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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Á conversa com a Ana #8 - "A depressão pós-parto mostrou-me um novo caminho"

Porquê uma Depressão? Porquê um início de viagem na maternidade assim? Porquê é que não senti felicidade, amor e alegria pela chegada de uma filha desejada? O que isto dizia de mim? Estas questões andaram dentro de mim, à espera de respostas que pudessem acalmar a minha mente e o meu coração.

 

Quando grávida li sobre a ocorrência do Baby Blues e da DPP e achei que a depressão seria algo que não me aconteceria e o baby blues, é descrito como algo tão comum e passageiro, que a minha mente não se preocupou. Se acontecesse, passaria. Pensava mais no parto. Assustava-me, creio que dentro do normal, com as dores. Preparei-me para elas (dentro do que seria possível). Fiz o curso de preparação. Treinei as técnicas de respiração. Recebi shiatsu durante toda a gravidez para aliviar os incómodos físicos e sossegar os receios.

 

Chegou o dia do parto. Tive uma receção no hospital S.Francisco Xavier que eu chamaria de pouco sensível/humana. Houve um primeiro choque. Estava com contrações de 5 em 5 minutos, já muito dolorosas e, em vez de receber orientação, mandaram-me para casa, para “voltar daqui a uma semana”. Uma falha de comunicação gigantesca! E acredito que um dos fatores que contribuíram para o pós-parto que experienciei.

 

Voltamos para casa, eu cheia de dores, os dois sem saber o que fazer. Se os médicos dizem que ainda não é tempo, o que fazer?! Mas as dores eram cada vez maiores. Acabamos por ir parar ao Hospital de Cascais e a C. nasceu. Lembro-me que não fui inundada por emoções de felicidade e amor. Estava exausta. Foram muitas horas de dor e sensação de estarmos perdidos, sem saber o que fazer, mais a experiência do processo lento da dilatação e da expulsão…lembro-me que a C. nasceu, as enfermeiras tratavam dela e eu andava ali a flutuar, entre o rescaldo daquela experiência de dor sobre-humana e o fato dela estar ali, fora de mim.

 

Os dias que estivemos no hospital cuidei dela. Não sentia receio de ir para casa. Pelo contrário, queria ir. Fiz um edema muito grande e estava cheia de dores. Não tinha posição para nada. Esperei que me medicassem. Esperei horas. E quando a médica foi finalmente ao quarto, pedi para que não tocasse porque doía-me imenso. E ela mexeu. Gritei que nem um animal ferido. Gritei para que não me tocasse. Ela pensava que eu já estava medicada. Chamou o meu marido para me acalmar. Eu chorava, tremia e assim fiquei durante uma hora. A partir daí não deixei que ninguém me tocasse.

 

Fomos para casa. Estava muito dorida, não conseguia sentar-me, deitar-me só em determinadas posições. Mas estava medicada e pensei que tudo passaria. Não sei como as coisas foram sucedendo, mas lembro-me do meu primeiro sonho, creio que passadas poucas semanas. Ia no carro com a C. e despistei-me intencionalmente…

No fundo, a minha cabeça já dava sinais de que algo não estava bem. As semanas foram decorrendo, eu a sentir-me cada vez mais ansiosa, exausta e desesperada.

 

Se pegar naquelas listas que abundam na internet, com dicas para escapar a uma depressão, eu consigo dizer que reuni tudo:

  • Foi uma bebé desejada, não tive problemas em engravidar e a gravidez foi tranquila
  • Não existe historial de doenças mentais na família
  • A C. nasceu saudável, não tive problemas com o processo de amamentação e ela dormia períodos de tempo longos, para uma bebé recém-nascida
  • Tenho um companheiro fantástico, com quem partilho todas as tarefas da casa e do cuidar da C. (e tivemos a ajuda de uma pessoa que limpava a casa 2x por mês)
  • Conversava com ele, com a médica de família, com amigas
  • Saía de casa, sozinha, com ele, com amigas
  • Contava com uma rede de apoio sólida (avós que ficavam com a C. para sairmos, que nos preparavam refeições, etc.)

 

Mas ela aconteceu ainda assim. Percebi que esta experiência, como em tudo na nossa vida, acontece por uma série de fatores. Compreendê-la significa olhar para vários ângulos e perspetivas.

 

Existe a causa fisiológica. As hormonas andam num rebuliço enorme durante a gravidez e caiem abruptamente após o parto. O corpo pode precisar de uma ajuda (química) para voltar ao seu equilíbrio.

Existem as causas circunstanciais, relacionadas com as condições em que o casal vive (as tais ajudas da família, o apoio do companheiro, etc.).

E existe a nossa mochila, que trazemos connosco ao longo da vida e que vai guardando as nossas experiências, memórias e emoções. O nascimento da C. foi um acontecimento que pôs a descoberto tudo isto. Pôs a nu as minhas fragilidades e os meus medos. Mostrou aquilo que eu já conhecia de mim e muito do que eu não conhecia inteiramente. Foi buscar o meu passado, o período conturbado do fim da minha infância, da adolescência e o início na vida adulta. Evidenciou a falta de amor (digo amor incondicional) suporte e segurança com que cresci.

 

 

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Ao longo da minha vida já passei por algumas daquelas experiências, extremamente dolorosas, que abanam todo o nosso centro. Que nos mandam à grande para o chão. Eu diria que existiram 3 momentos deste tipo. Cada um deles abanou todo o meu mundo, mudou tudo na minha vida. Mas também me mostraram um novo caminho. Foram lições de crescimento. A depressão trouxe-me muito. Trouxe mais resiliência e capacidade de relativizar. Trouxe-me mais calma e tolerância. Trouxe-me mais compreensão e consciência. Trouxe-me mais amor por mim e por aqueles que me rodeiam.

Histórias que dão a cara por esta causa #26 "Desliguei de mim e odiei cada momento na maternidade após o parto"

A Laura, uma mulher com grande força interior e coragem, decidiu partilhar connosco a sua história e revelar alguns dos detalhes mais sombrios do inicio do seu pós-parto. Algo que não se orgulha, mas que conscientemente sabe que fizeram parte de um momento da sua vida em que, tal como refere, "desligou dela própria".

Passa-nos várias mensagens absolutamente necessárias de considerar aquando da passagem por um momento semelhante, das quais evidencio o facto de, ser impreterível pedir ajuda o quanto antes.

 

Tal como a Laura, existem muitas outras mulheres que passam por situações semelhantes. Não hesitem e enviem-nos a vossa história! Temos de falar sobre este assunto. Histórias como estas são cada vez mais comuns e o movimento tem de ser, com cada vez maior frequência, no sentido da partilha e da sensibilização. 

 

blog@mulherfilhamae.pt 

 

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Olá Ana,

 
Sou a Laura e tenho uma história de maternidade para contar e sei que mais histórias terei, pois sei conscientemente e aceito que a minha e a nossa viagem é longa, aventurosa, complexa e maravilhosa, que uns dias serão de tempestade e muita chuva e outros de muito sol e amena brisa.
Primeiro que tudo, quero agradecer ao nosso parto por ter corrido tudo ao contrário do que eu queria para nós os três: eu, a minha amada filha e o meu amado marido. Por causa deste parto, que eu queria natural, tranquilo, acompanhada e sem qualquer intervenção, mas que acabou numa cesariana sem o meu marido presente por proibição do hospital, eu hoje sou uma mulher e mãe caminhante mais consciente e forte na minha longa viagem pessoal.
Após o nosso parto não ter corrido como eu queria e tinha idealizado e eu ter deixado de ter controlo e de ser atriz do mesmo, eu desliguei. Eu desliguei de mim, da minha desejada e recém nascida filha e do meu amado marido e recém pai. Odiei cada momento na maternidade após o nosso parto. Eu só sentia solidão, medo, angústia, dor física e psicológica e muito, muito desespero e quando a minha filha chorava eu só pensava em fugir, em começar uma nova vida sem ela nem o meu marido lá muito longe onde ninguém soubesse quem eu era nem de onde vinha. Ainda na maternidade, no dia seguinte ao nascimento da minha bebé, fiquei inválida fisicamente e descobriu-se que a aplicação da epidural, que eu não queria mas que foi a minha salvação às tremendas dores de um parto induzido, tinha me feito uma fissura numa membrana, o que fez com o que o meu marido ficasse a cuidar da nossa bebé sozinho em casa durante 24h e a sustentá-la a leite artificial em biberão, mais uma vez conforme tudo o que nós não queríamos, enquanto eu era submetida a mais intervenções clínicas e picadas nas minhas veias já ressequidas de dor e tristeza.
O meu regresso a casa e também o primeiro momento desta nova família na nossa casa foi horrível. Eu e o meu marido discutimos imenso devido a tanto stresse acumulado, tanto medo e ansiedade mal geridos e a nossa filha chorou imenso. Tudo o que me recordo desses primeiros dias e semanas com ela em casa, dos nossos primeiros dias como família, é de uma névoa cinzenta, pesada e sufocante onde reinavam em mim o pânico, o medo, a culpa, a ansiedade, a tristeza, o arrependimento, a raiva, a revolta e o total descontrolo emocional, psicológico e mental. Chamava-me a mim mesma de gorda e de deformada e gritava vezes sem conta a chorar que eu não era mulher, não era mãe, eu não era nada. Não tínhamos qualquer apoio familiar ou de amigos íntimos, fosse com um par de braços extra ou uma sugestão criativa e empoderadora, uma panela de sopa, comida pronta ou roupa lavada. Lembro-me de não tomarmos banho durante mais de uma semana, de fazermos turnos a cuidar da nossa pequena bebé para dormirmos o suficiente para não enlouquecermos os dois, de termos de ir à pressa ao café mais perto de casa buscar uma porcaria qualquer para o nosso corpo sobreviver, da amamentação ser extremamente dolorosa e lembro-me de chorar muito, gritar muito, de me doer tudo muito e de odiar tudo muito. Principalmente de me odiar a mim própria. Muito.
Foi quando o meu amado marido e pai da nossa amada bebé me disse que eu precisava de ajuda médica, tendo começado medicação adaptada à amamentação e continuado psicoterapia, que eu já fazia antes por ser a fiel portadora de um transtorno bipolar e de uma história de vida muito turbulenta e conturbada, que eu pensava bem controlados - oh ingenuidade!
Ficou tudo melhor? Não. Quis fugir novamente, insisti várias vezes com o meu marido que a nossa melhor hipótese de sobrevivência e o melhor para a nossa bebé era a deixarmos numa instituição de acolhimento - ainda hoje passados quase três meses, revolvem-se-me as entranhas ao escrever esta realidade - ou eu ir embora e cheguei mesmo a fugir de casa. Voltei passadas horas de tormento para o meu marido e a nossa filha e o da minha constatação verídica: se eu não pedir ajuda, eu suicido-me, porque eu descobri nessas horas de ausência, que o que eu mais queria era morrer, já que não conseguia ser mãe e esposa mas também era insuportável estar longe. E novamente fomos em busca de ajuda médica, foi ajustada a medicação e isso levou-me a abrandar a velocidade frenética de corrida numa espiral negativa que me ia levar ao suicídio, para começar a conseguir pensar com mais clareza, consistência e consciência e eu corajosamente criar, construir e firmar uma rede de apoio através de entidades e profissionais especializados em apoiar mães, pais e bebés, que estão a substituir a família e amigos íntimos que nós não temos e que não valem a pena chorar por isso e que me está a colocar num enorme e bem recebido caminho de auto conhecimento consciente e desenvolvimento pessoal, onde já encontrei e estou com pessoas fantásticas e isto tudo fez trazer novamente ao topo a minha essência, o amor pelo meu marido e o amor pela minha amada filha bebé, enquanto desfruto do prazer de amar a família que criámos, conectar-me com a minha bebé e amamentá-la sem dores nem dificuldades, apaixonar-me novamente pelo meu marido e amar-me a mim mesma, meditar, aprender, crescer, acalmar e evoluir.
Felizes para sempre? Claro que não!! Há dias horríveis e outros maravilhosos, uns que se passam apenas e outros bons e este é o verdadeiro desafio da maternidade: equilibrar este nosso jogo de luz e sombra interno de forma consciente, sintonizada e sentida.
Hoje sei que o meu futuro é paz, carinho e amor e que daqui a pouco serei uma Mãe que ama incondicionalmente.
 
 
Um grande beijinho com um terno abraço!

E se amanhã fosse o dia, como é que seria?

E se amanhã fosse o dia de pedir ajuda, como é que seria? 

Levantavas-te, vestias-te e recuarias,

Ou simplesmente deixavas-te levar? 

 

E se amanhã fosse o dia de pedir ajuda, como é que seria? 

Os nervos e as fantasias tomariam conta de ti,

Ou intempestivamente corrias para alguém te ajudar? 

 

E se amanhã fosse o dia de pedir ajuda, como é que seria? 

Chegavas a dormir,

Ou a cabeça e o coração unidos não te deixavam os olhos fechar?

 

E se amanhã fosse o dia,

Estaria a chover?

Ou o sol, quente, marcaria esse momento? 

 

Se amanhã fosse o dia,

Talvez a correr, a suar, séria, trémula ou sem pensar

caminharias para alguém te ajudar.

Contudo, será que importa compreender como seria o momento,

ou como seria o dia,

Ou será que importante seria parar de imaginar,

e efetivamente começar a caminhar para pedires ajuda,

e fazeres o teu percurso com maior alegria e bem-estar? 

 

Será que pode ser hoje, o dia?

 

blog@mulherfilhamae.pt 

 

 

"Tive medo de saber mais sobre depressão pós-parto porque não queria desenvolver uma"

Há poucos dias, num grupo de mães, uma das mulheres referiu que durante o curso de preparação para o nascimento foram-lhe dados vários folhetos sobre depressão pós-parto e alterações emocionais no pós-parto, mas que assim que chegou a casa, os arrumou na gaveta. 

 

Teve medo de ler mais, com medo de ficar a pensar sobre o assunto, e de desenvolver uma depressão pós-parto. 

Teve receio de falar sobre o tema, com medo que tal disputasse algo dentro de si, e que desenvolvesse uma depressão pós-parto. 

Teve medo de pensar sequer, sobre o assunto, pois no seu ponto de vista, quanto mais pensasse, pior poderia ser para si. Não queria ficar triste, nem com "medos irreais na cabeça" para não influenciar o seu bebé.

 

Colocada esta partilha, sugeri que numa próxima sessão trouxesse os tais folhetos que lhe deram no curso, para os lermos em conjunto, e para que ela pudesse esclarecer todas as questões que tinha sobre o tema, acompanhada.

 

Eu apercebi-me da forma como estes receios estavam imbuídos na sua linguagem corporal há medida que ia falando sobre o assunto, assim como, o facto de cada um destes receios ia gerando uma fantasia cada vez maior sobre o tema que se expressava através do seu discurso. Para além disto, sabia que ao falar de forma direcionada e aberta sobre o tema, poderia levar a alguns riscos, tais como, a mulher inibir-se no grupo de expressar emoções, por exemplo.

 

Há sempre riscos que se correm quando se fala mais especifica e particularmente sobre o tema. Contudo, são menores, próximo das vantagens que considero identificar por falar sobre o tema, desta forma, com estas mulheres:

 

- Ficam informadas e a informação que recebem é fidedigna e ajustada;

- Estão num espaço propício para o fazer;

- Estão acompanhadas por um profissional especialista na área, que está atento e com quem podem esclarecer todas as questões sobre o tema;

- Ficam com a referência de um profissional e local onde podem recorrer para pedir apoio, caso se verifique necessário em algum momento;

- O contacto entre mim e estas mulheres mantém-se mesmo após os momentos de encontro do grupo, sabendo elas, que podem obter esse suporte quando necessitarem;

 

Para além desta questão, e nestes grupos, não é só sobre isto que falamos. Tal como costumo dizer, não é que a depressão pós-parto seja o maior problema que podem desenvolver, mas poderá ser um dos. E como tal, não há problema de estarem informadas sobre o tema, tal como não há problema de estarem informadas sobre quais os melhores produtos para dar banho ao bebé, ou sobre amamentação, cuidados com o corpo, etc. Estarem informadas sobre depressão pós-parto, é tão importante, como estarem informadas sobre qualquer questão inerente ao período da gravidez e do pós-parto. 

 

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Contudo, ainda há aquele mito de que falar sobre depressão pós-parto, é quase que contagioso. Mas não é, acreditem. Até porque a depressão pós-parto é uma doença, mas não é contagiosa. Falar, erradica o fator surpresa, e aumenta a consciência sobre o tema. Falar, promove a sensibilização, a informação e a preparação para um momento único na vida de cada mulher, companheiro, casal e família - a maternidade - que tanto pode mostrar o seu lado luminoso, como o seu lado lunar.

 

E o lado luminoso e lunar não estão presentes em qualquer coisa na vida?

Então porque tememos tanto pensá-los (em conjunto) no período da maternidade?

 

Temos de falar sobre isto!

blog@mulherfilhamae.pt  

Quais são as histórias que dão a cara por esta causa?

São histórias de mulheres que se confrontaram com ansiedade e depressão na gravidez, com blues, depressão, ansiedade e/ou psicose pós-parto. 

 

São histórias de homens que se confrontaram com depressão pós-parto, homens que se viram sozinhos a cuidar, com uma mão, dos seus filhos recém-nascidos, e com a outra, das suas mulheres que emocionalmente se encontravam pouco ou nada tranquilas. 

 

São histórias de mães e sogras que se confrontam com histórias de filhas e filhos com depressão na gravidez e/ou no pós-parto, histórias de mães e sogras que se relembram das suas há décadas atrás, e que atualmente congelam, não sabendo como agir, ou que por outro lado, agiram tranquilamente. 

 

São histórias de amigas, amigos, tios e primos que dão de caras com ausências prolongadas, com visitas proteladas, com humores e emoções desviadas do que esperavam e não souberam como agir, ou que por outro lado, agiram tranquilamente. 

 

São histórias de vidas, reais, pouco coloridas, mas que demonstram exatamente como são muitas as vivências de gravidezes e pós-partos que foram tudo, menos o esperado pelos seus protagonistas. Sejam mulheres, companheiros, sogras, mães, primos, amigas, tias, vizinhas, quem for.

 

 

Alguém que se tenha confrontado com uma história menos positiva na gravidez e/ou no pós-parto?

Alguém que tenha uma história menos colorida sobre a maternidade?

Alguém que tenha uma coleção de momentos pouco felizes, muito diferentes do esperado? 

 

Então essas histórias são para serem contadas aqui, na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa

 

Uma causa sobre o lado menos positivo da maternidade, que existe, é real, não é único e que precisa de se tornar mais consciente para todos, facilitando, entre outros, a chegada de apoio a quem vive, na primeira e/ou na segunda pessoa, uma maternidade que nem sempre rima com felicidade

 

 

Têm alguma história para contar? Não hesitem! 

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Á conversa com a Ana #7 - "Foste tu que me incentivaste a procurar ajuda e a nunca desistir de cuidar de mim. Obrigada meu amor."

Na semana que passou eu e o meu marido fizemos 13 anos que estamos juntos. E desde aquele primeiro dia em que nos conhecemos até hoje, um mundo de experiências e momentos aconteceram. E um deles foi a minha experiência da depressão pós-parto.

 

Tornarmo-nos pais revelou-se uma experiência mais dura do que havíamos imaginado. A C. foi uma bebé desejada. A gravidez foi muito tranquila. O parto foi difícil e doloroso. Mas o pós-parto superou tudo o que poderíamos esperar. Pela negativa, sublinho. Antevíamos momentos cansativos, mas não imaginávamos a exaustão que nos esperava. Líamos e ouvíamos sobre as possíveis dificuldades que sucedem ao nascimento de um bebé, mas tinhamo-nos como pessoas tranquilas o suficiente para lidar com o quer que fosse. Mas tranquilidade não foi de fato o cenário com que nos deparamos logo após os primeiros dias em casa com a C.

 

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Como disse uma vez o meu marido a um amigo: “na gravidez a Ana começou a correr a maratona. Depois de 9 meses a correr veio o parto e ela continuou a correr, sem poder parar e descansar. E depois nasce a C., voltamos para casa com ela e a Ana não pára de correr. Não pode parar. Continua a correr a maratona. E por muito que eu tente nunca conseguia correr com ela. Foi duro para mim, então para ela…” Estas são, quase na íntegra, porque não me lembro palavra por palavra, as suas palavras. E a ele só posso agradecer por tudo.

 

Celebramos 13 anos, e a ti quero agradecer por seres um companheiro de viagem maravilhoso. Foste a minha força quando ela não existiu. Foste a estrutura emocional para a nossa filha quando eu não estava capaz. Deste-lhe colo, tanto colo. Eu tinha medo de pegar nela. Mas tu pegavas, colavas-a a ti, ao teu peito, falavas-lhe baixinho, dizendo que estava tudo bem, que o pai estava ali. Amaste-a desde sempre, quando eu ainda não conseguia. Ficaste horas, sim horas, para adormecê-la para eu poder dormir até à mamada seguinte. Ligavas ao teu pai para vir trazer-me almoço, quentinho, acabo de fazer, para eu ter o que comer. Obrigavas-me a sair de casa, quando chegavas do trabalho, para espairecer. Ofereceste-me livros, um puzzle (que sabes que eu adoro) para me animar.

 

Nunca me apontaste o dedo pela mãe que eu (ainda) não estava a ser para a nossa filha. Não ouvi nenhuma crítica, não senti nenhum julgamento. Pelo contrário, eu tinha em mim mesma um coração cheio de auto-críticas, julgamentos e culpa, e tu acalmavas-me sempre com as tuas palavras serenas e com os teus abraços quentes. Foste tu que me incentivaste a procurar ajuda e a nunca desistir de cuidar de mim.

 

Oh meu amor, dizes que não conseguias correr comigo mas correste! Correste muito! Cuidaste da nossa filha e de mim. Obrigada meu amor.

E se o tempo voltasse atrás, também voltariam a ser mães?

Nos últimos dias tenho recebido inúmeros emails de mulheres, que para além de partilharem as suas histórias, integram um traço em comum: referem não querer voltar a ser mães de um segundo filho. 

 

"Para mim bastou esta experiência" - referiram. 

 

E quando dizem que esta experiência bastou, não se referem ao filho que geraram e que acolheram como lhes foi possível. Referem-se à experiência traumática que consistiu na experiência de uma depressão pós-parto, inicialmente vivida em silêncio, e mesmo depois de assumida e tratada, com um fraco apoio sentido por elas, em relação às pessoas que as rodeavam. 

 

Este fraco apoio assentou essencialmente na falta de compreensão alheia, especialmente por parte do companheiro e/ou da família próxima - "diziam que era frescura da minha parte, que eu era muito mimada e que agora tinha deixado de ter todas as atenções para mim e que tinha de aprender a lidar com isso" - referiu uma delas. Fraco apoio este que assentou no sentimento de culpa interno que não sabiam como ultrapassar, sendo que não possuíam meios para recorrer a apoio psicoterapêutico em privado, e o apoio fornecido através dos centros de saúde, tardou (muito) em chegar, "e quando chegou, a consulta não passava dos 20 minutos, quinzenalmente. Acabei por desistir e ficar só a tomar a medicação, que ainda hoje tomo." - referiu uma delas. Fraco apoio este que as fez deixar de ir a determinadas consultas (por exemplo) onde já eram seguidas porque não tinham onde/com quem deixar os bebés, e tinham medo de sair e de não serem capazes de tomar conta deles, e acima de tudo, medo que alguém achasse que não eram boas mães, ou que a depressão fosse farejada por alguém que pudesse por em causa o seu papel, o seu amor, e só se focasse no medo (gigante) e que transparecia em cada movimento descoordenado, em cada segundo de insegurança, e em cada respiração acelerada, em cada momento de stress constante. Este fraco apoio assentou em determinados detalhes como sentirem que não tinham ninguém que as incentivasse a saírem de casa, a arranjarem-se, a doarem um pouco do seu tempo para ficarem com os seus bebés, ou as acompanhassem, e "especialmente quando algumas pessoas da minha família souberam que tive depressão pós-parto, afastaram-se. Uma chegou a dizer que para tragédias, já bastava as da casa dela." - referiu uma delas. 

 

O fraco apoio sentido por estes mulheres, e acredito eu que por tantas outras nesta fase, deu expressão a sentimentos de solidão, de desamparo, de irritação, de culpa e fez ressaltar o sentido de responsabilidade perante os seus bebés, assim como, aumentar o receio de não serem capazes de estar à altura. Tudo isto ao mesmo tempo que vivenciavam uma depressão pós-parto e eram tratadas para esse efeito.

 

Não me admira nada que estas feridas não saradas originem pensamentos e emoções que estejam na base de atitudes como a de não quererem voltar a ter filhos. Faz-me é questionar com frequência a porra do olhar vago da sociedade em que estamos inseridas, e que não contempla experiências como a destas mulheres e que em tanto influenciam, de tantas formas e feitios, o mundo que estamos a criar.

 

Tal como é referido no Relatório Mundial de Saúde escrito pela OMS (2005),  "as crianças são o futuro da sociedade, e as mães, são as guardiãs desse futuro". Então eu pergunto-me, o que é que nos inibe de começarmos a olhar para elas com maior profundidade enquanto cidadãos e/ou profissionais de saúde?

 

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Eu conheço algumas das respostas à anterior questão, mas nenhuma delas sacia a premente necessidade que se verifica e que continua a aumentar. E já agora, considerando todas estas circunstâncias, e se o tempo voltasse atrás, também voltariam a ser mães?

 

Fica a questão.

Hoje, não é um bom dia.

Por isso não me falem. 

Não me olhem. 

Não. 

 

Hoje, não é um bom dia, mas não entendendo. 

A agonia. A dor. O olhar fixo. 

Não estou cá. 

 

Hoje, poderia ser, mas não é um bom dia. 

Depois de te ter, ninguém diria. 

Mas é como me sinto. Só.

 

Hoje, é um dia igual a tantos outros.

As mesmas rotinas, o mesmo acordar.

Mas estou cansada.

 

Estou cansada de sorrir, de ter de ser.

Cansada do silêncio que ninguém repara. 

Cansada de estar e de ter de corresponder.

 

Hoje, estou cansada e só. 

E, no entanto, todos os dias acompanhada.

Ninguém me vê, eu não me vejo.

 

Hoje, não é um bom dia, mas amanhã, poderá ser melhor. 

Talvez. Mas vou sem expectativa. 

Prefiro conservar a agonia à dor acrescida da desilusão.

 

Hoje, não é um bom dia.

Esta dor teima em ser sentida. 

E eu, confusa, não sei o que fazer.

 

Hoje, não é um bom dia.

Olho para ti. Mas só este olhar de te ter, não me traz a alegria precisa.

Preciso de me olhar para me encontrar e não sei como o fazer. 

 

Hoje, não é um bom dia.

E isso também contribui, para assim, não o ser. 

Será que algum dia terei essa alegria do prazer de de ter?

 

Não sei. 

 

Ficará a questão para mais tarde responder. 

 

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Histórias que dão a cara por esta causa #25 "Quando ao fim de três anos consegui o que mais desejava entrei em choque e tive depressão pós-parto"

E quando se quer muito ser mãe mas é díficil, e se tem de partir para tratamentos específicos, a carga emocional é mais do que muita associada a este momento. As expectativas constantes, os tratamentos sem resultados, a menstruação que teima em aparecer, e um dia, tudo muda quando este bebé chega. Mas muitas destas questões podem afetar emocionalmente a mulher e o casal, e após tanta luta nesta sentido, instala-se a depressão. 

 

Não é de admirar. No entanto, a Rita partilha connosco a sua história, e como a superou! Sim, porque a depressão pós-parto, para além de ter solução, influência vivências muito próprias de cada mulher. 

 

Leiam a história da Rita, e partilhem as vossas também! 

blog@mulherfilhamae.pt 

 

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Antes de ser mãe questionei-me mil e uma vezes o motivo pelo qual não conseguia ter filhos. Remoí, deprimi, odiei, chorei, desejei morrer. Quando finalmente, ao fim de três anos e muitos tratamentos falhados, consegui o que mais desejava, o que parecia impossível, entrei em choque. Retenho algumas imagens, vincadas, do meu Gonçalinho, com apenas um mês, a espernear com cólicas e eu, lavada em lágrimas, sem saber o que fazer. Tive depressão pós-parto. Não falava com ninguém. Só com o meu filho. Fechei-me em casa e vivi exclusivamente para ele. Sinceramente, não sei o que esperava. Quer dizer, sei. Tal era a imagem que tinha da maternidade que pensava que um bebé dava menos trabalho do que na realidade dá. Pensava que com o meu seria cor-de-rosa. Chorei durante meses a fio. Seis ou sete no total. Tive de optar várias vezes, sem saber bem se estava certa ou se estava errada. Errar e acertar. Errar e acertar. Era o jogo da tentativa erro.


Mas o Gonçalo criou-se. Com muito amor, muita ansiedade, expectativa. Estava muito em jogo. Era (e é) o meu menino de oiro. Depois veio o mano e tudo mudou. O lugar exclusivo foi alargado ao novo membro da família. Tenho memórias doces e ternas de tudo o que fiz com o Rodriguinho. Aproveitei mais. Diverti-me muito. Nunca chorei. Não tive "baby blues". Nunca me fechei em casa e saí o máximo que pude. Ambos foram crescendo e não me canso de o dizer, já se passaram quatro anos. O Rodrigo imita o mano mais velho. A disputa é uma constante. Tanto que notamos uma alteração no comportamento do Gonçalo.


Não foi de um dia para o outro. Talvez até nem tenha começado nele e sim em nós, por termos outro bebé em casa. Sem que nos tivéssemos dado conta, talvez tivéssemos passado a dar mais atenção ao mais novo, em vários sentidos: desde o dormir, à escolha da roupinha, à hora da mamada, ao ritual de embalar para adormecer, ao pegar ao colo gentilmente. Tudo coisas que o Gonçalo já não tinha ou deixara gradualmente de ter. Sei com todo o meu coração que a vinda do mano o afetou. Até que ponto, nunca vou compreender. Faço o melhor enquanto mãe para o ajudar a entender as frustrações e as neuras dele, as famosas “birras” que por cá são bastante violentas. Errar e acertar. Errar e acertar. Tal como há quatro anos, é o jogo da tentativa erro. Comecei por entender que a reação de um pai face a isso é decisiva. Se um pai se irrita e esperneia como o filho, o filho seguirá o modelo. Se um pai bate ao filho como forma de castigo, o filho bate noutros (ou no progenitor) quando está chateado, pois é o modelo que encontra; se fica com um tempo para pensar, não pensa, porque ainda não consegue entender a causa e a consequência do que faz. Não como um adulto gostaria. Depois passei a agir de forma diferente. Quando se porta mal, digo-lhe que isso não se faz. Digo-lhe o que espero dele. Se esperneia, deixo que se acalme e explico-lhe o que fez de errado. Se estou chateada com ele, explico-lhe o motivo. Digo-lhe para contar até três devagarinho quando quer que lhe traga alguma coisa rapidamente. A mãe não é super-heroína. Comecei a reservar um tempo só para nós. Antes, isso era impensável. Mas agora, que nem sempre quer fazer a sesta, vamos passear os dois. Passar tempo de qualidade. Brincar. Brincar é muito importante, pois ajuda-os a compreenderem o mundo e a entenderem quem são. A sonhar. Um pai que brinca com um filho cria um elo para toda a vida, mesmo que pareça “secante”.


Depois digo-lhe que o amo, e que sempre o vou amar. Digo-lhe que é muito importante para mim, que é especial e que tenho orgulho dele e em ser sua mãe. É preciso dizê-lo. Não basta sentir. Aos poucos, vou construindo um caminho. Com algumas vitórias e alguns fracassos. Não faz mal. O que interessa é o percurso. É árduo. Às vezes choro. Mas 90% das vezes é de felicidade.

"Tenho receio de partilhar a minha história pois tenho medo que me tirem a minha filha"

Na última semana várias foram as mulheres que me abordaram com alguma questão através do email, e três delas, recearam partilhar a sua história, por receio que alguém considerasse que não fossem boas mães, e que lhes pudessem retirar os filhos. 

 

Rápido compreendi, na medida em que, este é, de facto, um receio muito comum nas mulheres que são mães e que não começam a viver a maternidade da forma mais feliz e tranquila quanto o esperado. 

 

E este receio prende-se com muitas questões, sendo que, algumas delas já abordei neste texto. Contudo, existem outras igualmente importantes, e aqui, lá vamos nós (outra vez) bater no estigma face à saúde e doença mental. Mas a verdade, é que assim o é. Ele existe, arde entre nós, e cada um à sua maneira, enquanto fizer deste tipo de assuntos um tabu, alimentará a sua chama. 

 

Como é que queremos que a maternidade seja vivida de forma plena, se consideramos que o natural se prende em exclusivo com a felicidade e o recheio de momentos cheios de cor e de vida?

Como é que queremos que a maternidade seja vivida de forma tranquila, se não aceitamos que os momentos mais ansiosos e menos positivos também dela fazem parte? Que não é tudo floreado, nem tudo divertido?

Como é que queremos que a maternidade seja percecionada como integrando no seu todo uma forma natural de vida, se não aceitamos que a vida em si, não é sempre, e nem num todo simplesmente, feliz?

 

E assim sendo, considerando que, para muitos a busca incessante pela vivência absolutamente feliz terá de ser uma constante, muitas pessoas desiludem-se e cedo verificam que o naturalmente decorrente da vivência da maternidade, por vezes é feliz, e por vezes, é ruindade. Assim o é, e é-o sem maldade. É assim que o natural se acrescenta ao todo de um forte processo de desenvolvimento pessoal e conjunto, que é a maternidade. 

 

A maternidade é cor! Mas nem sempre é amarelo, azul ou rosa. Por vezes é acinzentado, outras vezes é branco e/ou preto. 

A maternidade é luz! Mas nem sempre brilha, por vezes está mais apagada. 

A maternidade é vida! Mas nem sempre tem a mesma vitalidade. 

 

E por vezes, deixa de ser tão natural nem sempre ser amarelo, nem sempre brilhar e nem sempre ter vitalidade, passando a ser uma constante incapacitante, e verifica-se que o processo de doença ocorre, e aí o sofrimento é atroz para todos! 

 

Não há exceção que se aplique, e todos os que estão envolvidos, confrontam-se com este tipo de vivência: não esperada, nem desejada. Ignora-se de inicio, discute-se muito após, e continua-se, por vezes, numa bolha ténue entre a realidade do que se é, e a realidade do que se gostaria que fosse. A sofrer, quase sempre, a perder a paciência constantemente, e a culpabilizar-se com frequência. Todos. Cada um à sua maneira. 

 

E se até aqui, se estarmos preparados para esta problemática era fundamental, aqui, torna-se premente que assim o seja. Não há volta a dar. E mesmo a sofrer, mesmo a perderem-se de dentro para (e por) fora, muitas mulheres vivem numa ambivalência sem fim à vista. 

 

Querem procurar ajuda, mas temem ser julgadas. 

Querem ser mães em pleno, mas sofrem por tentar sê-lo.

Querem voltar a sentir-se mulheres, mas não sabem onde estão, nem para onde ir. 

Querem (ou não) amar o seu rebento sem obstáculo, mas temem ficar a sós com ele, por exemplo. 

 

Consideram não haver solução, sentem um medo de morte, uma dor profunda, e o mais incrível, é que muitas continuam a cuidar o melhor que podem, o melhor que sabem, temendo constantemente serem julgadas em praça pública só por assumirem a alguém que poderão ter uma depressão pós-parto, por exemplo. 

Mas por vezes a dor não passa, só o tempo. E há medida que o tempo passa, por vezes a dor piora e eleva-se a necessidade de tratamento e acompanhamento. E este é necessário, é fulcral, é fundamental. E há que compreender porquê. 

 

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Quando lemos sobre o assunto, verificamos que provavelmente milhões de mulheres já passaram por uma depressão pós-parto, que possivelmente milhares de mulheres já tentaram fazer mal a si e/ou aos seus bebés, vários profissionais têm investigado sobre o tema a nível mundial, e vários são os recursos que florescem todos os dias a nível mundial na tentativa de apoiar estas mulheres e respetivas famílias, vários divórcios já ocorreram, várias famílias com marcas ficaram, várias pessoas recusam-se a voltar a passar pela experiência da maternidade/paternidade com receio de voltarem a viver uma experiência destas, sendo que, provavelmente, completamente sozinhos num estado que pouca importância oferece ao assunto. E mesmo assim (mesmo assim!) em pleno século XXI, ainda existem mulheres que têm receio de partilhar a sua história, com receio de serem consideradas más mães, e que lhe retirem os seus bebés. 

 

Só pode mesmo estar tudo muito errado connosco, cidadãos de uma sociedade onde a maternidade, é tudo menos uma novidade, e que, ainda hoje, direta ou indiretamente, julga e incompreende na sua profunda totalidade, mulheres com (por exemplo) uma depressão pós-parto, sem vislumbrar por um momento sequer, que estamos a falar de uma doença, e não de uma pessoa, ou daquilo que essa pessoa é, ou será capaz de ser. Sem compreender que precisamos que estas mulheres se sintam confortáveis para falar, em prol do si, e do seu bebé. Que precisamos de compreender, de saber aceitar e de saber reencaminhar, para lhes dar, a todos, a maior segurança possível. Que é de um bebé que estamos a falar, mas que um bebé estará muito incompleto se a sua mãe ausente se sentir ou se demonstrar. Que estamos a falar de uma pessoa, para além de uma mãe.

 

Uma pessoa, que é mulher, uma mulher que é mãe, uma mãe que é pessoa. 

Portanto, fixem esta equação:

[Mulheres com experiência de depressão pós-parto] não é igual (de todo!) [a depressão pós-parto]. 

 

Dúvidas?

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