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Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Dom | 25.10.20

Sessões de meditação e relaxamento: no que consistem?

Ana Vale

Nos círculos da psicanálise existe uma história bem conhecida sobre um homem atormentado por um sonho recorrente. O mesmo encontra-se preso dentro de um quarto, incapaz de abrir a porta e fugir. Procura a chave pelo quarto, mas nunca a consegue encontrar. Tenta com toda a força abrir a porta mas esta não cede um milímetro. Não existe outra maneira de sair do quarto sem ser através daquela porta, que ele não consegue, de todo, abrir. Está encurralado e com medo. E no meio de uma sessão com o seu analista, o mesmo descreve-lhe este sonho e o analista, ouvindo cuidadosamente o seu relato, sugere-lhe que a porta talvez possa ser aberta na direção oposta. Quando o homem volta a ter o mesmo sonho, lembra-se da sugestão do seu analista e descobre que a porta se abre para dentro sem a menor resistência.

 

 

 

Parece-me que esta é a realidade, figurada, de algumas pessoas hoje em dia.

Muitas pessoas têm a sensação de estarem presas, encurraladas, dentro de uma vida que parece não satisfazê-las. Existe, por vezes, um sentimento silencioso de desespero, mantido à distância através de uma atividade constante ou de novas drogas miraculosas. Algumas pessoas passam a vida à espera. À espera que alguma coisa aconteça e que venha mudar por completo as suas vidas. E, no entanto, a lição mais básica e óbvia que a vida nos oferece, é que a felicidade é um estado de espírito, interno, e não algo que possa ser adquirido no mundo exterior, ou de outras pessoas.

 

Embora algumas pessoas possam contribuir para chegarmos mais facilmente a esse estado, é a nossa predisposição, o nosso eu interior, que abre essa porta.

 

Falando mais especificamente do período da gravidez e do pós-parto, este constitui-se um momento em que a mulher adquire uma nova identidade, a de mãe. Este processo é dinâmico, nem sempre consciente, e construído dia-a-dia com aquilo que são as experiências refletidas, que a mulher vai adquirindo enquanto mãe, ao mesmo tempo que as suas experiências de filha, por exemplo, também ganham um novo lugar no mundo consciente e conceptual do seu eu interior. É uma dinâmica complexa, natural e ambígua pela qual todas as mulheres passam durante a transição para a maternidade. Dinâmica essa que está relacionada com a forma como a própria mulher vive a sua maternidade, influenciando o desenvolvimento de uma certa despersonalização que cada mulher passa, à sua maneira, durante este período. 

Se estas vivências não tiverem um espaço adequado para serem refletidas, partilhadas, trabalhadas, podem desenvolver-se fortes sentimentos de ansiedade, angústia, medo, insegurança, sendo que alguns destes, podem tornar-se densos ao ponto de elevarem os momentos de sofrimento numa fase em que as exigências do dia-a-dia, e em especial para com o bebé, são enormes! 

Um espaço adequado pode ser, por exemplo, uma conversa entre o casal, uma partilha com uma amiga de confiança ou com um familiar.

As nossas sessões de meditação e relaxamento, o grupo de mães ou a consulta de saúde mental perinatal também se constituem espaços favoráveis para trabalharmos este período de transição, especialmente quando as alterações se tornam mais evidentes e difíceis de gerir. 

 

No seu poema "A Porta", Miroslav Holub, o poeta imunólogo checo, incita-nos a ter coragem de olhar para as nossas vidas com novos olhos. A Porta que nos fala o respetivo poeta é a porta que se abre para dentro, para nos revelar as nossas necessidades mais profundas, assim como as nossas aspirações mais elevadas. Ora leiam: 

 

Vai e abre a porta.

Talvez lá fora haja

uma árvore, ou um bosque,

um jardim,

ou uma cidade mágica.

 

Vai e abre a porta.

Talvez haja um cão a vasculhar.

Talvez vejas uma cara, 

ou um olho,

ou a imagem de uma imagem.

 

Vai e abre a porta.

Se houver nevoeiro

dissipar-se-á.

 

Vai e abre a porta.

Mesmo que nada mais haja

que o tiquetaque da escuridão,

mesmo que nada mais haja

que o vento surdo,

mesmo que nada mais haja,

vai e abre a porta.

 

Pelo menos haverá uma corrente de ar.

 

 

A meditação é um meio de abrir essa porta. Começa com o entrarmos dentro de nós mesmos e conduz a que posteriormente possamos mergulhar na corrente da vida. A nossa separação desta corrente (muitas vezes sem nos apercebermos, ou mesmo de forma inconsciente) é a fonte do nosso mais profundo descontentamento, e a verdade, é que ao abrirmos esta porta, nunca sabemos o que poderemos encontrar - sim, pode haver um cão a vasculhar, ou talvez um nevoeiro, um jardim, ou mesmo que nada mais haja do que o tiquetaque da escuridão, também pode (ou simplesmente pode) haver uma corrente de ar.

 

A meditação é a arte de se estar consigo mesmo. Dizer a alguém "Não faças nada, senta-te simplesmente aí, fecha os olhos e deixa-te ir" quase se tornou num lugar-comum, mas é algo que muitos de nós ainda sentem bastante dificuldade em fazer.

 

O relaxamento, que difere da meditação (embora um dos objetivos da meditação também possa passar pela indução ou reforço do relaxamento) , é visto como uma componente de controlo do stresse, que contribui para o bem-estar psicológico da mulher grávida e no pós-parto.

Nas nossas sessões utilizamos como base do relaxamento o método de Schultz, e temos os seguintes objetivos gerais com a sua realização:

  • Aumentar a consciência corporal;
  • Promover e reforçar o relaxamento;
  • Diminuir os níveis de ansiedade característicos deste período;
  • Facilitar a expressão das emoções;
  • Promover comportamentos de vinculação entre a mãe e o bebé;
  • Promover o desenvolvimento pessoal.

 

Podem participar nestas sessões, mulheres que são acompanhadas na consulta de saúde mental perinatal, ou outras mulheres com interesse nas respetivas sessões. 

 

As mesmas têm data marcada em local próprio que vamos divulgado aquando do seu agendamento nas nossas redes sociais. Por norma, são realizadas no espaço de algum dos nossos parceiros. 

 

Para mais informações:

(+351) 936 180 928

mulherfilhamae@gmail.com

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