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Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Quais as estratégias para se lidar com o Blues e com a Depressão Pós-Parto?

11.11.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Um tema a abordar numa futura sessão de formação. Estejam atentos!

 

Também gostavam de saber mais sobre o tema?

Contactem-me através do seguinte email:

centro@mulherfilhaemae.pt

 

http://arvoredosbebes.pt/projeto-mulher-filha-mae

Histórias que dão a cara por esta causa #20 - "Considerava a Depressão Pós-Parto algo sem sentido, mas a verdade é que não se controla"

09.11.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Foi excecional o contributo desta leitora para o blogue. 

Não falo só em termos de testemunho na primeira pessoa que partilha - o que em muito já contribui para a divulgação ativa do tema - como também da força que me transmitiu enquanto mulher e mãe. 

 

Há dias complicados por trás deste ecrã. Dividir o tempo entre a Família, Amigos, Mestrado, Trabalho e Blogue nem sempre é fácil. Especialmente porque adoro tudo o que faço. Amo a minha família e amigos, adoro o mestrado que faço, assim como o percurso profissional que estou a traçar atualmente, e adoro escrever!

E num dia mais confuso, esta leitora transmitiu-me uma forte mensagem, que ainda me motivou mais a fazer a gestão que faço todos os dias. Quando o resultado é este, só pode haver um caminho: continuar!

 

Obrigada minha querida! 

Partilhem também as vossas histórias relativas à Depressão Pós-Parto, sejam na primeira pessoa, sejam companheiros, filhos, amigos, vizinhos, tios, primos, etc. Tragam-me as vossas visões sobre o tema! Partilhem as vossas opiniões e vivências. Vamos falar sobre o assunto! 

 

centro@mulherfilhaemae.pt

 

momandbabysleep.jpg

 

"Olá Ana, Tenho lido vários artigos que tem publicado no seu blog e sempre que leio fico com uma enorme vontade de lhe falar. Tenho vindo a adiar, talvez por comodismo, privacidade e receio de falar do que me é frágil, mas chegou o dia.

Eu sou a (leitora), tenho 27 anos e fui mãe há 1 ano atrás. As coisas agora estão melhores mas no início não foi nada fácil. Tinha uma enorme vontade de ser mãe e as minhas expectativas estavam demasiado elevadas em como tudo ia correr como eu mais desejava, principalmente em relação à amamentação. Não aconteceu! Estive três dias no hospital após uma cesariana que correu lindamente, recebi imensas visitas que não me incomodaram porque sabia que tinham tempo limitado, a minha filha nasceu bem e saudável; e tive o apoio de todas as enfermeiras na adaptação da bebé ao peito (depois de durante toda a gestação ser bombardeada com a questão de que o leite materno é o melhor para o bebé por variados motivos, e atenção, sou completamente de acordo).

Chegados a casa, tudo começou a ficar mais confuso... Os amigos que não tinham ido ao hospital marcavam visitas para lá ir a casa o que senti que me começou logo a afectar. Queria estar sozinha, não tinha vontade de estar com mais ninguém para além da minha filha, todas as perguntas me perturbavam, até as mensagens que recebia a perguntar constantemente se estava tudo a correr bem, enfim...

No meio de tudo isto comecei-me a aperceber que a minha filha não ficava saciada com o peito até que resolvi tentar extrair com a bomba para ter ideia da quantidade que estava a produzir. Em 20 minutos saíram 4 gotas... não tinha leite! Aí sim, senti que não fiquei bem, aliás, ainda hoje me julgo e pergunto o porquê de não lhe ter conseguido dar o melhor que dependia de mim. Confesso que ainda é um assunto bastante delicado. Fiquei obcecada pela minha filha ao ponto de rejeitar o pai, para mim era só eu e ela, não era preciso mais ninguém. Chorava muito enquanto olhava para ela a dormir, e pensava que era o acumular de tanto amor, de tanta felicidade, mas já não era.

O tempo foi passando e eu tive plena noção de que não estava bem mas não era capaz de falar com ninguém sobre isso. Pensei, "não vou procurar ajuda médica porque me vão medicar e eu não quero ficar dopada! Ninguém me vai entender! Vou ter força interior para ultrapassar tudo isto sem que ninguém perceba!". Assim fiz, não foi nada fácil, passava muito tempo sozinha com ela e sempre que ela dormia (que era muito tempo) era o desespero total sem conseguir explicar o motivo.

Sempre achei as depressões pós-parto uma coisa sem sentido, sempre pensei "como alguém pode entrar em depressão quando é suposto ser o momento mais feliz das nossas vidas?!", é verdade, não deixa de o ser mas é algo que não se controla. Hoje em dia já me sinto melhor, só há pouco tempo é que comecei a falar com os meus familiares sobre o que passei, inclusive com o meu marido, e para meu espanto e uma certa tristeza soube que ninguém deu por nada... Sinto-me bem, embora emocionalmente mais sensível, sou feliz mas tenho alguns receios para o futuro.

Não me sinto minimamente preparada para pensar num segundo filho, tenho muito medo de ter que passar por tudo isto outra vez... e outro dos meus medos é que esteja com uma depressão mal tratada que a qualquer momento me deite abaixo. Desculpe todo este desabafo.

Esta é a minha história e obrigada pelo seu contributo com o blog porque certamente vai ajudar outras mães que possam estar a passar pelo mesmo. Infelizmente tenho a sensação de que só "nós" nos entendemos. Um beijinho."

2ª Gravidez = 2ª Depressão Pós-Parto?!

08.11.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Esta equação, não tem de ser necessariamente assim. 

 

Há poucos dias em conversa com uma leitora do blogue surgiu esta temática, e já não é a primeira vez que a mesma surge em conversa com mulheres que gostavam de ter mais um filho mas que temem o desenvolvimento de uma segunda depressão pós-parto. 

 

É certo que para quem já desenvolveu uma depressão pós-parto numa primeira gravidez, a probabilidade de desenvolver uma segunda depressão pós-parto, numa segunda gravidez, poderá ser maior. Mas também é certo que a preparação para esta realidade, é maior também. E tomo por "preparação" a da própria mulher, do companheiro e da restante família. 

 

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Se é fundamental, numa primeira gravidez, a mulher e respetiva família informarem-se sobre o tema e ficarem sensibilizados para este tipo de temáticas, numa segunda gravidez, a mulher não só acumula todas as experiências vividas por si enquanto mãe até à data, como a sensibilidade para temas como a depressão pós-parto é maior também. Tem todos os recursos para se munir, juntamente com a sua família, de estratégias para a prevenir, e procurar apoio, caso seja necessário. 

 

Quais as manifestações de uma depressão na gravidez e no pós-parto?

(podem encontrar a resposta aqui)

 

Como é que a família e amigos podem ajudar uma mulher com depressão pós-parto?

podem encontrar a resposta aqui)

 

Quais os recursos na comunidade que me podem ajudar a ultrapassar a depressão pós-parto?

(Contactem-me! centro@mulherfilhaemae.pt)

 

Estas são questões muito importantes às quais a resposta deverá estar na ponta da língua

 

Questionem-se. Informem-se. Procurem apoio. 

Preparar a chegada de um segundo filho, nestas circunstâncias, contribui para a vivência de uma gravidez e pós-parto mais tranquilos. 

 

#eupediajuda 

#movimentodepressãopósparto

"Fui mãe há 10 meses e sinto uma ansiedade terrível"

04.11.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Já não é a primeira vez que falamos sobre ansiedade por aqui. 

Ansiedade tanto pode ser considerada como um traço da nossa personalidade, ou um estado, tanto pode ser considerada como "normal" ou "patológica". Não há um limite preciso, nem há uma regra padrão. Existe sim, um limite que cada um de nós poderá conhecer melhor do que qualquer outro e uma regra que única e simplesmente a cada um, de forma individual, se aplica. A ansiedade, poderá constituir-se sim um forte problema do foro da saúde mental, caso interfira constantemente com o bem-estar da pessoa e afete fortemente a sua interação com os outros e com o meio que a rodeia. 

 

A ansiedade não é típica de nenhuma fase da vida em particular, mas também exacerba, como já falei aqui, na gravidez e no pós-parto, podendo muitas vezes caminhar lado a lado com a depressão perinatal

 

 

Uma leitora do blogue contactou-me há alguns dias e referiu o seguinte no email que me enviou:

 

"Fui mãe há 10 meses e sinto uma ansiedade terrível. Canso-me ao menor esforço, falta de fôlego ou fôlego curto, dores no pescoço, irritabilidade, dores de cabeça, etc. Ando assim há 10 meses. Não tenho tempo para mim , apesar de estar em casa com o meu filho, e para bem da minha sanidade mental preciso de ajuda."

 

Com a sua autorização, publiquei-o, também como forma de vos alertar para esta problemática que se sabe que ocorre com muita frequência na gravidez e no pós-parto. 

 

Os sinais e sintomas para este tipo de alteração, não só estão bem claros no pedido de ajuda que faz, como tenho vindo a falar sobre os mesmos, por exemplo, aqui

 

Estejam atentos e procurem ajuda! 

Pedirem ajuda não faz de vocês, a pessoa que falhou

 

Esta leitora pediu ajuda, e encontrou

 

centro@mulherfilhaemae.pt

 

Unidades de internamento Mãe-bebé: Já ouviram falar?

02.11.16 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Pouco tempo depois de ter começado nesta incessante busca por conhecimento inerente à área da saúde mental e psiquiatria perinatal, rapidamente tomei conhecimento das "Mother and Baby Units (MBU)", que é como quem diz em Português, "Unidades de internamento Mãe-bebé". 

Estas unidades caracterizam-se por serem unidades de saúde onde as mães são internadas juntamente com os seus bebés, aquando de um problema grave ao nível da saúde mental no período do pós-parto. Não existe nenhuma em Portugal, mas existem algumas na Europa, nomeadamente no Reino Unido, e também existem na Austrália e nos Estados Unidos da América, pelo que consegui apurar. 

 

Em Portugal, a maioria das mulheres com depressão pós-parto é, por norma, tratada em ambulatório, com apoio ao nível dos cuidados de saúde primários, e algumas com maiores possibilidades financeiras, ao nível do sistema privado de cuidados de saúde. Contudo, existem mulheres que por desenvolverem depressões pós-parto de tipologia mais grave, comprometendo fortemente a sua segurança e dos que a rodeiam, nomeadamente do bebé, necessitam de ser hospitalizadas. Quando o são, por norma são em serviços psiquiátricos gerais, afastadas dos seus bebés, uma vez que este tipo de serviço também não tem condições para tal, sendo que ainda existem no nosso país muitas dúvidas quanto a esta tipologia de internamento. Se por um lado se sabe de forma consolidada que o bebé precisa da mãe assim que nasce, e o afastamento da mesma, poderá ter grandes repercussões em termos de vinculação e desenvolvimento global futuro, por outro lado, uma mãe que desenvolve uma depressão pós-parto grave não se encontra em condições de cuidar sozinha de um bebé, podendo comprometer gravemente a segurança de ambos.  

 

 

Nas MBU os bebés são internados com as mães, mas cuidados por técnicos de saúde especializados na área e que medeiam/supervisionam (dependendo da situação), enquanto considerado necessário, a relação entre a mãe e o bebé.

 

 

Portanto, é do conhecimento geral que os bebés precisam das mães assim que nascem. Mas quando as mães desenvolvem alterações psicopatológicas graves como a depressão pós-parto, podem não estar disponíveis/aptas para cuidarem autonomamente dos seus bebés. E é aqui que são evidenciadas as duas grandes vantagens deste tipo de unidades: a mediação e supervisão desta relação por técnicos especializados, concomitantemente à promoção da recuperação mental e emocional da mãe, assim como, a mediação da alta da mãe e do bebé pelos mesmos técnicos, colocando-os em contacto com locais na comunidade que possam facilitar o seu regresso a casa e tudo o que o mesmo envolve com relação à adaptação de ambos e da respetiva família. 

 

Aqui em Portugal ainda não existem, mas pode ser que brevemente possa haver alguma evolução neste âmbito. 

Contudo, no Reino Unido e na Austrália já parecem haver fortes avanços neste sentido, e podemos tirar daqui um bom exemplo, caso queiramos avançar neste tipo de matérias. Não só os apoios sociais para esta área estão muito mais elaborados e são muito mais dinamizados (como por exemplo, em termos de associações, instituições de apoio no âmbito da saúde mental perinatal, etc.), como existem uma série de unidades de internamento mãe-bebé. Das que consegui contar, pelo menos 17 no Reino Unido, 5 na Austrália e 2 nos Estados Unidos da América. Mas acredito que possam existir mais.   

Estas, foram algumas fotografias que encontrei correspondentes a este tipo de unidades, e que partilho convosco: 

 

MBU em Chelmsford - Reino Unido

 

 

Uma prisioneira numa Mother & Baby Unit especializada para estes casos.

 

 

 

 

 Bebés a dormirem nos berços numa Mother & Baby Unit.

 

 

 

good samaritan hospital mother baby unit

 

 

Preparação para uma sessão de formação às mães e respetivos companheiros, sobre cuidados ao recém-nascido numa MBU.  

 

 Uma MBU no Reino Unido

 

 Nestas unidades, a presença constante da família, especialmente do companheiro, é fortemente estimulada, quando considerada viável (tendo em conta a resposta ao tratamento). 

 

Oakwood Hospital: Mother-Baby Unit

 

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