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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

À conversa com a Ana #3 - "Com a depressão pós-parto surgiu a necessidade de focar-me nas minhas necessidades"

Hoje tirei o dia de férias só para mim! Sem marido, sem filha. Sem horários, sem obrigações. Um dia inteiro para seguir ao sabor do momento.

 

Com a depressão pós-parto, surgiu uma necessidade imperiosa de focar-me nas minhas necessidades. Precisava curar-me, seguindo um tratamento que implicava muito descanso, consultas, terapias. Era tempo que precisava de canalizar para mim. O meu foco não era só a minha bebé. Tinha que ser eu, tentando sempre conjugar isso com a satisfação das necessidades dela, é claro. Era necessário encontrar um equilíbrio entre uma coisa e outra.

 

E isso acabou por servir como uma aprendizagem importantíssima para o futuro. E porquê? Porque mostrou-me, de forma inequívoca, que o meu bem-estar e a minha felicidade são o elemento chave para tudo o resto. Mãe feliz = Filha feliz é realmente verdade. Todos os dias, é importante acordar e pensar/sentir: “O que é que é que eu preciso hoje para estar bem e ser feliz?” Como é que eu posso nutrir-me, quais são as minhas necessidades, o que é que eu preciso para encher o meu copo dos afetos?

 

E digo-vos, sempre, mas sempre, que eu subi um degrau no meu bem-estar e no meu sentido de felicidade, a minha filha ficou mais calma, mais tranquila, mais sorridente. É mesmo literal e automático. Em todos os momentos em que Eu me acalmei, ela acalmou. Quando iniciei o tratamento, com a toma da medicação, quando ajustei a dosagem, quando regressei ao trabalho, quando comecei a psicoterapia e o shiatsu, em todos estes momentos chave para mim, a minha filha ficou mais calma e mais segura. Os episódios de choro passaram a ser muito menos frequentes e com duração menor.

 

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E é muito bonito viver esta dança sincronizada entre mãe e filha. Este fluir de bem-estar e felicidade. Eu estou mais calma e feliz, ela fica mais calma e feliz e, ela estando assim, leva-me a estar ainda mais calma e feliz. É maravilhoso. Claro, que existem momentos, dias em que esta dança está menos sincronizada, às vezes, mesmo caótica. Afinal é o fluir natural da vida, esta alternância entre o caos e a calmaria. Nesses momentos, de stress ou cansaço, por exemplo, o meu marido, e também os avós, surgem como os outros braços que constituem esta dança. Esses braços permitem que a dança continue e que eu possa ir encher o meu copo.

 

Hoje não preciso encher o copo, preciso apenas mantê-lo cheio. Preciso preservar o bem-estar e a felicidade que sinto, para que a dança continue.

As ciências da mente e o ser mulher!

Incrível como está quase a fazer um ano desde que me encontrei com a Dra. Ana Telma Pereira na Universidade de Coimbra para conhecer o excelente trabalho que juntamente com a sua equipa de investigação tem feito em prol da saúde mental perinatal

 

Para quem ainda não conhecia este espaço na altura, podem consultar os textos que fiz sobre este tema através dos seguintes links:

 

 

Hoje, estou a caminho de um workshop em Leiria que a mesma irá ministrar sobre o Programa Bem-estar Perinatal que dinamiza em Coimbra, num encontro organizado pelo Grupo Português de Psiquiatria Consiliar Ligação/Psicossomática dedicado à saúde da mulher. 

 

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Para breve, trago-vos uma publicação com os resultados deste workshop, assim como outras aprendizagens, que de certo ocorrerão num evento dedicado ao progresso da investigação alusiva a todas nós!