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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Unidades de internamento Mãe-bebé: Já ouviram falar?

Pouco tempo depois de ter começado nesta incessante busca por conhecimento inerente à área da saúde mental e psiquiatria perinatal, rapidamente tomei conhecimento das "Mother and Baby Units (MBU)", que é como quem diz em Português, "Unidades de internamento Mãe-bebé". 

Estas unidades caracterizam-se por serem unidades de saúde onde as mães são internadas juntamente com os seus bebés, aquando de um problema grave ao nível da saúde mental no período do pós-parto. Não existe nenhuma em Portugal, mas existem algumas na Europa, nomeadamente no Reino Unido, e também existem na Austrália e nos Estados Unidos da América, pelo que consegui apurar. 

 

Em Portugal, a maioria das mulheres com depressão pós-parto é, por norma, tratada em ambulatório, com apoio ao nível dos cuidados de saúde primários, e algumas com maiores possibilidades financeiras, ao nível do sistema privado de cuidados de saúde. Contudo, existem mulheres que por desenvolverem depressões pós-parto de tipologia mais grave, comprometendo fortemente a sua segurança e dos que a rodeiam, nomeadamente do bebé, necessitam de ser hospitalizadas. Quando o são, por norma são em serviços psiquiátricos gerais, afastadas dos seus bebés, uma vez que este tipo de serviço também não tem condições para tal, sendo que ainda existem no nosso país muitas dúvidas quanto a esta tipologia de internamento. Se por um lado se sabe de forma consolidada que o bebé precisa da mãe assim que nasce, e o afastamento da mesma, poderá ter grandes repercussões em termos de vinculação e desenvolvimento global futuro, por outro lado, uma mãe que desenvolve uma depressão pós-parto grave não se encontra em condições de cuidar sozinha de um bebé, podendo comprometer gravemente a segurança de ambos.  

 

 

Nas MBU os bebés são internados com as mães, mas cuidados por técnicos de saúde especializados na área e que medeiam/supervisionam (dependendo da situação), enquanto considerado necessário, a relação entre a mãe e o bebé.

 

 

Portanto, é do conhecimento geral que os bebés precisam das mães assim que nascem. Mas quando as mães desenvolvem alterações psicopatológicas graves como a depressão pós-parto, podem não estar disponíveis/aptas para cuidarem autonomamente dos seus bebés. E é aqui que são evidenciadas as duas grandes vantagens deste tipo de unidades: a mediação e supervisão desta relação por técnicos especializados, concomitantemente à promoção da recuperação mental e emocional da mãe, assim como, a mediação da alta da mãe e do bebé pelos mesmos técnicos, colocando-os em contacto com locais na comunidade que possam facilitar o seu regresso a casa e tudo o que o mesmo envolve com relação à adaptação de ambos e da respetiva família. 

 

Aqui em Portugal ainda não existem, mas pode ser que brevemente possa haver alguma evolução neste âmbito. 

Contudo, no Reino Unido e na Austrália já parecem haver fortes avanços neste sentido, e podemos tirar daqui um bom exemplo, caso queiramos avançar neste tipo de matérias. Não só os apoios sociais para esta área estão muito mais elaborados e são muito mais dinamizados (como por exemplo, em termos de associações, instituições de apoio no âmbito da saúde mental perinatal, etc.), como existem uma série de unidades de internamento mãe-bebé. Das que consegui contar, pelo menos 17 no Reino Unido, 5 na Austrália e 2 nos Estados Unidos da América. Mas acredito que possam existir mais.   

Estas, foram algumas fotografias que encontrei correspondentes a este tipo de unidades, e que partilho convosco: 

 

MBU em Chelmsford - Reino Unido

 

 

Uma prisioneira numa Mother & Baby Unit especializada para estes casos.

 

 

 

 

 Bebés a dormirem nos berços numa Mother & Baby Unit.

 

 

 

good samaritan hospital mother baby unit

 

 

Preparação para uma sessão de formação às mães e respetivos companheiros, sobre cuidados ao recém-nascido numa MBU.  

 

 Uma MBU no Reino Unido

 

 Nestas unidades, a presença constante da família, especialmente do companheiro, é fortemente estimulada, quando considerada viável (tendo em conta a resposta ao tratamento). 

 

Oakwood Hospital: Mother-Baby Unit

 

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