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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Nasceram mais bebés em 2016! E mais apoio emocional...também houve?

De acordo com esta notícia nasceram mais bebés em 2016, e este crescimento tem sido progressivo desde 2014. 

 

É uma ótima notícia!

Precisamos que a taxa de natalidade aumente, precisamos que a base da pirâmide demográfica volte a ficar mais consistente, que cresça. Mas na minha opinião, também precisamos que determinadas condições acompanhem esse crescimento.

Podia fazer uma rubrica só "com aquilo que precisamos" enquanto pais, ou futuros pais, para que muitos pudessem sentir integrar as condições necessárias para ter mais filhos, sendo que até acredito que muitas famílias gostassem de os ter, mas que não privam com as condições que consideram ser as necessárias para poderem aumentar o respetivo núcleo familiar.

 

Mas para além de tudo "aquilo que precisamos" enquanto pais, quando vi esta notícia rápido me perguntei: E o apoio emocional durante a gravidez e no pós-parto, também aumentou? 

 

Claro que não é o foco central da notícia e muito menos a única coisa que os casais precisam para que a decisão de terem filhos seja muito mais facilitada, mas a verdade é que também é muito - mas mesmo muito - importante, como temos vindo a debater por aqui.

 

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Muitos casais quando pensam em ter filhos, e especialmente se forem pais pela primeira vez, poderão não ter de imediato a consciência da importância deste apoio emocional, mas não preciso de apresentar muitos mais argumentos que o demonstrem. Muitos acabam por ganhar esta consciência, e espero que caminhemos para que a ganhem através da sensibilização para o problema por algum profissional de saúde, familiar ou amigo, ao revés de a ganharem por passarem por situações mais complicadas como o desenvolvimento de um blues, ou de uma depressão pós-parto, por exemplo.

 

Portanto, que nasçam mais bebés, sim! Que nasçam muitos e cada vez mais! Que a curva da taxa de natalidade se eleve e que muitos casais possam concretizar o sonho de acolherem um filho em suas vidas. Mas acima de tudo, que nasçam mais profissionais sensibilizados para a saúde mental perinatal, que se criem mais projetos que fomentem o apoio emocional aos pais e futuros pais e respetivas famílias, que a curva da depressão pós-parto decresça, e que todos os casais e respetivas famílias que se confrontem com a realidade de problemas do foro da saúde mental na gravidez e no pós-parto, possam encontrar formas de acompanhamento mais eficazes e eficientes e que não incluam por si só e em exclusividade absoluta medidas farmacológicas associadas, ou pior, o silêncio dos que sofrem durante semanas, meses e anos, sem se pronunciarem por medos, dúvidas e vergonhas, ou por qualquer outro motivo que os iniba de se expressarem.

 

No fundo, que se valorize este aumento de bebés (sim!), que se atente na prevenção de problemas do foro da saúde física e mental (sim!), mas que se aposte em igualdade na sinalização, assim como no acompanhamento destes casos, não só a nível físico, mas a nível emocional também. 

Adoro o meu filho, mas estou sempre tão zangada e irritada!

Acabaste de ser mãe. 

 

Ninguém duvida do amor que sentes pelo teu filho, especialmente tu. Mas a verdade é que te sentes sempre tão zangada e irritada. Por vezes, capaz de berrar com o teu bebé. Não só és capaz como já gritaste com o teu bebé. Várias vezes.

E cada vez que gritas, e te zangas, mais zangada e irritada ficas.

E cada vez que gritas, mais te questionas sobre porque o fazes. 

E cada vez que gritas, mais te culpas. Mais culpada te sentes. 

 

É como uma bola de neve. 

E essa bola de zanga e irritação está a crescer.

E quanto mais cresce, mais desorientada ficas. 

E quanto mais cresce, mais dúvidas tens. 

E quanto mais cresce, mais confusa te sentes. 

 

E aí, sentes que não sabes o que fazer. 

Falas com o teu marido? Com a tua mãe? Com a tua melhor amiga? 

Será que alguém me vai compreender? - questionas. 

Tens um filho saudável, amoroso. E estás zangada. 

E quanto mais olhas para ele, mais zangada ficas. 

E quanto mais olhas para ti, mais irritada te sentes. 

E quanto mais irritada te sentes, mais culpa absorves. 

 

Não sabes se isto vai ter fim. Questionas a opção de ter sido mãe. Mas por outro lado, foi o que sempre quiseste. Ou então, será que querias mesmo? - questionas. 

 

As perguntas aumentam e as respostas não aparecem. 

E continuas sem saber com quem falar. 

 

E quantas mais dúvidas tens, mais irritada ficas. 

E quantas mais respostas se ausentam, mais zangadas te sentes. 

 

Mas será que isto vai parar? 

Serei boa mãe? 

Serei a mãe que o meu filho precisa? 

Tenho medo de ficar sozinha com ele. 

Mas não era suposto eu ser capaz? 

Pensas.

 

E quanto mais te observas, mais culpa sentes. 

E quanto mais culpa sentes, mais zangada e irritada ficas. 

 

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Mas lembra-te - agora digo-te eu - que essa zanga e irritação poderão ser naturais nesta fase. Ou então, poderão estar a perturbar-te demais, e se assim for, pedir ajuda é mesmo o melhor remédio. Porque por mais pequena que possa parecer, é sempre melhor do que nenhuma ajuda ter. 

 

 

Texto baseado nesta notícia

Partilha de vivências na gravidez e no pós-parto: A importância de contar a sua história.

Ultimamente o tema "partilha de vivências no pós-parto" tem estado a ser muito debatido no meu dia-a-dia. 

Seja devido às partilhas que me têm enviado, ou por terceiros que as leem e comentam, ou por outros que têm conhecimento deste espaço no blogue - Histórias que dão a cara por esta causa - e acabam por partilhar também a sua opinião comigo, a verdade é que, muito tenho falado sobre o blogue e sobre este espaço em especial, nos últimos dias.

 

Na grande maioria das vezes, a surpresa e a satisfação estampada no rosto das pessoas quando têm conhecimento deste espaço, acaba por ser uma surpresa também para mim. Muitos acham extraordinário ter dado asas a um espaço assim. Incluo aqui, amigos, familiares, leitores e profissionais de saúde das mais diversas áreas que vou conhecendo.

 

É bom saber e sentir que há medida que o tempo passa, as pessoas vão dando cada vez mais importância a estes relatos aos quais podem ter acesso, aqui, no blogue.

 

É um privilégio poder ter a confiança destas mulheres, homens e respetivas famílias no que toca à partilha (num espaço público) de momentos tão delicados das suas vidas, como aqueles que são publicados na respetiva rubrica. E é com grande respeito e honra que os guardo em mim e os transformo em vigorosos pedaços de força para continuar a lutar pelo debate público e acesso sobre este tipo de temáticas. Para que cada vez mais pessoas possam ter acesso a informação real, fidedigna e transparente sobre um momento da parentalidade, que pode não ser tão positivo e feliz como muitas vezes se espera. E quando assim o é, há que ter em conta que ainda muito há para se aprender, dar, receber e fazer. 

 

Escrevo-vos hoje, não só para sublinhar a importância de escreverem as vossas histórias no pós-parto - sejam positivas ou menos positivas - como também para vos apelar ao seu envio das que são menos positivas e que acabam por desenvolver quadros de blues pós-parto, depressão perinatal, ansiedade e/ou psicose pós-parto, para serem publicadas na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa. 

 

Através deste espaço, já milhares de mulheres, homens e respetivas famílias e amigos, puderam ter acesso a estas vivências, esclarecer dúvidas e refletir sobre o tema.

Várias foram as mulheres que se disseram sentir apoiadas e mais aliviadas por partilharem a sua experiência no blog com outras pessoas. 

Várias foram "as outras pessoas" que chegaram até nós através dessas mesmas vivências.

 

Sei que nem todas as pessoas se identificam com a escrita, mas escrever poderá ser terapêutico.

Nem sempre conseguimos verbalizar o que sentimos, e agarrando no silêncio ao qual nos resignamos - por vezes quando as coisas nem sempre correm como é esperado - misturado com todas as emoções que florescem e dançam em nós - mulheres - após o parto, temos a receita perfeita para desenvolver a necessidade de "deitar tudo cá para fora". Nem sempre o conseguimos fazer verbalmente, e outras vezes fazêmo-lo verbalmente mas nem sempre nos sentimos compreendidas. Outras vezes fazêmo-lo verbalmente, e por vezes somos compreendidas, mas mesmo assim, o vazio que se sente pouco se alivia. E em qualquer um dos casos, escrever, faz bem. 

Em qualquer um dos casos, escrever, obriga a refletir mais concretamente sobre o momento, e em passar para o papel, exatamente o que queremos dizer. 

Escrever, obriga-nos a concretizar. Concretizando, partilhamos através da escrita o que sentimos e que não conseguimos ver no imediato, resolvido. Também poderá não ficar resolvido assim, mas será certamente, promotor de um maior alivio, ficando registada uma vivência, que mais tarde, podemos (e devemos) passar a futuras mães/pais que conhecemos e a gerações futuras também! 

 

De todas as pessoas que me tocaram com a sua histórias guardo um grande carinho e respeito. E é em todas essas, e mesmo naquelas que não enviando, passam por situações semelhantes, que penso quando tenho dúvidas, certezas, dias menos bons, outros extraordinários, grandes e pequenas conquistas, enfim... é em todas elas que penso, enquanto caminho neste percurso.

 

 

 

Um grande bem-haja a todos vós e não se esqueçam... escrevam!

blog@mulherfilhamae.pt

 

Amiga, estarei sempre aqui!

E não tenhas dúvidas. 

 

Ainda me recordo das conversas em que o tempo passava a voar. Em que divagávamos sem limites, sempre fixadas na esperança de que um para sempre assim estaria ali subjacente. 

Ainda me recordo daquelas músicas que nos faziam divagar em silêncio. Que penetravam diretamente no nosso âmago, e que nos faziam sonhar e imaginar como estaríamos dali para a frente, sempre juntas. 

 

As gargalhadas nas madrugadas após uma noite de loucura e as ressacas nesse mesmo dia. Ressacas de, acima de tudo, noites, momentos, paixões, vivências, que sabíamos (lá bem no fundo) que cada vez seriam menos frequentes. 

 

E aquela noite em que fui bater à tua porta às tantas da madrugada? Não. Não estava, de todo, numa boa fase. E tu, acolheste-me, como sempre. 

E aquela tarde me que te liguei desesperada? Não sabia o que fazer. E tu, orientaste-me. 

E naquela manhã em que apareci de surpresa para tomarmos o pequeno-almoço em conjunto? No fundo, apetecia-me falar contigo. Saber a tua opinião. E tu captaste-me, mesmo sem o assumires. Mesmo sem o assumir. Contornaste o assunto e foste direta ao cerne da questão. Apanhaste-me no meu próprio enredo, e confrontaste-me com o que precisava de ouvir, mas que não me apetecia nada. Apeteceu-me gritar-te naquele momento, mas eu sabia que tinhas razão. Lês-me tão bem! Sempre foi assim.

E quando aconteceu o mesmo contigo? O teu mau-feitio não te permitiu assumir o momento em que te captei, e viraste-me as costas. Ficámos um tempo assim, mas o que nos unia era, sem dúvida, mais forte. 

 

Primeiro a escola, depois a faculdade, e entretanto, entrou mais alguém para o nosso mundo. Percebi cedo que era o tal. 

Foi difícil dividir-te de inicio, mas a vida é mesmo assim. Rápido me apercebi o quão difícil também foi para ti dividires-me, quando fui eu que encontrei o tal

 

O tempo passa. Continuamos unidas, mas menos tempo juntas. O tempo voa cada vez mais depressa quando nos vemos. Aquele abraço apertado que trocamos, o carinho que se mantém e a forma como tentamos aproveitar cada segundo de conversa a sós, e a quatro. O nosso ritmo de vida é frenético. Isso sempre foi algo que tivemos em comum, e que se mantém. O tempo voa quando estamos juntas, e voa quando estamos sós.

E de repente surge a notícia... oh meu deus, vais ser mãe! Vou ser tia... 

 

Incrível como o tempo passa! Incrível! Só me consigo lembrar daqueles momentos em que divagávamos, questionando - e quando formos mães? - E agora, chegou o momento! 

 

Para mim ainda é cedo, mas eu sabia que esse caminho chegaria cedo para ti! Sempre foi o teu maior desejo! 

Lembraste do que perspetivávamos jovens para este momento? É tal como tu o imaginaste? 

 

É maravilhoso ver-te assim. Radiante, feliz. A gravidez vai passando, e mesmo apesar dos enjoos e de todas as alterações que vão ocorrendo dia após dia, estás verdadeiramente linda! 

 

O tempo de gestação está quase a terminar e rapidamente teremos a nossa menina junto de nós. Já não seremos só duas a passar uma tarde a falar sobre a vida, mas teremos mais uma miúda para integrar! Não tenho grande experiência com bebés, mas quero estar aqui para te ajudar em tudo o que precisares. É tão bom ver-te assim, feliz! 

 

A pequena já está cá fora, linda, saudável...é um doce! E vocês, os pais mais babados do mundo. 

Combinamos ver-nos depois da saída da maternidade, mas não dizes nada. Estranho. Ligo, e não atendes.

Ligas depois, dizes-me que está tudo bem mas que estás cansada. Combinamos para outro dia, e mantemo-nos semana após semana assim. 

 

Decido ir bater-te à porta com uma caixa de sushi e um bolo de chocolate, tal como tu adoras! 

Assim que te olho, há qualquer coisa estranha. Não trazes mais aquele brilho no olhar. Dizes-me vezes sem conta que estás cansada e não provas o que te trouxe para comer. Praticamente não me deixas ver a nossa princesa. Estava a dormir e não queres acordá-la. Compreendo. 

 

Sinto que provávelmente vim em má altura e opto por sair após um forte abraço, que não resisto em oferecer-te. Devolves-me o abraço de forma amena, e eu olho para ti. Afirmo que estarei sempre aqui para o que precisares. Sorris (pouco) e agradeces.

 

Não consigo parar de pensar nesse momento estranho. Comento com a minha família, comento com a tua família, e parece-me que não sou a única a achar que algo não está bem. Tento voltar a ver-te mas ofereces sempre alguma resistência. Ofereço-me para ficar com a nossa princesa, mas tu não deixas. Ofereço-me para te fazer o almoço, mas tu não queres. Dizes-me que tens muito tempo para isso. Ofereço-me para ir contigo passear pela hora de almoço e após a sesta da nossa princesa, mas tu resistes.

 

Passa-se alguma coisa. E eu não compreendo o quê.

 

 

 

Estás há quatro meses consecutivos assim, e eu sem saber como chegar até ti. Não penso em desistir, mas de que forma faz sentido continuar? Depois de todos estes anos... Depois de tudo o que passámos juntas...Honestamente, não compreendo! Porque não falas comigo?

 

Resolvo encontrar-te "de surpresa". Sei que costumas ir ao mercado no Domingo de manhã. Mas curiosamente, hoje, não estavas por lá. Vou até tua casa e encontro-te deitada pelas 13h00, sem vontade para fazer nada. Dizes-me que a nossa princesa teve uma má noite. Sento-me perto de ti e penso que desde que foste mãe, nunca me falaste sobre ti, sobre o que sentes, como estás. Estás sempre "bem". Será?

Confronto-te. Fico na expectativa de ver ressurgir o teu mau-feitio, como outrora. Mas não. Ao revés, dizes-me num tom de voz baixinho, sem me encarares: Tenho uma depressão pós-parto.

 

Engulo em seco, olho para baixo e sinto-me completamente sem jeito, envergonhada. Sinto que nada compreendi durante os últimos meses. Sinto que não estive por aqui. Como é que isto me passou ao lado? 

 

Grita em mim uma vontade de te abraçar, de te abanar, de te fazer ver o mundo tal como quando divagávamos em conjunto, sem limites, há muitos anos atrás. Dá-me vontade de estar frequentemente por perto. De te ajudar. Mesmo sem saber como. Dá-me vontade de te olhar, de te mostrar que te estou a ver, e de te afirmar, bem perto de ti, que estarei sempre aqui. Para sempre assim

Agora tudo faz mais sentido, mas mantém-se a dúvida: como é que será confortável para ti o "estarei sempre aqui"?

 

De qualquer uma das formas, tendo conhecimento do que partilhas, floresce em mim uma acalmia, respiro fundo e penso: vou tentar expressá-lo um dia de cada vez. 

Unidades de internamento Mãe-bebé: Já ouviram falar?

Pouco tempo depois de ter começado nesta incessante busca por conhecimento inerente à área da saúde mental e psiquiatria perinatal, rapidamente tomei conhecimento das "Mother and Baby Units (MBU)", que é como quem diz em Português, "Unidades de internamento Mãe-bebé". 

Estas unidades caracterizam-se por serem unidades de saúde onde as mães são internadas juntamente com os seus bebés, aquando de um problema grave ao nível da saúde mental no período do pós-parto. Não existe nenhuma em Portugal, mas existem algumas na Europa, nomeadamente no Reino Unido, e também existem na Austrália e nos Estados Unidos da América, pelo que consegui apurar. 

 

Em Portugal, a maioria das mulheres com depressão pós-parto é, por norma, tratada em ambulatório, com apoio ao nível dos cuidados de saúde primários, e algumas com maiores possibilidades financeiras, ao nível do sistema privado de cuidados de saúde. Contudo, existem mulheres que por desenvolverem depressões pós-parto de tipologia mais grave, comprometendo fortemente a sua segurança e dos que a rodeiam, nomeadamente do bebé, necessitam de ser hospitalizadas. Quando o são, por norma são em serviços psiquiátricos gerais, afastadas dos seus bebés, uma vez que este tipo de serviço também não tem condições para tal, sendo que ainda existem no nosso país muitas dúvidas quanto a esta tipologia de internamento. Se por um lado se sabe de forma consolidada que o bebé precisa da mãe assim que nasce, e o afastamento da mesma, poderá ter grandes repercussões em termos de vinculação e desenvolvimento global futuro, por outro lado, uma mãe que desenvolve uma depressão pós-parto grave não se encontra em condições de cuidar sozinha de um bebé, podendo comprometer gravemente a segurança de ambos.  

 

 

Nas MBU os bebés são internados com as mães, mas cuidados por técnicos de saúde especializados na área e que medeiam/supervisionam (dependendo da situação), enquanto considerado necessário, a relação entre a mãe e o bebé.

 

 

Portanto, é do conhecimento geral que os bebés precisam das mães assim que nascem. Mas quando as mães desenvolvem alterações psicopatológicas graves como a depressão pós-parto, podem não estar disponíveis/aptas para cuidarem autonomamente dos seus bebés. E é aqui que são evidenciadas as duas grandes vantagens deste tipo de unidades: a mediação e supervisão desta relação por técnicos especializados, concomitantemente à promoção da recuperação mental e emocional da mãe, assim como, a mediação da alta da mãe e do bebé pelos mesmos técnicos, colocando-os em contacto com locais na comunidade que possam facilitar o seu regresso a casa e tudo o que o mesmo envolve com relação à adaptação de ambos e da respetiva família. 

 

Aqui em Portugal ainda não existem, mas pode ser que brevemente possa haver alguma evolução neste âmbito. 

Contudo, no Reino Unido e na Austrália já parecem haver fortes avanços neste sentido, e podemos tirar daqui um bom exemplo, caso queiramos avançar neste tipo de matérias. Não só os apoios sociais para esta área estão muito mais elaborados e são muito mais dinamizados (como por exemplo, em termos de associações, instituições de apoio no âmbito da saúde mental perinatal, etc.), como existem uma série de unidades de internamento mãe-bebé. Das que consegui contar, pelo menos 17 no Reino Unido, 5 na Austrália e 2 nos Estados Unidos da América. Mas acredito que possam existir mais.   

Estas, foram algumas fotografias que encontrei correspondentes a este tipo de unidades, e que partilho convosco: 

 

MBU em Chelmsford - Reino Unido

 

 

Uma prisioneira numa Mother & Baby Unit especializada para estes casos.

 

 

 

 

 Bebés a dormirem nos berços numa Mother & Baby Unit.

 

 

 

good samaritan hospital mother baby unit

 

 

Preparação para uma sessão de formação às mães e respetivos companheiros, sobre cuidados ao recém-nascido numa MBU.  

 

 Uma MBU no Reino Unido

 

 Nestas unidades, a presença constante da família, especialmente do companheiro, é fortemente estimulada, quando considerada viável (tendo em conta a resposta ao tratamento). 

 

Oakwood Hospital: Mother-Baby Unit

 

Fonte 1 | Fonte 2 | Fonte 3 | Fonte 4

A obsessão pelo bebé também pode ser sinal de Depressão Pós-Parto!

Sabiam?

 

 

Estar atento a comportamentos caracteristicamente obsessivos, por exemplo, pelo cuidado com o bebé, é fundamental para que se possa sinalizar o caso o mais precocemente possível, facilitando a orientação da mulher para tratamento adequado. Comportamentos como impedir que qualquer pessoa toque/pegue o bebé, como deixar de cuidar totalmente de si, como evitar que qualquer membro da família (inclusive o pai do bebé) cuide d@ filh@, como não conseguir ter um período de sono reparador durante vários dias e noites seguidas com medo que algo aconteça ao bebé, entre outros, são alguns dos vários exemplos de comportamentos que as mulheres podem vir a demonstrar após o parto.

 

Estes comportamentos podem acontecer isoladamente, ou em conjunto, sendo efetivamente motivo de preocupação quando se mantém e/ou intensificam semana após semana, durante várias semanas a meses. Contudo, temos sempre de ter em conta que cada caso, é um caso.

 

Comuniquem com a mãe do bebé. Tentem compreender se a mesma se apercebe do tipo de comportamentos que tem e que indicam que poderá haver esta característica obsessão pelos cuidados para com o bebé. Contudo, não insistam em demonstrar-lhe que ela poderá estar errada aos vossos olhos, por se comportar de determinada forma, com a qual vocês não concordam/não compreendem.

 

Peçam ajuda. Informem-se. Pedir ajuda não faz de vocês a família que falhou!

 

#eupediajuda

 

blog@mulherfilhamae.pt 

Há imagens que valem mais do que mil palavras! Por isso...

...já reparou na expressão da sua companheira/amiga/filha/nora/sobrinha/prima que acabou de ser mãe? 

 

 

Expressões como esta devem dar sempre que pensar. Questionem-se. Questionem-na.

E se tiverem alguma questão, não hesitem em contactar-me: blog@mulherfilhamae.pt

Blues pós-parto: uma fase expectável na vida de um casal.

A poucos meses de iniciar o blogue, a nossa história foi publicada na plataforma Capazes, na altura denominada por Maria Capaz. 

 

Após a publicação da nossa história surgiram uma série de comentários que resolvi gravar para mais tarde partilhar com os leitores do blogue. Algo que acabei por não fazer na altura. 

Há poucos dias estava a organizar o computador e deparei-me com uma série de imagens que gravei derivadas da respetiva publicação e considerei que este fosse um bom momento para o fazer. 

 

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Impressionante como foram tantas as mulheres que se identificaram. 

Não foi fácil para mim tornar públicas muitas das experiências pelas quais passei durante o período em que tive blues pós-parto. Contudo, hoje sinto o quão importante foi fazê-lo e o quão acabou por influênciar uma série de pessoas, consequentemente. 

 

Muitas das mulheres que me enviam as suas histórias, referem que "já há muito que o estavam para fazer", mas que "faltava a coragem".

Embora sejam histórias escritas, embora não se mostre a cara, embora não se fale, custa refletir, custa reviver, custa voltar a sentir o quão duro foi passar por momentos tão complexos como os que se experienciam no pós-parto, muitas vezes sem se estar à espera de tal.

Tudo isto se torna natural quando somos pais. E a vivência de um blues pós-parto é esperada por muitos clínicos, tendo em conta a fase de transição que um casal acaba por passar aquando do nascimento do bebé, especialmente se este for o primeiro.

 

Confesso-vos que só há pouco tempo é que tomei conhecimento desta realidade. Afinal... muitos profissionais de saúde já estão à espera que o casal passe por um blues pós-parto?! 

 

Então, porque é que há tão poucas respostas neste sentido? 

 

Brevemente trago-vos um texto que explica melhor o que é isto de um blues pós-parto ser um problema expectável para muitos profissionais de saúde da área nesta fase da vida do casal. 

 

Curiosos?

Como ajudar uma amiga com depressão pós-parto?

Acredito que muitas pessoas se questionem sobre como poderão ajudar uma familiar ou amiga com uma depressão pós-parto. 

Muitas são as dúvidas que surgem no momento e muitas são as incertezas quanto a cada novo dia que passa. 

Eu mesma, já me coloquei a presente questão e por muitas respostas que surgissem, até hoje, não tinha encontrado nenhuma tão apelativa, concisa, clara, simples, objetiva e de fontes tão fidedignas.

 

Encontrei um vídeo no site de uma organização australiana que já referi em alguns dos artigos que escrevi, e que não só promove a consciencialização face à presente problemática, como tenta esclarecer em pouco mais do que 1 minuto como é que cada um de nós pode ajudar uma familiar ou amiga com depressão pós-parto. 

 

Os dados lançados pela organização focam a população australiana, contudo, são um bom reflexo do que acontece no resto do mundo. 

 

Aconselho vivamente a sua visualização e apelo incessantemente à sua partilha para que esta informação possa chegar ao máximo número de pessoas possível, dando algumas orientações a quem poderá estar atualmente a precisar. 

 

 

Sobre saúde mental na gravidez e no pós-parto #2

"Sublinharmos que maternidade nem sempre rima com felicidade é a nossa forma de tentarmos diminuir o estigma e a pressão associados à depressão e a outros problemas de saúde mental perinatal. Não basta que este tema seja cada vez mais abordado nos meios de comunicação social e na Internet, como ilustrado atrás pelo excerto de um dos blogs mais lidos no mundo. É preciso que as mulheres saibam que podem e devem procurar ajuda, sem medo, sem vergonha e sem culpa. É preciso que a ajuda lhes seja dada."

 

 

 

Macedo, A.F. & Pereira, A. T. (Coords) (2014). Saúde Mental Perinatal: Maternidade nem sempre rima com felicidade. Lousã: Lidel.