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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

"Tanto ouvi falar em depressão pós-parto mas parecia-me algo difícil de acontecer"

É sempre um alívio e uma alegria para mim quando recebo um email de alguém que dedica algum do seu tempo a refletir sobre temas como a depressão pós-parto. 

Seja a partilhar a sua história, seja a partilhar a sua opinião, a vivência de alguém próximo ou a colocar uma dúvida, o que for. Saber que este assunto é abordado por mais pessoas, e fazer parte desse estímulo, faz parte do meu objetivo!

 

Foi o que aconteceu com a Sandra, que há poucos dias me enviou um email sobre o que sabia sobre depressão pós-parto. A mesma foi mãe há relativamente pouco tempo, não desenvolveu uma depressão pós-parto, mas a verdade, é que tem uma opinião muito bem definida sobre o assunto. 

 

Enviem-me também vocês a vossa opinião. O que é que sabem sobre depressão pós-parto? 

Já alguma vez refletiram sobre o tema? O que diriam num texto (numa frase ou imagem) sobre o assunto? 

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

Movimento: O que é que tu sabes sobre Depressão pós-parto?

 

Boa tarde,

 

Obrigado pelo incentivo de falar / escrever sobre este assunto.

 

Acredito que no final sentir-me-ei mais "leve".

 

Fui mãe pela primeira vez, à cerca de um ano.

Foi uma gravidez muito desejada mas demorou um pouco à acontecer. Felizmente quando íamos iniciar as consultas de fertilidade, descobrimos a gravidez.

Que felicidade e que medo de algo menos bom.

Felizmente a gravidez correu sem problemas mas no fundo não estava preparada para toda a mudança que estava prestes a acontecer.

Quando dei por mim, estava no hospital com a minha M prestes a nascer. Que misto de sentimentos... Não estava preparada para tamanha mudança.

Assim que a vi pela primeira vez fiquei muito feliz mas não senti o tão falado "amor à primeira vista".

Passei a primeira noite acordada a olhar para ela e a tentar juntar a parte racional à parte sentimental. Tinha ali um ser tão indefeso, que dependia de mim e eu não sabia se iria ser capaz de cuidar dela e de a proteger.

Foi este o sentimento de partida para o turbilhão de sentimentos que aí vinha...

A insistência por parte dos profissionais de saúde e por todos aqueles que me rodeavam na amamentação que teimava em não correr bem. A menina que passava grande parte do dia a chorar e eu como mãe devia acalmar mas não conseguia, dias a fio sem poder dormir 2h seguidas.... Enfim, era ela a chorar por um lado e eu por outro... Tive a sorte de contactar com duas enfermeiras fantásticas (a do centro de saúde a do curso pós-parto) que me ajudaram a acalmar e a perceber que precisava de falar, expor sentimentos, pedir ajuda e acima de tudo a acreditar que era capaz.

 

E felizmente não "caí" na depressão pós parto mas não desfrutei das primeiras semanas de vida da minha tão desejada e amada filha.

 

Tanto ouvi falar na depressão pós parto no curso de preparação para o parto mas parecia-me algo difícil de acontecer mas, na realidade, é tão simples. A confusão hormonal que temos, por vezes, até parece que nos "empurra" para o abismo.

A própria sociedade que responsabiliza a mulher / mãe por cuidar dos filhos, esquecendo-se do incentivo à mulher para cuidar de si.

Os defensores da amamentação que querem a todo o custo que esta seja por muito tempo e em exclusivo. (Atenção que eu concordo com a amamentação mas acho que neste momento já não é um incentivo mas sim pressão).

 

O marido/pai tem um papel tão importante. Felizmente o meu foi espetacular. A ele um muito obrigado não só pela ajuda nas rotinas mas acima de tudo pelo apoio moral/sentimental.

 

 

A depressão pós parto é algo tão pessoal mas precisa de ser falado sem ser criticado. Os cursos pós parto têm um papel tão importante. Permite-nos contactar com outras mulheres que vivem a mesma realidade e deixamo-nos de sentir tão "sós".

 

O texto (minha história) já vai longa.

 

Parabéns pelo incentivo à discussão sobre este "tabu".

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