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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Lembrem-se "sempre" de "nunca" usar estas palavras em relação a um filho!

Há uma aprendizagem que tenho consolidado desde que sou mãe, em relação à minha filha:

 

É que dizer "sempre" ou "nunca", é um tiro no próprio pé!

 

Vou exemplificar melhor na prática:

 

"A minha filha nunca faz birras"

"A minha filha come sempre muito bem"

"A minha filha dorme sempre toda a noite"

"A minha filha nunca deu um pum em público"

 

A questão é que todas estas afirmações, por mais verdadeiras que sejam, implicam sempre um comportamento onde nunca há uma atitude menos positiva, e a verdade é que todos precisamos de as ter para aprendermos e irmos adquirindo autonomia. Ou seja, mais cedo ou mais tarde, os nossos filhos acabarão por praticás-las, de forma mais ou menos nítida/intensa.

O que me parece que acontece, é que depois de atestarmos que sempre ou nunca observámos os nossos filhos a terem determinados comportamentos, acontece qualquer coisa e voi lá, aí temos "a nossa primeira vez"!

 

Lembro-me tão bem do dia em que disse "A Madalena nunca teve muitas dores de barriga...é tão calminha!". E lá estava eu, um dia depois, a tentar enfiar-me a mim mesma num profundo buraco por ter tido a triste ideia de afirmar uma coisa destas e ainda pouco mais de um mês tinha passado desde o seu nascimento. 

Chamem-lhe burrice, ou simplesmente inexperiência, mas a verdade é que eu acho que nós, Pais, um dia temos sempre a triste ideia de afirmar que nunca observamos tal situação. E assim, "cavamos o nosso próprio buraco", quando num outro dia, acabamos por ter a crua oportunidade de observar que, tal como nós e como qualquer outra pessoa, determinados comportamentos acabam sempre por serem manifestados pelos nossos filhos, de uma forma ou de outra, mesmo quando nunca pensámos que tal poderia ocorrer. 

É que se formos bem a ver, são também esses comportamentos que permitem que os mesmos (e também nós enquanto Pais) vão evoluindo. 

 

Faz-vos sentido?

 

 

Com ou sem.. é assim que todas somos. Cada uma à sua maneira!

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Com ou sem babyblues, depressão pós-parto, ansiedade, e/ou outros problemas do mesmo género que nos acompanham antes e/ou durante a gravidez, todas nós, de certo que fazemos tudo o que podemos com aquilo que temos e somos, para sermos as melhores mães para os nossos filhos. Para sermos "Mães, WOW"!

 

Para todas as que nos seguem, um grande beijinho, e um MUITO Obrigado, por darem alento e fundamento ao que temos feito até aqui. 

 

Até já!

 

O Tempo de uma Mulher e Mãe.

O Tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.

Ou seja, o tempo não tem limite de tempo que nós achamos que o tempo tem.

O tempo responde por si.

E nós, questionamos o tempo que o tempo tem, 

não só pelo tempo que levamos a manipular o tempo,

mas a tentar dobrar constantemente o tempo, também.

Eu quero, mas nem sempre tenho tempo.

Eu tento, mas nem sempre multiplico o tempo,

pelo tempo necessário para realizar tudo o que quero, como mulher e mãe. 

E assim passo o meu tempo.

Ao relento de vários momentos,

que não cabem no respetivo tempo,

que eu quero que o meu tempo tenha. 

É este o meu tempo.

É agora o meu momento.

O momento de alguém que não cabe no seu tempo,

Mas que se desdobra e multiplica,

para que no seu pouco tempo,

se revele, em cada momento, enquanto Mulher e Mãe.

 

 

Acabei de multiplicar tantas vezes o tempo para dizer simplesmente, que há sempre tão pouco tempo para se ser Mulher E Mãe.

 

Não concordam?

E quando eles começam com as Papas, Sopas e Frutas? #1

As rotinas dão uma volta de 180º, volta tudo a ficar de pernas para o ar, se havia estabilidade, evapora, e a ansiedade regenera, agora, para uma nova dimensão.  Certo?

 

"Mãe, agora a sua filha terá de começar a comer outro tipo de comida, começa a farinha que pode ser láctea ou não láctea, pode optar por qualquer uma, a diferença é que numa tem de acrescentar água, e na outra tem de acrescentar o leite que já faz atualmente, aqui deve acrescentar 150ml a 180ml de água ou de leite, dependendo da farinha, mas eu aconselho sempre a começar nos 120ml, mas atenção que ela pode deitar tudo para fora nas primeiras colheres que dê, é normal, contudo irá manter-se nesta fase até daqui a duas semanas, onde iniciará posteriormente as sopas e frutas, mas até lá faz pelo menos uma refeição de blá blá blá Farinha em saquetas... Blá blá blá blá... Papas em saquetas..."

 

E assim começa uma consulta que marca o inicio de uma nova, e sem dúvida alguma que, importante fase.

 

Mas atenção que eu não estava na consulta de pediatra da minha filha distraída a comparar o que a Pediatra da dizia, com um anúncio para gatos. Estava só a tentar demonstrar-vos que embora eu tenha uma grande capacidade de absorção, de facto, absorver, memorizar e manter todas estas informações de um todo novo mundo, é muita areia para muitos camiões, e aqui, o meu incluo. 

 

Desta forma, lembrei-me de partilhar convosco um cronograma que fiz para me ajudar nas próximas semanas no que toca à introdução de novos alimentos no quotidiano da Madalena. Pode ser que ajude alguma de vocês, ou alguém que vocês conhecem.

O que acham?

Vá Vá.. sintam-se à vontade para gozarem (só um pouco...) comigo!

Mas quem é que se lembra destas coisas?! Até eu penso isso de mim mesma... De qualquer forma, não há remédio. Eu sou assim!

 

 

Cronograma intro alimentos.png

 

E vocês, utilizaram alguma estratégia semelhante?

Ou têm uns neurónios muito mais consistentes e resistentes que os meus? 

Histórias que dão a cara por esta causa #1 - "De uma mãe enfermeira para outra"

É bom saber que nenhuma de nós está sozinha.

É ótimo verificar que o nosso propósito tem fundamento prático.

É revigorante sentir o reconhecimento dos passos que vamos dando, e entrarmos no nosso email e vermos que nos escrevem mensagens como esta, que partilho convosco de seguida. 

 

Esta, é mais uma história sobre uma mulher que passou pelos tais babyblues: Já ouviram falar? 

Esta, é a história de E.G., uma mãe, também enfermeira, que viveu cruamente o amargo sabor do inicio de uma maternidade, onde nem tudo foram rosas.

Acima de tudo, esta, é mais uma história real de uma mulher e mãe que dá a cara por esta causa, mesmo que não queira aparecer.

 

Mais uma vez, Muito Obrigada E.G., por teres tido a coragem de nos escrever, dando também tu, sentido a este nosso espaço e força para continuarmos a caminhar.

 

Se também vocês quem dar a cara por por esta causa, mesmo não querendo aparecer, façam como a E.G. e enviem-nos as vossas histórias e/ou sugestões para o seguinte email: blog@mulherfilhamae.pt.

 

 

Olá Ana boa tarde!

Após várias tentativas, finalmente consegui a coragem e o tempo para  escrever.

Chamo-me E.G. e gostaria de partilhar consigo a minha história, que tem em comum com a sua o facto de ambas termos vivenciado o babyblues e sermos enfermeiras.

Quando li a sua história, facilmente me identifiquei, e percebi que não estou só. Por isso antes de mais, o meu sincero Obrigado!

Fui mãe pela primeira vez  no dia 31 de Dezembro de 2014 após duas semanas internada no hospital devido a uma pré eclampsia e uma colestase gravidica.
A C. nasceu por cesariana de urgência as 35 semanas devido a alteração dos fluxos e abrandamento do ritmo cardíaco. Tinha 1.790 kg de peso e por isso após alguns minutos comigo foi para a neonatologia onde permaneceu por 12 dias.
Eu tive alta do puerpério após 72h e apesar de não ter a minha filha comigo em casa estava feliz por finalmente voltar a casa após o internamento.
Cerca de dois dias após a alta comecei com febre e tinha muita dificuldade em andar mas não deixei de  visitar a minha filha.
A febre fez com que desidratasse e diminuiu bastante a quantidade de leite materno que eu tirava para a C.
Uma semana após a alta e na segunda ida a urgência fiquei novamente internada devido a uma grave infecção e hemorragia abdominal, decorrentes da cesariana.
Tive que fazer antibióticos por via endovenosa e como tal tinha mesmo que permanecer no hospital. A única vantagem era que não precisava andar tanto para ver a C.
Felizmente dois dias depois ela teve alta da neonatologia e ficou comigo durante a semana que estive internada.
Dezassete dias após o nascimento da minha filha, fomos finalmente as duas para casa e foi nessa altura que começou o meu babyblues.
Nada me tinha preparado para aquela sensação de medo, tristeza, insegurança... e só piorou quando a C. começou a recusar o peito. Culpei-me e ainda me culpo por isso apesar de saber que não poderia fazer mais do que fiz...com apenas 2.045kg veio para casa e eu só podia dar 10 min de mama para que ela não perdesse peso.
Tentei de tudo. Pedi ajuda ao SOS amamentação mas já pouco havia a fazer e essa situação estava a fazer-me entrar em depressão e a piorar a minha relação com a minha menina. Optei por desistir e com o cansaço já não saía nada quando tentava tirar com a bomba.
O meu marido e restante família tentaram ajudar mas ao fazerem-no, sobretudo os meus pais...só me faziam sentir pior.
Foi um início de maternidade completamente diferente do que idealizei e o regresso a casa foi mesmo muito difícil. Ainda hoje estou a superar toda esta situação.

Ver a minha filha crescer ajuda muito mas ter conhecimento de mães como a Ana que também passaram por isto ajuda-me a não me sentir tão só.

Muito Obrigado mais uma vez por dar a cara, por partilhar e acima de tudo por abordar um tema que ainda é visto como tabú pela sociedade.

Um bem haja,

Cumprimentos,
E.G. 

A primeira viagem com o primeiro filho: Será que é sempre um caos?

Vá, digamos que a minha não foi um caos. Contudo, esteve perto do equivalente a um filme de terror para meninos, em que a plateia (nós, pais) está constantemente em suspense, com a órbitas bem abertas e com as unhas, outrora por cortar, agora completamente roídas de tanta descarga adrenérgica se soltar. 

 

Mas sim, e aqui, confesso: Nitidamente que a culpa foi nossa e de São Pedro que poderia ter tido um pouco mais de piedade.

Nossa, porque o destino para primeira viagem não foi o melhor [O que me dizem da Queima das Fitas da tia na Avenida dos Aliados? Sim, podem já começar a vergastar-me por levar uma criança para este local mas tenham em conta que era a festa de final de curso de um dos meus maiores tesouros: a minha irmã]. E de São Pedro porque pensou que logo nesse dia, logo nesse fim-de-semana, logo nessa manhã em especial, sem contar com o particular de um dia inteiro, tinha de chover a potes, sem dó nem piedade desta mãe de primeira viagem, na sua primeira viagem com a sua primeira cria

 

Ou seja, um Pai e uma Mãe de primeira viagem, uma bebé de quatro meses e uma aventura no Porto em fim-de-semana correspondente a Queima das Fitas: Conseguem imaginar qual é que foi o resultado?

 

Eu explico. Foram dois dias de grande:

  • Tempestade (literalmente);
  • Emoção (intensa);
  • Festividade (constante);
  • (pré)ocupação permanente;
  • Confusão (esporádica);
  • Reencontros (muitos);
  • Conversa (de longas horas);
  • Aprendizagem (em cada pormenor). 

 

De carro para estação de serviço. Da estação de serviço para carro. De carro para Feira. Da Feira para o Hotel. Do Hotel para o Restaurante. Do Restaurante para o Hotel. Do Hotel para Cama. Da Cama para o metro do Porto. Do metro do porto para a Avenida dos Aliados. Da Avenida dos Aliados para o Restaurante. Do Restaurante para casa da tia. De casa da tia para o carro. Do carro para a estação de serviço. Da estação de serviço para o carro. Do carro para casa.

Foi mais ou menos esta a nossa rota que integrou um carro cheio de artefactos escolhidos pela mãe, e obviamente que totalmente necessários, um humor ao rubro do inicio do fim da viagem, uma grande expectativa de reencontros e uma ansiedade gigante de presenciar um momento tão importante como este, na vida de alguém

Contudo, e com uma lágrima no canto do olho vos conto que, agradecendo a compreensão intima e alheia, acabámos por não presenciar momento nenhum, e ficámos foi a fazer tempo num centro comercial até chegar a hora do almoço, para a nossa pequena não estar sujeita à tal confusão comum de uma Queima das Fitas na Avenida dos Aliados. 

 

Portanto, para uma primeira viagem, com pais de primeira viagem:

 

1. Longa lista de roupa de bebé e materiais de puericultura a levar [mesmo que não se precise de metade] - Check;

 

2. Vários objetos absolutamente necessários ao quotidiano dos pais (como a escova de dentes) em falta, por esquecimento - Check;

 

3. A chucha que se perde, e no meio de tanta coisa que se levou, ficou esquecida a chucha substituta e alguém teve de ir comprar outra - Check;

 

4. A água do biberão que se entorna e se fica sem alimento para a criança e com tudo o que estava na mala encharcado, tendo de se voltar para trás para se solucionar a questão - Check;

 

5. A queda que o pai deu no metro para evitar a todo o custo que a bebé não apanhasse um pingo de chuva - Check;

 

6. A tomada de decisões imediatas e com sério custo e vários tipos de mudanças para os envolvidos, de forma a proteger-se a filha de vivenciar situações deveras complicadas - Check;

 

7. O constatar que as pessoas ainda estão muito aquém de uma mente preparada para viver numa sociedade onde existem pessoas que andam com carrinhos de bebés e necessitam de elevadores para se transportarem em locais públicos, ao contrário de quem é adulto, aparentemente saudável, e com boas pernas para andar em escadas rolantes, por exemplo - Check;

 

8. A máquina fotográfica que teve de ficar em casa porque já não havia espaço na carrinha dos pais - Check;

 

9. A descarga intestinal intensa e abrupta de uma criança de 4 meses em plena viagem de carro, com todo o aroma estonteante que fica no ar, quando ainda faltam 40km para chegar até à próxima estação de serviço - Check;

 

10. O sorriso estampado nos nossos rostos, por estarmos em família, e um estrondoso cansaço que nos assistiu durante um longo dia cheio de aventuras, decisões, discursos, reencontros, caminhadas e muitas vivências que irão ficar para história da história das nossas vidas - Check.

 

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 Nós, em plena aventura no metro do Porto, a caminho do Restaurante. 

 

 

 

Quem é que é da Família?

Quando eu tinha cerca de 7 anos (algum tempo depois da minha irmã nascer) explicaram-me:

 

"Aquela senhora é tua tia, mas não é de sangue, é de coração."

 

E não me perguntem porquê, mas de alguma forma aquela frase ficou a matutar no meu pequeno e imaturo cérebro, durante muito, mas mesmo muito tempo. Sempre que via aquela tia do coração, ou as tias de sangue, pensava: "Mas será que são todas da minha família? Como é que isso aconteceu? E ser de sangue é diferente de ser do coração?"

 

No fundo são aquelas tantas questões, que de alguma forma e por algum motivo muito especifico mas aquém da nossa imaculada capacidade de integração, nos ficam sempre a vibrar cá dentro. Seja com uma amplitude muito, pouco, ou mais ou menos crescente, constante ou vibrante, elas ficam cá. E durante muitos anos, até termos a nossa certeza relativa à fundamentação daquela questão, ela vai cá ficando até encontrar-mos a nossa resposta. 

 

Foi cerca de 10 anos depois que comecei a compreender muito melhor a minha resposta aquela minha vibrante interna questão: Mas afinal, quem é que é da família?

E não sei se convosco aconteceu o mesmo, mas a verdade é que esta, é daquelas respostas que se mantém entre a alegria da maturidade que daí advém, e a tristeza sobre o conhecimento adquirido. 

Mas é assim. Há coisas que temos de saber e integrar para crescer e fazer valer.

 

A resposta que obtive fez-me compreender que o sangue é um liquido, mais ou menos avermelhado consoante o local em que passa, e que numa média geral coexiste no nosso organismo em cerca de 4 a 6 litros, dependendo da pessoa. Ah! E também é fundamental para a nossa existência como seres vivos, neste planeta. O coração, por outro lado, é um órgão constituído praticamente na sua essência por um músculo denominado por miocárdio, integrando quatro cavidades bem conhecidas: duas aurículas e dois ventrículos. Podia estar aqui a escrever paletes de linhas sobre o coração, mas não vos vou fazer isso. Vou só ressalvar que a resposta que obtive, foram essas mesmas pessoas de sangue e de coração que me deram, com o passar do tempo:

 

  • Ser de sangue, ou de coração, não importa.
  • Importa sim, o que essas pessoas fazem por ti, as atitudes que têm para contigo, se gostam realmente de ti, tal como tu és, com todos os teus defeitos e virtudes no sitio;
  • Importa se essas pessoas realmente querem saber de ti, passes pela idade do armário, pelo final da tua licenciatura, pelo momento em que és uma simples desempregada, sem onde cair mais, ou menos, viva, ou pelo auge da tua vida profissional;
  • Importa se essas pessoas querem estar contigo nos melhores ou nos piores momentos: No dia que te partiram o coração, no dia que morreu alguém importante, no dia que te casas, no dia que sabes que vais ser mãe ou pai, no dia que sabes que arranjaste o emprego da tua vida, ou simplesmente no dia que tudo corre normalmente e nada mais há para dizer do que: está tudo bem, sem grandes novidades;
  • Importa se essas pessoas te acolhem em casa como se a casa também fosse tua, pois, sendo de sangue ou de coração, sempre ouvi dizer que: quando realmente se gosta, o amor e a partilha são de graça;
  • Importa se essas pessoas, que podem ficar dias, meses, ou até anos sem te ver, mas estão sempre lá, disponíveis, se for necessário. Assim como também importa, que essas pessoas te chamem atenção, se acharem que meteste o pé na poça;
  • Importa se essas pessoas, sejam de sangue ou de coração, pura e simplesmente, fazem por fazer parte da tua vida, do teu dia-a-dia, dos teus momentos, dos teus podres, das tuas virtudes, do que integralmente és, ou do que desejas ser e tentas adequar em ti; 
  • Importa, se elas contribuem. Importa se elas estão lá. Importa se não estão, mas se ocupam de te ligar, ou de fazer chegar até ti, o quão importante és para elas.

Tudo isto importa.

Tudo isto e mais alguma coisa que provavelmente me poderei ter esquecido e não está descrito aqui.

 

Mas sabem aquilo que considero que realmente não importa?

 

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A Hipocrisia e o interesse de se considerarem família, aqueles que só lá estão, triste e cruamente, no dia de um funeral. 

 

Também ouvem as vozes dos vossos filhos quando...eles não falam?

É caso para questionar: Estarei a ouvir vozes?

 

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Sim. Porque eu, ouço!

 

Gostava de tentar compreender, na íntegra, o fenómeno que me leva a levantar com alguma frequência após deitar a minha filha, ou aquele que me leva a levantar a fralda, que a tapa no ovinho, algumas vezes, ou mesmo aquele me leva a interromper uma conversa e a ficar calada por alguns segundos, porque pura e simplesmente, me parece que a estou a ouvir. Mas não, não estou! Não estou, porque a mesma mantém-se ferradinha no sono, impávida e serena, sendo o único som que lhe sai o equivalente ao ar expirado da forma mais tranquila que possam imaginar. 

 

Também vos acontece? 

Por favor, digam-me que sim. Ok, não mintam. Mas pelo menos, têm alguma explicação?

 

Será o meu sistema de alerta no seu auge?

Será uma qualquer questão relacionada com a sobrevivência da espécie?

Serão as minhas mais profundas  pré - ocupações  de mãe a ruminar no meu mais profundo espaço neuronal?

Ou será um misto de tudo isto?

Ou então, uma provável mixórdia de nada com um quê de tudo e mais alguma coisa?

 

Será?

 

Andei aqui a navegar nas minhas pesquisas, mas nada de concreto encontrei. Portanto, vou ficar aqui, bem quietinha, à espera das vossas respostas.

 

Sim?

Adoro jantares em casas de amigos! Mas..e com filhos?!

Quantas vezes já pensaram nesta questão?

 

Sempre adorei jantar com amigos. Juntar a malta, e lá vamos nós.

Uns levam as entradas, outros fazem o prato, outros a sobremesa, outros a salada e afins. Divide-se o trabalho e multiplica-se o convívio. 

Dizem-se umas piadas ali, relembram-se velhos tempos acolá, abraçamos a boa disposição e soltamos várias gargalhadas em uníssono. Nem sempre temos esta oportunidade, mas quando há, limpa-nos a alma de qualquer vestígio menos positivo, e banhamo-nos de luz com as paletes de boa energia existente.

São momentos absolutamente fantásticos, que sempre disse, não trocar por nada na minha vida. Até que, até à bem pouco tempo comecei a fazer esta questão a mim mesma: Mas... e com filhos?! A Figura, será exatamente a mesma?!

 

Alguns de vocês poderão achar que estarei a perder um pouco da minha sanidade mental por fazer esta questão e outros até se poderão identificar, mas para mim é simples: Adoro ir com a minha filha, bem perto de mim, para qualquer e todo o sitio, mas, não posso negar que a imagem que inicialmente descrevi fica completamente distorcida, e que não. Os jantares, já não são iguais!

Digamos que.. se divide o trabalho, se subtrai o convívio e se multiplica o cuidado. E porquê? Simples! Uns querem pegar ali, outros querem agarrar acolá, outros querem ver e falar, outros querem brincar e andar à roda com a miúda e quando a bateria de amena disposição se esgota, e a carga começa a ser quase nula, lá vem a birrinha do cansaço, e não há nada melhor do que o colo da mãe ou do pai para descomprimir, descarregar toda a hiper-estimulação e...chorar até não poder mais. Ou então, não chorar, mas ficar irrequieta, até sentir o conforto ideal para descontrair.

O jantar fica no prato, ou só se come já frio, muitas vezes há pouco tempo para a sobremesa, e entradas, nem vê-las!

 

É verdade que faz parte! Sem dúvida! Tal como faz parte a nossa adaptação, como pais, a estes momentos. Mas sinceramente, também considero ser verdade que chegue a altura em que se coloque em questão: "Será que vale a pena ir? Estou tão cansada!"  [Quando deveria ser o oposto, não? - "Claro que sim! Eu vou! Estou mesmo a precisar de descontrair..."]

Hoje compreendo quando outrora comentaram o mesmo comigo, sendo que na altura, de facto, não compreendi, como tinha achado que havia compreendido. Mas é assim aqui, tal como em tudo na vida: a parte empírica da coisa, traz-nos aquele tipo de sabedoria, que não se arranja em mais nenhum lado!

 

Agora, tanta coisa para chegar a esta singela conclusão: Eu não vou deixar de ir a jantares com amigos. Mas com filhos pequenos, o gozo dos mesmos, também não é igual! E a nossa disposição, presença e companhia, também não.

 

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Compreendem, amigos?