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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Bebé-Mãe: a primeira relação humana.

O título deste texto é da autoria de Daniel Stern que na década de 80 editou um livro, assim intitulado, e que em muito contribuiu para o aumento de conhecimento inerente à psicologia do bebé, assim como para a crescente consciencialização da importância da relação mãe-bebé para o seu desenvolvimento psicossocial.

Ao terminar de ler uma das suas obras, rápido pensei em partilhar algumas das suas conclusões aqui no blogue que me fizeram refletir bastante, e que espero que também vos façam refletir também.

 

Todos nós passamos por esta relação, sendo, de facto, a nossa primeira relação humana. 

Stern observou, filmou, analisou, estudou e descreveu muitas das interações entre o bebé e a mãe, e de vários desses momentos, retirou uma panóplia de conclusões que deram origem a conhecimentos fundamentais, que ainda guiam determinadas práticas de muitos profissionais que trabalham este tipo de relação, nos dias de hoje. 

 

Uma das suas primeiras grandes afirmações ditam que a "mãe e o bebé, quer estejam conscientes disso, ou não, sabem mais do que nós sobre as suas próprias interações sociais (...). A mãe está envolvida num processo natural com o bebé, um processo que se desdobra com uma complexidade fascinante para o qual, ela e o bebé estão preparados por milénios de evolução". Motivo pelo qual, na grande maioria das vezes, o que fazia, era observá-los.

 

Da análise destas primeiras interações concluiu que as interações sociais naturais existentes entre ambos, constituem-se das experiências mais cruciais na primeira fase de aprendizagem do bebé. Ao fim de alguns meses, o bebé desenvolve a capacidade de compreender alguns esquemas do rosto humano, voz, tato, e dentro destas categorias ele reconhece o rosto, voz, movimentos específicos da pessoa que mais cuida dele - normalmente, a mãe. Para além disso, apreendeu pistas sociais que têm efeito mútuo para iniciar, manter, terminar e evitar interações com a mãe. 

 

Pode-se afirmar que o comportamento maternal, é a matéria do mundo exterior com a qual o bebé começa a construir o seu conhecimento e a experiência de tudo o que é humano, assim como é interessante verificar que as mães agem com os bebés de uma forma diferente de como agem com outros adultos ou crianças mais velhas, sendo que, cada pessoa desenvolve o seu próprio estilo de comportamento, de acordo com o que é, ou de acordo com o seu bebé.

 

 

Seja através das expressões faciais, do tom de voz, do que verbaliza e da forma como o faz, da proximidade, do olhar, do toque, etc., várias são as formas pelas quais mãe e bebé comunicam e interagem, sendo este, de acordo com Stern, um "processo individual e intrincado - de improvisação, no local de comportamentos inesperados que vêm de dentro, de criação espontânea e mudança de padrões temporais e sequências de comportamento que nunca antes tinham sido manifestados dessa maneira, e que, no entanto, são observados milhões de vezes". O suficiente para conduzir a uma direção de ação nova e desconhecida, fazendo tudo isto parte de um processo natural e comum a todos nós. 

Sobre o combate à depressão pós-parto.

O Livro Verde é um documento que surge com o objetivo de lançar o debate com as instituições europeias, os governos, os profissionais de saúde, outros interessados dos demais setores, a sociedade civil, incluindo as associações de doentes e a comunidade cientifica, sobre a importância da saúde mental para a UE, a necessidade de uma estratégia a nível comunitário e as suas eventuais prioridades.

 

Numa das suas propostas de ação, referencia a promoção da saúde e a prevenção da doença mental junto da população. Quando nos remetemos para a saúde mental na infância e na adolescência o mesmo refere que:

 

"Uma vez que os primeiros anos de vida são determinantes para a saúde mental, promover a saúde mental junto das crianças e dos adolescentes é investir no futuro. Fomentar as competências parentais contribui para um melhor desenvolvimento infantil. Uma abordagem escolar holística contribui para aumentar as competências sociais, melhorar a resiliência e reduzir o assédio, a ansiedade e os sintomas depressivos.

 

Algumas das ações com êxito identificadas no âmbito de projetos comunitários:

- Bebés e crianças: combater a depressão pós-parto das mães; melhorar as competências parentais; visitas domiciliárias de enfermeiras para prestar apoio a pais futuros e novos pais; intervenção de enfermeiras nas escolas. (...)"

 

 

 

Como vêem, o combate à Depressão pós-parto é identificado como sendo uma das prioridades identificadas no âmbito da promoção da saúde mental da população.

 

Formação dos profissionais na área, formação para os pais e a criação de redes de suporte para estas famílias tornam-se medidas fundamentais para que cada vez menos mulheres desenvolvam este tipo de afeção, e que sejam suportadas, caso sejam alvos deste tipo de doença. Para além disso, atuar na mulher e na família que sofre de uma destas perturbações inerentes à saúde mental perinatal é atuar na promoção da saúde e prevenção da doença mental do próprio bebé/criança que espelha parte do futuro da nossa nação. 

 

Atuar perante os problemas de saúde mental é fundamental. Atuar perante os problemas de saúde mental perinatais, é absolutamente necessário para o desenvolvimento de famílias e crianças funcionais e saudáveis mentalmente. 

 

Há por aí alguém também disposto a apostar nisto?

Saúde Mental e Reiki: Um caminho longo, mas também já muito percorrido!

"A gravidez e os primeiros anos de vida da criança constituem um período crítico e vulnerável para a saúde mental da mãe e do bebé, marcando todo o desenvolvimento futuro.

 

Esta fase introduz transformações profundas (emocionais, relacionais, sociais e económicas) no pai, no casal parental e na família mais alargada.

É um período de crescimento muito rápido do feto e do bebé, em que as experiências então vividas (físicas e emocionais) têm um impacto vital no seu desenvolvimento, repercutindo-se na sua saúde mental ao longo de todo o ciclo de vida.

 

Assim, impõe-se que os profissionais de saúde que contactem com grávidas, bebés e pais adquiram um conhecimento atualizado sobre os aspetos da saúde mental da gravidez e primeira infância, de forma a promoverem o desenvolvimento de fatores protetores e intervirem precocemente nas situações problemáticas.

 

Se queremos que as nossas crianças tenham um bom começo de vida e que o possam transmitir mais tarde aos seus próprios filhos, teremos de dar prioridade às necessidades de saúde mental dos bebés e seus pais.

 

Os bebés não podem esperar."

 

 

Como poderão consultar aqui, na página 5 (o que acabei de transcrever), a avaliação da saúde mental na grávida e posteriormente na mulher/homem/casal parental é um parâmetro que teoricamente, já está preconizado há muito pela Direção Geral de Saúde. 

 

Como em muito na vida, ainda há tanto para fazer, mas a verdade é que também muito já tem sido feito! 

Mudar mentalidades, para posteriormente se mudarem atitudes e comportamentos é coisa para levar anos e anos de árduo trabalho por parte, não só de quem trabalha as respetivas temáticas, como de uma nação inteira! 

 

Como tal, o caminho vai sendo caminhado devagar (dada a quantidade e diversidade de variáveis envolvidas), mas a verdade é que não se parou nem se pára de andar. E este paradigma não só é vivido na Saúde Mental no Pré e Pós-Parto, como na Saúde Mental em geral, e em todas as áreas clínicas e não clínicas (como o Reiki, por exemplo) onde muitas dúvidas se colocam, no fundo (e aparentemente, quase que só simplesmente) por se acreditar que "olhos que não vêem, coração que não sente". Mas não é bem assim.

 

Nem sempre aquilo que os olhos não vêem, não significa que não ocorra.

Ninguém tem Depressão, Esquizofrenia, Transtorno da Personalidade ou da Ansiedade (entre tantos outros), escrito na testa.

Assim como, lá porque não existe um exame capaz de identificar com precisão qualquer tipo de doença do foro da saúde mental, não significa que estas não existam, ou que façam parte do imaginário de quem as tem. 

Assim como, lá porque não se vê a Energia Reiki a passar, não significa que não se sinta os seus benefícios, ou mesmo, que não se sinta durante um tratamento.

 

 

Nem tudo é preto no branco. Nem tudo é tão transparente como a água. 

 

Mas, como eu disse e volto a referir e a sublinhar, o caminho faz-se...caminhando. E sendo mais lento por vezes, ou mais rápido noutras, não só por aqui, como em tantos outros locais ligados aos temas em questão, não se parou, nem se irá parar de caminhar

 

Quais as implicações do stress na gravidez e no pós-parto?

Motivos que nos levam a sentir stress com frequência provavelmente não nos faltam nos dias que correm, e falar em stress torna-se cada vez mais, um lugar comum. Contudo, há que ter em conta que lhe estão inerentes, uma série de pensamentos e emoções associados, assim como claras consequências, especialmente quando o stress é vivenciado de forma intensa por uma grávida ou por uma mulher que acabou de ter um filho. 

 

A maternidade pode colocar a mulher em risco de desenvolver doenças do foro mental, como temos vindo a debater e desenvolver aqui, e muitos são os fatores que influenciam o aparecimento de dificuldades psicológicas na gravidez e no pós-parto, em particular perturbações da ansiedade, depressão e stress. 

 

De acordo com o Psicólogo Eduardo Sá*, um dos fatores que tem maior interferência na relação de vínculo entre a mãe e o feto é o stress, sendo considerado como um fator determinante no sofrimento fetal. 

Para além do sofrimento fetal, o atraso na realização de determinados marcos do desenvolvimento, o aumento da incidência de reações alérgicas e perturbações comportamentais nas crianças, o aumento da probabilidade de ocorrência de parto prematuro e o baixo peso ao nascer são muitas das consequências que podem advir da vivência de stress por parte da mulher, durante a gravidez. 

 

Quando o stress sentido pela mulher, se alia ao baixo suporte do companheiro e restante família e amigos/pessoas significativas, aumenta em três vezes mais a probabilidade de uma mulher ter complicações durante a gravidez quando comparado com as mulheres que relatam ter/sentir esse tipo de suporte. Para além disso, as mulheres que sentem maior stress durante e após a gravidez, têm maior probabilidade de vir a desenvolver uma depressão pós-parto, principalmente se acompanhadas de acontecimentos adversos de vida.

 

 

No fundo, o que se tem verificado é que a forma como as mães avaliam e atribuem significado aos acontecimentos de vida poderá ser indutor de stress, e mães com maior stress são menos positivas nas suas atitudes e comportamentos, enquanto que mães com maior apoio são significativamente mais positivas. 

O apoio social modera os efeitos adversos do stress sobre a satisfação de vida da mãe e evidencia efeitos significativos sobre a forma como a criança poderá vir a interagir, demonstrando nitidamente que o stress pré-natal percebido pela mãe, é responsável por resultados negativos durante a gestação, no pós-parto e posteriormente, poderá vir a ter efeitos menos positivos ao longo da vida da criança.

 

 

*Sá, E. (2004) A maternidade e o bebé. Lisboa: Edições Fim de Século.

**Fonte do presente artigo