Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Depressão Pós-Parto não é sinónimo de tristeza! Sabiam?

Quando se pensa em Depressão associamos logo a mesma doença à imagem de alguém triste. 

Mas querem que vos conte uma coisa que descobri sobre a Depressão Pós-Parto? 

 

Num estudo realizado por Dalton em 1996 sobre os sintomas inicias da Depressão Pós-Parto verificou-se que os mais referidos eram a ansiedade, agitação, irritabilidade e confusão mental, sendo que a tristeza vinha apenas em décimo lugar.

Do descrito até aqui, verificamos que quando estamos perante uma Depressão Pós-Parto, na sua grande maioria é comum a combinação de sintomas ansiosos, obsessivos e depressivos, pelo que o humor deprimido não é necessariamente o primeiro ou o mais importante sintoma a causar sofrimento às mulheres neste período. 

 

 

Dá que pensar não dá?

 

 

Mas se depois de refletirem restar alguma dúvida ou questão, não hesitem em contactar-me para: blog@mulhefilhamae.pt

Estarei por aqui para vos responder!

 

 

Fonte

 

Baby Blues: Querem saber um pouco mais?

O Baby Blues, Blues pós-parto ou tristeza pós-parto, diferem da Depressão pós-parto, como já descrevi neste post.

 

Contudo, considerei adequado desenvolver um post especifico sobre este tema, não só por me ser tão pessoal, como também, por ser tão comum ocorrer.

 

 

As estimativas de casos exsitentes do Baby Blues variam muito de estudo para estudo, encontrando-se entre 15,3% e 84%. Esta grande diferença na respetiva janela de valores existe devido a inconsistências no estabelecimento de critérios para definição de caso e nas diferenças nos métodos de amostragem.

 

Para vos fazer trazer dados mais concretos sobre a possível quantidade de Mulheres que poderão ter passado por esta afeção, decidi cruzar alguns dados. Assim, de acordo com dados da PORDATA, em 2013 houve 82,064 partos no total. Se cruzarmos estes dados com a percentagem mínima e máxima de mulheres que se estima que passem por Baby Blues (15,3% - 84%), então saberemos que o número de mulheres que poderão ter passado por esta experiência em 2013 situa-se entre (aproximadamente) 12,556 a 68,934.

 

Apesar de todas as implicações na vida da mulher e respetiva família, o Blues pós-parto é considerado uma reação normal, comum e passageira às alterações hormonais e aos níveis de stress que caracterizam os primeiros dias após o nascimento de um bebé.

De acordo com alguns autores, o mesmo, não altera a capacidade da mulher funcionar adequadamente, não requer tratamento profissional e o apoio por parte da família e amigos próximos costumam ser suficientes para acelerar a sua resolução.

 

Para além disso, é considerado um fenómeno transcultural, que se manifesta através de choro fácil e labilidade emocional.

Mas, atenção! Este tipo de choro pode não ser acompanhado de sentimentos de tristeza ou depressão. Ou seja, a mulher pode ter vontade de chorar, sem motivo aparente. Há mulheres que paralelamente ao choro, experimentam sentimentos de alegria também.

A dificuldade de atenção e de memória a curto prazo também costumam estar associados à sintomatologia que caracteriza esta afeção.

 

É consensual que comece nos primeiros três dias e que termine entre o sétimo e o décimo dia após o parto. Contudo, cada caso é um caso, e como tal, estes, não deixam de ser valores padrões que resultam de uma série de estudos já realizados na área. 

 

 

Embora o Baby blues seja um preditor independente da Depressão pós-parto, um aspeto muito relevante da sua ocorrência é que está associado ao desenvolvimento posterior de depressão pós-parto, havendo estudos que comprovam que 20% das mulheres que sofrem de Baby blues, poderão vir a desenvolver posteriormente uma depressão.

 Assim, apesar do Baby Blues não ser considerado uma doença do foro da saúde mental, a sua importância advém das suas potenciais implicações no desenvolver de outro tipo de afeções de doenças do mesmo foro.

 

Se sentirem que o choro, a irritabilidade, e/ou a tristeza que sentem nesta fase persiste e vos limita na realização das vossas atividades do quotidiano individualmente e/ou em família, então deverão consultar um especialista na área (Psicólogo, Psiquiatra ou Médico de Família) para avaliarem em conjunto o vosso nível de saúde e bem-estar mental. 

.

 

Fonte 1

Fonte 2

Fonte 3

Histórias que dão a cara por esta causa #5 - "Queria a minha bebé só para mim"

Na sequência do Post sobre a relação entre Obsessão pelo bebé e Depressão Pós-Parto, tivemos uma leitora que nos respondeu relatando um pouco da sua vivência. 

 

Sem dúvida alguma que foi mais uma mulher de coragem, que mesmo anónima, dá força para que assuntos inerentes aos desafios psicossociais do pós-parto sejam cada vez mais tidos em conta por cada vez mais famílias que nos vão seguindo.

Tenho a certeza que com o relato crescente de histórias e vivências neste sentido, a necessidade de se construírem cada vez mais respostas para este tipo de situações irá ser mais clara e óbvia! Não concordam?

 

 

 

Se também vocês querem dar a cara por esta causa, mesmo em semelhantes circunstâncias, não hesitem em enviar-nos email para blog@mulherfilhamae.pt

 

Ficamos à espera!

 

E agora, querem conhecer mais uma partilha sobre a vivência de uma Depressão Pós-Parto?

 

"No meu caso pessoal, a minha dependência da minha bebé era enorme e considerava-a minha, queria-a só para mim. Juntando isto à falta de apoio e à depressão pós-parto que depois me foi diagnosticada, leva-me a pensar que sim, pode de facto estar relacionado. 

Durante 2 anos vivi para ela, só para ela, esqueci-me e esqueceram-se de mim, todos à minha volta. As estratégias que fala, nenhuma me valeu, nem tive ninguém que conseguisse perceber o que se estava a passar. Estamos tão envolvidas nas tarefas e afazeres com o bebé que não vimos nada e se o apoio não existir, nem sensibilidade  dos mais próximos para conseguirem ver para além do óbvio, então sim, entra-se num caminho muito difícil de sair."

Estratégias para se lidar com o Baby Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto.

Lidar com afeções como o Baby Blues, Depressão e Ansiedade pós-parto não é tarefa simples (ponto).

 

Embora tenha optado por colocar aqui algumas estratégias que possam facilitar de alguma forma a vivência deste tipo de afeções, a verdade é que a convivência e o ultrapassar desses mesmos momentos poderá ir muito para além do que aquilo aqui escrevo, podendo ser necessário o recorrer a um especialista na área, não podendo de igual forma esquecer, que cada caso é um caso e merece a devida atenção nesse sentido.

 

Existe muito para falar sobre este tema, contudo resumi alguns métodos que podem ser colocados em prática para orientarem a vivência de um Baby blues, de uma Depressão ou Ansiedade depois do parto, para um caminho mais pacifico, que podem ser úteis a algumas famílias que nos seguem.

 

 

Assim sendo, se atualmente conhece alguém que convive com alguma destas realidades, ou se é a própria que convive com ela:

  • Tente arranjar tempo de qualidade para si mesma. Você também conta! – Encontre pequenos prazeres, como tomar um banho mais prolongado, saborear um chá relaxante, ou ler um livro que tanto gosta;
  • Reponha as horas de sono em falta – É verdade que com um bebé é muito difícil manter o sono em dia. Contudo, não é impossível! Peça ajuda ao seu companheiro e/ou à sua família e amigos mais chegados para tomarem conta do bebé enquanto dorme algumas horas. Nem que seja uma hora. De certo que notará diferença no seu humor! Ou então, aproveite para descansar enquanto o/a bebé dorme, nem que seja uma vez por dia. Repor o sono, especialmente nos primeiros tempos de vida do bebé, é tão difícil, como fundamental;
  • A Alimentação é fundamental! – Quando surge uma afeção deste género a nutrição é das primeiras coisas a ser afetada. O que come tem um impacto direto no seu estado de humor, bem como na qualidade do seu leite materno, por isso faça os possíveis por manter uma alimentação saudável e equilibrada. Ou pelo menos, para manter as refeições "em dia". Mais uma vez, aqui, o apoio do seu companheiro e família, torna-se fundamental no seu acompanhamento;
  • Faça exercício físico – Nem que seja uma caminhada de 30 minutos por dia, ou em dias alternados já faz muito bem! O Exercício físico melhora a auto-estima, entre tantos outros benefícios biopsicossociais que acarreta e que são extremamente benéficos para fazer face às afeções em questão;
  • Saia com o seu companheiro, com amigos, ou até mesmo sozinha se preferir. - É muito importante sair de casa, nem que seja só para ir beber um café. Distrair-se, apanhar sol, andar um pouco, sem dúvida alguma que melhorará o seu humor e a farão sentir-se melhor consigo mesma.
  • Procure apoio e ajuda nas pessoas que a rodeiam – Como já fui referindo, o apoio do seu companheiro e da sua família são fundamentais! Muitas vezes não compreendem logo à partida o que está a sentir, mas é se extrema importância manterem a comunicação para que tal possa acontecer. Poderá ser difícil, mas não mantenha os seus sentimentos apenas para si. Outra alternativa também poderá estar na procura de grupos de mães com quem possa partilhar sentimentos, sensações e experiências do processo de maternidade;
  • Informe-se e esteja alerta ao que se passa consigo. - Se considera que algo não está bem consigo mas mesmo assim não consegue dar a volta ao assunto tente monitorizar o que sente e tenha em conta determinadas situações práticas que se passam consigo e o exemplificam. Em último caso, a ajuda de um profissional especializado poderá será uma boa orientação aos cuidados pessoais e apoio familiar. A terapia, o blogue Mulher, Filha & Mãe, os grupos de apoio bem como, em determinados casos, a medicação podem ser bastante úteis. A informação que for registando, posteriormente, poderá ser-lhe útil na descrição da sua situação perante o profissional em questão.

 

 

Alguma Dúvida ou Questão? 

 

Então não hesitem em contactar-me para o seguinte email: mfem2912@gmail.com.

 

 

 

"A Obsessão pelo bebé é considerada sintoma de uma Depressão Pós-Parto?"

Já há algum tempo, que uma Mulher e Mãe que nos segue, fez-nos chegar esta questão, à qual respondemos de imediato.

Após o seu consentimento, decidimos partilha-la nesta nossa nova rubrica, pois quem sabe se esta não poderá ser uma dúvida vossa também?

Em todo o caso, tal como falei neste post de apresentação, se nos quiserem transmitir alguma dúvida ou questão, mesmo que não a queiram partilhar posteriormente no blogue, não hesitem em contactar-nos para o seguinte email:

 

perguntas@mulherfilhamae.pt

 

Faremos questão de vos responder o mais brevemente possível!

 

 

Dúvida:

Bom dia. A co dependência do bebé, ou seja, a obsessão pelo bebé é considerado um estado de depressão pós parto?

Fui mãe pela segunda vez há 6 meses. Nunca pensei passar por isto, principalmente no segundo filho. Amamento em exclusivo(introduzimos ontem a sopa) Praticamos co slepping. Passo 24h por dia com a minha bebé, o amor da minha vida. Por norma temos várias visitas e 99% das vezes corre mal! Corre mal porque fico mal humorada o dia todo. Chego a chorar quando as pessoas saem! Primeiro acho cruel visitarem um bebé e não lavarem as mãos ou pelo menos passar um pouco de desinfectante que ali tenho à entrada bem exposto! Depois, ou é porque a estou sempre a amamentar, ou é porque ela está pouco agasalhada, ou é porque estou a prejudicar-me profissionalmente por causa dela... irra estou farta! Por mim isolava-me de tal maneira que não recebia mais visitas! Observo tudo silenciosamente, de maneira a não me chatear com ninguém. Mas depois as pessoas saem e o ritual segue-se! Banhinho rápido à minha menina. É que não há respeito mesmo! Vêm co. Imenso perfume pegar na minha bebé! ! Em 6 meses nunca mais cobduzi. Sim... sempre que temos consultas ou vacinas, o pai conduz e eu vou atrás com o meu anjinho. Sou muito criticada por isso mas é uma insegurança que ainda não me sinto capaz de ultrapassar! Ninguém me entende! Não confio em ninguém. 

Peço desculpa pela pergunta e não sei se é correto a fazer. Mas é o meu estado actual. A maior parte das mães fica cansada de lidar 24h por dia com o bebé, eu sou completamente o oposto e detesto que outras pessoas se aproximem. Não estou a conseguir lidar bem com isto.

Peço imensa desculpa pelo longo texto, mas só o facto de escrever já me alivia um pouco. É impensável falar disto com outras pessoas. Pois logo serei alvo de duras criticas.

 

Resposta*:

Existem vários estudos que indicam que a obsessão pelo bebé poderá ser um sintoma de uma depressão pós-parto. Contudo, a inerência deste sintoma à mesma doença, não significa que sempre que ocorra, lhe esteja subjacente uma Depressão pós-parto. 

A verdade é que se, num sentido mais lato, nós mães, nos sentimos desconfortáveis com algum pormenor no nosso comportamento e/ou relação com o bebé, só este já poderá ser um bom indicador de que algo se passa, mesmo não sendo patológico.

Relembro que a Depressão pós-parto é uma doença que necessita de ser avaliada por um médico, para ser efetivamente diagnosticada, e não simplesmente através da observação/sensibilização do próprio, algum familiar ou conhecido, para um certo sinal/sintoma. É a avaliação médica que através da observação e junção de um conjunto de sinais e sintomas, integrados num contexto, e na individualidade de cada pessoa, poderá dar origem a um determinado diagnóstico, pelo que, não se poderá afirmar que alguém tem uma depressão pós-parto, tendo só esta informação.

Tendo em conta que a efetiva obsessão pelo bebé poderá ser algo desviante do considerado saudável na relação mãe-bebé, a consulta inicial com um Psicólogo Clínico, e mais tarde com um Psiquiatra ou Médico de Família, se se verificar necessário, é fundamental para determinar a relação entre ambas as evidências (obsessão pelo bebé e depressão pós-parto) e obter uma conclusão clara e concreta.

 

 

*Embora tenha partilhado concomitantemente toda a história que a P. nos contou, dada a sua especificidade, a respetiva resposta foi reencaminhada para o contacto de onde foi remetida. A presente resposta dada, corresponde unicamente à questão que a P. colocou, num sentido mais abrangente.

 

 

Histórias que dão a cara por esta causa #4 - "Sofri muito com a ausência de apoio durante o Baby blues"

Ainda mal tinha acabado o meu comentário à nossa história que publicaram na plataforma Maria Capaz (que podem ver aqui), e a Dora já tinha feito um comentário que não me esquecerei.

 

Ela dizia:

Que bom ter lido esta partilha pois quando falo destes mesmos sentimentos e angustias acham que eu sou um et. O meu marido nunca compreendeu ainda hoje diz que eu fazia teatro para chamar a atenção. As minhas feridas foram mto fundas, tão fundas que após um ano ainda não cicatrizaram, ainda sangram....
Este estado levou.m a decidir que não quero ter mais filhos quando eu amo ser mãe e ser mãe foi o que sempre quis. Mas doeu muito, ainda dói principalmente porque não tive ninguém para me ajudar foi sempre tudo as minhas costas casa, bebé, marido e ainda tive de ouvir gente que me veio visitar gozar comigo dentro da minha própria casa porque eu estava 40 min a dar de mamar em vez de me aconselharem pois eu era inexperiente era tudo tão novo para mim.... ao escrever este pequeno relato as lágrimas ainda me saltam pelos olhos porque ainda dói muito e se estou aqui neste casamento, nesta casa é pela minha filha apenas por ela porque os outros não reconhecem a minha luta para estar de cabeça erguida todos os dias....
Um grande beijinho a todas as marias capazes
Dora

 

E eu, logo a seguir respondia valorizando a sua coragem em, não só relatar o que tinha sentido, como o facto de o conseguir verbalizar/escrever abertamente. 

Senti que tinha encontrado ali mais uma mulher que, querendo ou não, dava a cara por situações como as que temos vindo a relatar aqui.

Propus-lhe que escrevesse a sua história mais detalhada para o blogue e assim foi. Escreveu, detalhou, e penso que colocará o coração aos saltos de qualquer pessoa que leia e integre a sua história. 

MUITO OBRIGADA DORA!

 

 

 

E vocês, também querem dar, mesmo sem mostrarem, a cara por esta causa, escrevendo-nos a vossa história?

Lembrem-se que quantas mais formos, mais força este assunto terá, e maior contributo daremos à estruturação de apoio para o mesmo!

Enviem-nos as vossas histórias para o seguinte email mfem2912@gmail.com quando se sentirem confortáveis!

 

E agora, preparados para lerem a história da Dora?

 

Olá Ana

Deixo aqui o meu testemunho mais pormenorizado, publique como quiser não tenho qualquer problema em dar a cara, pois mesmo que isto só me acontecesse a mim não teria.

Ao fim de 41 semanas de gravidez e uma barriga gigante á 01.00H la fui eu para a maternidade perdida de dores mas muito feliz.

Não fui a correr mal me deu a primeira contração, esperei, sabia o que tinha de fazer, quando estas começaram a ser com 5min de intervalo la fui eu com a cabeça pousada no tablier o caminho inteiro dizendo ao meu marido, que tremia e suava de nervos," vai devagar porque eu não aguento as dores". Tive um atendimento fantástico na maternidade, trataram - me com todo o carinho e cuidado, ao fim de 11h nasceu por cesariana a minha filhota. Meus Deus que linda..... a primeira coisa que pensei foi " se não a tivesse sentido sair de mim ia pensar que não era minha, ela é tão linda". Quase explodi de alegria. O meu marido parecia um menino a chorar quando lhe pegou ao colo pela primeira vez, ainda estávamos no recobro. Tudo corria bem apesar das dores da cirurgia que tinha ate que, ao fim de 24h foi diagnosticada icterícia á B e eu fiquei para morrer porque aquilo que é tão comum nos bebés pode não ser assim tão linear dependendo do grupo sanguíneo, brotaram aí as primeiras lágrimas descontroladas dos meus olhos. Mas aguentei firme não mostrei a ninguém o meu descontrolo apenas a minha preocupação com a B. No terceiro e ultimo dia de internamento não aguentei mais, tive uma sra crise de choro, em silencio chorei desesperadamente sem saber porquê, fui ao ginecologista numa sala ao lado da enfermaria onde eu estava e mal o medico olhou para mim disse - me bom dia e um "você não está bem" eu desabei, chorei perdidamente enquanto ele me examinava a costura e eu disse - lhe entre soluços " esta tudo bem com a costura? vai dar - me alta? eu ja não aguento mais estar aqui quero ir para casa." Ele responde " são as hormonas, por mim pode ir, consigo esta tudo bem agora se os valores hepáticos da bebé não normalizarem ela tem de ficar...." Pior eu fiquei.....
Felizmente tivemos altas as duas e eu achei que ao chegar a casa, tomar um banho, vestir o meu pijama e dormir um pouco tudo iria passar,mas não foi assim.
Tudo se agravou devido á privação do sono, as dores no peito ( os meus mamilos gretaram ) e as dores da cicatriz que me limitavam drasticamente os movimentos, mal consegui andar, foi assim durante 2 longos meses.
O meu desespero psicológico era tanto que tenho lapsos de memoria dessa altura.
Chorava desesperadamente, sem motivo, mal a minha filha começava a chorar, o meu marido perguntava - me " porquê que estas a chorar? " e eu respondia  - lhe " não sei". Até hoje ele acha que era teatro para chamar a atenção.
Nunca tive ninguém para me ajudar com a casa e com o bebé, fui sempre sozinha para tudo, o meu marido pouco ajudou a única coisa que fazia era dar banho á B porque eu não podia estar dobrada por causa da dor da cicatrização da costura.
Um dia liga - me um medico amigo, que é meu medico de família, para saber como eu estava após a cirurgia(ainda não havia um mês após o parto) e eu desato a chorar ao telefone e digo - lhe "ajuda - me por favor, não aguento mais este estado acho que estou a entrar numa depressão" ele responde - me prontamente " amanha quero - te no meu consultório sem falta, agora acalma - te porque a bebé sente a tua instabilidade, se precisares liga - me.... força pequenita"
Ele explicou - me o que eu ja tinha lido, nada era novidade apenas o que eu sentia.
Este estado ainda não passou na totalidade ainda me sinto frágil, ainda brotam lágrimas pelos meus olhos quando relembro esta fase, quando as cicatrizes ainda mal fechadas sangram, ainda doi.
Escusado será dizer que esta fase afectou todas as áreas da minha vida, principalmente o meu casamento, criou - se um foço entre mim e o meu marido, as coisas não são fáceis mas fazemos um esforço para que resultem pela felicidade da nossa filha. Por ela e apenas por ela não mando tudo pras urtigas.
So gostava de dizer mais uma coisa neste meu extenso relato, a todas as recem mamas que como eu tiveram a infelicidade de falarem e ate receberem em suas casas pessoas que as diminuem enquanto mães e até lhes dizem indirectamente que não sabem ser mães, NÃO OUÇAM.
Eu fui alvo dessa gente mal intencionada mas felizmente encontrei uma "bíblia" que me ajudou a perceber que afinal estava muito certa na forma como tratava e amamentava a minha filha e fez de mim uma mãe segura chama - se Pergunte ao Pediatra escrito pelo Dr. Carlos Gonzalez, um pediatra catalão.
Aguentei tudo isto, aguento ainda a dor que me assalta pela minha filha e por ela todos os dias levanto a cabeça e sigo em frente.....

Espero que a minha experiencia ajude e obrigada Ana por me dar esta oportunidade.
Com carinho
Dora

 

 

Ansiedade no pós-parto: Uma patologia que existe e persiste.

Quando se falam em problemas psicológicos no pós-parto, há uma remetência quase imediata para o Baby Blues ou para a Depressão pós-parto. Mesmo aqui no blogue, acabo por falar um pouco mais das últimas duas afeções, por serem também aquelas com maior prevalência atual, conhecida.

 

Contudo, existem outras afeções que ocorrem no pós-parto a nível psicológico e que tenho o objetivo de vos ir relatando aos poucos. Hoje, aquela que vos trago, é a Ansiedade no pós-parto. 

 

 

A ansiedade por si só, é um estado emocional que apresenta manifestações a nível físico e psicológico. Faz parte da experiência humana e é responsável pela adaptação do organismo a situações de perigo. Para determinados autores é considerada um estado emocional aversivo, sem estímulos desencadeantes externos e que não pode ser evitado.


Mas falando especificamente na fase em que a mulher acabou de ser mãe, aqui, a ansiedade é um fenómeno comum, sendo esta fase da vida de uma mulher um período de maior risco para o surgimento ou aumento de sintomas ansiosos. Apesar de existiram poucos estudos que descrevam os efeitos da ansiedade na mulher após o parto, a sua prevalência é de 5% a 20% das mulheres, sendo mais usual em mulheres que tiveram o seu primeiro filho.

A sintomatologia mais comum está relacionada com ataques de pânico, medo de estar em espaços abertos ou no meio da multidão, medo de ficar sozinha com a criança ou hipocondria relativa ao bebé. Até o stresse que envolve o acolhimento e responsabilidade de um recém-nascido poderão precipitar características ansiosas.


Em 2005, Britton realizou um estudo sobre a influência da mulher que sofre de ansiedade no pós-parto, no recém-nascido, numa amostra de 422 mulheres onde avaliou os seus níveis de ansiedade. Os resultados mostraram que cerca de 24% das mulheres que acabaram de ter os seus filhos demonstraram possuir ansiedade. As mesmas, e especialmente aquelas que tiveram o seu primeiro filho, solteiras e com fraco suporte social apresentaram índices superiores de ansiedade total. O mesmo autor ainda concluiu que as mulheres ansiosas tendem a não identificar os cuidados básicos que os recém-nascidos necessitam.

 

Sendo esta, mais uma afeção que acomete mulheres após o parto, é importante ressalvar que a distinção das patologias a que as mesmas podem estar sujeitas é fundamental, de forma a poder-se encaminhar a respetiva mulher para um atendimento adequado. Por exemplo, embora sintomas ansiosos possam estar relacionados com uma depressão pós-parto, os mesmos podem não ser uma manifestação clara de uma depressão pós-parto, mas simplesmente de uma ansiedade pós-parto, e desta forma, o tipo de apoio técnico especializado a consultar, poderá ser diferente. 

 

 

 

Para mais informações, podem consultar esta tese:

"RELAÇÕES ENTRE ANSIEDADE-ESTADO E ANSIEDADE-TRAÇO, SINTOMAS DEPRESSIVOS E SENSIBILIDADE AO STRESSE EM PUÉRPERAS"

 

 

 

Histórias que dão a cara por esta causa #3 - "Uma história sobre uma mãe emigrante"

A "Maria", emigrante, foi mãe há poucos meses e também experienciou um momento de babyblues no seu pós-parto. Ganhou coragem e enviou-nos um email, não só com a sua história, mas também a dar-nos força para continuarmos a percorrer este caminho!

 

Confesso-vos que ao longo destes meses há dias melhores, outros menos bons, mas chegar um dia, abrir o email e ver histórias como esta, que dão igualmente voz a tudo o que temos vindo a defender, que nos dão vitalidade para continuarmos a caminhar, é mesmo muito bom!

É recompensador.

Por isso, mais uma vez, obrigada "Maria"! Muito obrigada por também dares voz a esta causa!

 

Este percurso tem-me trazido cada vez mais certezas de que existem mais "Marias" por aí. E se sim, porque não se juntam a nós, e se confortáveis, nos contam a vossa história? Quanto mais vozes se pronunciarem, maior será o eco!

 

Escrevam-nos a vossa história (ou qualquer outro assunto) para o nosso email: blog@mulherfilhamae.pt

 

Olá Ana! Obrigada por ter iniciado este projecto de partilha fantástico! Depois de conhecer a sua história e ler os testemunhos que publicou recentemente, decidi partilhar a minha também...a história de uma mamã de 2015, fora do seu país, longe da família e dos amigos...

Há realmente coisas para as quais ninguém nos prepara...fazemos as aulas de preparação para o parto e de baby blues fala-se muito pouco. É qualquer coisa que nem nos preocupa antes do parto. Estamos absorvidas com o que temos de preparar antes do bebe nascer, com o momento em si, mas não pensamos no post-partum. Comigo, tudo mudou na noite em que a bolsa de águas rebentou. A saída de casa, marcou o inicio de uma nova etapa, ou do “quarto trimestre de gravidez”, como li à pouco tempo na sala de espera do pediatra.

A minha bebé nasceu por cesariana na manhã seguinte, com um peso inferior a 2,5kg. Dado o seu peso, foi considerada um bebé de baixo peso e todos os cuidados foram tomados. Enquanto tive colostrum, a bebé mamou. O problema começou quando o meu leite desceu e ela rejeitou. Foi introduzido o biberão e não foi fácil o regresso à maminha. Passei dias e noites de angustia no hospital. A pressão foi imensa para que a amamentação fosse estabelecida e para que a bebé não perdesse peso. Quando regressei a casa, a pressão do hospital já tinha passado, a minha bebé estava bem, ganhava  peso, crescia bem, começava lentamente a aceitar a minha maminha, mas a minha angustia, continuava...No dia em que entrei em casa, senti-me perdida. Estava finalmente em casa! E devia estar feliz...e estava...mas estava também absorvida por outros sentimentos que não conseguia explicar a mim própria....tinha medo...medo de estar sozinha com a minha bebé, apesar de só querer estar com ela...medo de não saber cuidar dela...medo de não ser uma boa mãe...sentia uma falta enorme de Portugal, dos minhas pessoas, dos meus sítios...precisava de tempo para compreender a minha bebé (e a mim...mas isso eu não sabia)..precisava de tempo para perceber o que cada choro e cada ruidinho significavam. O meu companheiro deu todo o apoio “logístico”. Era ele que tratava da casa, das refeições...eu “só” tinha de tratar da bebé... mas passados alguns dias tivemos a nossa primeira discussão.  A situação piorou no período em que os meus sogros estiveram cá em casa...além do meu companheiro, agora tinha mais duas pessoas que me olhavam como se eu fosse uma “extraterrestre”... os meus pais que estavam longe, eram os únicos que me compreendiam e me davam apoio, mesmo sem saberem que o faziam...

Apesar de todo o apoio que o meu companheiro me dava, que era imenso e fundamental, faltava alguma coisa...a compreensão do estado psicológico em que me encontrava...sentia que ele esperava mais de mim...dizia-me para voltar a ser eu, para além de mãe, ser mulher (não, não estamos a falar de sexo)...eu sentia que ele me pedia de mais, e ele não compreendia... Ainda hoje, passados 4 meses, ele não percebe o que se passou comigo.

Não, não somos Super Mulheres (ou somos...)...por favor não nos digam o que devemos ou não fazer com o nosso bebé...não nos sufoquem...sim, estamos cansadas e queremos dormir quando o nosso bebé dorme...sim, queremos estar com o nosso bebé ao colo durante horas (faz-nos bem e ao nosso bebé também)...não, não queremos escolher a nossa melhor roupa, apenas a primeira que vem à mão (mal temos tempo para tomar banho, quanto mais escolher roupa, ou fazer depilação, ou pintar unhas, ....)...não nos digam que não podemos ser “apenas” mães, porque é isso que queremos nesta fase... apoiem-nos  neste período em que o nosso estado psicológico está tão fragilizado...só queremos viver o nosso bebé...só queremos ser mães...mais nada...

 

"Maria"

Mulher, filha e [Mãe] - Me - Quer: Uma nova Parceria!

"Uma colaboração enquanto autora do blogue Mulher, Filha & Mãe e profissional de saúde"

Foi a contraproposta que o portal nos fez, quando apelamos à crescente de Publicação de temas inerentes à Saúde Mental Peri e Pós-Natal.

 

A partir de agora, não só enquanto autora deste blogue (que tanto conhecimento, aprendizagem e partilha me tem trazido) mas também enquanto profissional de saúde, passarei a escrever para o portal Mãe-me-quer, com o especial intuito de dar a conhecer mais sobre esta temática, que tanto temos vindo a defender.

Selo-MMQ.png

 

Mais um local onde as pessoas poderão ter acesso a mais informação credível sobre Babyblues, Depressão, Ansiedade e Psicoses pós-parto, entre tantos outros temas inerentes à Saúde Mental Peri e Pós-Natal.

E.. a primeira publicação está quase a sair!  

 

Selo Colaborador.png

 

O que acham da ideia?! 

Há coisas para as quais ninguém nos prepara #3

Alguns dias depois deste momento, aconteceu uma das nossas primeiras discussões decorrentes do momento que vivíamos.

Ele nunca compreenderá o meu lado, assim como eu nunca compreenderei o dele. 

Hoje, olho para trás e penso que não sei o que será pior: Estar envolvido por uma nuvem negra que nos consome e nos controla a cada momento que passa, ou ficar a viver ao lado, observando na primeira fila, quem vive absorvido por essa nuvem negra, sem nada, ou praticamente nada poder fazer para o tempo mudar, e voltar a fazer o sol brilhar.

 

E vocês, conseguem julgar sobre o que será pior?

Pergunto-me se haverá alguém nesta vida com competência ou moralidade para o fazer. 

 

Assim como a senhora que partilhou connosco este testemunho, este meu momento, também grita pelo apoio do companheiro, e o distingue, sem dúvida, como aquele que entre todos, se torna o fundamental, se torna o nosso pilar. Aquele que poderá tornar-se o nosso maior aliado, ou o nosso pior inimigo, consoante este se decidir comportar. 

 

4357.JPG

 

 

Esta, foi aquela página que escrevi após uma das nossas primeiras discussões derivadas do momento que passava, e que ele, na primeira fila, observava. 

 

10.01.2015 - No Sofá do quarto da Madalena.

 

Vou tentar explicar-te amor:

Não tem nada a ver com o facto de tu me ajudares, porque tu ajudas-me, a tempo inteiro!

Não tem nada a ver com o facto de eu estar cansada, porque isso é normal e eu já estive muito pior. Tu também estás cansado.

Não tem nada a ver com o facto de estar saturada. Até porque não estou.

Não tem nada a ver com a possibilidade de estar arrependida ou infeliz, porque definitivamente, não estou. 

Tem a ver com o facto de me sentir culpada. 

Tem a ver com o facto de me sentir abafada pelas circunstâncias. 

Tem a ver com o facto de me sentir sufocada pelas pessoas. 

Tem a ver com o facto de eu não estar, rigorosamente nada bem comigo mesma, e consequentemente, com o mundo que me rodeia. Local, onde por acaso, tu também te encontras. 

Tem simplesmente a ver, com o facto de eu achar que já não sou bem eu, nem sei o que vou ser, quando todos estes pedaços se juntarem e concertarem. 

Explico-me ao ponto de te conseguir fazer entender? Nem que seja um pedaço? Nem que seja um ínfimo de sentimento?

Eu sei. É complicado compreender o que não se sente, o que não se lê, ou mesmo o que se vê, mas não se atinge.

Não por burrice. De todo. Mas sim, por ausência de o sentir, no seu todo, ou na soma das suas partes.

Mas olha, ficas a saber, nem que seja pela escrita, que o teu apoio, é estrondosamente fundamental. 

Obrigado, pelo menos, por tentares. Mas para mim, ainda não está a ser suficiente.