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Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Qui | 16.04.15

Estivemos nas Queridas Manhãs da SIC.

Mulher, Filha e Mãe

Pois é!

 

Parece que este assunto está a ganhar voz!

 

Babyblues e Depressão pós-parto: Dois conceitos que estão a ganhar força graças a todas as corajosas mulheres que têm dado o seu testemunho, graças aos jornalistas que têm agarrado e transmitido este assunto, graças a todas as pessoas que estão atentas e nos ouvem, tentando saber sempre mais sobre a temática em questão.

 

Afirmo e Reafirmo que estamos perante dois problemas que atingem uma grande maioria das mulheres no pós-parto, sendo um assunto que necessita de ser falado e esclarecido, podendo, da mesma forma que ocorrem outras alterações físicas comuns, ocorrer após o nascimento de um filho.

Só assim haverá mais informação.

Só assim se incentivará mais investigação.

Só assim se avançará para mais formação neste sentido!

 

Obrigada Andreia, por nos ter dado esta oportunidade.

Obrigada a todas as mulheres, homens, sogras, sogros, pais, mães, tios, tias e afins, por levarem este assunto a cada vez mais pessoas, todos os dias!

 

Espero que juntos, continuemos a partilhar histórias, dúvidas, recordações e vivências dentro desta temática, e que as façamos voar a cada vez mais corações, mentes e lares.

 

De coração: Muito Obrigada!

 

 

 

 

Qua | 15.04.15

Há coisas para as quais ninguém nos prepara. #1

Mulher, Filha e Mãe

Enquanto passei por aquela fase, ajudou-me imenso, escrever.

Encontrei nas várias conjugações verbais e sentimentais, um refugio mental e emocional, que me ia ajudando, pouco a pouco a voltar até mim.

Sempre gostei de escrever, mas nunca pensei que se chegasse a tornar um verdadeiro refúgio. Uma constante. 

Chegou a uma altura que começou a ser quase que automático: chegava a primeira lágrima, e lá alcançava, angustiantemente, o meu caderno. E assim, escrevi, não uma, duas ou três, mas, setenta e três páginas, do mesmo.

Setenta e três páginas repletas de frases, pensamentos, dúvidas (muitas dúvidas), emoções, sentimentos e atitudes que descreviam muito do que eu conseguia transcrever verbalmente sobre o que intrinsecamente, me controlava e sentia. Aquela minha, nova e estranha forma de estar, desde que tinha sido mãe. 

 

Depois destes últimos dias, e com o conhecimento de tantas outras histórias, senti que tinha de dar um pouco mais de mim, e lembrei-me de dar mais um passo na direção desta luta e transcrever-vos, o que está escrito na primeira página do meu caderno, que tão solidamente me acompanhou.

E querem saber uma pequena curiosidade banal e coincidente? Imaginam qual a frase que marca a capa dura do meu caderno? 

 

"Being a Woman"

 

 

 

04.01.2015 - No Cadeirão do Quarto da Madalena.

 

Há coisas para as quais ninguém nos prepara...

Estou cansada, não exausta.

Sinto-me derrubada, triste, abalada, só, num barco à deriva no meio de algures. Longe, e só. E Há tanta gente à minha volta..

Amanhã fará uma semana que o meu pequeno rebento nasceu [e que coisa mais maravilhosa e perfeita que tive a oportunidade de "ter" e conhecer]. E hoje, faz quatro dias que verto consecutivamente rios de lágrimas, numa qualquer altura do dia, sem parar.

É tudo tão antagónico, estranho, duro e forte, emocionalmente.

Há coisas para as quais ninguém nos prepara...

Quem me é próximo e me ama, sufoca-me, magoa-me. Quem me é próximo e me ama, faz-me falta. Quem me é próximo e me ama, não compreende. Quem me é próximo e me ama, nem sempre está presente. Já disse que tudo isto é duro?

O que faço? Por quanto tempo continuarei assim? Quanta mágoa ainda me aguarda? Sinto-me desfeita em milhares de pedaços, e quando eles se juntarem, se juntarem, sinto que não voltarei a ser a mesma. É suposto? É natural?

Há coisas para as quais ninguém nos prepara...

Não quero pisar o risco, mas também não sei lidar com isto. Alguém tem a fórmula?

Quero o meu canto, quero o teu abraço, quero o teu amor, quero a tua companhia, quero sair, quero ficar, quero desaparecer, quero falar, quer entender, quero ultrapassar, quero cuidar, quero o meu sossego, quero voltar a sentir-me plena e feliz! Quero estar bem comigo mesma.

Quantas pessoas vivenciaram isto? 

Porque é que ninguém fala sobre o assunto?

É assim tão complicado falar sobre o que é menos positivo?

Falta frontalidade, realismo, partilha e assertividade! A quem? A todos! A quem é e não é próximo, a quem já passou e não partilhou, a quem viveu e escondeu, a quem não compreendeu, a quem  sentiu e não se despiu.

Eu sei. É preciso ter coragem, força e vontade. Mas não é mais simples viver de acordo com a realidade?

É duro. Há coisas para as quais ninguém nos prepara.

 

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 Eu e a Madalena, no seu segundo minuto de vida extra-uterina.

 

 

Ter | 14.04.15

É incrível como...

Mulher, Filha e Mãe

... existe uma história destas, em muitas de nós! 

 

Chegaram-nos várias desde a Entrevista à SIC. 

 

Não posso dizer que fico admirada com a quantidade de histórias semelhantes à nossa. 

Não posso dizer que fico admirada com a quantidade de mulheres que se identificaram.

Não posso dizer que fico admirada com a quantidade de sentimentos que rápido se revelaram.

Mas posso dizer que fico agradavelmente admirada, com a quantidade de mulheres corajosas que:

Existem e persistem;

Sonham e percorrem;

Sofrem e ultrapassam;

Questionam e aprendem;

Amam e acreditam num futuro melhor. 

 

E ATENÇÃO:

 

Não é que eu não soubesse que existe uma base sólida de coragem e amor profundo em cada uma de nós e que, a maternidade, faz, sem dúvida, essa base ressaltar. Contudo, é incrível como eu o pude observar e sentir nestes últimos dias.

Sinceramente, também não sei se existe imaginação suficiente em qualquer um de vós, para compreenderem a gratidão que sinto, de momento. 

 

 

Uma história que me fez, mais uma vez, orgulhar deste nosso guerreiro, complexo e completo, sentido feminino foi a da FatiaMor.

Querem ler? Vale a pena!

 

E vocês, não gostavam de partilhar as vossas histórias?

Seja, no blog, facebook, para o nosso email (mfem2912@gmail.com), de forma pública ou privada?

 

Vamos aproveitar esta onda, e fazer este tema chegar ao maior número de famílias possível? 

Está nas nossas mãos, e neste caso, também na nossa mente. 

 

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Quando eu passei por isto, gostava de ter tido um conhecimento prévio sobre o que estava a passar, pois não tenho a menor dúvida de que o teria passado e ultrapassado muito melhor, individual e conjuntamente. 

 

E vocês?

Dom | 12.04.15

Entrevistaram-nos para o Jornal da SIC.

Mulher, Filha e Mãe

E fica desde já, aqui, ali e acolá, o meu gigantesco agradecimento à Jornalista Catarina por ter agarrado neste tema, e nos ter dado a oportunidade de o difundir, promovendo assim, uma maior preparação para tantas pessoas, que, tal como eu e muitas outras mulheres [e homens] foram "na onda do alheio floreado e pura ingenuidade, e se deixaram apanhar na curva desta dura e muito intima veracidade" - O Babyblues. 

 

Querem ver?

 

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Sab | 11.04.15

A sério que "isto" passou a ser contra-indicado?

Mulher, Filha e Mãe

Não sabia!

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 Já tinha ouvido falar, mas ainda não me tinha debruçado sobre o assunto. 

 

Fazem ideia do quanto eu andei nesta, chamada comummente por, "aranha" ou "andador infantil"?

 

Argumentam com:

  • Risco de morte;
  • Atraso de aprendizagem no desenvolvimento motor;
  • Existência de outros perigos eminentes (como o de alcançar alturas superiores).

Tudo, muito claramente explicado, neste artigo.

 

É certo que continuo viva e que aprendi decentemente a andar, mas, acho que se o mundo evolui, devemos tentar evoluir junto a ele, tentando alcançar sempre novos paradigmas. E depois, se concordamos, se os seguimos ou preconizamos, isso, ficará a cargo do nosso discernimento. 

 

Sex | 10.04.15

Sabiam que...

Mulher, Filha e Mãe

 

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...os bebés e as crianças têm pupilas mais largas do que os adultos, e que as pupilas dos bebés dilatam-se constantemente quando os adultos estão presentes, numa tentativa de parecerem o mais atraentes possível, conseguindo assim, obter maior atenção?

 

Allan & Pease (p. 192; 2009) in Linguagem corporal. 

Qui | 09.04.15

Alguma vez tiveram medo de não acordar à noite quando o bebé chorasse?

Mulher, Filha e Mãe

Eu tive!

 

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Mas, segundo consta, é natural!

Faz parte dos naturais receios de uma mãe (especialmente de primeira viagem).

Contudo, não se esqueçam! Há outra coisa que também faz parte de uma mãe, e que, seja a mais ou a menos, todas têm e que nos faz, não só acordar sempre quando o bebé chora, como nos faz compreender para onde temos de nos guiar:

 

O Instinto. 

 

 

 

Querem a minha opinião? [Eu dou na mesma]

 

Guiem-se sempre por ele.

 

 

Ter | 07.04.15

Maternidade? Nem tudo são rosas!

Mulher, Filha e Mãe

Estava sentada no cadeirão cinzento quando tudo, efetivamente, começou.

Eram 21h00 do dia 31 de Dezembro, e tinha acabado de chegar a casa após duas belas noites na maternidade.

E lá estava eu, com a minha pequena nos meus braços. 

Ela a dormir, suspirava. E eu, pensativa, de repente, me consciencializava profundamente, do que poderia significar toda esta nova corrente de vida. Toda esta nova vertente do sentir.

Sem perceber bem como ou porquê, subitamente começo a aperceber-me da abertura de uma agressiva cratera num local, por mim, fisicamente desconhecido, mas emocionalmente, bastante sentido: o mais intimo de mim.

Seria nostalgia do momento? Seria medo? Cansaço? Fadiga? Dor? Não!

Comecei aperceber-me que angustia, vazio e tristeza, eram as palavras que melhor se encaixavam.

Mas porquê? Porquê?

Porquê, se agora, finalmente me sentia mais completa do que nunca!

Porquê, se agora sim!

Porquê, se agora sentia que tinha nos meus braços a fonte da minha realização enquanto mulher, a fonte do meu mais profundo desejo de ser, a fonte de metade do que eu sou conjugada com a minha, tão amada, cara-metade.

Porquê? Foi a pergunta que mais me quebrou durante quatro intensas semanas.

Semanas essas, que me assolaram de fraqueza, irritação, fragilidade, tristeza, constante angustia, necessidade de isolamento frequente e desvios constantes da minha mente. Mente essa, que preferia vaguear por entre os meus constantes e perturbadores pensamentos acerca do meu passado, do que, pela minha mais intima presente vontade de viver o meu amor incondicional, fomentando assim, a nossa cumplicidade, a nossa vinculação.

Não lhe virei as costas, mas muitas vezes fiquei parada a olhar p'ra ela, ali, pura e serena, colocando frequentemente em dúvida a minha capacidade de ser quem a cuida. De ser quem a protege. Embora nunca, a de ser quem incondicionalmente a ama. 

Culpa? Muita a senti! Muita me percorreu, pois sem compreender o que se passava ou o que aconteceu para chegar até ali, muito me culpava, dado que o desejo de a ter, antes d'ela existir, ultrapassava o tamanho do céu. 

Numa palavra? Assolador!

Sim, é verdade!

E perdoem-me, a quem futuramente poderá vir a viver a maternidade, mas este meu testemunho, não mostra mais nada, do que a crua realidade, de quem foi na onda do alheio floreado e pura ingenuidade, e se deixou apanhar na curva desta dura e muito intima veracidade.

Agradeço, sinceramente, a quem teve a coragem de enfrentar os seus fantasmas do passado e de me ajudar a identificar os meus do presente. Conseguem imaginar a importância que isto tem na vida de alguém?

 

Há quem chame isto de babyblues, há quem o denomine por melancolia ou tristeza pós-parto.

Tenha o nome que tiver, sabem o que mais me revoltou quando tudo isto passou? 

O facto de não haver em pleno século XXI, informação adequada, profissionais devidamente informados e interessados sobre esta temática, e acima de tudo, a existência de uma geral aceitação da situação como se de algo normal se tratasse, e pelo qual, quase que, necessariamente todas as mulheres têm de passar (e sozinhas) após um parto, por parte de uma sociedade supostamente evoluída, sem se provir a devida validação e abordagem à situação. 

Aceito que me digam que é naturalmente decorrente de uma gestação.

Não aceito que me façam engolir a normalidade de uma situação que altera por completo o íntimo, pessoal e social de uma vida comum, sem nada se fazer, e sem se agir de forma realista numa sociedade que em muito romântiza o que duro (de uma forma ou de outra), é logo à partida. 

 

Maternidade? Nem tudo são rosas!

 

 

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Seg | 06.04.15

Vacinação: Sim ou Não?

Mulher, Filha e Mãe

Desculpem-me o facto de andar ligeiramente alheia a determinadas realidades atuais, mas só há pouco tempo me apercebi desta nova onda anti-vacinação, no que toca ao Plano Nacional de Vacinação. 

Pensava que isto tinha sido um grande boom nos EUA (só e simplesmente), mas aparentemente, Portugal não foi vacinado contra este pensamento, e contagiou-se pela mesma propaganda.

 

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Vacinar implica a introdução de um antigénio num organismo, por forma a suscitar da parte deste, uma resposta imunológica idêntica à que se seguiria se a pessoa contactasse com o agente que causa a doença. Esta imunidade tem como objetivo produzir, em quem é vacinado, um grau de resistência idêntico ao que resultaria se este tivesse sofrido a doença, mas com a ausência dos inconvenientes desta, ou pelo menos, minimizando-os o quanto possível.

 

Para além da proteção individual que confere, a vacinação pretende o controlo, ou mesmo a erradicação, de determinado microrganismo que estimula determinada doença. Mas para tal ocorrer, tem de haver um certo número de pessoas vacinadas.

É o exemplo da difteria e da poliomielite. Doenças que outrora foram fatais, e que hoje, estão erradicadas por um número significativo de pessoas estar vacinado contra tal.

 

No programa Agora Nós, foram bastante esclarecedores quanto às correntes que existem atualmente face a esta questão: "Vacinação: Sim ou Não?". 

Se continuarem interessados, poderão ver o artigo e entrevista completos, aqui.

Resumidamente falando, a Dra. Paula Nunes (Pediatra) demonstra-se (naturalmente) a favor da vacinação, não só pelo beneficio individual, como pelo beneficio que existe para a saúde pública. E o Naturopata João Beles, define-se como sendo, nem a favor, nem contra, favorecendo o direito à decisão dos pais neste assunto.

A questão aqui, é que, no meu ponto de vista, a decisão de não vacinar alguém não implica só o próprio, mas também o resultado dessa eficácia em toda uma população.

Conseguem compreender assim o impacto que a vacinação tem? Em toda uma população? Controlo e/ou erradicação de determinadas doenças? Prevenção de doenças? Menos gastos em saúde? Gastos esses que somos nós, o povo, que vamos pagando?

 

Por todos estes motivos, mas acima de tudo, pela saúde de cada um em especial, e à de todos no geral, apelo a uma profunda e informada reflexão, quando for a hora de tomarem a vossa decisão. 

 

Perguntei, se Sim ou Não?

 

Para mim, definitivamente que sim. E para vocês?

Dom | 05.04.15

Rolar, Sentar, Rastejar, Gatinhar, e finalmente, Andar.

Mulher, Filha e Mãe

"O meu filho não rolou nem gatinhou, começou logo a andar"

 

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Eis uma frase que me pôs a pensar bastante, após uma longa conversa com algumas amigas.

Será que não existe nenhum problema em começar logo a andar sem gatinhar primeiro? Será, tal comportamento, tão demonstrativo das grandes capacidades de uma criança? Ou, na prática, teremos sido inconscientes cúmplices de uma falha no longo percurso do desenvolvimento normal dessa mesma criança?

 

Aproveitei todas estas questões para pesquisar e aprofundar os meus conhecimentos e também para conversar com quem sabe um pouco mais sobre esta temática. No final, consegui sacar uma boa tarde de trabalho e aprendizagem com a inicial aprendiz, e hoje, minha formadora, de que vos falei aqui.

 

De acordo com a mesma, parece que a ordem normal do desenvolvimento de um ser racional de quatro membros é:

 

1º - Rolar

2º - Sentar

3º - Rastejar

4º - Gatinhar

5º - Andar

 

E que não convém passar "por cima" de qualquer uma das fases. Contudo, haverá algum problema em passar alguma delas? E se sim, onde, como e porquê?

 

Ela é, (quase quase quase) licenciada em terapia ocupacional, há anos, formada em terapia da Alma, recentemente tia, há muito, estudante e desde que nasceu, gira (e um pouco resmungona também) bastante interessada pela área do desenvolvimento da criança, tendo desenvolvido já vários tipos de trabalhos académicos dentro do mesmo tema. Hoje, finalmente, veio aqui responder-nos a esta questão. 

 

O que acham? Fico a aguardar a vossa opinião no final! 

 

(Sim, é verdade! O texto é um pouco extenso, mas sem dúvida alguma, que vale a pena ler!)

 

Quando os pais se vêem com um bebé recém-nascido, uma das coisas que ouvem dizer desde cedo (aproximadamente desde os 2 meses) é que se deve colocar o bebé de barriga para baixo. Esta posição torna-se fundamental pois promove o desenvolvimento da musculatura no pescoço, braços e pernas, necessária para permitir a passagem do bebé por fases importantes do seu desenvolvimento normal como o rolar, sentar, rastejar, gatinhar e andar.

O rolar é a primeira fase do bebé que está relacionado com o desenvolvimento do controlo postural e que será relevante para todas as fases que se seguem, como por exemplo, a função da escrita, que ocorre alguns anos mais tarde. É também importante uma vez que o cérebro do bebé começa a ganhar a sensação da existência de dois lados (esquerdo e direito) e de como funciona a coordenação entre ambos.

Depois de rolar o bebé começa a assumir a posição de sentado. Claro! É muito mais interessante ter uma visão nitidamente mais ampla do "Mundo" ao seu redor, nestes primeiros meses, nesta posição. É também, uma posição muito mais proactiva para tocar, brincar e interagir. Entre os 3-5 meses o bebé não consegue sentar-se sozinho, no entanto, começa a desenvolver as estruturas necessárias para construir uma base de suporte, necessária para o mesmo.

Depois da postura de sentado estar adquirida autonomamente e de o bebé conseguir brincar junto ao tronco (a chamada linha média) começa a ser-lhe interessante chegar aos brinquedos que estão mais longe, nomeadamente ao seu lado! Assim, a dissociação dos movimentos do tronco superior (ombros e peito) dos do tronco inferior (anca) começa a ser muito maior, permitindo ao bebé chegar a muitos mais brinquedos. Nesta idade, como já consegue colocar-se de barriga para baixo sozinho, o chegar a brinquedos que estão mais longe começa a ser um desafio. Isto torna-se possível pela extensão dos braços (que posteriormente começa a não ser suficiente). Aí surge o rastejar, uma etapa que permite a continuação do desenvolvimento da dissociação de movimentos entre tronco superior e tronco inferior, desenvolvendo a força muscular nos braços e pernas, e permitindo uma maior movimentação por parte destes bebés!

Quando os brinquedos começam a ficar realmente longe e o rastejar já se torna "chato e cansativo" torna-se fisiológicamente necessário o desenvolvimento de uma maior estabilidade, força e coordenação entre cabeça, tronco e membros, começando assim a fase do gatinhar. Esta fase é importante porque desenvolve o controlo postural, equilíbrio, locomoção, coordenação e manipulação de várias partes do corpo. 

Apesar de ainda parecer uma etapa longínqua, os possíveis futuros problemas escolares, começam exatamente nesta etapa.

Estas duas últimas etapas (rastejar e gatinhar) também são de extrema importância para a ativação dos dois hemisférios cerebrais, promovendo, por exemplo, a dissociação do movimento dos olhos, do movimento da cabeça, facilitando a aprendizagem e desenvolvimento da escrita, anos mais tarde.

Depois de gatinhar e chegar aos móveis, sofás, cadeiras entre outros, e uma vez que a força muscular dos braços está muito mais desenvolvida, começa o apoio para a posição de pé. Apresar de não dar de imediato os primeiros passos, começa a adquirir força, equilibrio e coordenação nesta mesma posição e posteriormente sente-se mais confortável para repetir estes movimentos e começar então, a andar.

Para que todas estas fases aconteçam existem dois sistemas que são de extrema importância! Se não forem desenvolvidos corretamente, mais tarde, principalmente, numa idade escolar (5-7 anos) começam a surgir problemas como escrever da direita para a esquerda, escrita em espelho, escrita das letras ao contrário, letras que se sobrepõem, falta de noção espacial durante a escrita, não conseguir ler, entre outros. Estes sistemas são denominados por sistema vestibular e propriocetivo.

Finalmente, gostaria só de fazer uma ressalva: Apesar da importância da passagem por todas as fases descritas, é também fundamental recordar que o "saltar" uma destas fases do desenvolvimento não significa necessariamente que o bebé venha a desenvolver um problema futuro. No entanto, se encararmos estas fases do desenvolvimento como etapas de desenvolvimento do cérebro do bebé, conseguimos perceber que, quando não atingidos estes marcos, fica a existência de uma lacuna no seu desenvolvimento que terá de ser colmatada numa fase mais avançada e, talvez, com uma maior dificuldade.

 

 

Ficaram esclarecidos?