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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Quais são as histórias que dão a cara por esta causa?

São histórias de mulheres que se confrontaram com ansiedade e depressão na gravidez, com blues, depressão, ansiedade e/ou psicose pós-parto. 

 

São histórias de homens que se confrontaram com depressão pós-parto, homens que se viram sozinhos a cuidar, com uma mão, dos seus filhos recém-nascidos, e com a outra, das suas mulheres que emocionalmente se encontravam pouco ou nada tranquilas. 

 

São histórias de mães e sogras que se confrontam com histórias de filhas e filhos com depressão na gravidez e/ou no pós-parto, histórias de mães e sogras que se relembram das suas há décadas atrás, e que atualmente congelam, não sabendo como agir, ou que por outro lado, agiram tranquilamente. 

 

São histórias de amigas, amigos, tios e primos que dão de caras com ausências prolongadas, com visitas proteladas, com humores e emoções desviadas do que esperavam e não souberam como agir, ou que por outro lado, agiram tranquilamente. 

 

São histórias de vidas, reais, pouco coloridas, mas que demonstram exatamente como são muitas as vivências de gravidezes e pós-partos que foram tudo, menos o esperado pelos seus protagonistas. Sejam mulheres, companheiros, sogras, mães, primos, amigas, tias, vizinhas, quem for.

 

 

Alguém que se tenha confrontado com uma história menos positiva na gravidez e/ou no pós-parto?

Alguém que tenha uma história menos colorida sobre a maternidade?

Alguém que tenha uma coleção de momentos pouco felizes, muito diferentes do esperado? 

 

Então essas histórias são para serem contadas aqui, na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa

 

Uma causa sobre o lado menos positivo da maternidade, que existe, é real, não é único e que precisa de se tornar mais consciente para todos, facilitando, entre outros, a chegada de apoio a quem vive, na primeira e/ou na segunda pessoa, uma maternidade que nem sempre rima com felicidade

 

 

Têm alguma história para contar? Não hesitem! 

blog@mulherfilhamae.pt

 

Em conversa com... Um homem que (sobre)viveu aos tais Baby Blues. Já ouviram falar?

Baby Blues ou Melancolia pós-parto é uma "perturbação do humor" transitória, com sintomatologia intensa, mas de pouca durabilidade, comparativamente a outras perturbações pós-parto.

Surge entre o terceiro e o sétimo dia pós-parto, persistindo por uma a duas semanas, podendo no entanto, prolongar-se por mais tempo, e abrange cerca de 80% das puérperas (mulheres que se encontram numa fase pós-parto até às 6 semanas, a partir do nascimento do bebé) de acordo com a OMS (2007).

 

Os sintomas mais comuns inserem-se na labilidade emocional, irritabilidade, ansiedade, insónia, fadiga, perda de apetite, alterações de humor, falta de confiança em si própria, crises de choro, hiperemotividade, sentimentos de incapacidade. Porém, para muitos autores que se dedicaram ao estudo deste estado, é a labilidade de humor e as crises de choro que são fontes de evidência do surgimento da melancolia pós-parto, para a maioria dos casais.

Muitos autores consideram ainda que este, não é um estado patológico, mas sim, um estado essencial para promover a adaptação da mãe ao bebé, favorecendo o alivio do stress e ansiedade que acomete o puerpério.

 

As variações hormonais, a forma como se viveu a gravidez, o apoio do conjugue, dos familiares mais próximos, amigos, etc., pode estar na origem do seu aparecimento e/ou favorecer uma melhor ou pior gestão do Baby Blues.

 

Aproveitando a chegada do dia do Pai, e tendo em conta a alta percentagem de casos estimados,  Mulher, Filha & Mãe esteve à conversa com um amigo, um Homem que viveu de perto um caso de Baby Blues, e tentou captar a prespetiva masculina da questão.

Ele preferiu manter o anonimato, pelo que o retratei por V.

 

Ora, vejam lá o resultado.

 

 

 

MF&M: Sabias o que era o Baby Blues?

V: Não. Nunca tinha ouvido falar. Já tinha ouvido qualquer coisa (mas nada especifico) sobre depressão pós-parto, mas nem sequer sabia se tinha muito, pouco ou nada a ver com o babyblues.  

 

MF&M: Quando a tua esposa começou a vivenciar esta situação, apercebeste-te logo do que se estava a passar?

V: Logo, logo, não. Demorou alguns dias até perceber que o que se estava a passar não era uma simples tristeza momentânea. Mas notei que algo não estava bem na sua forma de estar, ser, pensar.

Lembro-me do primeiro dia em que chegámos a casa da maternidade, de vê-la sentada no cadeirão no quarto da nossa filha, e de alguma forma o olhar vago, e triste que ela transmitia, o facto de se estar sempre a querer isolar do resto da família, me deixou um pouco desconfiado a pensar que alguma coisa se passava, mas não dei logo a devida importância.

 

MF&M: O que sentiste quando presenciaste um "primeiro episódio"?

V: Eu não lhe chamaria episódio. Eu chamar-lhe-ia estado. Isto, porque não há um episódio de vez em quando e depois a pessoa está bem ou normal. Existe uma mudança de estado global da própria pessoa. Ou pelo menos, foi isso que senti, que observei. 

Mas respondendo à tua pergunta, inicialmente senti receio do que o que quer que se estivesse a passar, pudesse fazer à nossa relação, mas como te disse, ao mesmo tempo, inicialmente, também pensei que fosse algo momentâneo. Posteriormente é que comecei a perceber que não.

 

MF&M: Como classificarias então, esse estado?

V: Ela andava muito mais irritada, mais triste, mais nervosa, chorava facilmente por qualquer coisa, mais insegura em relação a tudo, não queria sair (o que não era nada comum na pessoa que estamos a falar), nem estar com ninguém conhecido. Queria estar só comigo e com a filha e às vezes, sozinha.

 

MF&M: O que fazias nesses momentos para a ajudar?

V: Sinceramente, em alguns momentos sinto que não fiz nada porque era tão difícil lidar com isto...

Em primeiro lugar temos de ter em conta que nenhum de nós os dois, inicialmente, sabia classificar o que se estava a passar, depois isto não aconteceu por fases, aconteceu tudo muito depressa, ao mesmo tempo que nos habituávamos às rotinas de um novo membro na família e toda a adaptação emocional e estrutural que isso traz, e depois andava super cansado, porque tentávamos dividir todas as tarefas para não estar nenhum sobrecarregado. Ou seja, inicialmente não me apercebi e reagi mais do que agi, pensava que era o feitio dela, ou que estava a descarregar o stress em cima de mim, e depois quando nos apercebemos que algo não estava bem, a minha postura mudou. Tentei ser o mais compreensivo possível, não reagir logo à forma agressiva com que muitas vezes falava comigo, e tentava fazer com que sentisse sempre o meu apoio, fazia tudo o que podia em casa, no cuidar da nossa filha, fazia-lhe massagens, tentava ser sempre otimista, tentei dar-lhe algum espaço e ao mesmo tempo mantinha-me sempre por perto para o que fosse necessário.

 

MF&M: Em algum momento sentiste que já não sabias o que fazer?

V: Sim. Várias vezes. Farto. Exausto. Cansado. Cansado. Cansado.

Sentir que me estava a esforçar ao máximo e de repente parecia que nada do que estava a fazer era suficiente e a única coisa que queria era vê-la bem. E ela estava tudo, menos bem. Não era nada fácil. Senti-me várias vezes sem norte, mas ao mesmo tempo, também não podia quebrar. Não foi nada fácil...

 

MF&M: Ironicamente falando, o que fazias nessa altura, quando não sabias o que fazer?

V: Pensava na nossa filha, e em como sempre a desejamos tanto, juntos. Pensava no amor que tenho pela minha mulher e em como queria que tudo resultasse e que estes momentos menos bons parassem. Tentava parar para refletir, engolir o orgulho (que é extremamente difícil...), descansar sempre que podia para depois com as ideias mais frescas, ser mais positivo.

 

MF&M: Alguma vez pensaste em recorrer a outro tipo de ajuda, juntamente com a tua esposa?

V: Não. Porque para mim recorrer a outro tipo de ajuda só mesmo em último caso e eu sempre senti que a muito ou pouco custo, juntos íamos conseguir ultrapassar isto. Que tínhamos a capacidade mental para o fazer. Sentimo-nos desamparados, é verdade! Mas também, juntos seríamos mais fortes. 

E sinceramente, pensando hoje, juntamente com a minha mulher, percebemos que este assunto ainda é muito tabú na nossa sociedade. Muitas vezes associado à ingratidão da mulher por não estar feliz com a sua própria vida e vinda de um filho e não tem nada, mas mesmo nada a ver com isso! Esta forma de pensar, faz com que muitas mulheres não falem, ou ignorem o assunto, o que é bastante prejudicial para elas e para com quem vivem, podendo trazer problemas pessoais a curto ou a longo prazo, como tivemos oportunidade de ler em alguns (poucos) artigos portugueses que encontrámos sobre o assunto.

 

MF&M: O que pensas que ajudou a tua esposa a superar esta fase?

V: Uma das coisas que mais a ajudou (e a mim também) foi a conversa com um casal amigo, que concludentemente, também já tinha passado pelo mesmo. Passámos algum tempo a falar sobre isto, eles deram-nos alguns conselhos, apoiaram-nos, e isso foi muito importante para nós. Depois, também o facto da minha esposa estar sempre a pesquisar sobre o assunto, tentar informar-se ao máximo e acima de tudo, o amor que temos pela nossa família, o nosso foco, manter o nosso foco, foi muito importante.

 

MF&M: Gostavas de deixar alguma mensagem a outros homens que possam estar a viver o mesmo que tu, ou que poderão vir a vivê-lo?

V: Sim! Tentem ler o máximo sobre isto, mas de preferência, antes do parto. Infelizmente, os profissionais de saúde com que contactamos nunca falaram sobre isto, e pior, quando os confrontámos com esta situação, desvalorizaram. Falem com amigos e familiares, tentem perceber como viveram cada situação. Não é que nos sintamos bem com o "mal" dos outros, mas as experiências alheias ajudam-nos a compreender a nossa e consequentemente a orientarem-nos num caminho interno e conjunto. Sei que nem sempre será fácil, por isso não se castiguem por isso, mas tentem ao máximo ajudar a vossa mulher a cuidar do(s) filho(s), da casa, insistam para saírem de casa e irem passear sempre que possível, façam com que a mesma saiba o quanto gostam e se importam com ela! Mais do que nunca, este é o momento. E nos piores momentos, tentem respirar, refletir, descansar e mentalizem o vosso foco. E se esse for para estarem juntos, então lembrem-se sempre disso. 

 

 

 

Tal como este Pai disse: "Juntos somos mais fortes". Por isso, divulguem esta palavra, especialmente, se conhecerem alguém que passa, já passou ou poderá vir a passar por esta situação. 

 

Se também vocês querem dar força a esta questão e partilharem alguma sugestão, testemunho ou questão enviem-nos email para blog@mulherfilhamae.pt

 

 

 

A Essência de uma Vida

Nasce da garra e da força,

E assim se torna moça.

Num mundo pequeno para ela,

onde qualquer sensação ou pensamento

rapidamente se torna um tormento.

Inicialmente não entende esta complexidade,

pois não é só fruto da mocidade,

mas sim da fraca igualdade que acomete género e sentimento.

 

Oh não! Afinal não é só tormento, também é ignorância alheia,

Que a faz sentir e perceber, o quão duro é viver.

Viver como mulher é duro, mas também é puro. 

É complexo, mas tem sempre nexo,

É difícil, mas não é terrível. Muito pelo contrário.

Há orgulho, amor profundo, paixão e entrega,

não só para si, mas para quem penetre o seu íntimo e pessoal,

numa esfera global que integra personalidade e emoção,

onde há, na generalidade, pouco espaço para a racionalidade.

 

E assim, de Mulher, passa rapidamente para filha,

sendo este, um papel praticamente tangente,

o que torna bastante confusa a sua mente,

na tentativa de compreender:

Mas afinal, que limites e que lugar, tem o meu ser?

 

E numa vida bastante atribulada, 

tenta demonstrar a sua essência,

tão complexa como imaculada,

a quem a rodeia e a atinge (Aquela gente alheia),

mas com pouco sucesso, por fraca maturidade de discurso.

 

Com esta roda de tentativa-erro,

os anos vão passando e o mundo vai girando,

disparando em sentidos perversos.

Perversos e sem acaso, onde o amor acontece,

atingindo profundamente o seu íntimo e a sua mente.

 

Daqui nascem outros dois papéis:

O de Mulher com cara-metade, e mais tarde, o de Mãe,

onde, com toda a verdade, brota um outro amor sem igualdade e sem precedentes.

Não há razão aqui. Só alma e emoção.

E é daqui que nasce a verdadeira paixão de viver e se conhece a razão,

dos atos e verbos praticados,

de quem não compreendia a nossa essência enquanto filha 

e com alguma paciência, nos foi criando,

para hoje chegarmos ao topo da nossa montanha e voltar-mos a repetir,

o que a doutrina da vida nos prescreveu.

 

Pergunto-me: Como será a partir daqui?

Respondo: Não faço a mínima ideia.

Olho para trás e penso: Misteriosa e interessante a essência de uma vida.

 

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