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Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

"Sim, tive uma depressão pós-parto e ninguém se apercebeu"

18.10.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Há poucos dias uma leitora do blogue entrou em contacto comigo. 

Acabou por expor a sua vivência relativa a um pós-parto menos positivo, e no meio da sua reflexão, acabou também por referir algumas questões que, por serem tão frequentes, e ao mesmo tempo por causarem tanta dor, decidi partilhar com a sua autorização. Esta, foi uma delas.

 

O inicio do seu email foi assim:

"Sim, tive uma depressão pós-parto e ninguém se apercebeu. Médicos, enfermeiras, família, amigas (poucas). E principalmente o meu companheiro."

 

E a verdade é que não foi só o inicio deste email que começou assim. O inicio da história de muitas mulheres que desenvolvem uma depressão pós-parto, começa assim. 

 

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Rápido a doença se desenvolve e ganha espaço no âmago da mulher, aos olhos do companheiro, perante a família, e por vezes, entre a mulher e o bebé. 

 

Vários são os sinais e sintomas que podem ser sentidos pela mulher e observados por terceiros. Muitos deles já desenvolvi neste e neste texto, por exemplo.

Várias são as estratégias que a família e amigos podem adotar para ajudar a mulher/casal, tal como já referi neste texto e já identifiquei neste vídeo.  

 

Se mesmo assim, algum de vocês identifica uma possibilidade da mulher estar a desenvolver uma depressão pós-parto, não hesitem em pedir ajuda! 

Várias foram as pessoas que já pediram ajuda, várias foram as pessoas que já a obtiveram e várias foram as pessoas que já se trataram. A depressão pós-parto é uma doença, que tem tratamento e precisa de ser encarada como tal!

 

Peçam ajuda! Pedir ajuda não faz de vocês a família que falhou. 

 

#eupediajuda

centro@mulherfilhaemae.pt

Sobre o questionário: 'O que é que sabe sobre Depressão pós-Parto?'

17.10.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Nos últimos dias esteve aberto no blogue um questionário que continha dez afirmações sobre Depressão pós-parto. 

O objetivo era compreender o que é que era do conhecimento geral sobre o tema. 

 

página do questionário.png

 

Para responderem ao questionário era obrigatório colocarem o vosso email por dois motivos:

1. Todas as pessoas que responderam receberam um email com as respostas corretas do questionário e respetiva justificação, assim como os dados globais obtidos que irei apresentar nos próximos dias de forma repartida.

2. É uma forma de comprovar que de facto responderam pessoas diferentes ao questionário e não fui por exemplo eu e "mais uns quantos amigos" que respondemos de forma repetida ao mesmo, o que inviabilizava o seu objetivo principal. 

 

Ao todo, entre 13/10 e 16/10, responderam ao questionário 127 pessoas e confesso-vos que fiquei positivamente surpreendida com os resultados. De qualquer forma foi claro que existem alguns temas que merecem mais atenção da minha parte quanto ao seu desenvolvimento no Projeto Mulher, Filha & Mãe. Algo que também foi possível comprovar através das vossas respostas. 

 

Para mim, o mais importante não foi quem é que respondeu certo ou errado em determinadas questões. O que importa compreender é que existem questões que carecem de maior aposta em termos de sensibilização, e não só. E isso também é possível porque vocês ajudaram! 

 

Nos próximos dias o objetivo será publicar os resultados globais do questionário para todos poderem ter conhecimento sobre os mesmos.

 

Curiosos? 

Sobre saúde mental na gravidez e no pós-parto #8

15.10.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

As características da relação da díade mãe/filho, no primeiro ano de vida, vão ter grande importância no desenvolvimento futuro da criança: personalidade, auto-estima, confiança em si próprio, relacionamento interpessoal, capacidade de adaptação a situações novas. Concretamente, a atividade clínica tem fornecido exemplos significativos de como a qualidade da relação mãe/filho influencia as futuras relações interpessoais.

 

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 Monteiro, M. & Santos, M. (1995). Psicologia 2ª parte. Porto: Porto Editora.

Projeto 'Mulher, Filha & Mãe': Parceria com o Centro de Desenvolvimento Passo a Passo.

13.10.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

O Centro de Desenvolvimento Passo a Passo começou a apoiar novos projetos e eu pensei: "Porque não?". 

 

 

Enviei uma descrição do Projeto Mulher, Filha & Mãe e passado algum tempo o convite para reunirmos e falarmos mais sobre o assunto acabou por surgir. 

 

No Cento encontrei pessoas bastante disponíveis e atentas que me acolheram com grande disponibilidade. O objetivo era comum: aumentar a sensibilidade das pessoas para a saúde mental perinatal e dinamizarmos momentos para tal. 

E assim começámos a traçar o nosso percurso em conjunto. 

 

Após algumas reuniões, as propostas foram estruturadas, organizadas e adaptadas ao público em questão.

Neste momento temos várias propostas, especialmente de âmbito formativo, que serão brevemente anunciadas por mim e pelo centro de desenvolvimento. 

 

Estejam atentos! 

A Raquel pediu ajuda e conseguiu superar a Depressão Pós-Parto! E vocês?

12.10.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

A questão foi colocada há pouco tempo num post que publiquei e que se intitulava por Depressão Pós-Parto: Quando é que pediram ajuda?

 

Várias foram as respostas que obtive! Mas ainda faltam muitas mais. 

 

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A Raquel respondeu e disse:

 

Pedi ajuda quando precebi que não era só a minha vida que estava em risco...mas a da minha filhota também... Despistei-Me na auto-estrada com ela dentro do carro... Nesse dia cheGuei a casa e disse preciso de ajuda... Tinha ela já 7 meses... Esse dia foi o primeiro de uma grande luta... Mas conseGui...

 

E vocês, quando é que pediram ajuda?

#eupediajuda

 

centro@mulherfilhaemae.pt

 

Ansiedade: uma fiel companheira parental no pós-parto.

10.10.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Há alguns meses descrevi qual a diferença entre ansiedade "normal" e a ansiedade considerada "patológica", num texto denominado por "Ansiedade Pós-Parto: quando é que deixa de ser normal e passa a patológica?"

 

Como já identifiquei várias vezes por aqui, o período que alberga o nascimento de um filho é caracterizado por mudança e imprevisibilidade constituindo-se um desafio em termos de exigências e expectativas, que muitas vezes é percebido como um acontecimento de vida stressante, o qual pode precipitar ou agravar qualquer uma das perturbações da ansiedade descritas nos manuais de diagnóstico. 

 

Estimativas de incidência nos primeiros seis meses podem chegar aos 30% e de acordo com alguns autores, a ansiedade é muito mais comum no pós-parto do que a depressão. Para além disso, a ansiedade na gravidez é reconhecida como um fator de risco para a depressão perinatal, assim como níveis elevados de ansiedade nos primeiros dias do pós-parto foram associados ao desenvolvimento de uma depressão pós-parto.  

 

 

De todas as perturbações da ansiedade integradas nos manuais de diagnóstico aquela que se desenvolve com maior frequência é a Perturbação da Ansiedade Generalizada (PAG), que em termos de prevalência pode chegar aos 8% na gravidez e no pós-parto e está relacionada com a preocupação excessiva e incontrolável durante uma grande parte do dia, durante vários meses, e a vários níveis na vida de cada individuo. Segue-se a Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC), cuja prevalência poderá chegar aos 3.5% na gravidez e no pós-parto. Sabe-se que até 70% das mulheres com POC reportam o inicio da sua doença ao período perinatal e cerca de 50% das mulheres com POC preexistente referem exacerbação dos sintomas no período perinatal. 

 

De uma forma geral a ansiedade patológica pode manifestar-se no pós-parto, através da vivência persistente e a longo prazo de momentos (por exemplo) de maior irritabilidade, cansaço extremo, grandes dificuldades de concentração, insónia frequente, preocupação excessiva com determinados pormenores, incapacidade de relaxar, obsessão relacionada com determinados tipos de cuidado ao bebé, ideias recorrentes de agressividade em relação ao bebé, entre outros, ao ponto deste tipo de manifestação acabar por incapacita-la de vivenciar o seu dia-a-dia de uma forma geral, ou mais de metade do seu dia-a-dia, tornando-se assim uma fiel companheira parental no pós-parto. 

 

Caso se identifique com o descrito no presente texto, saiba que não é a única e que é provável que perto de si possa encontrar o apoio de que necessita para ultrapassar da melhor forma o momento presente.

 

Contacte-me caso queira esclarecer alguma dúvida, ou colocar alguma questão afeta ao tema. 

centro@mulherfilhaemae.pt

Histórias que dão a cara por esta causa #19 "Estava exausta mas não conseguia relaxar ou dormir, era uma tensão 24h por dia"

06.10.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Uma leitora do blogue contactou-me para a ajudar no inicio de um projeto na área da saúde mental perinatal. Começando a falar sobre o que a levava até esse projeto compreendi que por trás havia uma história que dava a cara por esta causa. Uma história muito forte, muito dura e com um final muito feliz também.

Uma história de uma longa depressão pós-parto, mas que, para além de superada, revelou-se um excelente motor para ir em busca de uma resposta mais estruturada para esta área, num outro país: o Brasil.

 

Enviem-me as vossas histórias também! Quanto mais histórias acumular-mos nesta rubrica, maior será a visibilidade para esta temática também. 

 

centro@mulherfilhaemae.pt

 

 

 

Aos 25 anos de idade me casei de véu e grinalda, realizava a primeira parte do sonho de ter uma família para chamar de minha. Para quem vem de uma família de origem desorganizada, ter uma família de verdade era a realização de um sonho de uma vida inteira. Com 3 meses de casada, disse ao meu marido que queria um filho, a princípio ele achou que era cedo, mas como já morávamos juntos há 5 anos e não sabíamos quanto tempo demoraria para engravidarmos, ele topou. Parei o anticoncepcional e 15 dias depois veio o positivo.

Foi um choque a rapidez da gravidez, mas estávamos muito felizes.

Sou psicóloga e já fazia terapia há alguns anos, nessa época trabalhava em uma escola com crianças deficientes. Era um trabalho puxado e tinha medo de que algum aluno pudesse ter um episódio de agressividade e algo acontecer com meu bebê. Resolvi pedir demissão e curtir esse momento tão especial sem stress.

 

Quando engravidei, minhas duas primas também estavam grávidas. Vivemos momentos deliciosos, compartilhando a nossa gestação.

Sempre fui magra, mas engordei 20kg na gravidez. Foi a partir daí que os problemas começaram. Ficar em casa os 9 meses, fez aquela espera não ter fim. Passava o dia comendo, sentia muita fome e o prazer em comer era algo inexplicável. Não me reconhecia no meu corpo, tomava broncas do médico que fez meu pré natal. Lembro que sempre perguntava ao meu marido se parecia que eu era gorda ou grávida. Nessa fase minha auto estima já estava baixa.

 

Meu bebê nasceu em novembro de 2009, foi o dia mais feliz da minha vida. Uma cesárea tranquila, com uma recuperação ótima. Me lembro de sentir uma realização em ter a família que tanto quis... Mas os dias que se seguiram não foram assim.

Tive muita dificuldade em amamentar, sentia muita culpa por isso. Dava o peito, tirava com a bomba, mas meu bebê nunca estava satisfeito. O primeiro complemento foi ainda na maternidade, meu leite secou com 1 mês e meio. As noites mal dormidas acabavam comigo, havia uma ansiedade por descansar, para ter um momento para dormir, mas a minha atenção com o bebê era tanta, que não conseguia relaxar, estava sempre em alerta e tinha dificuldade de dormir e descansar. Minha terapeuta me apontava que eu dava sinais de depressão pós parto, mas eu achava aquilo um absurdo. Afinal, como eu estaria deprimida se estava realizando um sonho.

 

Quando meu bebê completou 3 meses, comecei a somatizar a depressão que não assumia. Passei um mês com vômitos e diarreia, fiz diversos exames, mas nada dava alterado. Nessa época, meu apetite foi embora, já quase não me alimentava. O cansaço era tanto, estava sempre alerta, começaram os episódios de insônia.

Entre esses sintomas, tinha muitos altos e baixos, a psicoterapia me ajudava e me deixava bem, mas de repente me afundava. Minha terapeuta pediu que eu procurasse um psiquiatra, a consulta estava agendada para algumas semanas para frente. Até que... Passei 3 noites seguidas em claro, meu marido levantou para ir trabalhar e eu tive mais uma crise de choro.

Dizia que não conseguia comer e dormir, que não conseguia fazer o básico por mim, como eu ia cuidar de um bebê sozinha? Ele pediu que eu antecipasse a ida ao psiquiatra, naquele mesmo dia passei pelo médico e iniciei duas medicações. A primeira para eu dormir, que deveria ser usada por 7 dias e a segunda um Antidepressivo que demoraria 15 dias para começar a fazer efeito.

Já estava fazendo terapia 2 vezes por semana há algum tempo. Nesse época, a funcionária que tinha em casa pediu demissão e até acertarmos alguém demorou um tempo. Precisei de alguém que me ajudasse com o bebê. Tinha uma preocupação excessiva com ele, como se ninguém tivesse a capacidade de cuidar dele bem. Me lembro que não tinha energia para nada, passava os dias deitada, olhando para a parede. A funcionária que me ajudava ficava brincando com meu bebê, eu levantava a cada três horas o alimentava, trocava a fralda e voltava para cama. Estava exausta mas não conseguia relaxar ou dormir, era uma tensão 24h por dia.

Emagreci 20 kg no primeiro ano de vida do meu filho, achava meu corpo horrível. Se meu marido não fizesse meu prato de comida e me colocasse sentada na mesa eu não comia. Passava longas horas sem comer nada.

Com a medicação e a terapia fui melhorando e quando meu bebê tinha 10 meses voltei a trabalhar, e isso foi tão fundamental como o acompanhamento psicológico e psiquiátrico que tinha. Fiquei muito estressada por estar longe do meu filho, como trabalhava numa escola, quando ele completou um ano, ele entrou na escola. Nessa fase, comecei a retomar a minha vida. Porém, o primeiro semestre do meu filho na escola, foi de muita infecção. Ele teve otites de repetição, nenhum médico descobria porque meu filho não melhorava com o tratamento. Foram 4 meses de antibióticos, muita febre, sem ajuda para dar conta de filho doente e trabalho.

Com um ano e meio ele operou o ouvido e a adenoide, e eu perdi mais 10kg.

Nessa época eu havia parado com os antidepressivos, tive que voltar a tomá-los. Fiz manutenção do tratamento e aos poucos fui me curando dessa maldita depressão. Desde essa cirurgia, até os 4 anos de idade meu filho sempre teve muitas infecções e eu dizia que não queria outro filho, que nao tinha a menor condição de reviver tudo aquilo. Até que... Mudamos o tratamento do meu filho, ele parou de adoecer e passamos a viver uma vida normal.

Nessa época, eu já estava recuperada da depressão pós parto, mas em conflito com minha vida profissional, sentia que trabalhava muito e não me dedicava o suficiente ao meu pequeno. Meu filho me pedia por um irmão e eu sentia que havia espaço para outro filho na minha vida. Já não fazia acompanhamento psiquiátrico, mas continuava com a terapia, pois sempre adorei.

 

Em maio de 2015 nasceu meu caçula, dessa vez me preparei muito para essa gestação para não reviver aquela maldita depressão. Meu caçula me ensinou como é possível ser mãe de um bebê e saudável ao mesmo tempo. Foi muito importante para que eu resgatasse a minha história e me orgulhasse do meu caminho.

 

Hoje, conciliei minha profissão de psicóloga clínica e minha história de vida para ajudar outras mães que sofrem os conflitos da maternidade. Tenho muito orgulho da minha história e da minha superação. E vejo, como foi preciso eu viver no fundo do poço para poder ajudar outras mães da forma que fui ajudada. Espero que minha história sirva de incentivo para as mulheres que vivem uma depressão e as ajude a buscar um tratamento adequado.