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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Encontros para mães e bebés: livres, isentos e descontraídos.

Todas as 6ªfeiras entre as 12h00 e as 13h00, a partir do dia 27 de Outubro, haverá um momento de encontro para mães e bebés no Centro Mulher, Filha e Mãe

 

Sala do grupo de mães e pais - Centro Mulher, Fil

 

São encontros:

 

  • Livres de participação: Todas as mães que tiverem bebés até aos 18 meses e tiverem interesse podem participar;

 

  • Isentos de pagamento: Os encontros não têm nenhum valor monetário associado. Basta que se dirijam ao Centro Mulher, Filha e Mãe e desfrutem do passeio, do espaço do Centro, do convívio e do espaço envolvente. Considerando o espaço, simplesmente será necessário que, quem tiver interesse, se inscreva para a(s) 6ªfeira(s) em que tiver disponibilidade/interesse.

 

  • Descontraídos no seu todo: Não há temas definidos para se falar ou determinadas normas a cumprir. O objetivo é criar um tempo específico durante a semana em que a Enfª Ana Vale possa estar com as mães e com os seus bebés, ouvir as suas questões, conversar e disponibilizar o espaço do Centro Mulher, Filha e Mãe para promover momentos de convívio e partilha nesta fase do ciclo de vida. 

 

Pátio - Centro Mulher, Filha e Mãe.jpg

 

Haverá sempre a oferta de chá a quem estiver presente, e quem tiver interesse e se queira inscrever, basta enviar email (centro@mulherfilhaemae.pt) ou contactar-nos via telefónica (936 180 928).

 

Partilhem com quem considerem que possa ter interesse! 

À conversa com a Ana #10 - "A Depressão Pós-Parto colocou tudo em perspectiva e agora sinto que saio sempre a ganhar".

A semana passada a minha filha fez 2 anos. Quanto caminho foi percorrido durante este tempo! O que começou de forma dolorosa e sofrida transformou-se numa relação de um amor puro, único e incondicional.

 

No início da nossa relação predominava o medo, a irritação, a tristeza e a incapacidade de aceitação. Estas emoções foram sendo trabalhadas, sobretudo através do Shiatsu e da psicoterapia e, ao longo dos meses que se foram seguindo, elas foram diminuindo a sua intensidade e frequência. Fui ganhando consciência dessas emoções e do que significavam, e fui ganhando também ferramentas para lidar com elas. E à medida que diminuíam, aumentava a minha capacidade de aceitação, a tolerância e paciência, a alegria. Hoje sou completamente apaixonada pela minha filha.

 

A DPP colocou tudo em perspetiva e, agora, sinto que “saio sempre a ganhar”: o pior dia/momento de hoje não é nada face ao que foi vivido nos 2 primeiros meses. Acho que, por isso, acabo por saborear imensamente o meu papel de mãe e, na verdade, a vida no geral. Como eu digo, por vezes, “a maternidade agora é como andar num carrossel”.

 

Nestes últimos 2 anos tanta coisa mudou, para melhor, na minha vida. Não só a minha relação com a C., como também a relação com o meu marido, com a família e, sobretudo, a minha forma de pensar, estar e sentir.

 

O que desejo a todas as mães (e as suas famílias) que estejam a passar por semelhante, é que encontrem as ajudas certas para vocês, para que consigam enfrentar o problema e usufruir dos vossos filhos, e da vossa vida, de uma forma plena e apaixonada.

 

E já agora eu sou a Ana, esta Ana. Achei que era altura de mostrar quem sou, para que às minhas palavras possam juntar a minha cara. Para que o tabu, a vergonha, o medo possam, de alguma forma, dar lugar à compreensão, à aceitação e ao diálogo aberto sobre o baby blues, a depressão pré e pós parto, a perturbação de ansiedade ou a psicose.

 

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Conheceu alguém que passou por alterações emocionais na gravidez e/ou pós-parto?

Foi esta a questão que coloquei a várias pessoas com quem contactei na segunda-feira, durante a tarde, pelas ruas de Lisboa. 

 

Desde que abri o Centro Mulher, Filha e Mãe que andava para tirar uma tarde para ir conversar com as pessoas que frequentam as ruas que envolvem o Centro, sobre saúde mental materna, e ontem foi o dia. 

 

Levei uma folha para apontar respostas, uma caneta, flyers, cartões, coragem, alegria e determinação, e assim fui eu, a andar por Lisboa durante horas.

Inicialmente, enquanto andava, fui deixando as minhas inseguranças ganharem expressão no meu coração e na minha mente:

- Mas que loucura é esta? 

- Será que alguém me vai ouvir?

- Vai tudo achar que eu vou pedir alguma coisa... e vou! Vou pedir tempo... 

- Talvez seja melhor só entregar os flyers e pronto... 

 

Mas não! 

O que eu queria era mesmo conversar com as pessoas sobre o tema. De forma livre e descontraída. 

O que eu queria era ler a expressão espontânea que as pessoas faziam quando as abordava. 

O que eu queria era ouvir o que as pessoas tinham para dizer. Mesmo que desvalorizassem. E mesmo se o fizessem, de certo que seria uma boa oportunidade para as sensibilizar para o tema. E assim foi! 

 

Vivi muito nessas horas a andar pelas ruas de Lisboa. 

A maioria das pessoas esteve sempre muito disponível para me ouvir. Ficavam interessadas e muitas desconheciam o tema. Outras, simplesmente expressavam seriedade do inicio ao fim. Preferiam não responder. Outras, identificavam-se de alguma forma. E todas, receberam com agrado um cartão ou flyer do Centro Mulher, Filha e Mãe

 

Para além das pessoas que iam a andar (aparentemente) de forma descontraída, também abordei pessoas em cabeleireiros, papelarias, cafés, centros de estética, jardins, esplanadas, floristas, e afins. O sorriso, a espontaneidade e a presença calorosa, foram sempre as principais ferramentas que levei comigo, assim como, a aceitação. 

 

Aceitar que determinadas pessoas não queriam falar, responder, que coravam, que se interessavam mais, que preferiram ignorar ou que encolhiam os ombros e continuavam a andar, por exemplo.

Aceitar a rejeição é difícil, mas necessário para termos alguma saúde mental. A verdade, é que seja neste, ou em qualquer outro momento da nossa vida, várias poderão ser as vezes em que nos sentiremos rejeitados, ou que, o seremos de facto. Nem sempre vamos ser aceites. Nem sempre as pessoas vão identificar-se com o que somos/fazemos. Mas isso também não significa que estaremos necessariamente no caminho errado. 

 

No final, fui ao café de sempre onde encontro com frequência uma equipa bem-disposta e que, desde que abri o Centro Mulher, Filha e Mãe, muita força me têm dado! Fui à Confeitaria Sá, onde o Sr. Carlos, que não gosta de tirar fotos, e o Diogo, que tanto lhe faz, aceitaram tirar uma foto comigo e registar o momento em que tomaram conhecimento de que amanhã, seria o dia mundial da saúde mental. Mas não foi só isso que aconteceu. Várias pessoas que estavam no café ouviram, e a conversa sobre o tema instaurou-se de uma forma alucinante. Nunca pensei que um "pequeno desabafo" desse origem a uma conversa tão produtiva e à troca de tantos contactos. 

 

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E já agora, têm de provar as queijadas de amêndoa desta confeitaria!

Tenho por certo, que vão querer voltar com frequência!  

 

centro@mulherfilhaemae.pt

Estás a preocupar-te demais! Não vês que o bebé está bem?

Nos diversos contactos com mulheres grávidas e no pós-parto, que vou tendo através do blogue, e onde muitas vezes são descritas passagens de vida onde afirmações como a que evidencio no titulo deste texto são bastante comuns, várias vezes me questiono sobre porquê, onde e quando é que as pessoas se deixaram de preocupar com as mulheres e homens nesta fase do ciclo de vida. Ou então, porquê, onde e quando o deixaram de o manifestar. 

 

E reparem que evidencio o papel da mulher e do homem neste texto, e não o da mãe ou o do pai. Pois embora estejam interligados, inseridos num fundo comum a uma mesma pessoa, constituem-se lugares diferentes e que de igual medida, mas de diferente forma, necessitam de ser nutridos e acarinhados. 

 

Os bebés são inquestionavelmente seres que só pela sua imagem apelam ao nosso contacto e dedicação. E há muito que isto é um facto conhecido e amplamente estudado.

Os  bebés precisam muito do amor, carinho, atenção e da envolvência de quem os cuida. E quem os cuida, por norma, são os pais. No entanto, também os pais necessitam de amor, atenção e envolvência de quem os rodeia. Possivelmente, mais do que em muitos momentos de suas vidas. Este, por norma, é o momento em que também os pais, que (por vezes) nascem quando nasce um bebé, precisam de apoio e orientação. Falo de amigos, de família, mas também falo da comunidade que os envolve e onde estão inseridos os profissionais de saúde com quem contactam, assim como, os vizinhos, os senhores dos cafés onde costumam ir, assim como, os do supermercado ou da mercearia, talho, mercado e afins.

 

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Quando digo que precisam, acreditem que muitas vezes não é de forma declarada. Muitas vezes, os pais, precisam lá bem no seu íntimo que essa compreensão, apoio, orientação seja espelhada em diversos detalhes do dia-a-dia, mesmo que eles, não o verbalizem. Imaginem comigo, não acham que é difícil acabar de ter um bebé, e verbalizar que se precisa de ajuda, especialmente a nível emocional, porque não se sentem bem, ou porque não se sentem capazes, ou porque questionam continuamente a sua capacidade de cuidar? 

 

Qual acham que seria a resposta da maioria das pessoas que os rodeiam? 

Como é que acham que estes pais se sentem? A nascerem pais, e com estas dúvidas constantes na cabeça, e possivelmente desesperançados de algum tipo de resposta neste sentido?

 

Eu tenho uma ideia. 

 

Quando vos falo de apoio, compreensão e orientação, também vos posso dar alguns exemplos mais práticos.

Por exemplo:

  • Precisam que os "senhores dos cafés" os recebam como de costume, e não que questionem com frequência se os pais não deviam era estar em casa porque faz frio, ou porque o bebé precisa é de estar em casa e não sair (nos seus pontos de vista) considerando logo à partida que o bebé pode não estar muito confortável porque chora, ou porque simplesmente, assim o consideram (mas como é que eles sabem disto?! Em que é que se baseiam? Numa sabedoria popular? E porque não perguntam diretamente aos pais o que estes acham? Não seria esta uma forma mais simples de se mostrar essa compreensão em vez de se questionar a sensibilidade e o papel dos pais logo à partida? Digo eu...);

 

  • Precisam que as pessoas nos supermercados, na rua, nas lojas e afins, não fiquem fixamente a olhar quando veem um bebé chorar (Sabem... os bebés choram, e por vezes, os pais simplesmente ficam sem saber o que fazer/responder a este bebé naquele momento. Acontece. Ainda por cima quando todos os que os rodeiam resolvem fixar manifestamente o momento, expressando emoções que transmitem pouca confiança/desconforto de alguma forma. Por vezes, até os pais mais confiantes se sentem envergonhados nestes momentos. Mas é assim, na generalidade dos casos, faz parte do "conhecer o bebé", e do "conhecerem-se a si próprios enquanto pais deste bebé" pois este não nasce concomitantemente com livro de instruções na mão e/ou com uma previsibilidade comportamental estampada na testa. Sabiam?);

 

  • Precisam que os amigos e família respeitem a sua preferência de não haver visitas em casa nos primeiros tempos, assim como, que tenham alguma consciência de que se querem efetivamente ir visitá-los que é importante perguntarem a sua opinião, ou até, levarem o almoço/jantar e assim é menos uma refeição que estes pais têm de fazer. Ah! E se alguém ajudasse a passar uma roupinha a ferro? Ou a por uma ou outra máquina a lavar? Ou ajudasse a dar um jeitinho à casa? Ou ficassem, pelo menos, 10 minutos a tomar conta do bebé para estes pais irem tomar um banho, considerando por eles, minimamente decente? São só algumas ideias, mas podia dar-vos muitas mais!

 

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Bom, exemplos desta índole, não faltam! Mas não é só sobre isto que vos quero falar neste texto. É também, e especialmente, sobre o facto de haverem determinados momentos ao longo da gravidez e/ou no pós-parto onde os pais acabam por sentir maior preocupação em relação ao bebé. Seja porque o desejam há muito tempo e agora vão tê-lo nos seus braços e não querem que "nada corra mal", seja porque houve uma gravidez de risco difícil de se lidar, seja porque houve uma ecografia que demonstrou algumas possíveis alterações que posteriormente se vieram a verificar falsas, seja porque o parto não correu como o esperado, seja porque o temperamento do bebé não é o imaginado, ou por qualquer outro motivo. Seja pelo que for, existe uma preocupação, um motivo de dúvida, algo que poderá causar uma ansiedade crescente neste período, que por si só, já é muito delicado a nível emocional. 

 

A questão é, porque é que as pessoas teimam em desvalorizar este tipo de preocupações, se à partida, e ainda por cima quando declaradas pelos próprios pais, são motivo de ansiedade crescente e/ou até angústia associada em muitos casos? Porque é que optam por desvalorizar, focando-se no facto de bebé estar bem, não dando espaço a estes pais para se expressarem? Dizerem efetivamente o que sentem e porque o sentem? 

 

Porque é que é assim tão complicado? 

 

É difícil lidar com o sofrimento alheio. É difícil lidar com o próprio sofrimento em si. Pode ser verdade para muitos. Mas estes pais precisam deste apoio neste momento. Este bebé precisa que os pais se sintam apoiados neste momento. E daqui a alguns anos, ouvirão, possivelmente, um adulto a verbalizar que outrora, também precisou de se sentir mais apoiado.  

 

Já dizia Dalai Lama uma afirmação com que muito me identifico: 

 

"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro chama-se amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."

 

Portanto, o dia ontem já não podemos mudar. Podemos sim, aprender a viver com ele. O dia de amanhã, ainda não sabemos como será. Simplesmente perspetivamos, planeamos. Então, parece-me que o dia de hoje é perfeito para se começar a trabalhar neste sentido. E começando a refletir verdadeiramente sobre o tema, pode ser, definitivamente, um primeiro passo. Um passo muito útil para todos nós. 

 

centro@mulherfilhaemae.pt

Tens Fraldas e não chegaste a usar? Então DOA!

É assim que a Associação Passo Positivo lança o desafio inerente ao seu Projeto Banco de Fraldas

 

Durante o mês de Outubro de 2017 existirão vários pontos de entrega espalhados pelo norte e sul do país (incluindo o Centro Mulher, Filha e Mãe), onde podem entregar fraldas que não chegaram a utilizar, quer para miúdos, quer para graúdos. Ou seja, se tiverem fraldas desde o tamanho mini de um recém-nascido ao tamanho máximo que um idoso possa utilizar, que não chegaram a usar, estejam ou não, empacotadas, apelo-vos que as doem à Associação Passo Positivo, que esta última, fará questão que essas mesmas fraldas sejam entregues a quem mais precisa e não tem. 

 

 

Este, tem sido parte de um grande trabalho realizado por esta associação: recolher as fraldas e levá-las a vários pontos de país, a famílias e instituições, que precisam dessas fraldas, para prestarem cuidados de qualidade a quem cuidam mas que não têm possibilidade de as adquirir. Seja na quantidade necessária, seja mesmo, no sentido lato da palavra. 

 

Quer quem tem filhos, ou pais (ou qualquer outra pessoa) a seu cargo, com necessidade de utilização frequente de fraldas, sabe várias coisas, uma delas... imediata: As fraldas são caras! E quando se precisa com muita frequência, e os recursos financeiros são escassos, esta conta torna-se complicada. Contudo, os malefícios que poderão afetar miúdos e graúdos devido à ausência de (troca de) fraldas são vários, e poderão causar-lhes desconforto vários, ser doloroso, e causar outros problemas associados. Alguns dos mais conhecidos são o "eritema da fralda" e a "maceração", ou seja, aquela mancha avermelhada que aparece na região perineal da pessoa. Para o cuidador, ou qualquer outro, pode parecer "só" um eritema de fralda, contudo, para a pessoa que o desenvolve é muito desconfortável, podendo tornar-se doloroso. Nos mais graúdos, a ausência da troca necessária de fraldas, pode potenciar o desenvolvimento de problemas como "úlceras por pressão" e "infeções urinárias", podendo levar a vários problemas associados, inclusive infeções mais extensas e graves, para além de toda a morbilidade associada ao desenvolvimento deste tipo de problemas.

 

As fraldas são importantes, mas nem todos os bolsos as podem pagar da forma como seria suposto. E aí, entra o trabalho de instituições como a Passo Positivo que apoiam este tipo de causas e fazem chegar às famílias e instituições que mais necessitam, este tipo apoio. Apoio esse que depende de vós, e da vossa possibilidade e vontade de ajudar.

 

 

Eu já doei as que tinha lá em casa da Madalena, e vocês, também vão ajudar?

 

Dirijam-se aos seguintes postos de entrega e efetuem o vosso donativo de fraldas quando possível:

 

Na zona sul:
 

 

 

Na zona norte:
 
  • Farmácia Paiva (Espinho)
  • Farmácia Pedra Verde (S. Mamede de Infesta)
  • Café Luanda - Matosinhos (Rua do Godinho)
  • Central Churrasco (S. Mamede de Infesta)

Sou mãe e estou em pânico. Será que sou capaz de cuidar deste filho?

Eis uma questão colocada por muitas pessoas, partilhada com terceiros, por poucas, e julgada socialmente por tantas outras. 

São inúmeras as vezes que as mães partilham comigo que estão em pânico. E a verdade, é que isto não me choca minimamente. Choca-me sim, a indiferença a este problema, como se, pouca ou nenhuma importância se deva dar a esta questão.

 

Deixa estar... não te preocupes, isso há-de passar! 

Não percebo porque estás assim... tens um filho lindo e saudável... que mais poderias querer? 

Nem vale a pena teres medo. Agora tiveste o teu filho, tens de cuidar dele e ponto. 

 

Estas, são só algumas palavras que "terceiros" ou "tantas outras pessoas" dirigem com frequência às mulheres que de alguma forma se manifestam neste sentido. Algumas palavras que as mulheres partilham comigo, muitas vezes com grande angústia associada, e sempre com um grande receio de serem vistas como sendo "más mães", porque é assim que se sentem ao viverem esta realidade (ou achavam que as mães ainda se sentiam felizes por se sentirem assim?!), e que terceiros as fazem sentir quando proclamam o tão comum "deixa estar...isso há-de passar". Ás vezes gostava de ser mosca e ver até onde é que este "deixa estar que isso vai passar" nos leva. Até onde é toda esta forma de lidar e de ver estas questões, leva estas mães? E estes filhos? Será que passa mesmo, ou simplesmente as pessoas aprendem a disfarçar para se enquadrarem numa sociedade onde reina o preconceito, e muita falta de conhecimento sobre esta temática? E... o que é que esse "deixa estar que isso há-de passar" causa à posteriori na família no geral? Todo aquele sofrimento outrora sentido.. para onde foi? O que causou, se efetivamente houve um pedido de ajuda ao qual não houve qualquer tipo de resposta? 

 

Bom... não sairia daqui com tanta pergunta que me inunda o pensamento, mas confesso que penso muito sobre o facto de ter nascido neste estranho mundo que  transmite às mães que não podem ser elas próprias no cuidar, mas que por outro lado, têm de cuidar em pleno e estar constantemente alegres e de sorriso feito na cara para receberem qualquer um, enfrentar qualquer situação e/ou resolver qualquer tipo de problema com elas, com os filhos e com as famílias. Como se fosse só carregar num botão...

Estranho mundo este que prefere o "deixa estar que isso há-de passar" nesta fase de vida, muitas vezes atentando em barda ao sofrimento pelo qual estas mulheres passam.

 

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Exige-se cuidado, mas não se permite que estas mulheres se cuidem. 

Exige-se vínculo, mas não se permite que estas mulheres tenham tempo para si.

Exige-se afeto, mas não se permite que se coloquem dúvidas e questões sobre problemas que surjam pelo caminho, mesmo que complexas do ponto de vista psicossocial. 

 

É mais ou menos assim que eu encaro a realidade atual no que concerne a este assunto, considerando em concreto as centenas de questões que já me chegaram via email, e pessoalmente, desde que fundei este blogue, e a formação que tenho feito em paralelo neste âmbito. 

 

A quem esta realidade de alguma forma possa chocar, a única coisa que posso dizer de momento é... informem-se! Podem sempre contactar-me via email, pois não hesitarei em esclarecer-vos. 

 

A quem esta realidade de alguma forma possa tocar, felizmente, as respostas começam a surgir. Dizer "não percas a esperança" já não é só semelhante à dificuldade severa de se ver a luz ao fundo do túnel numa área onde são raras as respostas concretas neste sentido, mas cada vez mais, se torna uma franca possibilidade. Mesmo quando a maternidade teima em não iniciar da forma como era o esperado, ela pode lá chegar. Portanto, não percam a esperança, mas agarrem-se a um franco pedido de ajuda e iniciem acompanhamento neste sentido porque sim, há solução! 

 

 www.mulherfilhaemae.pt

 

centro@mulherfilhaemae.pt

Á conversa com a Laura #3 - "A felicidade de se ser autêntica. E como a maternidade rima com autenticidade."

Um dia eu escrevi que, para mim, ser mãe é andar num monociclo à beira de um precipício e depois descobrir que afinal temos asas. E continuo a sentir isso em todos os momentos da minha ainda jovem maternidade: nos bons, nos muito bons, nos ruins, nos que apenas passam, nos maravilhosos... Em todos. Mesmo.

 

Vou vos contar um pouco da minha história. Sem filtros. Autêntica: quando a minha filha nasceu, naquela belíssima meia noite e um quarto de 13 de Fevereiro, não nasceu mãe nenhuma em mim. Eu detestei ser mãe quando a minha filha nasceu; eu só queria a minha vida "pré mãe": as noites de amor escaldante e carinhoso entre mim e o meu marido - que na altura eu chamava de namorado hehehe - ir jantar fora e depois ir beber copos até de madrugada e ficar a dormir até já não "caber na cama", o brunch numa esplanada solarenga e um mergulho na praia ou um cineminha romântico a dois... Só sei que de repente, a curvilínea e sensual Laura era do tamanho da baleia azul e tinha a graciosidade de um frigorífico combi que tinha a maravilhosa modalidade de servir leite quente de cada peito a uma bebé permanentemente ávida de atenção mas que eu grávida tinha imaginado permanentemente sossegadinha na sua alcofinha macia, o meu amante charmoso transformou-se numa insuportável criatura que me dizia sem parar para eu ter calma - que bom que era termos um interruptor do stresse instalado no nosso corpo!! - e os amigos íntimos e familiares queridos, atenciosos e preocupados tornaram-se numa miragem longínqua a partir desse dia.

 

 

Se houve algo que eu odiei das profundezas das minhas entranhas foi o início da minha maternidade e da nossa vida familiar: era para mim apenas um gigante cenário grotesco de uma mulher e de um homem ambos monstruosos e deformados sempre em guerra e a braços com uma bebé feita de nitroglicerina que eu tinha de estar sempre a pensar como desarmadilhar, numa casa caótica onde não existia mais comida nem banho nem descanso, por isso, sim, eu nesta altura e até cerca dos 4 meses da minha filha, estava sempre a tentar equilibrar-me no tal monociclo à beira do precipício... e caí. Caí numa depressão gigantesca e foi-me apresentada pela vida a mais dura e chorada forma de autenticidade: o ter de olhar para mim mesma sem máscaras nem fugas, num aqui e agora sem paninhos quentes, que só nos conduz a duas portas. A porta da existência em piloto automático e a porta do viver de verdade e na verdade. 


Eu escolhi a segunda porta que é por sua vez a mais dolorosa de abrir, aquela por onde passar nela nos rasga a pele e onde a luz que entra por ela nos queima os olhos, mas a que me levou ao caminho de eu ser adequadamente tratada e de conseguir uma rede de apoio com profissionais qualificados e especializados - psicóloga, psiquiatras, terapeutas de bebés, naturopata, Doula pós parto e outras terapeutas de vida - o maravilhoso Kundalini Yoga e meditação, que me fizeram finalmente perceber que afinal eu sempre tive, tenho e terei umas enormes, fortes e maravilhosas asas que me elevam a mim, ao meu amado marido e a minha filha e nos protegem a todos como família. E tanto o meu marido como a minha filha são também dotados dessas asas que os elevam e que me elevam e me protegem tantas vezes e que sabem tão bem! Noutros dias... As asas andam cansadas e fazem greve cá em casa e lá volto eu, o meu amado marido (para mim o melhor pai do universo e arredores!), aos equilibrismos no monociclo à beira do precipício onde a única diferença de há uns meses atrás é que já não caímos: já estamos treinados pelos melhores professores que foram esta rede de apoio e claro, a parentalidade! Esta nossa experiência e a nossa sabedoria entretanto despertada por todo este processo vivido na autenticidade.

 

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Mas o que é isto da autenticidade?

 

Para mim, é aceitarmos e nos responsabilizarmos por quem somos e o que somos, bem como a vida que temos, mas não nos conformarmos que somos "apenas" isso e que a vida não é um rascunho de um livro que nunca será editado. Nós e a vida somos aqui e agora, com as nossas virtudes, forças, frustrações e medos, sem necessidade de máscaras ou armaduras do nosso "modo sobrevivência", pois a vida só é vida, só é vivência em pleno na autenticidade.

 

Por isso na minha opinião, a maternidade só é bem vivida na autenticidade. Sem floreados nem fantasias mágicas, sem bruxas más nem monstros. Apenas sendo como ela é: feminina e flutuante, furiosa e terna, quente e fria, doce e amarga, emocional e potente, empoderadora e infinita... Autêntica. Não dá para fugir da maternidade! E então ela nos transforma, colocando a nossa essência à vista, iluminada e poderosa.

 

E foi através desta autenticidade que desde os 5 meses da minha filha, eu descobri o que é amor incondicional, o que é amor autêntico, por ela, pelo pai dela e por mim. E sim, pela minha filha é simplesmente um amor que de tão infinito que é, dói tanto quando transborda neste corpo humano finito mas cuja alma, também tão infinita, rejubila e que mesmo nos momentos mais complicados, agradece, aceita, se transforma e evolui. 
E é este amor tão autêntico por mim e por nós que me transformou na mulher e na mãe autêntica que eu agora sou. Sem filtros. Uns momentos tão carinhosa e calma e noutros tão feroz e brava, mas sempre de bem comigo mesma.

 

Obrigada maternidade por me teres feito rimar com autenticidade! 

Á conversa com a Ana #9 - "Gratidão."

Gratidão. É uma das emoções que mais tenho sentido ao longo do meu processo de cura. Todos os dias reconheço, no meu íntimo, que sou imensamente felizarda por tantas mãos que se estenderam, e que continuam a estender-se, para me ajudar.

 

Sempre me considerei uma pessoa independente. Eu e o meu marido gostamos de estar com os outros, mas também tínhamos um certo sentido de independência e proteção do nosso espaço. Do género, “quando a C. nascer não queremos muitas visitas, o pessoal a andar lá por casa. Queremos estar sozinhos, a curtir essa etapa tão importante das nossas vidas”. E fizemos isso. A C. nasceu e fechamos-nos ao mundo, acreditando que esse seria o passo mais natural a dar. Mas, no nosso caso, não foi.

Redescobri que somos muito Mais quando estamos em comunhão com todos os outros. Ninguém é verdadeiramente independente. Estamos agarrados uns aos outros. E isso é tão, mas tão maravilhoso! Por isso, só posso agradecer a todas as mãos que se estenderam.

 

Agradeço à minha médica de família que, dentro do que lhe foi possível, ouviu-me e acompanhou-me.

 

 

Agradeço à minha psiquiatra, a primeira mão decisiva que a vida estendeu-me. Obrigada pela empatia com que me ouviu e pela forma como organizou logo o meu plano de tratamento. Não me mostrou apenas que precisava de ser medicada, mostrou também que o tratamento para funcionar precisava do apoio dos outros. Mostrou que o caminho de cura não era sozinho, mas sim envolto de quem mais perto estava, no meu caso os pais, os sogros e o marido.

 

Agradeço à minha psicóloga. Durante todos estes meses, ajudou a acalmar a minha mente e o meu coração.

 

Agradeço aos meus amigos. Nunca senti que algum de vocês me estivesse a desamparar. Nunca senti críticas ou julgamentos. Pelo contrário, senti todo o vosso amor sempre que me ligavam ou mandavam sms. Tantas vezes eu não atendi mas vocês não desistiram. Respeitaram mas mostraram que estavam ali, se eu precisasse. Obrigada por todas as vezes que vocês atenderam as minhas chamadas e ouviram-me, por todas as vezes que se encontraram comigo para que eu saísse um pouco de casa.

 

Agradeço aos meus familiares. Obrigada por ligarem, por se disponibilizarem para ficar com a C. caso precisássemos descansar ou sair.

 

Agradeço às minhas duas terapeutas de Shiatsu. Que diferença fez poder incluir o Shiatsu no meu tratamento! O toque mágico do Shiatsu e as nossas conversas permitiram conectar-me de uma forma muito íntima (e terapêutica). Ajudaram-me a compreender a depressão com o coração. Ajudaram a arrumar, dentro de mim, a imensa culpa que sentia. Ajudaram a ligar o meu coração ao da C. Não me esqueço de uma das sessões, das primeiras, em que senti, durante a sessão, e a partir desta, um imenso amor por mim e pela C.

 

Agradeço aos meus sogros. As refeições, quentes, acabadas de cozinhar, que nos trouxeram, as vezes que ficaram com a C. para eu puder apanhar ar, as vezes que não dormiram, e ficaram com a C, para nós dormirmos, as vezes em que passei o dia em vossa casa, durante a semana, para não ficar sozinha com a C.

 

Agradeço à minha mãe. Tantas, mas tantas vezes estendeu-me as mãos. As refeições que nos preparou, a empregada que nos arranjou para limpar a casa (e que cá continua), as fraldas, leite, roupa para a C. que comprou, todas (e foram muitas) as vezes que ficou com a C. durante a noite para nós dormirmos. Chegou a sair de casa, perto da meia-noite, porque desesperados, cansados, já não tínhamos forças para acalmar e adormecer a C.

 

Agradeço ao médico que agora me acompanha, nesta fase de recuperação da minha forma física. Há poucos meses atrás estava em baixa forma. Hoje já corro 15 minutos, faço flexões, pranchas. O corpo ganha força, resistência e tônus muscular. A corrida é a minha meditação.

 

Agradeço à Ana, autora deste blogue. Sem ela eu não teria encontrado um espaço que me devolveu empatia, compaixão e compreensão. Obrigada pela tua coragem em partilhar a tua história e de criares um espaço (o único) que aborda este tipo de vivências. És uma pessoa muito especial, minha querida Ana.

 

E, deixo para o fim, o meu companheiro desta vida. A ele agradeço tudo. De ti já te conhecia a tua sensibilidade, a capacidade de te colocares no lugar do outro, a ternura, o sentido de partilha e entreajuda, a honestidade. Mas esta experiência mostrou-te ainda mais. Uma pessoa única, a que melhor me compreende e um pai excecional. Nunca me desamparaste, levaste-me no teu colo, embalaste-me.

 

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Diz-se que é preciso uma aldeia para educar uma criança. Digo mais: é preciso uma aldeia para embalar uma criança, um pai e uma mãe. E eu tive (e continuo a ter) esta rede. Muito obrigada a todos.

Associação Passo Positivo: Já conhecem?

Passo Positivo nasceu para colmatar lacunas de intervenção na área da exclusão social criando uma estrutura de voluntariado para o lançamento de campanhas de angariação de produtos destinados aos utentes das OSFL, organizar parcerias para o fornecimento de serviços de prevenção de acidentes domésticos na área da saúde e bem-estar das famílias carenciadas e desenvolver ações de formação para capacitar profissionais nos domínios da intervenção humanitária e da cooperação e desenvolvimento.

 

 

A sua atividade assenta, atualmente, em três pilares principais e um de suporte:

 

Projeto Banco de Fraldas - Apoio a famílias portuguesas desfavorecidas e em situação de exclusão social que necessitam de ajuda face às dificuldades do quotidiano, quer a nível social, quer de saúde e bem-estar. A recolha de fraldas é centralizada no território nacional, com posterior distribuição targetizada a instituições devidamente analisadas. 

 

Projeto Vizinhos - Criação de equipas comunitárias de "vizinhos" constituídas por voluntários que atuam no sentido de prevenir e diminuir riscos e acidentes. Incidem maioritariamente sobre a camada idosa e pessoas com dependência física. 

 

Projeto Humanitus - Projeto para profissionais humanitários, de cooperação e desenvolvimento. Consiste na expansão da área humanitária através de eventos científicos, livros, filmes, formação especializada e promoção de atividades. 

 

Palestras e Workshops - Pilar de suporte que acompanha todos os projetos referidos anteriormente. Este abrange desde palestras de intervenção de Acidentes Domésticos e Workshops na área humanitária, até Palestras sobre voluntariado genérico ou destinadas a um projeto específico. 

 

Neste sentido, a Passo Positivo contactou-me para uma possível colaboração com o Projeto Banco de Fraldas, ficando o Centro Mulher, Filha e Mãe como um ponto de angariação de fraldas em Lisboa durante o mês de Outubro

 

Considerando a elevada necessidade e carência de fraldas das quais tenho conhecimento, assim como, o ótimo trabalho que a associação tem realizado no sentido de contribuir para a sua diminuição com este projeto, fez-me sentido imediato colaborar no que fosse necessário.  

 

Brevemente farei um texto dirigido a este projeto, mas até lá, porque não vêem este pequeno vídeo que já vos deixará mais elucidados sobre o presente projeto? 

 

 

Ser mãe

Numa das sessões de um dos grupos de grávidas e recém-mães, um dos temas que se falava era sobre a relação das grávidas e recém-mães com as suas mães. 

 

Foi percetível a forma como havia tanto assunto a desenvolver e que aquela hora não iria dar nem para metade. Contudo, várias foram as questões que se abordaram e os subtemas que se falaram. No sessão posterior a essa, uma das grandes mulheres com quem tenho tido o privilégio de me cruzar nestes grupos que dinamizo, pediu-me para ler uma carta que escreveu após a anterior sessão. Fiquei surpreendida, não estava à espera, e ao mesmo tempo, adorei o facto de o ter feito, e tal, foi expressamente manifesto no meu olhar. Mas não foi só isso que expressei. Há medida que ela foi lendo a carta, houve algumas lágrimas que fui contendo, mas que juntas espelhavam no meu olhar o que a minha alma refletia: gratidão por poder fazer o que faço. 

 

Esta carta representou isto para mim, e representou muito mais. 

 

Pedi-lhe autorização para a publicar, pois embora não a estejam a ver a ler e a verbalizar estas palavras recheadas de emoção e de muita história, de certo que conseguirão compreender o impacto que as mesmas têm. Especialmente, porque muitas das pessoas que estão desse lado, e que leem muito do que publico neste espaço, são mães. 

Para além disto, sei que muitas das mulheres que sofrem em silêncio com alterações emocionais na gravidez e no pós-parto, podem-se identificar com esta carta, que é tão própria da história desta mulher, mas também tão comum a tantas histórias de outras mulheres. 

 

Também querem partilhar algo comigo e/ou no blogue? 

centro@mulherfilhaemae.pt

 

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Ser mãe é uma dádiva.

 

 

Ver a minha filha a crescer, a aprender a andar, a imitar o que dizemos e a descobrir o mundo....

Sinto-me grata por poder ter esta experiência, mas não é fácil. Todos os dias me sinto a improvisar. Todos os dias sinto que falho em alguma coisa, que podia ter dado mais de mim. Devia ter tido mais paciência, devia pensar mais nas comidinhas dela, não a devia ter deixado tanto tempo na creche, devia ter-lhe dado mais mimos, por que me perco eu com outras coisas?

 

Há uns tempos alguém me disse que ser mãe é aprender a viver cheia de arrependimentos. É assim que eu me sinto. Sempre.

Vivo com medo de falhar e de ser uma má mãe. E se a estrago? E se ela cresce e odeia a mãe, como eu tantas vezes odiei a minha? E se não a ensino a ser boa pessoa? Será que ela vai ter orgulho em mim, ou se vai irritar com os meus defeitos? E se eu não lhe conseguir dar tudo o que ela merece? E se dou demais e ela não aprende a lutar por ela própria? Mas eu não queria que ela lutasse, é a minha bebé e eu quero-a no meu colo para sempre. Tenho medo que ela sofra... E se eu for fraca e a deixar fazer de mim o que quer? E se eu for demasiado dura com ela? Saberei dar disciplina e amor? E se eu for uma mãe igual à minha? E não for? Quem sou eu para ensinar alguém? Eu sou só uma miúda...

 

Tenho tanto medo e não conto a ninguém. Como pode uma mãe ter medo? As mães são fortes, só choram à noite, sozinhas, quando todos já dormem. Sinto que esperam tanto de mim, mas eu esperava tanto que me ajudassem nisto...

Todos esperam que eu saiba tudo, e eu finjo que sei. Finjo tão bem. Finjo que sei o que fazer quando a minha filha chora, quando está doente, que sei o que ela precisa de vestir, comer, quanto deve dormir, finjo que sei como a educar. Ponho a minha cara confiante e finjo que não tenho medo. Mas eu sou só uma miúda...

Como posso eu ser mãe de alguém se, quando a vida me deita abaixo, a primeira coisa que penso é quero a minha mãe?