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Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Quais são as histórias que dão a cara por esta causa?

30.05.17 publicado por Mulher, Filha e Mãe

São histórias de mulheres que se confrontaram com ansiedade e depressão na gravidez, com blues, depressão, ansiedade e/ou psicose pós-parto. 

 

São histórias de homens que se confrontaram com depressão pós-parto, homens que se viram sozinhos a cuidar, com uma mão, dos seus filhos recém-nascidos, e com a outra, das suas mulheres que emocionalmente se encontravam pouco ou nada tranquilas. 

 

São histórias de mães e sogras que se confrontam com histórias de filhas e filhos com depressão na gravidez e/ou no pós-parto, histórias de mães e sogras que se relembram das suas há décadas atrás, e que atualmente congelam, não sabendo como agir, ou que por outro lado, agiram tranquilamente. 

 

São histórias de amigas, amigos, tios e primos que dão de caras com ausências prolongadas, com visitas proteladas, com humores e emoções desviadas do que esperavam e não souberam como agir, ou que por outro lado, agiram tranquilamente. 

 

São histórias de vidas, reais, pouco coloridas, mas que demonstram exatamente como são muitas as vivências de gravidezes e pós-partos que foram tudo, menos o esperado pelos seus protagonistas. Sejam mulheres, companheiros, sogras, mães, primos, amigas, tias, vizinhas, quem for.

 

 

Alguém que se tenha confrontado com uma história menos positiva na gravidez e/ou no pós-parto?

Alguém que tenha uma história menos colorida sobre a maternidade?

Alguém que tenha uma coleção de momentos pouco felizes, muito diferentes do esperado? 

 

Então essas histórias são para serem contadas aqui, na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa

 

Uma causa sobre o lado menos positivo da maternidade, que existe, é real, não é único e que precisa de se tornar mais consciente para todos, facilitando, entre outros, a chegada de apoio a quem vive, na primeira e/ou na segunda pessoa, uma maternidade que nem sempre rima com felicidade

 

 

Têm alguma história para contar? Não hesitem! 

blog@mulherfilhamae.pt

 

Á conversa com a Ana #7 - "Foste tu que me incentivaste a procurar ajuda e a nunca desistir de cuidar de mim. Obrigada meu amor."

26.05.17 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Na semana que passou eu e o meu marido fizemos 13 anos que estamos juntos. E desde aquele primeiro dia em que nos conhecemos até hoje, um mundo de experiências e momentos aconteceram. E um deles foi a minha experiência da depressão pós-parto.

 

Tornarmo-nos pais revelou-se uma experiência mais dura do que havíamos imaginado. A C. foi uma bebé desejada. A gravidez foi muito tranquila. O parto foi difícil e doloroso. Mas o pós-parto superou tudo o que poderíamos esperar. Pela negativa, sublinho. Antevíamos momentos cansativos, mas não imaginávamos a exaustão que nos esperava. Líamos e ouvíamos sobre as possíveis dificuldades que sucedem ao nascimento de um bebé, mas tinhamo-nos como pessoas tranquilas o suficiente para lidar com o quer que fosse. Mas tranquilidade não foi de fato o cenário com que nos deparamos logo após os primeiros dias em casa com a C.

 

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Como disse uma vez o meu marido a um amigo: “na gravidez a Ana começou a correr a maratona. Depois de 9 meses a correr veio o parto e ela continuou a correr, sem poder parar e descansar. E depois nasce a C., voltamos para casa com ela e a Ana não pára de correr. Não pode parar. Continua a correr a maratona. E por muito que eu tente nunca conseguia correr com ela. Foi duro para mim, então para ela…” Estas são, quase na íntegra, porque não me lembro palavra por palavra, as suas palavras. E a ele só posso agradecer por tudo.

 

Celebramos 13 anos, e a ti quero agradecer por seres um companheiro de viagem maravilhoso. Foste a minha força quando ela não existiu. Foste a estrutura emocional para a nossa filha quando eu não estava capaz. Deste-lhe colo, tanto colo. Eu tinha medo de pegar nela. Mas tu pegavas, colavas-a a ti, ao teu peito, falavas-lhe baixinho, dizendo que estava tudo bem, que o pai estava ali. Amaste-a desde sempre, quando eu ainda não conseguia. Ficaste horas, sim horas, para adormecê-la para eu poder dormir até à mamada seguinte. Ligavas ao teu pai para vir trazer-me almoço, quentinho, acabo de fazer, para eu ter o que comer. Obrigavas-me a sair de casa, quando chegavas do trabalho, para espairecer. Ofereceste-me livros, um puzzle (que sabes que eu adoro) para me animar.

 

Nunca me apontaste o dedo pela mãe que eu (ainda) não estava a ser para a nossa filha. Não ouvi nenhuma crítica, não senti nenhum julgamento. Pelo contrário, eu tinha em mim mesma um coração cheio de auto-críticas, julgamentos e culpa, e tu acalmavas-me sempre com as tuas palavras serenas e com os teus abraços quentes. Foste tu que me incentivaste a procurar ajuda e a nunca desistir de cuidar de mim.

 

Oh meu amor, dizes que não conseguias correr comigo mas correste! Correste muito! Cuidaste da nossa filha e de mim. Obrigada meu amor.

E se o tempo voltasse atrás, também voltariam a ser mães?

19.05.17 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Nos últimos dias tenho recebido inúmeros emails de mulheres, que para além de partilharem as suas histórias, integram um traço em comum: referem não querer voltar a ser mães de um segundo filho. 

 

"Para mim bastou esta experiência" - referiram. 

 

E quando dizem que esta experiência bastou, não se referem ao filho que geraram e que acolheram como lhes foi possível. Referem-se à experiência traumática que consistiu na experiência de uma depressão pós-parto, inicialmente vivida em silêncio, e mesmo depois de assumida e tratada, com um fraco apoio sentido por elas, em relação às pessoas que as rodeavam. 

 

Este fraco apoio assentou essencialmente na falta de compreensão alheia, especialmente por parte do companheiro e/ou da família próxima - "diziam que era frescura da minha parte, que eu era muito mimada e que agora tinha deixado de ter todas as atenções para mim e que tinha de aprender a lidar com isso" - referiu uma delas. Fraco apoio este que assentou no sentimento de culpa interno que não sabiam como ultrapassar, sendo que não possuíam meios para recorrer a apoio psicoterapêutico em privado, e o apoio fornecido através dos centros de saúde, tardou (muito) em chegar, "e quando chegou, a consulta não passava dos 20 minutos, quinzenalmente. Acabei por desistir e ficar só a tomar a medicação, que ainda hoje tomo." - referiu uma delas. Fraco apoio este que as fez deixar de ir a determinadas consultas (por exemplo) onde já eram seguidas porque não tinham onde/com quem deixar os bebés, e tinham medo de sair e de não serem capazes de tomar conta deles, e acima de tudo, medo que alguém achasse que não eram boas mães, ou que a depressão fosse farejada por alguém que pudesse por em causa o seu papel, o seu amor, e só se focasse no medo (gigante) e que transparecia em cada movimento descoordenado, em cada segundo de insegurança, e em cada respiração acelerada, em cada momento de stress constante. Este fraco apoio assentou em determinados detalhes como sentirem que não tinham ninguém que as incentivasse a saírem de casa, a arranjarem-se, a doarem um pouco do seu tempo para ficarem com os seus bebés, ou as acompanhassem, e "especialmente quando algumas pessoas da minha família souberam que tive depressão pós-parto, afastaram-se. Uma chegou a dizer que para tragédias, já bastava as da casa dela." - referiu uma delas. 

 

O fraco apoio sentido por estes mulheres, e acredito eu que por tantas outras nesta fase, deu expressão a sentimentos de solidão, de desamparo, de irritação, de culpa e fez ressaltar o sentido de responsabilidade perante os seus bebés, assim como, aumentar o receio de não serem capazes de estar à altura. Tudo isto ao mesmo tempo que vivenciavam uma depressão pós-parto e eram tratadas para esse efeito.

 

Não me admira nada que estas feridas não saradas originem pensamentos e emoções que estejam na base de atitudes como a de não quererem voltar a ter filhos. Faz-me é questionar com frequência a porra do olhar vago da sociedade em que estamos inseridas, e que não contempla experiências como a destas mulheres e que em tanto influenciam, de tantas formas e feitios, o mundo que estamos a criar.

 

Tal como é referido no Relatório Mundial de Saúde escrito pela OMS (2005),  "as crianças são o futuro da sociedade, e as mães, são as guardiãs desse futuro". Então eu pergunto-me, o que é que nos inibe de começarmos a olhar para elas com maior profundidade enquanto cidadãos e/ou profissionais de saúde?

 

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Eu conheço algumas das respostas à anterior questão, mas nenhuma delas sacia a premente necessidade que se verifica e que continua a aumentar. E já agora, considerando todas estas circunstâncias, e se o tempo voltasse atrás, também voltariam a ser mães?

 

Fica a questão.

Histórias que dão a cara por esta causa #25 "Quando ao fim de três anos consegui o que mais desejava entrei em choque e tive depressão pós-parto"

12.05.17 publicado por Mulher, Filha e Mãe

E quando se quer muito ser mãe mas é díficil, e se tem de partir para tratamentos específicos, a carga emocional é mais do que muita associada a este momento. As expectativas constantes, os tratamentos sem resultados, a menstruação que teima em aparecer, e um dia, tudo muda quando este bebé chega. Mas muitas destas questões podem afetar emocionalmente a mulher e o casal, e após tanta luta nesta sentido, instala-se a depressão. 

 

Não é de admirar. No entanto, a Rita partilha connosco a sua história, e como a superou! Sim, porque a depressão pós-parto, para além de ter solução, influência vivências muito próprias de cada mulher. 

 

Leiam a história da Rita, e partilhem as vossas também! 

centro@mulherfilhaemae.pt

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Antes de ser mãe questionei-me mil e uma vezes o motivo pelo qual não conseguia ter filhos. Remoí, deprimi, odiei, chorei, desejei morrer. Quando finalmente, ao fim de três anos e muitos tratamentos falhados, consegui o que mais desejava, o que parecia impossível, entrei em choque. Retenho algumas imagens, vincadas, do meu Gonçalinho, com apenas um mês, a espernear com cólicas e eu, lavada em lágrimas, sem saber o que fazer. Tive depressão pós-parto. Não falava com ninguém. Só com o meu filho. Fechei-me em casa e vivi exclusivamente para ele. Sinceramente, não sei o que esperava. Quer dizer, sei. Tal era a imagem que tinha da maternidade que pensava que um bebé dava menos trabalho do que na realidade dá. Pensava que com o meu seria cor-de-rosa. Chorei durante meses a fio. Seis ou sete no total. Tive de optar várias vezes, sem saber bem se estava certa ou se estava errada. Errar e acertar. Errar e acertar. Era o jogo da tentativa erro.


Mas o Gonçalo criou-se. Com muito amor, muita ansiedade, expectativa. Estava muito em jogo. Era (e é) o meu menino de oiro. Depois veio o mano e tudo mudou. O lugar exclusivo foi alargado ao novo membro da família. Tenho memórias doces e ternas de tudo o que fiz com o Rodriguinho. Aproveitei mais. Diverti-me muito. Nunca chorei. Não tive "baby blues". Nunca me fechei em casa e saí o máximo que pude. Ambos foram crescendo e não me canso de o dizer, já se passaram quatro anos. O Rodrigo imita o mano mais velho. A disputa é uma constante. Tanto que notamos uma alteração no comportamento do Gonçalo.


Não foi de um dia para o outro. Talvez até nem tenha começado nele e sim em nós, por termos outro bebé em casa. Sem que nos tivéssemos dado conta, talvez tivéssemos passado a dar mais atenção ao mais novo, em vários sentidos: desde o dormir, à escolha da roupinha, à hora da mamada, ao ritual de embalar para adormecer, ao pegar ao colo gentilmente. Tudo coisas que o Gonçalo já não tinha ou deixara gradualmente de ter. Sei com todo o meu coração que a vinda do mano o afetou. Até que ponto, nunca vou compreender. Faço o melhor enquanto mãe para o ajudar a entender as frustrações e as neuras dele, as famosas “birras” que por cá são bastante violentas. Errar e acertar. Errar e acertar. Tal como há quatro anos, é o jogo da tentativa erro. Comecei por entender que a reação de um pai face a isso é decisiva. Se um pai se irrita e esperneia como o filho, o filho seguirá o modelo. Se um pai bate ao filho como forma de castigo, o filho bate noutros (ou no progenitor) quando está chateado, pois é o modelo que encontra; se fica com um tempo para pensar, não pensa, porque ainda não consegue entender a causa e a consequência do que faz. Não como um adulto gostaria. Depois passei a agir de forma diferente. Quando se porta mal, digo-lhe que isso não se faz. Digo-lhe o que espero dele. Se esperneia, deixo que se acalme e explico-lhe o que fez de errado. Se estou chateada com ele, explico-lhe o motivo. Digo-lhe para contar até três devagarinho quando quer que lhe traga alguma coisa rapidamente. A mãe não é super-heroína. Comecei a reservar um tempo só para nós. Antes, isso era impensável. Mas agora, que nem sempre quer fazer a sesta, vamos passear os dois. Passar tempo de qualidade. Brincar. Brincar é muito importante, pois ajuda-os a compreenderem o mundo e a entenderem quem são. A sonhar. Um pai que brinca com um filho cria um elo para toda a vida, mesmo que pareça “secante”.


Depois digo-lhe que o amo, e que sempre o vou amar. Digo-lhe que é muito importante para mim, que é especial e que tenho orgulho dele e em ser sua mãe. É preciso dizê-lo. Não basta sentir. Aos poucos, vou construindo um caminho. Com algumas vitórias e alguns fracassos. Não faz mal. O que interessa é o percurso. É árduo. Às vezes choro. Mas 90% das vezes é de felicidade.

"Tenho receio de partilhar a minha história pois tenho medo que me tirem a minha filha"

10.05.17 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Na última semana várias foram as mulheres que me abordaram com alguma questão através do email, e três delas, recearam partilhar a sua história, por receio que alguém considerasse que não fossem boas mães, e que lhes pudessem retirar os filhos. 

 

Rápido compreendi, na medida em que, este é, de facto, um receio muito comum nas mulheres que são mães e que não começam a viver a maternidade da forma mais feliz e tranquila quanto o esperado. 

 

E este receio prende-se com muitas questões, sendo que, algumas delas já abordei neste texto. Contudo, existem outras igualmente importantes, e aqui, lá vamos nós (outra vez) bater no estigma face à saúde e doença mental. Mas a verdade, é que assim o é. Ele existe, arde entre nós, e cada um à sua maneira, enquanto fizer deste tipo de assuntos um tabu, alimentará a sua chama. 

 

Como é que queremos que a maternidade seja vivida de forma plena, se consideramos que o natural se prende em exclusivo com a felicidade e o recheio de momentos cheios de cor e de vida?

Como é que queremos que a maternidade seja vivida de forma tranquila, se não aceitamos que os momentos mais ansiosos e menos positivos também dela fazem parte? Que não é tudo floreado, nem tudo divertido?

Como é que queremos que a maternidade seja percecionada como integrando no seu todo uma forma natural de vida, se não aceitamos que a vida em si, não é sempre, e nem num todo simplesmente, feliz?

 

E assim sendo, considerando que, para muitos a busca incessante pela vivência absolutamente feliz terá de ser uma constante, muitas pessoas desiludem-se e cedo verificam que o naturalmente decorrente da vivência da maternidade, por vezes é feliz, e por vezes, é ruindade. Assim o é, e é-o sem maldade. É assim que o natural se acrescenta ao todo de um forte processo de desenvolvimento pessoal e conjunto, que é a maternidade. 

 

A maternidade é cor! Mas nem sempre é amarelo, azul ou rosa. Por vezes é acinzentado, outras vezes é branco e/ou preto. 

A maternidade é luz! Mas nem sempre brilha, por vezes está mais apagada. 

A maternidade é vida! Mas nem sempre tem a mesma vitalidade. 

 

E por vezes, deixa de ser tão natural nem sempre ser amarelo, nem sempre brilhar e nem sempre ter vitalidade, passando a ser uma constante incapacitante, e verifica-se que o processo de doença ocorre, e aí o sofrimento é atroz para todos! 

 

Não há exceção que se aplique, e todos os que estão envolvidos, confrontam-se com este tipo de vivência: não esperada, nem desejada. Ignora-se de inicio, discute-se muito após, e continua-se, por vezes, numa bolha ténue entre a realidade do que se é, e a realidade do que se gostaria que fosse. A sofrer, quase sempre, a perder a paciência constantemente, e a culpabilizar-se com frequência. Todos. Cada um à sua maneira. 

 

E se até aqui, se estarmos preparados para esta problemática era fundamental, aqui, torna-se premente que assim o seja. Não há volta a dar. E mesmo a sofrer, mesmo a perderem-se de dentro para (e por) fora, muitas mulheres vivem numa ambivalência sem fim à vista. 

 

Querem procurar ajuda, mas temem ser julgadas. 

Querem ser mães em pleno, mas sofrem por tentar sê-lo.

Querem voltar a sentir-se mulheres, mas não sabem onde estão, nem para onde ir. 

Querem (ou não) amar o seu rebento sem obstáculo, mas temem ficar a sós com ele, por exemplo. 

 

Consideram não haver solução, sentem um medo de morte, uma dor profunda, e o mais incrível, é que muitas continuam a cuidar o melhor que podem, o melhor que sabem, temendo constantemente serem julgadas em praça pública só por assumirem a alguém que poderão ter uma depressão pós-parto, por exemplo. 

Mas por vezes a dor não passa, só o tempo. E há medida que o tempo passa, por vezes a dor piora e eleva-se a necessidade de tratamento e acompanhamento. E este é necessário, é fulcral, é fundamental. E há que compreender porquê. 

 

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Quando lemos sobre o assunto, verificamos que provavelmente milhões de mulheres já passaram por uma depressão pós-parto, que possivelmente milhares de mulheres já tentaram fazer mal a si e/ou aos seus bebés, vários profissionais têm investigado sobre o tema a nível mundial, e vários são os recursos que florescem todos os dias a nível mundial na tentativa de apoiar estas mulheres e respetivas famílias, vários divórcios já ocorreram, várias famílias com marcas ficaram, várias pessoas recusam-se a voltar a passar pela experiência da maternidade/paternidade com receio de voltarem a viver uma experiência destas, sendo que, provavelmente, completamente sozinhos num estado que pouca importância oferece ao assunto. E mesmo assim (mesmo assim!) em pleno século XXI, ainda existem mulheres que têm receio de partilhar a sua história, com receio de serem consideradas más mães, e que lhe retirem os seus bebés. 

 

Só pode mesmo estar tudo muito errado connosco, cidadãos de uma sociedade onde a maternidade, é tudo menos uma novidade, e que, ainda hoje, direta ou indiretamente, julga e incompreende na sua profunda totalidade, mulheres com (por exemplo) uma depressão pós-parto, sem vislumbrar por um momento sequer, que estamos a falar de uma doença, e não de uma pessoa, ou daquilo que essa pessoa é, ou será capaz de ser. Sem compreender que precisamos que estas mulheres se sintam confortáveis para falar, em prol do si, e do seu bebé. Que precisamos de compreender, de saber aceitar e de saber reencaminhar, para lhes dar, a todos, a maior segurança possível. Que é de um bebé que estamos a falar, mas que um bebé estará muito incompleto se a sua mãe ausente se sentir ou se demonstrar. Que estamos a falar de uma pessoa, para além de uma mãe.

 

Uma pessoa, que é mulher, uma mulher que é mãe, uma mãe que é pessoa. 

Portanto, fixem esta equação:

[Mulheres com experiência de depressão pós-parto] não é igual (de todo!) [a depressão pós-parto]. 

 

Dúvidas?

blog@mulherfilhamae.pt

Queres pedir ajuda? Então este texto é para ti!

09.05.17 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Pedir ajuda, para algumas pessoas, pode não ser tão simples como parece. Por isso, se este é o teu caso, então, antes de mais, valoriza-te e valoriza esse teu passo! 

 

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De acordo com estes autores, há muitas mulheres que têm dificuldade em pedir ajuda quando não se sentem física e emocionalmente bem no período da gravidez e do pós-parto. De acordo com vários estudos que os últimos autores conhecem/realizaram, as justificações mais frequentes são as seguintes: 

 

  • Confusão entre as manifestações relacionadas com as alterações emocionais (que por vezes também são físicas, como a diminuição/aumento do apetite, sono, alterações do peso, etc.) e com esta fase do ciclo de vida (por exemplo: há mulheres que emagrecem por estarem a amamentar, contudo, essa perda de peso também pode acontecer devido a alguma alteração emocional/psicopatológica, etc.)
  • Ainda há uma crença errada de que a gravidez "protege" as mulheres contra o desenvolvimento de uma depressão nesta fase, nomeadamente, pelas alterações hormonais características deste período. Contudo, ao contrário do que se sabe, a gravidez não tem esse efeito protetor, por isso, uma mulher grávida também está suscetível ao desenvolvimento de uma depressão. 
  • Muitas mulheres adiam o pedido de ajuda por se tentarem conformar com o mito ocidental de que "maternidade é igual a felicidade". Isto é, julga-se que na gravidez e no pós-parto qualquer mulher deve sentir-se feliz, mas na verdade, há mulheres não se sentem assim, desenvolvendo muitas vezes sentimentos de vergonha, culpa, fracasso ou medo de serem estigmatizadas, ou até, que lhes tirem os filhos por considerarem que são más mães. Se as mulheres/mães não se sentem felizes nesta fase, não significa que sejam piores mães por isso. Significa SIM que estas mães precisam de ajuda para lidarem com o sofrimento que estão a sentir e ultrapassarem esta fase. 

 

Assim, se sentes que nesta fase, não estás emocionalmente bem e precisas de ajuda, estás no sitio certo

Contacta-me e marcamos uma consulta de acompanhamento emocional na gravidez e pós-parto. 

 

centro@mulherfilhaemae.pt

(+351) 936 180 928

Grupo de Mães (Loures): Começa já na 4ªfeira!

08.05.17 publicado por Mulher, Filha e Mãe

O grupo de mães em Loures - Árvore dos bebés - começa já na 4ª feira dia 10 de Maio

 

 

 

Aspetos a relembrar:

 

  • Horário: 16h00 - 17h00

 

  • O grupo é dirigido a grávidas e recém-mães e terá inicio com um mínimo de 3 participantes, e terá continuidade com o máximo de 8 participantes;

 

  • Podem levar os vossos bebés, assim como, devem levar todas as vossas dúvidas e questões para esclarecermos, opinarmos, refletirmos, e conversarmos;

 

 

 

Inscrições:

Telefone:​ +351 211 930 127
Telemóvel: +351 927 316 365
Email: geral@arvoredosbebes.pt

 

 

Dúvidas sobre o grupo:

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

A consultar para mais informação:

Site do Projeto Mulher, Filha & Mãe

Informação sobre os grupos de mães

Não te sentes boa mãe? Então este texto é para ti!

07.05.17 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Não te sentes boa mãe mas esqueces-te que ser mãe não se define por um momento, mas sim por uma vida de momentos, ou várias. 

 

Não te sentes boa mãe, mas esqueces-te que ser mãe também envolve ter dúvidas, não saber o que fazer, e por vezes ir em frente, mesmo com o coração envolto em profundo receio e ansiedade. 

 

Não te sentes boa mãe, mas lembras-te de quando te sentes orgulhosa do teu filho? Quando observas na primeira fila as suas pequenas evoluções, os detalhes das primeiras palavras todas baralhadas mas com grande esforço de dicção, os pormenores no seu empenho em aprender as primeiras letras na escola, as primeiras dúvidas sobre si que partilhou contigo e onde pudeste dar-lhe alguns dos teus sábios conselhos. Todos estes momentos, e tantos outros, são fruto da tua dedicação diária, constante. Sentes isto?

 

Não te sentes boa mãe, mas espera... lembras-te de quando o teu filho te sorriu a primeira vez? E a segunda? E a décima? O que sentiste? O que sentes quando o faz, hoje?

 

Não te sentes boa mãe, mas o teu filho abraça-te todos os dias.

 

 

Não te sentes boa mãe, mas o teu filho vê-te tal como és, e devolve-te, mesmo sem te aperceberes, muita da tua dedicação. E não é só quando chega a casa com boas notas, ou com uma observação de um "tal de" bom comportamento. É quando demonstra compaixão, humildade, atenção, responsabilidade, entre tantas outras competências. Essas também são trabalhadas por ti. Todos os dias, a todas as horas. Mesmo quando, também tu, não tens paciência, e ou capacidade para estar sempre lá com toda a vitalidade que gostavas. Mesmo quando, também tu estás cansada, esgotada, por um qualquer motivo. Mesmo quando assim estás, estás lá, mesmo que, nem sempre com a resiliência que gostarias. E assim, também muitas vezes está o teu filho. A demonstrar o quanto é humano, e o quanto, nem sempre é responsável, compassivo ou humilde, e que também se irrita, se zanga, e faz birra. Não te sentes boa mãe nestes momentos, mas lidar com eles, faz parte da evolução do teu papel. 

 

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Não te sentes boa mãe, mas esqueces-te que não existem livros de instruções, que cada uma é tal como é, e faz o que sabe, como pode, de acordo com os recursos que tem e com as circunstâncias que a envolve naquele momento. Ninguém é perfeito. 

 

Não te sentes boa mãe porque gritas-te. Então, tenta não o fazer da próxima vez. Não conseguiste? Volta a tentar. O teu filho também não começou a caminhar de forma fluída a primeira vez que se pôs de pé! Ser mãe é um percurso interno, que cada uma vai fazendo à sua medida. É uma aprendizagem diária e constante. E também tu estás a aprender.

 

Não te sentes boa mãe e culpas-te com frequência pelo que querias ter feito e não conseguiste. É natural. Queres dar o melhor ao teu filho. Mas o que tentas, com o máximo de amor e honestidade, é suficiente. Ele sabe-o, mesmo que por agora, não o demonstre. És humana, lembraste?

 

Não te sentes boa mãe porque não conseguiste dar ao teu filho o que ele queria. Então, penso que também te podes questionar se esse bem material é assim tão importante. E se o que não conseguiste dar não era material, mas sim emocional, então, é porque ainda não estavas preparada para dar. É porque precisas de olhar mais para dentro de ti e trabalhar algumas sombras internas que ainda te perseguem. Quando estiveres preparada, vai em frente. Se não estiveres, o que podes fazer por isso? Contudo, e independentemente desta resposta, não te culpes. Ter essa consciência já é bom e...és humana, lembraste?

 

Não te sentes boa mãe, mas estás sempre a tentar ultrapassar-te, a tentar ser melhor de alguma forma em tantos momentos, a tentar dar o máximo de ti, a dar o que sabes, o que viste, o que vês, o que imaginas, o que pretendes... o que consegues e o que é possível! 

 

Não te sentes boa mãe, e assim cresces enquanto mãe. Atenta a ti própria. Ao que queres ser, onde queres melhorar. E ser mãe, também é isto. Ter dúvidas sobre o que se faz, sobre o que se é em determinados momentos, sobre o que se diz, sobre o que se transforma, sobre tantas opções no dia-a-dia.

 

Não te sentires boa mãe faz parte, mas também faz parte perceberes que ser mãe não se esgota na felicidade e satisfação constante, no amor permanente e eterno, na alegria total e na perfeição de todos os comportamentos e atitudes. Ser mãe, é mesmo isso, é ser pessoa, é ser mulher, é ser alguém que, com tudo o que é, um dia torna-se mãe e vai-se envolvendo e desenvolvendo, também assim, num todo tão vasto que é o percurso de uma vida.

Consulta de Acompanhamento Emocional na Gravidez e Pós-Parto: no que consiste?

06.05.17 publicado por Mulher, Filha e Mãe

"O Cuidar Baseado nas Forças é uma abordagem que considera a totalidade da pessoa, centra-se naquilo que está a trabalhar e a funcionar bem, no que a pessoa faz de melhor, e nos recursos de que os indivíduos dispõem e que os ajuda a lidar mais eficazmente com a sua vida, saúde e desafios dos cuidados de saúde. Relaciona-se com o modo como os enfermeiros podem apoiar o que está a funcionar bem, a fim de ajudar os doentes, clientes, famílias e comunidades a adaptarem-se, desenvolverem-se, crescerem, prosperarem e transformarem-se."

 

Bastou-me ler um pequeno excerto deste livro - na altura em que realizava a especialidade em enfermagem de saúde mental e psiquiatria e muito focada no trabalho que perspetivava desenvolver no âmbito da saúde mental perinatal - para sentir o quão se integrava na abordagem que, enquanto enfermeira, me fazia sentido ter com as mulheres e famílias com experiência de alterações emocionais e psicopatológicas no período perinatal. 

 

Após a sua leitura completa, assim como de vários outros que contribuíram para o desenvolvimento de um programa de apoio a mulheres com alterações psicopatológicas no pós-parto que realizei enquanto discente da especialidade e mestrado em enfermagem de saúde mental, senti-me mais preparada a nível profissional, mais enquadrada no meu âmbito de intervenção, e mais completa também, enquanto Enfermeira. Ter encontrado um (dos) modelo (s) que me faz sentido, ao mesmo tempo que me guia no meu dia-a-dia profissional, foi importante para mim, e foi importante para a elaboração do programa e desenvolvimento desta consulta. 

 

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A consulta de enfermagem de acompanhamento emocional na gravidez e pós-parto, objetiva, no geral: 

  • Promover o bem-estar emocional da mulher/homem/família, nesta fase do ciclo de vida​;
  • Empoderar as mulheres/homens/famílias, nesta fase do ciclo de vida​;​
  • ​Facilitar o encontro de forças* que permitirão o desenvolvimento do papel materno/paterno e a transição para a maternidade/paternidade.

 

De acordo com Gottlieb (2016),  forças são as qualidades especiais e únicas da pessoa ou família, que determinam o que a pessoa é capaz de fazer e em quem se poderá tornar. São as capacidades que permitem que uma pessoa lide com os desafios da vida, com as incertezas, e contribuem para a capacidade de a pessoa se recuperar, retomar e refazer-se de todos os tipos de agressões e superar as adversidades, assim como, para atingir os seus objetivos, aproveitar ao máximo a vida e facilitar a recuperação e a cura. 

 

São (com) estas forças que trabalho durante a consulta, tendo em conta esta fase de transição - gravidez e pós-parto - uma fase tão particular e revolucionária na vida de cada um dos membros da família. 

 

Ao longo do acompanhamento são utilizados, também, alguns mediadores que fui aprofundando ao longo da minha vida, e também durante a especialidade, consoante necessidade/plano de intervenção de enfermagem. São eles: Meditação, Reiki e a Escrita Expressiva. 

 

As consultas podem ser realizadas via presencial ou por skype, mas caso vos surja alguma questão, nada como as esclarecerem comigo. Contactem-me! 

 

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Á conversa com a Ana #6 - "É quase impossível encontrar quem fale do que é ser mãe e ter um problema de saúde mental"

05.05.17 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Estes dias descobri, através deste blog, que "1 em cada 5 mulheres irá sofrer de algum tipo de perturbação mental no período perinatal, a nível mundial." Descobri também que “7 em cada 10 mulheres escondem o que sentem, ou que com frequência o tentam disfarçar, sofrendo em silêncio com problemas que têm um enorme impacto em si, na sua vida conjugal e familiar.”

 

Não sei quais serão os números por aqui, em Portugal e, mais do que isso, não sei quem serão essas pessoas e quais serão as suas histórias. Porque pura e simplesmente não se fala, não se conhece quem tenha vivido ou esteja a viver uma depressão pós parto (ou um baby blues, ou uma psicose, ou…).

 

Olhando para as mães, para as fotos nas redes sociais, os comentários, os textos, as conversas entre amigas e colegas, parece que a maternidade é (apenas) uma bênção, uma coisa maravilhosa, que tudo faz valer a pena, porque quando vemos o sorriso deles tudo o resto desaparece. E tudo isto é verdade.

 

Ser mãe, para mim, tem sido uma viagem de descoberta de um amor que não cabe em mim. Com a C. descobri o que é amar incondicionalmente, o que por si só não é algo simples e automático. Amar alguém, filho ou não, sem quaisquer ses, mostrá-lo e senti-lo no dia-a-dia, mesmo no meio do cansaço, do stress, das tarefas infindáveis de um adulto, acrescido da mochila que trazemos do nosso passado, exige muito de nós. Exige uma enorme capacidade de autoconhecimento e de autorregulação emocional.

 

Mas, para além disto, existe sempre o outro lado, o lado de que ninguém fala. O lado menos bonito da maternidade. Não porque seja a maternidade em si. Tudo na vida, e em nós, contém um lado sombrio. Não gostamos de falar dele, mas devíamos e precisamos. E a maternidade é um lugar tão cheio de sombras das quais não se pronuncia qualquer palavra! Como descobri os tabus e os estigmas que envolvem a maternidade!

 

A primeira camada é o ser mãe em si, independentemente da existência de um problema de saúde mental. Uma mulher, depois de ser mãe, descobre que o mundo tem altas expectativas e ideias pré-definidas sobre o que é ser mãe. É regressar ao trabalho e perguntarem “Então custou muito voltar, não foi?”, eu responder “Não” e dizerem “Ah, não digas isso”, “Coitada” (da minha filha), “É porque é o primeiro dia”.

 

Estas expectativas e aquilo que vemos e ouvimos à nossa volta, do “é cansativo, mas vale a pena”, “ser mãe é mesmo assim”, fazem-nos ter receio de expressar o que realmente acontece, o que sentimos e o que pensamos. Pelo menos, comigo foi assim. Houvera dias em que me custou desempenhar o papel de mãe, em que me senti terrivelmente cansada e com vontade de que chegasse a hora de deitar da C. para finalmente poder descansar. E não há os “mas”, os “foi um dia terrível, mas a minha filha sorriu e esqueci tudo”. Não. Foi um dia terrível e tive vontade de não ser mãe por um bocadinho, ponto. É mesmo assim. Estar vivo implica passar por momentos distintos, de amor, de dor, de alegria, de tristeza. É uma alternância entre um lado, o luminoso, e o outro, o sombrio. É normal. É inevitável. Falemos com honestidade sobre isso. E ouçamos com empatia e compaixão.

 

Engraçado que em diversas situações sociais, tais como aniversários de crianças, eu e o meu marido vamos encontrando casais, recém pais, tal como nós. E, à pergunta de como tem corrido a experiência, todos respondem “sim, está a correr bem”. E a seguir, eu ou ele dizemos “nós tivemos um início difícil, a Ana teve uma DPP.” E aí algumas mães soltam discretamente, baixinho, que também foi difícil para elas.

 

Mas se é difícil encontrar quem fale de forma honesta e total acerca do que é ser mãe, encontrar quem fale sobre o que é ser mãe e viver um problema de saúde mental, é quase impossível. Quando iniciei o meu tratamento, e ao longo deste, senti uma necessidade muito grande de falar. Falava com o meu marido, mas precisava também de falar com quem tivesse passado pelo mesmo. Precisava de falar para não sentir que era a única. E então procurei grupos de partilha, presenciais e virtuais, ou organizações que pudessem trabalhar nesta área, e não encontrei nada.

 

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Perguntei à médica de família, e ela não conhecia nenhum. Perguntei à psicóloga, e ela não conhecia nenhum. A psicóloga perguntou a colegas psicólogos, e ninguém conhecia. Uau! Como é possível? A experiência mais comum da nossa humanidade, ter filhos, e não existe ninguém, em Portugal, a falar sobre isso. Encontrei grupos de partilha nos EUA, em Inglaterra, no Brasil. Encontrei organizações que abordam estes temas e elaboram respostas para apoiar estas famílias e aqui, em Portugal, não encontrei nada.

 

Até que, numa dessas deambulações pela Internet, descobri este blog. Li os posts de partilhas e enviei um e-mail à Ana a contar a minha experiência. E fiquei surpreendida por ela ter respondido e me perguntar se podia publicá-lo. Não tinha pensado nisso. Acho que quando enviei o e-mail respondi apenas à minha necessidade de falar com alguém que passou pelo mesmo do que eu. Mas, a partir daí, abriu-se uma janela imensa de experiências e aprendizagens. Obrigada minha querida Ana por teres falado.

 

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