Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

A influência da Personalidade na Depressão Perinatal: Dependência e autocrítica.

Nas últimas duas semanas já foram abordados os conceitos de personalidade, da influência da mesma no desenvolvimento da depressão perinatal por si só, e de que forma é que o temperamento e o caráter também poderão influenciar o mesmo desenvolvimento, de forma isolada

 

Tal como tenho vindo a referir, é muita a informação inerente à influência da personalidade no desenvolvimento da depressão pré e pós-parto, pelo que a divisão dos vários subtemas nesta rubrica de edição limitada, é necessária para que o máximo possa ser descrito da forma mais adequada, tornando também os artigos de consulta e leitura mais fácil. 

 

 

Em relação à dependência e à autocrítica, a investigação tem mostrado que as dimensões das mesmas influenciam o inicio e o curso da depressão pós-parto. 

 

As pessoas autocríticas têm sido descritas como altamente preocupadas com a autodefinição, controlo, perfeição, enquanto que os indivíduos dependentes são tipicamente preocupados com os medos de abandono e de perda.

Vários são os estudos que têm fornecido dados para a assunção de que a autocrítica está positiva e fortemente ligada à sintomatologia depressiva no pós-parto.

 

Relativamente à dependência, os níveis moderados da mesma, protegem a mulher contra sintomas depressivos no período do pós-parto, ao passo que níveis elevados e baixos de dependência estão associados a uma vulnerabilidade aumentada para a depressão.

Em particular, as mulheres com baixos níveis de dependência podem ser incapazes de procurar e de manter o suporte social e de se relacionarem com os seus bebés conduzindo a sintomas de inadequação e consequentemente, à depressão. Em contraste, altos níveis de dependência podem desencadear uma reação mal adaptativa mãe-bebé, que pode conduzir a medo de separação e a depressão.

Níveis moderados de dependência podem relfetir a capacidade de procurar e de manter o suporte social e de se relacionar com o bebé de forma adaptativa, protegendo assim a mulher dos sintomas depressivos.

 

 

Fonte

A influência da Personalidade na Depressão Perinatal: Temperamento e Caráter.

Tal como referi no primeiro texto desta edição especial sobre a influência da personalidade na Depressão Perinatal:

 

"A personalidade envolve a totalidade da pessoa e é uma construção pessoal que decorre ao longo da nossa vida fruto da elaboração da nossa história de vida, da forma como nos sentimos, representamos e integramos as nossas experiências."

 

Contudo, nem sempre as experiências pelas quais passamos são integradas da melhor forma. O que nesta situação, poderá dar origem a desequilíbrios como a Depressão Perinatal. 

 

Dentro da nossa personalidade, existem uma série de traços pelos quais nos guiamos para caracterizar uma determinada pessoa, sendo que o temperamento e o caráter, integram o vasto leque correspondente aos mesmos. 

De certo que já ouviram alguém dizer (ou vocês mesmos já o disseram) que aquela pessoa tem um temperamento forte ou um bom caráter, por exemplo. Certo?

 

 

Mas o que é que isso quer dizer?

 

Para alguns autores o temperamento é considerado como a base biológica para a estruturação da personalidade e um dos fatores que influenciam o comportamento, enquanto que a personalidade é um termo mais amplo que inclui outras estruturas importantes além dessas, tais como as estruturas cognitivas, e o auto conceito.

 

O caráter refere-se aos nossos auto-conceitos que influenciam as nossas intenções e atitudes, e que no fundo se traduz no que fazemos intencionalmente, desenvolvendo-se basicamente através da socialização.

 

E como é que o temperamento e o caráter podem influenciar o desenvolvimento de uma Depressão Perinatal?

 

Relativamente ao temperamento, e de acordo com vários estudos que foram feitos dentro da área, as mulheres com depressão pós-parto tinham níveis significativamente mais elevados de evitamento de perigo, apresentavam níveis mais elevados de dúvida antecipatória, maior medo da incerteza, maior timidez, fadiga e menos vigor, comparativamente às mulheres saudáveis no pós-parto. 

 

No que toca ao caráter, as mulheres com depressão pós-parto apresentavam níveis significativamente mais baixos de auto-direcionamento, menos controlo dos impulsos e menos auto-aceitação comparativamente às mulheres saudáveis no pós-parto. Para além disso, também apresentavam níveis mais baixos de cooperação, eram menos tolerantes e empáticas e percecionavam-se como menos úteis. Apresentavam-se como mais esquecidas e tinham um nível mais elevado de aceitação espiritual.

 

 

As mulheres saudáveis no pós-parto diferiam das que tinham depressão pós-parto em critérios onde se verificava maior procura da novidade, por terem mais recursos internos e por serem menos esquecidas.

 

 

Fonte 1

Fonte 2

Fonte 3

A influência da Personalidade na Depressão Perinatal: A Personalidade.

Já alguma vez se questionaram sobre:

- O que é a personalidade?

- Como se define?

- Onde se delimita?

- Até onde vai, ou como é que se instala?

 

 

E já agora, se sim, a que conclusões chegaram? 

 

 

Cada um de nós tem uma personalidade única que engloba formas relativamente estáveis de pensar, de sentir, de comportamento e de relação com os outros, sendo que, alguns destes processos são conscientes e outros não.

Desde há muito estudado e debatido o seu conceito, sabe-se que a palavra personalidade deriva do termo latino persona - máscara que foi utilizada pelos atores do antigo teatro grego, concretamente da tragédia grega, que usavam uma máscara durante toda a representação, permitindo aos espectadores reconhecer a personalidade das diferentes personagens.

 

O termo alude-nos à construção de um modo de ser, de como um sujeito é percebido pelos outros. É o elemento relativamente estável da conduta de uma pessoa, a estrutura que subjaz à constelação de características de cada um de nós. É no fundo, o que nos torna unos e únicos, distinguindo-nos de todos os outros.

Quando nos referimos à personalidade de alguém, temos em conta os seus sentimentos, emoções, pensamentos, atitudes, comportamentos, motivações, tomadas de decisão e projetos de vida.

 

 A personalidade envolve a totalidade da pessoa e é uma construção pessoal que decorre ao longo da nossa vida fruto da elaboração da nossa história de vida, da forma como nos sentimos, representamos e integramos as nossas experiências.

 

 

Avaliar se uma personalidade é saudável ou não, é difícil, no entanto, sabe-se que as experiências que cada um de nós tem na infância e na adolescência têm uma importante influência no desenvolvimento da nossa personalidade, nomeadamente, de traços que promovam, ou não, a nossa adaptação ao meio que nos envolve.

 

Alguns autores que estudaram estes temas não encontraram, nas suas investigações, suporte para a hipótese de que um determinado e único perfil de personalidade predisponha a mulher para o desenvolvimento de uma depressão pós-parto.

O que tem sido encontrado na literatura cientifica são associações entre estilos de personalidade que podem aumentar a vulnerabilidade da mulher para desenvolver sintomatologia/perturbação depressiva no período do pós-parto.

No entanto, o estudo da influência da personalidade no desenvolvimento da depressão perinatal é muito recente, pelo que, os dados existentes ainda são muito escassos.

 

 

personalidade-propria-2161HKgzCMWj1Y.jpg

 

 

 

Fonte 1

Fonte 2

Fonte 3

Fonte 4

A influência da Personalidade na Depressão Pré e Pós-Parto.

Sabiam que a personalidade influência o desenvolvimento da Depressão Perinatal (Relembro que Perinatal remete-nos para o período desde a conceção até ao primeiro ano após o parto)?

 

É verdade!

Quando comecei a ler um pouco mais sobre isto, não só o interesse cresceu a cada capitulo que passava, como a sede de conhecimento era cada vez maior. É um mundo de informação bastante interessante e que nos leva a refletir muito sobre a influência da nossa personalidade e respetivos traços, ao longo da nossa vida, nomeadamente (e falando deste contexto em particular), no período perinatal.

 

Desta forma, para vos transmitir alguns dos conhecimentos que fui adquirindo integrados nesta temática, e na esperança de vos colocar também a refletir, resolvi estruturá-los de forma diferente no blog, dada a quantidade de informação existente.

Ou seja, a partir da próxima semana começará uma nova rubrica no blog do género "edição especial" (integrada na temática da Saúde Mental no pré e pós-parto) que se dividirá em 8 publicações que serão colocadas no blog todas as semanas (uma por semana), de forma a explorar e dar-vos a conhecer um pouco mais sobre o mundo que abrange o envolvimento da personalidade no possível desenvolvimento de uma depressão perinatal. 

 

 

Na próxima semana, a rubrica iniciará com o tema "A influência da Personalidade na Depressão Perinatal: A Personalidade", onde abordarei um pouco mais profundamente o conceito de personalidade, e qual a sua importância para a temática em questão.

 

Alguns dos próximos temas serão:

  • A influência da Personalidade na Depressão Perinatal: A Dependência e a autocrítica.
  • A influência da Personalidade na Depressão Perinatal: Temperamento e Caráter
  • A influência da Personalidade na Depressão Perinatal: Obsessividade.

 

Tal como qualquer outro fator considerado de risco para o desenvolvimento de uma Depressão Perinatal que nos remete para a possibilidade acrescida de desenvolvimento da mesma patologia, assim o é, de acordo com vários autores, a personalidade e respetivos traços que a compõem. Como tal, não só é um tema que não poderia deixar de abordar dentro da área de Saúde Mental no pré e pós-parto, assim como se torna fundamental tornar publicamente acessíveis estes factos para poderem ler, transmitir e reter, tornando viável a possibilidade de uma preparação mais adequada da mulher e respetiva família para o período perinatal, assim como contribuir para a possível prevenção do desenvolvimento de uma depressão no mesmo período.