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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Um ser humano melhor

O nosso querido amigo e Psicólogo José Mendes decidiu partilhar connosco mais uma das suas reflexões. Desta vez sobre o tentarmos ser melhores seres humanos, a cada dia que passa.

 

E vocês, também têm reflexões sobre parentalidade e saúde mental perinatal que gostassem de partilhar no blog?

Enviem-nas para blog@mulherfilhamae.pt 

 

 

Nas famílias e, mais tarde, nos estabelecimentos de ensino, o assunto mais importante que devemos passar às novas gerações, será as atitudes a ter para nos transformarmos em melhores seres humanos. Partir do pressuposto que isto é do conhecimento geral tem-nos induzido num erro de enormes proporções e numa vastíssima ilusão; basta ver um pouco o que passa ao nível global. Dizer que anda “meio mundo a enganar o outro meio mundo” será tapar o sol com uma peneira. Mais perto da verdade seria dizermos que a maioria anda a enganar uma minoria, em certo aspecto. E quando consideramos que, dado isso ser uma evidência, todos devemos trabalhar nesse sentido e virarmos as costas ao problema, é pura ignorância relativamente às nossas tendências.

 

Isto não significa – como muitos pensam - que o ser humano seja essencialmente “mau”. Esta visão considera apenas metade da realidade. O ser humano encerra em si as duas tendências – positiva e negativa – e, por variados factores, uma delas pode tornar-se preponderante. A tarefa da pedagogia consiste, precisamente, em ajudá-lo a escolher a via que pode ser mais benéfica, tendo em conta que é não vive sozinho.

 

Por isso, a educação começa na máxima: “não faças aos outros o que não pretendes que te façam”, apesar de nos estar a apetecer fazer o que nos convém. E como o que nos apetece nem sempre é o que apetece a todos os outros, temos de aprender a reflectir e a ver bem as consequências dos nossos actos.

 

Um hábito bastante enraizado na maioria, consiste em calar as nossas intenções e, desde que ninguém nos veja, proceder independentemente daquilo que a nossa consciência nos dita. É assim que quase todos vimos agindo ao longo dos anos e, até, das idades. E quando descobrimos um erro, ou algo incorrecto, numa pessoa ou num grupo, consideramos que actuaríamos de outro modo, eventualmente bem, logo “descobrimos” os “culpados” da anomalia e não pensamos mais no assunto. Porém, não é por existirem esses “culpados” que a anomalia de verifica. O motivo desta existir prende-se com o facto de todos termos que nos aperfeiçoar constantemente e não considerar que tudo se resolve caso um conjunto de pessoas se modifique.

 

Mais difícil de encontrarmos são as nossas incorrecções, imperfeições ou faltas. Com facilidade vimos que algo não está bem em nosso redor, mas dificilmente detectamos o que temos aperfeiçoar em nós mesmos. Estamos tão “perto” de nós que os outros são capazes de ver primeiro algo que nos compete modificar. O comum será chegarmos a uma certa idade já “completos” ou com pouco a aperfeiçoar.

 

 Consideramos que a vida nos “ensinou” - o que é certo – logo pouco temos de aprender a partir de certa altura. Ignoramos, porém, que tudo se renova e, com as sucessivas ondas de vida, a aprendizagem não é definitiva. Cada nova geração contém novas perspectivas, inerentes à sua criatividade. É assim que a evolução é possível ao longo dos tempos. Há coisas que se parecem manter, outras que acabam e outras que começam, mas nada fica como antes, tudo se renova.

 

Consciencializemo-nos, pois, de que um “homem novo” apenas surgirá quando o desejarmos, se o engendrarmos e o realizarmos. Nunca irá “cair do céu” já feita. Por consequência, a sociedade humana não crescerá, caso não surjam instrumentos para que isso aconteça, isto é, pessoas em número suficiente para proceder a essa alteração, que adquiram capacidade de viver de acordo com as Leis universais e não apenas utilizando as leis humanas para os seus fins pessoais.

 

Ciclicamente, as sociedades sucedem-se, com novas características e aperfeiçoamentos, obedecendo a um plano que foi gizado desde o começo. Cabe-nos tentar percebê-lo e fomentar nas gerações vindouras esse interesse e essa maturidade. No fundo, temos de decidir, de uma vez por todas. Ou transformamos a nossa consciência ou continuamos a ser influenciados pelo que nos é transmitido  diariamente.

 

José Mendes