Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Os pais, os sogros, e o papel fundamental que têm no apoio aos filhos e aos netos!

Ter pais e/ou sogros que ajudem a cuidar de um filho é fundamental! 

 

Digo fundamental pois, digam o que disserem, a verdade é que nos tempos que correm ser mãe e ser pai é também o mesmo que ser "atropelado" por um conjunto de exigências de âmbito parental, profissional e pessoal, tudo ao mesmo tempo, a uma velocidade louca e estonteante, dia após dia! 

São as crianças que têm de estar e/ou sair da escola a determinada hora, somos nós que temos de chegar a determinada hora ao trabalho (mas cuja hora de saída nem sempre é bem definida), são os trabalhos que as crianças trazem para casa, são os trabalhos que os educadores "convidam" os pais a fazer, são os afazeres profissionais que muitos trazem para casa (e acredito que a maioria o traz, não por opção), são os banhos, as refeições para o próprio dia e para o seguinte (que não se fazem sozinhas), são os animais que também temos de alimentar e cuidar, são, por vezes, os poucos minutos a sós que o casal tem para conversar, são as histórias que as crianças querem que se conte, são as roupas e as malas que se preparam para o dia seguinte, e no meio de tudo isto, as birras que, enquanto pais, também devemos estar à altura para lidar, etc., etc., etc. 

 

No fundo somos criativos e malabaristas nas horas livres, professores, técnicos de saúde, operários e afins, uma parte do dia, educadores a vida inteira, e aposto que muitos, em várias fases do desenvolvimento das nossas crianças, ainda fazem uns turnos extra enquanto guardas noturnos, enfermeiros e motoristas. Muitas são as profissões que nos assistem ao longo do nosso ciclo parental, e no meio de tanta tarefa profissional, ter uma (ou duas, ou quarto...) mão que ajude, é, no meu ponto de vista, fundamental e precioso nos dias que correm. Mas a verdade, é que nem todos têm esta sorte. E muitos que a têm, ainda se veem confrontados com algumas (ou muitas...) exigências adicionais, mesmo que parcialmente disfarçadas por determinadas observações mais humorísticas, ou completamente assolapadas por algumas atitudes (in)esperadas. 

 

Honestamente falando, cobrar, é feio, no meu ponto de vista. Especialmente perante este tipo de circunstâncias. 

Pais e sogros, se de facto querem e gostam de ajudar os vossos filhos, façam-no de coração. Ajudar de coração devia deixar qualquer um satisfeito por si só. Sem esperar que haja qualquer tipo de retribuição, seja de que índole for. 

Não se esqueçam nunca que o vosso papel é fundamental para quem está grávido, e para quem é pai e mãe! 

 

 

Têm mais sabedoria, é verdade!

(Mas atenção, porque não dominam todo o leque de conhecimentos e procedimentos universais relacionados com a vida humana.) 

Têm mais paciência, é verdade!

(Mas atenção, porque também vocês já foram pais e podiam lembrar-se mais frequentemente de todos os momentos em que o vosso primeiro impulso foi dar uma palmada ou um grito numa determinada situação limite.) 

Têm mais disponibilidade, é verdade! 

(Mas atenção, lá porque se demitiram de alguns postos que outrora ocuparam, não deixam de ser educadores [lembram-se? É para a vida toda!]. Assim sendo, lembrem-se que enquanto avós, também vocês continuam a educar filhos (e netos!), e eu acredito que é na observação, na sensatez, no senso pedagógico individual e na tolerância, que está a chave da educação.) 

Têm muito amor para dar, é verdade! 

(Mas atenção, os filhos continuam a ser filhos e, neste caso particular, os filhos continuam a ter a palavra final na educação dos vossos netos. Portanto, se têm algo para dizer chamem os vossos filhos à parte e se tiverem necessidade de lhes torcer e/ou puxar as orelhas, como outrora, façam-no! Mas longe do olhar dos vossos netos. Os vossos filhos continuarão a cometer erros. E vocês continuarão a ser os pais. Mas não queiram que os vossos netos assistam a esses momentos, por exemplo. Não é saudável para ninguém.) 

 

Por norma, os filhos aperciam e precisam que tenham iniciativa, que queiram estar e, quem sabe até, ficarem com os vossos netos quando os vossos filhos estão mais ocupados. Concomitantemente, que tentem cumprir com as suas recomendações no cuidado para com os vossos netos e que os amem (quase) como se fossem vossos filhos, mas sabendo que, não o são. 

 

Vocês são, deveras, fundamentais na educação e no desenvolvimento dos vossos netos. São, provavelmente, as pessoas em quem os filhos mais confiam e/ou querem confiar. E os vossos netos precisam de vocês! Precisam de contactar com as vossas experiências, com as vossas histórias, precisam que envergonhem (um bocadinho só!) os pais junto deles com aquelas histórias fantásticas que eles não se querem lembrar mas que vocês não se esquecem nunca, e acredito que acima de tudo, precisam de saber que têm em vós uma personalidade firme que represente respeito, amor e disciplina - tudo ao mesmo tempo - numa receita que tenha como produto final a moldura de uma família, genuinamente, feliz. 

 

 

Os vossos filhos e os vossos netos precisam de vós, assim como vocês precisam deles. E é tão bom quando todas as vontades se encontram na mesma frequência, mesmo que nem sempre, na mesma estação. Faz parte do que significa "amar durante uma vida"...certo? 

Onde ficámos nós depois de crescer?

Onde ficou a inocência que nos percorreu e nos prendia a atenção sobre o mundo?

Onde ficaram os sonhos que iam transformar a nossa e tantas outras vidas?

Onde ficaram as aspirações que iam mover mentes e corações num só sentido?

Onde ficou a força interior que apaziguava qualquer tipo de obstáculo que surgisse?

Onde ficaram os objetivos quase impossíveis? 

Será que (já) trocámos as sweats e os all star pelas gravatas e os saltos altos, por completo?

Será que é necessário ser assim?

Por vezes parece que embarcámos num navio onde começamos como primeiros-grumetes. Onde cumprimos a nossa função e pouco mais há a fazer. Onde muitas vezes, já nem a camisola de uma nação vestimos. 

Remamos constantemente, contra ventos e marés, muitas vezes encaixados numa realidade quadrada que raramente encaixa em nós, mas onde lá nos vamos deixando ficar por necessidades consideradas (por nós) superiores. Dizem que a família nos prende. Dizem que o sustento nos move, mas será que é assim? Tem mesmo de ser assim?

Onde ficou a força de acreditar? A motivação que assombrava o dom da razão? A emoção que se colocava na ação?

 

Onde ficámos nós depois de crescer?

 

Presos no convés do navio, ou a nadar livremente a favor da corrente?

 

 

 

A minha vida é uma montanha-russa!

É incrível como o tempo passa, e muitas vezes, "nem dou por isso". 

Hoje é terça-feira, amanhã já é quinta-feira da semana que vem e depois já se passaram três meses desde a última terça-feira e assim por aí adiante. 

As horas voam, os dias correm e as semanas viajam a anos-luz, e desde que sou mãe que o sinto a triplicar!

 

Há momentos em que, parando por segundos e olhando para trás, estar onde estou hoje, ser o que sou e fazer o que faço, ainda me parece mentira. Mas não. Não é! É tudo real.

 

Nesses mesmos segundos em que muitas vezes paro, ou nos poucos minutos do meu dia-a-dia a ouvir aquela música que tanto me aconchega a alma, olho para a minha vida e vejo que se assemelha a uma montanha-russa que não pára. 

As voltas continuam quer eu queira ou não, e muitas vezes só se houver um grande trambolhão, uma descida a pique ou um movimento brusco, é que sou obrigada a parar. Se não, mesmo fazendo uma pequena lesão, continuo às voltas na montanha-russa sem parar. Tudo se modifica a toda a hora, e muitas vezes nem dou conta. Ando em loop e só quando paro de facto, é que consigo alcançar o que desenvolvi ou retrocedi, cresci e criei até ali. 

 

 

Muitas vezes orgulho-me. Ás vezes, nem por isso.

Vejo que alguns quiseram parar de rodar comigo, outros continuam, e há mesmo quem se tenha mantido no mesmo banco que eu, quase desde que a montanha-russa se ergueu.  

Há quem saia por momentos e que volte. 

Há quem só queira estragar-me as voltas e o prazer que elas me dão. 

Há quem me faça ficar muito mal-disposta e há quem me mostre como estar em movimento é ótimo. Significa vida. Significa estar. Significa, simplesmente, viver. 

 

Vou andando para cima e para baixo, por vezes em linha reta, numa escala sem fim. 

Vou ganhando força e perdendo alguns medos.

Vou aprendendo a olhar mais para dentro do que para fora de mim. 

Vou aprendendo a respirar fundo mais vezes e percebendo que cair, tem um lado bastante positivo! 

Vou aprendendo que, apesar de cair, devo tentar sempre voltar a entrar em movimento, seja sentada nesse ou noutro banco. 

Vou consolidando a certeza de que ainda tenho tanto para andar, rodar e tombar e que é aí que reside a essência desta montanha, descobrindo assim o próximo caminho e realizando a introspeção sobre o anterior. 

 

No fundo, aconteça o que acontecer ou haja a disposição que houver, a vida não pára.

 

Não sentem o mesmo? 

 

 

 Tradução:

"A vida é uma montanha-russa. Podes gritar de medo sempre que passas numa lomba ou podes por os braços no ar e desfrutar"

 

EU SOU CAPAZ!

tumblr_llf80zV02q1qh217eo1_500_large.jpg

 

Por hoje, volto costas. 

Volto costas aos devaneios que tomam por loucos guerreiros que nos fazem sorrir. 

Volto costas à deriva, que nos coloca a vida, num mar sem fim atingir.

Volto costas à ira que implica o estrago de um dia a começar.

Volto costas ao jogo, que implica a vitória de quem age sem pensar.

Volto costas ao suor, que derramei sem pudor, e que pouco ou nada me fez ganhar.

Volto costas à mágoa, que me apraz aquela emoção que não consegue atingir a razão.

Volto costas ao ser, que me irrita a valer e me faz enlouquecer.

Volto costas porque sim.

Volto costas porque consegui.

Volto costas, porque me apetece gritar:

 

EU SOU CAPAZ!

 

 

 

 

 

A Essência de uma Vida

Nasce da garra e da força,

E assim se torna moça.

Num mundo pequeno para ela,

onde qualquer sensação ou pensamento

rapidamente se torna um tormento.

Inicialmente não entende esta complexidade,

pois não é só fruto da mocidade,

mas sim da fraca igualdade que acomete género e sentimento.

 

Oh não! Afinal não é só tormento, também é ignorância alheia,

Que a faz sentir e perceber, o quão duro é viver.

Viver como mulher é duro, mas também é puro. 

É complexo, mas tem sempre nexo,

É difícil, mas não é terrível. Muito pelo contrário.

Há orgulho, amor profundo, paixão e entrega,

não só para si, mas para quem penetre o seu íntimo e pessoal,

numa esfera global que integra personalidade e emoção,

onde há, na generalidade, pouco espaço para a racionalidade.

 

E assim, de Mulher, passa rapidamente para filha,

sendo este, um papel praticamente tangente,

o que torna bastante confusa a sua mente,

na tentativa de compreender:

Mas afinal, que limites e que lugar, tem o meu ser?

 

E numa vida bastante atribulada, 

tenta demonstrar a sua essência,

tão complexa como imaculada,

a quem a rodeia e a atinge (Aquela gente alheia),

mas com pouco sucesso, por fraca maturidade de discurso.

 

Com esta roda de tentativa-erro,

os anos vão passando e o mundo vai girando,

disparando em sentidos perversos.

Perversos e sem acaso, onde o amor acontece,

atingindo profundamente o seu íntimo e a sua mente.

 

Daqui nascem outros dois papéis:

O de Mulher com cara-metade, e mais tarde, o de Mãe,

onde, com toda a verdade, brota um outro amor sem igualdade e sem precedentes.

Não há razão aqui. Só alma e emoção.

E é daqui que nasce a verdadeira paixão de viver e se conhece a razão,

dos atos e verbos praticados,

de quem não compreendia a nossa essência enquanto filha 

e com alguma paciência, nos foi criando,

para hoje chegarmos ao topo da nossa montanha e voltar-mos a repetir,

o que a doutrina da vida nos prescreveu.

 

Pergunto-me: Como será a partir daqui?

Respondo: Não faço a mínima ideia.

Olho para trás e penso: Misteriosa e interessante a essência de uma vida.

 

P1090372 trab.JPG