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Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Mulher, Filha e Mãe

Porque a saúde mental na gravidez e no pós-parto importa!

Dom | 05.04.15

Rolar, Sentar, Rastejar, Gatinhar, e finalmente, Andar.

Ana Vale

"O meu filho não rolou nem gatinhou, começou logo a andar"

 

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Eis uma frase que me pôs a pensar bastante, após uma longa conversa com algumas amigas.

Será que não existe nenhum problema em começar logo a andar sem gatinhar primeiro? Será, tal comportamento, tão demonstrativo das grandes capacidades de uma criança? Ou, na prática, teremos sido inconscientes cúmplices de uma falha no longo percurso do desenvolvimento normal dessa mesma criança?

 

Aproveitei todas estas questões para pesquisar e aprofundar os meus conhecimentos e também para conversar com quem sabe um pouco mais sobre esta temática. No final, consegui sacar uma boa tarde de trabalho e aprendizagem com a inicial aprendiz, e hoje, minha formadora, de que vos falei aqui.

 

De acordo com a mesma, parece que a ordem normal do desenvolvimento de um ser racional de quatro membros é:

 

1º - Rolar

2º - Sentar

3º - Rastejar

4º - Gatinhar

5º - Andar

 

E que não convém passar "por cima" de qualquer uma das fases. Contudo, haverá algum problema em passar alguma delas? E se sim, onde, como e porquê?

 

Ela é, (quase quase quase) licenciada em terapia ocupacional, há anos, formada em terapia da Alma, recentemente tia, há muito, estudante e desde que nasceu, gira (e um pouco resmungona também) bastante interessada pela área do desenvolvimento da criança, tendo desenvolvido já vários tipos de trabalhos académicos dentro do mesmo tema. Hoje, finalmente, veio aqui responder-nos a esta questão. 

 

O que acham? Fico a aguardar a vossa opinião no final! 

 

(Sim, é verdade! O texto é um pouco extenso, mas sem dúvida alguma, que vale a pena ler!)

 

Quando os pais se vêem com um bebé recém-nascido, uma das coisas que ouvem dizer desde cedo (aproximadamente desde os 2 meses) é que se deve colocar o bebé de barriga para baixo. Esta posição torna-se fundamental pois promove o desenvolvimento da musculatura no pescoço, braços e pernas, necessária para permitir a passagem do bebé por fases importantes do seu desenvolvimento normal como o rolar, sentar, rastejar, gatinhar e andar.

O rolar é a primeira fase do bebé que está relacionado com o desenvolvimento do controlo postural e que será relevante para todas as fases que se seguem, como por exemplo, a função da escrita, que ocorre alguns anos mais tarde. É também importante uma vez que o cérebro do bebé começa a ganhar a sensação da existência de dois lados (esquerdo e direito) e de como funciona a coordenação entre ambos.

Depois de rolar o bebé começa a assumir a posição de sentado. Claro! É muito mais interessante ter uma visão nitidamente mais ampla do "Mundo" ao seu redor, nestes primeiros meses, nesta posição. É também, uma posição muito mais proactiva para tocar, brincar e interagir. Entre os 3-5 meses o bebé não consegue sentar-se sozinho, no entanto, começa a desenvolver as estruturas necessárias para construir uma base de suporte, necessária para o mesmo.

Depois da postura de sentado estar adquirida autonomamente e de o bebé conseguir brincar junto ao tronco (a chamada linha média) começa a ser-lhe interessante chegar aos brinquedos que estão mais longe, nomeadamente ao seu lado! Assim, a dissociação dos movimentos do tronco superior (ombros e peito) dos do tronco inferior (anca) começa a ser muito maior, permitindo ao bebé chegar a muitos mais brinquedos. Nesta idade, como já consegue colocar-se de barriga para baixo sozinho, o chegar a brinquedos que estão mais longe começa a ser um desafio. Isto torna-se possível pela extensão dos braços (que posteriormente começa a não ser suficiente). Aí surge o rastejar, uma etapa que permite a continuação do desenvolvimento da dissociação de movimentos entre tronco superior e tronco inferior, desenvolvendo a força muscular nos braços e pernas, e permitindo uma maior movimentação por parte destes bebés!

Quando os brinquedos começam a ficar realmente longe e o rastejar já se torna "chato e cansativo" torna-se fisiológicamente necessário o desenvolvimento de uma maior estabilidade, força e coordenação entre cabeça, tronco e membros, começando assim a fase do gatinhar. Esta fase é importante porque desenvolve o controlo postural, equilíbrio, locomoção, coordenação e manipulação de várias partes do corpo. 

Apesar de ainda parecer uma etapa longínqua, os possíveis futuros problemas escolares, começam exatamente nesta etapa.

Estas duas últimas etapas (rastejar e gatinhar) também são de extrema importância para a ativação dos dois hemisférios cerebrais, promovendo, por exemplo, a dissociação do movimento dos olhos, do movimento da cabeça, facilitando a aprendizagem e desenvolvimento da escrita, anos mais tarde.

Depois de gatinhar e chegar aos móveis, sofás, cadeiras entre outros, e uma vez que a força muscular dos braços está muito mais desenvolvida, começa o apoio para a posição de pé. Apresar de não dar de imediato os primeiros passos, começa a adquirir força, equilibrio e coordenação nesta mesma posição e posteriormente sente-se mais confortável para repetir estes movimentos e começar então, a andar.

Para que todas estas fases aconteçam existem dois sistemas que são de extrema importância! Se não forem desenvolvidos corretamente, mais tarde, principalmente, numa idade escolar (5-7 anos) começam a surgir problemas como escrever da direita para a esquerda, escrita em espelho, escrita das letras ao contrário, letras que se sobrepõem, falta de noção espacial durante a escrita, não conseguir ler, entre outros. Estes sistemas são denominados por sistema vestibular e propriocetivo.

Finalmente, gostaria só de fazer uma ressalva: Apesar da importância da passagem por todas as fases descritas, é também fundamental recordar que o "saltar" uma destas fases do desenvolvimento não significa necessariamente que o bebé venha a desenvolver um problema futuro. No entanto, se encararmos estas fases do desenvolvimento como etapas de desenvolvimento do cérebro do bebé, conseguimos perceber que, quando não atingidos estes marcos, fica a existência de uma lacuna no seu desenvolvimento que terá de ser colmatada numa fase mais avançada e, talvez, com uma maior dificuldade.

 

 

Ficaram esclarecidos?

4 comentários

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    Ana Vale

    06.04.15

    É tão bom ter a oportunidade de assistir à partilha deste tipo de experiências :) Obrigada!!
    Claro que não. Nem é suposto que se obrigue. Pelo que percebi existem formas de se tentar fazer com que a criança o faça, mas há muitas que saltam estas fases. Por já ter ouvido falar sobre o assunto é que decidi "pesquisar" um pouco mais e colocar a informação aqui. Não é a inteligência que está relacionada com o saltar estas fases, são mais determinados tipos de detalhes que também mencionaste, como a escrita. Quando for com a minha... logo verei. Mas tenho a perfeita noção que teoria e prática, nem sempre são convergentes ;)
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    soumaiseu

    07.04.15

    Cada criança é um caso, quando chegar a tua vez logo tiras as tuas conclusões... a minha Rita não gatinhou, nunca bebeu leite artificial (amamentei-a até aos 3 anos e meio), só bebia leite materno e de vaca gordo, nunca usou um biberon, nem mesmo para beber água, davamos-lhe água com uma colher pequenina, usava duas chuchas, a da boca e a da mão, e usou-as até deixar de mamar... nunca andou em creches, como eu fiquei desempregada quando ela nasceu foi comigo que esteve até aos 5 anos, só fez um ano de pré-escola, fez terapia da fala por causa de alguns sons que não conseguia articular bem... largou as fraldas aos dois anos e meio muito facilmente... como ves, nada disto se enquadra no normal! Não stresses! Fazes bem em informar-te, mas não te preocupes muito... tudo há-de correr bem! A nossa melhor bitola é a intuição! Image
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    Ana Vale

    07.04.15

    Concordo a 100%! 
    Assim como concordo que por vezes sou um pouco stressada. Assim como concordo que a nossa bitola é a intuição. Assim como sei que ser mãe de primeira viagem é aquela "insegurança" quase natural que nos faz, querer fazer tudo o melhor possível, sem nos apercebermos, muitas vezes, que não sabemos, nem precisamos, de saber tudo.
    Obrigada!! Image
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