Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Ansiedade e depressão na gravidez e pós-parto: Porquê pedir ajuda?

Porque há solução! 

 

Porque o sofrimento não tem de ser uma constante. 

Porque não é necessário suportar tudo em silêncio.

Porque voltar a estar bem consigo mesma, é uma forte possibilidade.

Porque existem vários recursos a que pode recorrer.

Porque vai-se sentir mais tranquila e segura.

Porque tem muitos dos recursos que precisa dentro de si para ultrapassar este momento.

 

postpartum-depression-study.jpg

 

 

A gravidez e/ou o pós-parto podem não ter começado da forma mais tranquila possível, ou pelo menos, da forma como esperou. Contudo, não tem de permanecer assim. Há profissionais que a podem apoiar, existem recursos a que pode ter acesso, e com o tratamento e acompanhamento adequado pode voltar a encontrar o equilíbrio que procura. 

 

Considerando o meu percurso pessoal e profissional, desenvolvi um projeto de apoio a mulheres com alterações emocionais na gravidez e no pós-parto. 

 

Brevemente avançarei com mais informações sobre o projeto. Contudo, se até lá considerar que lhe posso ser útil em algo dentro desta temática, aqui ficam os meus contactos:

 

E-mail:
centro@mulherfilhaemae.pt

Telemóvel:
(+351) 936 180 928

Resultados do Questionário: Serviços de apoio a pessoas com experiência de Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto.

Há alguns dias responderam a um questionário que lancei intitulado de "Serviços de apoio especializado a pessoas com experiência de Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto".
 
Em primeiro lugar, muito agradeço a quem dispensou um pouco do seu tempo para responder ao questionário, embora já tenha tido a oportunidade de o fazer de forma mais particular.
 
De qualquer forma, mesmo para os que gostavam de ter respondido mas não tiveram possibilidade, para os que não repararam, ou para qualquer outro leitor que possa ter interesse, aqui ficam os resultados principais do questionário.
Existem mais resultados para serem trabalhados - e que serão brevemente - mas atualmente trago-vos os gerais e quantitativos.
 
 
Foram 314 as respostas que foram contabilizadas.
 
  • Relativamente às pessoas que responderam ao questionário

género.png

idade.png

distrito.png

habilitações académicas.png

  • Em relação à experiência das 314 pessoas perante o Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto, chamo a vossa atenção para o facto da quantidade de pessoas que afirma ter passado por um mau momento no pós-parto, adicionada às que afirmam ter passado por uma dessas experiências, ser sempre superior à das pessoas que afirmam que não, no total.  

experiência dpp.png

experiência app.png

experiência bpp.png

 
  • Apesar dos dados anteriores, a quantidade de pessoas que afirma ter pedido ajuda é muito pouca, e ao mesmo tempo, muito próxima das que referem ter pensado em pedir ajuda, mas que acabaram por não o fazer, como podem ver de seguida:

 

ajuda dpp e app.png

apoio bpp.png

 
  • As poucas pessoas que afirmaram, em ambas as situações, ter pedido ajuda (46 pessoas), referiram que pediram ajuda aos seguintes profissionais/nos seguintes locais:

 

a quem pediu ajuda.png

 


  • Contudo, a grande maioria das pessoas afirma que se tivesse acesso a um local onde houvesse, quer promoção do bem-estar emocional na gravidez e no pós-parto, quer acompanhamento especializado no caso de desenvolverem um Blues, Depressão e/ou Ansiedade no pós-parto, recorreria a este tipo de serviços:

 


se tivesse acesso acompanhamento.png

se tivesse acesso promoção bem estar emocional.p

 

No final, 74 pessoas deixaram comentários afetos ao tema, na sua grande maioria partilhando experiências menos positivas relativas à gravidez e ao pós-parto, e outras, incentivando o trabalho dentro deste âmbito. 
 
 
Com todos os dados que resultaram das vossas respostas espero ter-vos colocado a refletir sobre o tema, e aproveito para vos convidar a visitar o site do Projeto Mulher, Filha & Mãe, onde também irei publicar os resultados deste questionário brevemente, e caso queiram fazer alguma sugestão e/ou observação com vista ao estabelecimento de parcerias e/ou aperfeiçoamento do respetivo projeto, ou simplesmente para esclarecerem alguma questão, não hesitem em contactar-me! 
 
 
blog@mulherfilhamae.pt

Sobre saúde mental na gravidez e no pós-parto #10

As condições de vida das famílias têm vindo a mudar de forma radical nos últimos anos. Em quase todas as culturas existem rituais que servem para conferir um estatuto especial à mulher puérpera e que actuam essencialmente no sentido de aumentar a sua autoestima, de diminuir as suas dificuldades na relação conjugal e de clarificar o seu estatuto social. No entanto, esses rituais de passagem estão a desaparecer nas sociedades ocidentais atuais e a falta desses rituais cria um terreno propicio ao proliferar das perturbações relacionadas com a maternidade, nomeadamente porque a função desses rituais era assegurar o apoio social e suster a atuoestima da puerpera, duas circunstancias intrinsecamente reoacionadas com a depressão pós-parto.

 

 

Figueiredo, B. (2001). Depressão Pós-Parto: Considerações a propósito da intervenção psicológica. Psiquiatria Clínica, 22, (3), pp. 329-339.

Projeto Mulher, Filha & Mãe: Os desafios psicossociais do pós-parto.

 

Vários são os desafios psicológicos e sociais que o pós-parto acarreta!

 

Acolher um novo membro na família, especialmente se este for o primeiro filho, nem sempre é um momento vivido de forma tranquila e em paz, como muitos esperam. Prepararem-se para o parto, para aprimorarem conhecimentos quanto aos cuidados a terem com o bebé, como se prepara uma mala para a maternidade e afins, são questões muito importantes!

Contudo, falar, por exemplo, sobre as alterações que podem ocorrer no seio de casal, dentro de cada membro da família, e no que consiste psicossocialmente a integração de um novo membro na família também são temáticas a não descurar. 

 

Vamos falar sobre isto? Contactem-me! 

 

blog@mulherfilhamae.pt

www.projetomulherfilhaemae.pt

Psicose Pós-Parto: Uma realidade distorcida e pouco conhecida.

Apesar da gestação ser tipicamente considerada um período de bem-estar emocional e de se esperar que a chegada da maternidade seja um momento jubiloso na vida de uma mulher e respetiva família, o período peri e pós-natal pode não ser assim tão agradável como já temos vindo a falar, por exemplo, aqui, e aqui, e aqui, e aqui.

 

Tem-se dado importância crescente ao tema, e pesquisas recentes têm focado também o prejuízo que essas patologias podem provocar não só à saúde da mãe, mas também ao desenvolvimento do feto, ao trabalho de parto e à saúde do bebé. Múltiplos fatores de risco estão envolvidos, mas a etiologia exata ainda não foi estabelecida, sendo que, um dos únicos que se conhece é que estes transtornos costumam acometer puérperas que já tenham história de patologia psiquiátrica prévia.

 

 

De entre os vários transtornos psiquiátricos que ocorrem no pós-parto e que podem acometer uma puérpera, a psicose, mesmo sendo um quadro mais raro que poderá aparecer em 1 a 4 mulheres por cada 1000 nascimentos, é um deles. 

Mulheres portadoras de transtorno bipolar do humor, por exemplo, apresentam risco elevado de desenvolver uma psicose puerperal (havendo cerca de 260 casos por cada 1.000 puérperas) quando comparadas a mulheres saudáveis, que apresentam 1 a 2 casos por cada 1.000 puérperas.

Estudos constataram que o início é abrupto com 1/3 dos casos a ocorrer na primeira semana após o parto e 2/3 nas duas primeiras semanas após o parto.

 

A Sintomatologia que apresentam está relacionada com delírios, alucinações e presença de estado confusional que parece ser peculiar aos quadros de psicose puerperal. Podem haver sintomas depressivos, maníacos ou mistos associados. A principal temática dos delírios da psicose puerperal está ligado ao bebé, sendo que, os temas mais comuns dos delírios são achar que o bebé não nasceu, foi trocado, está morto ou defeituoso, por exemplo.

Contudo, sem nenhuma história prévia de transtornos psiquiátricos o mais provável é que a utente se recupere completamente.

 

Se consideram que se encaixam nesta sintomatologia, ou conhecem alguém que poderá estar a passar por algo semelhante, não hesitem em contactar algum especialista na área (Psiquiatra ou Médico de Família), o mais rapidamente possível. Esta Patologia tem um inicio súbito, um desenvolvimento rápido e necessita de um olhar clínico o mais precocemente possível para iniciar tratamento, que é fundamental para gerir as manifestações desta doença.

 

Falar sobre este tema pode sempre suscitar algum medo nas mulheres e famílias que pensam em vivênciar o período da maternidade brevemente, ou às grávidas e respetivas famílias que o irão viver dentro de pouco tempo, contudo, estarem informados sobre este tipo de temáticas também é importante, pois caso surjam, é importante saberem como identificarem estes problemas, e onde recorrerem para procurar apoio. 

 

Dúvidas ou questões? 

blog@mulherfilhamae.pt 

Em conversa com... Um homem que (sobre)viveu aos tais Baby Blues. Já ouviram falar?

Baby Blues ou Melancolia pós-parto é uma "perturbação do humor" transitória, com sintomatologia intensa, mas de pouca durabilidade, comparativamente a outras perturbações pós-parto.

Surge entre o terceiro e o sétimo dia pós-parto, persistindo por uma a duas semanas, podendo no entanto, prolongar-se por mais tempo, e abrange cerca de 80% das puérperas (mulheres que se encontram numa fase pós-parto até às 6 semanas, a partir do nascimento do bebé) de acordo com a OMS (2007).

 

Os sintomas mais comuns inserem-se na labilidade emocional, irritabilidade, ansiedade, insónia, fadiga, perda de apetite, alterações de humor, falta de confiança em si própria, crises de choro, hiperemotividade, sentimentos de incapacidade. Porém, para muitos autores que se dedicaram ao estudo deste estado, é a labilidade de humor e as crises de choro que são fontes de evidência do surgimento da melancolia pós-parto, para a maioria dos casais.

Muitos autores consideram ainda que este, não é um estado patológico, mas sim, um estado essencial para promover a adaptação da mãe ao bebé, favorecendo o alivio do stress e ansiedade que acomete o puerpério.

 

As variações hormonais, a forma como se viveu a gravidez, o apoio do conjugue, dos familiares mais próximos, amigos, etc., pode estar na origem do seu aparecimento e/ou favorecer uma melhor ou pior gestão do Baby Blues.

 

Aproveitando a chegada do dia do Pai, e tendo em conta a alta percentagem de casos estimados,  Mulher, Filha & Mãe esteve à conversa com um amigo, um Homem que viveu de perto um caso de Baby Blues, e tentou captar a prespetiva masculina da questão.

Ele preferiu manter o anonimato, pelo que o retratei por V.

 

Ora, vejam lá o resultado.

 

 

 

MF&M: Sabias o que era o Baby Blues?

V: Não. Nunca tinha ouvido falar. Já tinha ouvido qualquer coisa (mas nada especifico) sobre depressão pós-parto, mas nem sequer sabia se tinha muito, pouco ou nada a ver com o babyblues.  

 

MF&M: Quando a tua esposa começou a vivenciar esta situação, apercebeste-te logo do que se estava a passar?

V: Logo, logo, não. Demorou alguns dias até perceber que o que se estava a passar não era uma simples tristeza momentânea. Mas notei que algo não estava bem na sua forma de estar, ser, pensar.

Lembro-me do primeiro dia em que chegámos a casa da maternidade, de vê-la sentada no cadeirão no quarto da nossa filha, e de alguma forma o olhar vago, e triste que ela transmitia, o facto de se estar sempre a querer isolar do resto da família, me deixou um pouco desconfiado a pensar que alguma coisa se passava, mas não dei logo a devida importância.

 

MF&M: O que sentiste quando presenciaste um "primeiro episódio"?

V: Eu não lhe chamaria episódio. Eu chamar-lhe-ia estado. Isto, porque não há um episódio de vez em quando e depois a pessoa está bem ou normal. Existe uma mudança de estado global da própria pessoa. Ou pelo menos, foi isso que senti, que observei. 

Mas respondendo à tua pergunta, inicialmente senti receio do que o que quer que se estivesse a passar, pudesse fazer à nossa relação, mas como te disse, ao mesmo tempo, inicialmente, também pensei que fosse algo momentâneo. Posteriormente é que comecei a perceber que não.

 

MF&M: Como classificarias então, esse estado?

V: Ela andava muito mais irritada, mais triste, mais nervosa, chorava facilmente por qualquer coisa, mais insegura em relação a tudo, não queria sair (o que não era nada comum na pessoa que estamos a falar), nem estar com ninguém conhecido. Queria estar só comigo e com a filha e às vezes, sozinha.

 

MF&M: O que fazias nesses momentos para a ajudar?

V: Sinceramente, em alguns momentos sinto que não fiz nada porque era tão difícil lidar com isto...

Em primeiro lugar temos de ter em conta que nenhum de nós os dois, inicialmente, sabia classificar o que se estava a passar, depois isto não aconteceu por fases, aconteceu tudo muito depressa, ao mesmo tempo que nos habituávamos às rotinas de um novo membro na família e toda a adaptação emocional e estrutural que isso traz, e depois andava super cansado, porque tentávamos dividir todas as tarefas para não estar nenhum sobrecarregado. Ou seja, inicialmente não me apercebi e reagi mais do que agi, pensava que era o feitio dela, ou que estava a descarregar o stress em cima de mim, e depois quando nos apercebemos que algo não estava bem, a minha postura mudou. Tentei ser o mais compreensivo possível, não reagir logo à forma agressiva com que muitas vezes falava comigo, e tentava fazer com que sentisse sempre o meu apoio, fazia tudo o que podia em casa, no cuidar da nossa filha, fazia-lhe massagens, tentava ser sempre otimista, tentei dar-lhe algum espaço e ao mesmo tempo mantinha-me sempre por perto para o que fosse necessário.

 

MF&M: Em algum momento sentiste que já não sabias o que fazer?

V: Sim. Várias vezes. Farto. Exausto. Cansado. Cansado. Cansado.

Sentir que me estava a esforçar ao máximo e de repente parecia que nada do que estava a fazer era suficiente e a única coisa que queria era vê-la bem. E ela estava tudo, menos bem. Não era nada fácil. Senti-me várias vezes sem norte, mas ao mesmo tempo, também não podia quebrar. Não foi nada fácil...

 

MF&M: Ironicamente falando, o que fazias nessa altura, quando não sabias o que fazer?

V: Pensava na nossa filha, e em como sempre a desejamos tanto, juntos. Pensava no amor que tenho pela minha mulher e em como queria que tudo resultasse e que estes momentos menos bons parassem. Tentava parar para refletir, engolir o orgulho (que é extremamente difícil...), descansar sempre que podia para depois com as ideias mais frescas, ser mais positivo.

 

MF&M: Alguma vez pensaste em recorrer a outro tipo de ajuda, juntamente com a tua esposa?

V: Não. Porque para mim recorrer a outro tipo de ajuda só mesmo em último caso e eu sempre senti que a muito ou pouco custo, juntos íamos conseguir ultrapassar isto. Que tínhamos a capacidade mental para o fazer. Sentimo-nos desamparados, é verdade! Mas também, juntos seríamos mais fortes. 

E sinceramente, pensando hoje, juntamente com a minha mulher, percebemos que este assunto ainda é muito tabú na nossa sociedade. Muitas vezes associado à ingratidão da mulher por não estar feliz com a sua própria vida e vinda de um filho e não tem nada, mas mesmo nada a ver com isso! Esta forma de pensar, faz com que muitas mulheres não falem, ou ignorem o assunto, o que é bastante prejudicial para elas e para com quem vivem, podendo trazer problemas pessoais a curto ou a longo prazo, como tivemos oportunidade de ler em alguns (poucos) artigos portugueses que encontrámos sobre o assunto.

 

MF&M: O que pensas que ajudou a tua esposa a superar esta fase?

V: Uma das coisas que mais a ajudou (e a mim também) foi a conversa com um casal amigo, que concludentemente, também já tinha passado pelo mesmo. Passámos algum tempo a falar sobre isto, eles deram-nos alguns conselhos, apoiaram-nos, e isso foi muito importante para nós. Depois, também o facto da minha esposa estar sempre a pesquisar sobre o assunto, tentar informar-se ao máximo e acima de tudo, o amor que temos pela nossa família, o nosso foco, manter o nosso foco, foi muito importante.

 

MF&M: Gostavas de deixar alguma mensagem a outros homens que possam estar a viver o mesmo que tu, ou que poderão vir a vivê-lo?

V: Sim! Tentem ler o máximo sobre isto, mas de preferência, antes do parto. Infelizmente, os profissionais de saúde com que contactamos nunca falaram sobre isto, e pior, quando os confrontámos com esta situação, desvalorizaram. Falem com amigos e familiares, tentem perceber como viveram cada situação. Não é que nos sintamos bem com o "mal" dos outros, mas as experiências alheias ajudam-nos a compreender a nossa e consequentemente a orientarem-nos num caminho interno e conjunto. Sei que nem sempre será fácil, por isso não se castiguem por isso, mas tentem ao máximo ajudar a vossa mulher a cuidar do(s) filho(s), da casa, insistam para saírem de casa e irem passear sempre que possível, façam com que a mesma saiba o quanto gostam e se importam com ela! Mais do que nunca, este é o momento. E nos piores momentos, tentem respirar, refletir, descansar e mentalizem o vosso foco. E se esse for para estarem juntos, então lembrem-se sempre disso. 

 

 

 

Tal como este Pai disse: "Juntos somos mais fortes". Por isso, divulguem esta palavra, especialmente, se conhecerem alguém que passa, já passou ou poderá vir a passar por esta situação. 

 

Se também vocês querem dar força a esta questão e partilharem alguma sugestão, testemunho ou questão enviem-nos email para blog@mulherfilhamae.pt