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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

À conversa com a Ana #12 - "“A amamentação é o ideal, mas (...) o que a sua filha precisa é de ter uma mãe feliz, que esteja bem”

No outro dia, ao reparar numa mãe a amamentar o seu bebé, lembrei-me de mim a amamentar a C. e da decisão em parar com a amamentação após o diagnóstico da depressão pós-parto. A C. tinha 2 meses. A psiquiatra explicou-nos as opções que existiam. E eram 2: ou tomava medicação “menos forte” que começaria a fazer efeito dentro de 15 dias; ou tomava medicação “mais forte” que começaria a fazer efeito em 24horas.

 

A primeira opção permitia continuar com a amamentação, mas não em exclusivo, tal como estava a acontecer até então. Poderia amamenta-la durante o dia mas durante a noite, após a toma de um dos medicamentos, não o poderia fazer. Teria que ser com leite artificial ou com o meu leite, caso tirasse o leite com a bomba durante o dia. O outro medicamento, que tomaria durante o dia, era compatível com a amamentação. Tanto a psiquiatra, como a médica de família asseguraram-nos isso, e mostraram-nos um site médico que lista todos os medicamentos e o seu grau de interferência com a amamentação. Demorariam 15 dias até começar a sentir os efeitos da medicação.

 

A segunda opção não permitia continuar com a amamentação, de todo. Era medicação “mais forte”, com capacidade para produzir efeito em 24h. Se decidisse por esta, aquela noite (a da consulta) seria a última em que daria de mamar à C. Depois disso, teria que passar ao leite artificial.

 

Eu e o meu marido saímos da consulta e enquanto íamos para casa falámos. Eu pendia para a 2ª opção. Estava exausta, à beira do precipício e a perspetiva de ter que esperar 2 semanas para começar a sentir-me melhor não me parecia (humanamente) possível. Não me sentia com qualquer réstia de energia física, emocional e psicológica. Mas a contrapartida era deixar de amamentar!

 

Sempre achei que amamentaria. Mesmo nas aulas de preparação para o parto prestei pouca atenção quando se falou sobre o leite artificial. Tinha arrumada em mim a ideia e a vontade de alimentar a minha filha dessa forma. De tudo o que lia, de tudo o que ouvia, compreendia que era o mais benéfico para ela e para mim. Amamentaria até ela deixar de querer. Por isso, naquele momento fiquei dividida porque o que era o melhor para mim não era o que era o melhor para ela. Isto era como pensava na altura.

 

Há uma força social muito grande que nos transmite que devemos fazer sempre aquilo que é o melhor para os nossos filhos. Especialmente porque somos as Mães. Há subjacente a ideia de espírito de sacrifício e de abnegação das nossas necessidades face às necessidades dos nossos filhos. Pelo menos é assim que eu sentia. Como tal, tinha essa pressão moral e social na minha cabeça. Sentia “porque eu preciso descansar e dormir, vou tirar à minha filha algo que é benéfico para ela?” “Não poderei esperar os 15 dias? Não conseguirei fazer esse esforço?”

 

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Falei com o pediatra. Ele disse-me algo que nunca me irei esquecer e que acabou por passar a ser uma força motriz no meu tratamento e, na verdade, na minha vida. Disse-me “A amamentação é o ideal, mas muitas vezes não é isso que mais conta na realidade. O que a sua filha precisa é de ter uma mãe feliz, que esteja bem.”

 

De coração e cabeça decididos, seguimos para a 2ª opção. O meu marido foi comprar biberões e o leite artificial. A minha mãe veio para nossa casa. E dei, pela última vez, mama à minha filha. Ela ficou a dormir com a minha mãe. Eu tomei os comprimidos, deitei-me e partir dessa noite tudo mudou. A Ana feliz pode começar a espreitar e a C. pode começar a ter uma Mãe.

 

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