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Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

À conversa com a Ana #15 - "Para mim foi uma libertação enorme. Saber que a minha filha seria alimentada, mesmo que eu não pudesse ou não conseguisse estar presente."

11.05.18 publicado por Mulher, Filha e Mãe

Há pouco tempo atrás escrevi, aqui, acerca da minha decisão em deixar de amamentar. Fui confrontada, pela psiquiatra, com duas opções de tratamento para a minha depressão pós-parto, e acabei por escolher aquela que me permitiria sentir no imediato os efeitos da medicação. E, com essa escolha, veio a necessidade de deixar de amamentar.

 

No dia da consulta, esse dia 05 de Novembro de 2015, à meia-noite dei de mamar pela última vez. Depois tomei, pela primeira vez, os medicamentos. Fui deitar-me. Andava há semanas com insónias. Se pensarmos na privação de sono que se vive nos primeiros tempos de vida do bebé porque, naturalmente, ele não dorme muito tempo seguido, e acrescentarmos uma séria dificuldade em dormir quando o bebé está efetivamente a dormir, chegamos a um ponto de desgaste enorme.

 

Sou eternamente grata à minha psiquiatra. Porque a mão dela chegou numa altura em que eu já não tinha forças sequer para sobreviver. Quando entrei naquela consulta estava para lá do meu limite físico e emocional. Ela própria, mais tarde, confidenciou-me que eu estava num ponto em que se a medicação não fizesse efeito, e de forma imediata, ela teria possivelmente que internar-me. Não foi preciso. A medicação, ainda que tenham sido precisas algumas semanas para acertar a dosagem, começou a reverter a espiral descendente em que me encontrava.

 

E assim, nessa primeira noite, dormi finalmente. A minha mãe ficou com a C. E o plano de tratamento estava traçado. A psiquiatra foi peremFoto.jpgptória e bastante prática: eu precisava descansar, dormir, recuperar. E a minha bebé também precisava de ser cuidada. Teria que existir o apoio do marido e da família para que tudo isto fosse possível. E avançou logo com o cenário: na primeira semana, o meu marido ficaria em casa. Ele cuidaria da C. de noite, para eu dormir. Ficaria durante o dia comigo, dado que eu tinha desenvolvido um medo enorme de ficar sozinha com ela. Ele ficou. Cuidei da C. com o suporte dele. Dormi. Dormi muito. E pude dormir porque ele podia alimentá-la. E, para mim, isso foi uma libertação enorme. Saber que a minha filha seria alimentada, mesmo que eu não pudesse ou não conseguisse estar presente.

 

Nas semanas seguintes, nos meses seguintes, durante o primeiro ano de vida da C. ela foi alimentada por mim e, também, pelo pai, pela minha mãe, pelos pais do meu marido. Eu podia ir à psicoterapia, às sessões de Shiatsu, podia ir correr, ir às consultas com a psiquiatra, com a tranquilidade de saber que ela seria alimentada. Podíamos alternar, entre os dois, a pessoa que a alimentava durante a noite. Eu podia sair para respirar depois de um dia mau, mesmo que isso calhasse em cima do biberão do jantar. Eu podia adormecer no sofá, depois do jantar e não acordar para o próximo biberão. E assim as exigências (e o cansaço) de cuidar de uma bebé pequena foram sendo repartidas por igual, conforme a disponibilidade e capacidade de cada um.

 

Para o pai, foi a oportunidade de alimentar a filha. Vi, nos olhos dele, tanta ternura, tanto amor. A forma como ela punha a mãozinha dela sobre o peito dele. A forma como brincava com ele. Os olhares e os sorrisos que trocavam. Os momentos de alimentar um bebé são momentos únicos. Existe ali uma troca que é única. Amar é nutrir. Seja de que forma for.