utilização excessiva dos recursos  de saúde, menor qualidade de vida e maior disfunção conjugal

 

 

Macedo, A.F. & Pereira, A. T. (Coords) (2014). Saúde Mental Perinatal: Maternidade nem sempre rima com felicidade. Lousã: Lidel.

Socorro! Preciso de ajuda, mas ainda não me apercebi. Está alguém por aí?

Socorro! 

Grito em silêncio quando compulsivamente choro, e o peito rasga de tanta dor. 

 

Socorro!

Grito em expressão quando passo noites e dias a fio sem dormir, quando perco por completo o apetite, ou quando nada me move à exceção do automatismo interno que me impulsiona a cuidar de quem acolhi. 

 

Socorro!

Diz-me o coração, por tudo o que penso não saber fazer e por tudo o que sinto que concomitante sei e ainda não descobri. 

 

Socorro!

Olho para os olhos do meu filho e não faço ideia se estarei à altura da responsabilidade de o cuidar. 

 

Socorro!

Leio o que é suposto, ouço o que dizem ser certo, mas nem sempre o impulso para o fazer é genuíno. Com o meu filho, sinceramente, por vezes não me apetece ir por aí. 

 

Socorro!

Sozinha me vejo quando olho à minha volta e estão todos contra mim. Ninguém, no fundo, compreende o que sinto, mesmo quando me abraçam e dizem que se precisar de alguma coisa qualquer um estará aqui. 

 

Socorro!

É demasiada opinião para quem acabou de parir. 

 

Socorro!

Preciso de alguém que me ensine sem impor, de alguém que esteja lá sem eu notar, e de alguém que me relembre constantemente da mulher que sou, sem que em mim queira mandar. 

 

Socorro!

Não foi isto que eu idealizei. Não foi nada disto que eu planeei. 

 

Socorro!

Preciso de ajuda, mas ainda não me apercebi. Está alguém por aí?

 

 

Depressão Pós-Parto ou Depressão Perinatal?

Qual dos conceitos melhor traduz a depressão nesta fase da vida da mulher?

 

Dizer 'Pós-Parto' ou 'Perinatal', reporta-nos para períodos diferentes. Tal como o nome indica, 'Pós-Parto' reporta-nos para o momento a seguir ao parto e 'Perinatal' remete-nos para o momento desde a conceção até ao primeiro ano do bebé.

 

 

Classificar a Depressão como Depressão Pós-Parto, acaba por ser o conceito maioritariamente falado e escrito, contudo acaba também por ser mais limitativo do ponto de vista do desenvolvimento da doença, chegando até, a alimentar o mito de que "a Depressão só acontece depois do parto". O que não é verdade. 

 

A Depressão pode ocorrer em qualquer fase da vida, mas a Depressão que tem como foco subjacente as alterações biopsicossociais decorrentes da conceção até ao primeiro ano do bebé, é aquela que se denomina como Depressão Perinatal. 

Como referi neste texto, dado que quando se começou a investigar mais profundamente sobre o tema se incidiu maioritariamente no pós-parto, devido às consequências nefastas que se começaram a atentar mais na época como o suicídio da mãe e/ou o infanticídio, a depressão começou a ser denominada frequentemente como "Depressão Pós-Parto". Não é que esteja errada, no entanto, dizer Depressão Perinatal tendo em conta a sua caracterização, não só é mais correto, como também desmistifica por si só o período provável de ocorrência da respetiva patologia. 

 

Na DSM IV e na CID - 10 - dois livros que identificam vários critérios de diagnóstico para as doenças do foro mental - a depressão e outras patologias que ocorrem no mesmo período aparecem sempre indicadas como no "pós-parto", o que também a nível médico pouco tem contribuído para a clarificação destes conceitos. 

No entanto, sendo a Psiquiatria Perinatal uma área em constante desenvolvimento e que tem ganho uma visibilidade cada vez maior, é provável que a clarificação deste e de outros conceitos, vá sendo cada vez mais preconizada e concretizada.

 

Aqui no blog utilizo muitas vezes o termo Depressão Pós-Parto, uma vez que, sendo o mais conhecido dos dois acaba por mais facilmente chamar à atenção de quem lê os artigos sobre o tema. Contudo, muitas vezes já tenho utilizado o termo Depressão Perinatal para o ir começando a tornar familiar também.

 

E vocês, já alguma vez se tinham questionado sobre esta questão?

 

O apoio da família é fundamental! - artigo publicado na plataforma Maria Capaz.

Mais um artigo publicado na plataforma Maria Capaz que poderão consultar aqui, ou ler de seguida. 

 

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Sim, é verdade! Em qualquer fase da nossa vida, ter uma família que nos apoie é fundamental! E por família identifico  @ companheir@, filh@, mãe, pai, sogr@, irmã,  ti@, o irmão, amig@, prim@ enfim, todos e/ou qualquer um, que nos sejam verdadeiramente significativos.

 

Contudo, após alguns anos de existência confesso que nunca senti tanto a necessidade de apoio, suporte, (verdadeira) compreensão, tolerância e afeto, como senti na fase do pós-parto, enquanto viajava pelo mundo da recém-maternidade.  O turbilhão de emoções que nos envolve a cada novo dia que passa, as múltiplas adaptações que o nosso corpo comporta diariamente, e toda a interpretação e integração das mais variadas experiências e memórias que nos vão surgindo enquanto vamos construindo lenta e intensamente o nosso papel de mãe, não só justifica como consolida em simultâneo a necessidade de apoio por parte da família neste momento da nossa vida.

 

Precisamos de espaço, mas também precisamos de quem compreenda quando queremos um abraço. Precisamos de tempo, mas também precisamos de quem saiba identificar o adequado momento. Precisamos de ajuda para cuidar, mas também precisamos de quem não nos deite abaixo. Precisamos de quem limpe, organize, escute, observe, não julgue e compreenda que nem sempre vamos estar prontas para sorrir, ouvir, falar, ser ou simplesmente, estar.

Pensem que é das hormonas, das dores, das adaptações, das noites sem dormir, do cansaço, da confusão ou da desorganização psicoafetiva que para aqui vai. Pensem o que quiserem.

Pensem que antes dávamos tudo e que hoje dispomos de pouco ou quase nada para quem nos visita. Mas depois de acharem, pensarem, suporem, imaginarem, julgarem e refletirem, lembrem-se que diante de vós está a mulher de sempre. Ciclotímica ou não. Com um humor mais ou menos deprimido, está, por detrás deste cinzento véu que muitas vezes persiste em ficar, a mulher, filha, sobrinha, irmã, neta, prima, amiga e agora mãe, que precisa (talvez até, mais do que nunca) da vossa profunda reflexão sobre o conceito de apoio e compreensão, para concomitantemente tornarem o mais confortável possível, esta estreita fase que nos alberga, e por vezes, nos cega.

 

Se este tipo de apoio é comummente praticado? Talvez não, talvez sim. Mas já há muito que este fator é altamente estudado pelos conhecedores destas matérias, e quer aceitem, contestem, duvidem e/ou acreditem, a verdade é que o apoio da família nesta fase é fundamental!

E no fim – ou mesmo no início e durante a viagem – quando existe e persiste, faz frente, e teima solidamente com as suas emoções, atenuando, ou até mesmo prevenindo o desenvolvimento de perturbações como o Baby Blues e a Depressão Pós-Parto, transformando as típicas alterações que caracterizam a tão peculiar fase do início do pós-parto, em pequenas crostas emocionais, que pela sua desenvoltura cairão, deixando uma subtil, ou mesmo nula marca.

 

 

 Espero que tenham gostado, e que acima de tudo, vos faça refletir.

Crónicas da nossa Equipa Clínica - "Sexualidade na gravidez e no pós-parto – Mitos e Realidades!"*

Comecemos por definir o que é a sexualidade. Segundo o conceito da Organização Mundial de Saúde, a sexualidade é: uma energia que nos motiva a procurar amor, contacto, ternura, intimidade, que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados. É ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; a sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações, e por isso influência também a nossa saúde física e mental.

 

Esta definição de sexualidade é extremamente completa e integra toda a realidade da sexualidade em qualquer fase da vida adulta – inclusive – durante a gravidez e no pós-parto, fases que vamos abordar neste texto.

 

Assim que uma mulher engravida aparecem sempre uns “velhos do Restelo” com teorias sobre o sexo na gravidez, muitas delas baseadas unicamente em mitos. Vamos hoje desmistificar algumas ideias, sim? Vamos lá!

 

Mito: O orgasmo pode afetar o desenvolvimento fetal.

Realidade: Os orgasmos são positivos em qualquer fase e está provado que quando a mulher grávida vivencia um orgasmo o feto tem - igualmente – uma sensação de bem-estar.  

 

Mito: Ter relações sexuais no primeiro semestre pode causar um aborto?

Realidade: Não há qualquer impedimento do casal manter a sua vida sexual exceto se houver expressas contraindicações médicas.

 

Mito: As grávidas não sentem prazer.

Realidade: O prazer sexual sentido pela mulher não está diretamente relacionado com a gravidez. No entanto, algumas mulheres grávidas afirmam que conseguem sentir mais prazer sexual na gravidez devido a uma maior sensibilidade sensorial. Outras sentem uma maior inibição devido às mudanças corporais e a sua influência emocional. Não podemos – de forma alguma – generalizar.

 

Mito: A penetração pode magoar o/a bebé.

Realidade: O/A bebé está protegido pelo útero e a penetração não magoa o/a bebé. O nosso corpo é inteligente e está preparado para a atividade sexual mesmo durante a gravidez, se esse for o desejo do casal. Contudo, relembro que caso existam expressas contraindicações médicas para não terem relações sexuais com penetração as mesmas devem ser cumpridas.

 

É importante que a realidade seja conhecida por tod@s!

 

Na gravidez a mulher sofre imensas alterações hormonais, físicas e emocionais que tem de gerir da melhor forma e nem sempre (ou quase nunca) é uma tarefa fácil. Muitas vezes as alterações que ocorrem no corpo da mulher durante o período de gestação e no pós-parto podem provocar sentimentos de diminuição de autoestima que, por consequência, provocam uma imagem de menor beleza e capacidade de sedução que pode culminar no decrescimento do desejo sexual. Também há fases da gravidez e do pós-parto que provocam alguma diminuição do apetite sexual, nomeadamente os enjoos e o cansaço intrínseco. Outras vezes as alterações são positivas para as mulheres que se sentem mais femininas e atraentes com as novas curvas corporais e por consequência mantêm ou elevam a sua autoestima. Não há um padrão rígido, depende das mulheres, da gravidez, da relação de casal, de muitos elementos que podem influenciar estas fases.

 

 

Não nos podemos esquecer dos homens pois também eles lidam de forma diferente com a gravidez e com o pós-parto da mulher, o que influencia direta ou indiretamente o desejo e atividade sexual do casal. Por exemplo, há homens que se sentem mais atraídos pelas formas do corpo da mulher gestante e há outros homens que – muitas vezes influenciados pelos mitos em cima identificados – diminuem a sua libido. Não há uma postura certa ou errada nesta realidade, depende sempre das pessoas, do casal. O importante é que haja sempre diálogo entre os dois pois é uma regra fundamental na relação de casal, conforme já foi referido aqui.

 

Deste modo, é visível que a gravidez e o pós-parto são fases que o casal é obrigado a gerir com muito tato. Atualmente o tema da atividade sexual nestas fases ainda é considerado tabu. É muito importante que os casais não tenham receio de solicitar informações desta natureza e que dialoguem muito sobre o que querem e o que sentem, juntos enfrentam obstáculos e encontram soluções. A falta de diálogo e compreensão nestas fases pode originar situações mais complexas, entre elas, a depressão pós-parto. Neste ponto saliento também a retoma da atividade sexual no pós-parto que deve ser controlada pela mulher em parceria com o homem. A mulher é que deve reconhecer se se sente preparada – física e psicologicamente - para retomar a atividade sexual plena, não nos esquecendo das alterações hormonais que a mulher continua a sofrer no pós-parto e durante todo o período de amamentação. Mais uma vez relembro que o diálogo é crucial no casal e a partilha de todas as questões que existam.

 

O casal deve procurar sentir-se bem com as mudanças que ocorrem e não viver com dúvidas ou receios. Por exemplo, um casal que tenha contraindicação médica para praticar sexo deve perguntar ao/à especialista se está a especificar sexo com penetração pois é importante distinguir e relembrar que – caso o casal queira manter a sua intimidade sexual nestas fases – existem muitas formas de explorarem a sexualidade sem penetração e de forma prazerosa para ambos.

A prescrição nestes casos é simples: criatividade!

 

 

*Crónica por Isabel Sofia Pires (Terapeuta Familiar)

Quais as implicações do stress na gravidez e no pós-parto?

Motivos que nos levam a sentir stress com frequência provavelmente não nos faltam nos dias que correm, e falar em stress torna-se cada vez mais, um lugar comum. Contudo, há que ter em conta que lhe estão inerentes, uma série de pensamentos e emoções associados, assim como claras consequências, especialmente quando o stress é vivenciado de forma intensa por uma grávida ou por uma mulher que acabou de ter um filho. 

 

A maternidade pode colocar a mulher em risco de desenvolver doenças do foro mental, como temos vindo a debater e desenvolver aqui, e muitos são os fatores que influenciam o aparecimento de dificuldades psicológicas na gravidez e no pós-parto, em particular perturbações da ansiedade, depressão e stress. 

 

De acordo com o Psicólogo Eduardo Sá*, um dos fatores que tem maior interferência na relação de vínculo entre a mãe e o feto é o stress, sendo considerado como um fator determinante no sofrimento fetal. 

Para além do sofrimento fetal, o atraso na realização de determinados marcos do desenvolvimento, o aumento da incidência de reações alérgicas e perturbações comportamentais nas crianças, o aumento da probabilidade de ocorrência de parto prematuro e o baixo peso ao nascer são muitas das consequências que podem advir da vivência de stress por parte da mulher, durante a gravidez. 

 

Quando o stress sentido pela mulher, se alia ao baixo suporte do companheiro e restante família e amigos/pessoas significativas, aumenta em três vezes mais a probabilidade de uma mulher ter complicações durante a gravidez quando comparado com as mulheres que relatam ter/sentir esse tipo de suporte. Para além disso, as mulheres que sentem maior stress durante e após a gravidez, têm maior probabilidade de vir a desenvolver uma depressão pós-parto, principalmente se acompanhadas de acontecimentos adversos de vida.

 

 

No fundo, o que se tem verificado é que a forma como as mães avaliam e atribuem significado aos acontecimentos de vida poderá ser indutor de stress, e mães com maior stress são menos positivas nas suas atitudes e comportamentos, enquanto que mães com maior apoio são significativamente mais positivas. 

O apoio social modera os efeitos adversos do stress sobre a satisfação de vida da mãe e evidencia efeitos significativos sobre a forma como a criança poderá vir a interagir, demonstrando nitidamente que o stress pré-natal percebido pela mãe, é responsável por resultados negativos durante a gestação, no pós-parto e posteriormente, poderá vir a ter efeitos menos positivos ao longo da vida da criança.

 

 

*Sá, E. (2004) A maternidade e o bebé. Lisboa: Edições Fim de Século.

**Fonte do presente artigo 

 

A influência da qualidade do sono na saúde mental pré e pós-parto.

É mais  do que conhecido que quer durante a gravidez, ou no pós-parto, o sono de uma mulher sofre várias e intensas alterações.

 

No 1º trimestre a presença de náuseas, vómitos, o aumento da frequência urinária, assim como as preocupações pela construção do seu papel parental e as preocupações referentes ao estado de saúde do bebé, são muitos dos motivos que  podem perturbar o sono da mulher.

No 2º e 3º trimestre, as dores dorsolombares, os movimentos fetais, o desconforto abdominal, as cãibras, as expectativas do parto, entre tantos outros, continuam a tornar a atividade do sono, um momento de pouca qualidade, o que muitas vezes provoca sonolência diurna e um cansaço extremo. 

 

 

Para terem uma noção, cerca de 84% das mulheres, relata ter um ou mais sintomas de insónia nas várias semanas de gravidez, com 30% das últimas, a referirem que  nunca tiveram uma boa noite de sono durante a gravidez.

A avaliação deste facto, torna-se muito importante, pois sabe-se hoje que as alterações do sono na gravidez, assim como a vivência de insónia aumentam a probabilidade da mulher sofrer de sintomas depressivos/depressão pós-parto.

 

No pós-parto, o padrão de sono-vigília das mães sofre alterações significativas devido a uma diminuição abrupta das hormonas que estavam associadas à atividade/função da placenta  e também como resultado do padrão irregular do ciclo de sono-vigília do recém-nascido.

Para além disso, sabe-se que a duração total do sono diminui  do primeiro trimestre de gravidez até um mês no pós-parto e a eficiência do sono é inferior nos três meses pós-parto comparativamente à gravidez.

 

 

As mulheres que referem privação de sono significativa e cujos bebes têm problemas em dormir podem ter maior risco de virem a sofrer uma depressão.

No entanto, não são só os últimos referidos que influenciam o sono da mulher no pós-parto, existem outros fatores importantes que importa referir como, a idade da mãe, o tipo de parto, o tipo de alimentação do bebé, o temperamento do bebé, o regresso ao trabalho, o número de crianças em casa, a disponibilidade do parceiro ou de outros membros da família para ajudar durante a noite. 

 

 

Perante todos estes factos, há alguém por aí que tenha usufruído de boas noites de sono durante a gravidez e/ou no pós-parto?

 

 

Fonte 1

Fonte 2