Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

À conversa com a Ana #14 "Porque as imagens também contam a história da minha depressão pós-parto!"

Porque as imagens também contam a história da minha depressão pós-parto!

 

Mostro a Ana, mãe há 2 meses, com depressão pós-parto ainda não diagnosticada. Ganhei 12 quilos na gravidez, poucas semanas depois já tinha perdido esse peso. Estava muito magra. Tinha olheiras imensas. Sorria muito pouco. Andava quase sempre com semblante carregado. Não tinha vínculo com a minha filha. 

FP_R001_ILFORD_HP5_400_012.jpg

 

E mostro a Ana depois. A Ana, mãe há 9 meses, com a depressão pós-parto já diagnosticada e a ser tratada. Os 12 quilos extra voltaram. Engordei e inchei. As olheiras profundas desapareceram. Os sorrisos tornaram-se constantes. O rosto ganhou expressão de felicidade. O vínculo com a minha filha surgiu (e foi crescendo).

Rolo Kodak  - 033.jpg

 

Entre uma e outra foto existe tudo. Existe a dor, o sofrimento, o medo, a exaustão, a desesperança, a infelicidade. E existe a superação. Nos últimos dez anos da minha vida, entre os 22 e os 32 anos, andei num processo de desenvolvimento pessoal intenso. Foram anos de reconstrução. Foram anos muito duros, de muitos conflitos internos, de muitas tentativas de conquistar uma maior compreensão e consciência de quem sou e do que quero da vida. Desta vida que é única. 

 

Este processo foi a minha tábua de salvação de anos anteriores, uma década também, de muita dor e sofrimento, ligados a uma vivência familiar disfuncional. Salvou-me, mas precisei passar pela depressão pós-parto para descobrir o que faltava para alcançar uma verdadeira compreensão e aceitação de quem sou e da minha história. Quando isto aconteceu, começou a parecer tão simples e claro o que é preciso para eu estar bem. Para viver esta vida. Esta vida que é única. 

 

 

 

À conversa com a Ana #10 - "A Depressão Pós-Parto colocou tudo em perspectiva e agora sinto que saio sempre a ganhar".

A semana passada a minha filha fez 2 anos. Quanto caminho foi percorrido durante este tempo! O que começou de forma dolorosa e sofrida transformou-se numa relação de um amor puro, único e incondicional.

 

No início da nossa relação predominava o medo, a irritação, a tristeza e a incapacidade de aceitação. Estas emoções foram sendo trabalhadas, sobretudo através do Shiatsu e da psicoterapia e, ao longo dos meses que se foram seguindo, elas foram diminuindo a sua intensidade e frequência. Fui ganhando consciência dessas emoções e do que significavam, e fui ganhando também ferramentas para lidar com elas. E à medida que diminuíam, aumentava a minha capacidade de aceitação, a tolerância e paciência, a alegria. Hoje sou completamente apaixonada pela minha filha.

 

A DPP colocou tudo em perspetiva e, agora, sinto que “saio sempre a ganhar”: o pior dia/momento de hoje não é nada face ao que foi vivido nos 2 primeiros meses. Acho que, por isso, acabo por saborear imensamente o meu papel de mãe e, na verdade, a vida no geral. Como eu digo, por vezes, “a maternidade agora é como andar num carrossel”.

 

Nestes últimos 2 anos tanta coisa mudou, para melhor, na minha vida. Não só a minha relação com a C., como também a relação com o meu marido, com a família e, sobretudo, a minha forma de pensar, estar e sentir.

 

O que desejo a todas as mães (e as suas famílias) que estejam a passar por semelhante, é que encontrem as ajudas certas para vocês, para que consigam enfrentar o problema e usufruir dos vossos filhos, e da vossa vida, de uma forma plena e apaixonada.

 

E já agora eu sou a Ana, esta Ana. Achei que era altura de mostrar quem sou, para que às minhas palavras possam juntar a minha cara. Para que o tabu, a vergonha, o medo possam, de alguma forma, dar lugar à compreensão, à aceitação e ao diálogo aberto sobre o baby blues, a depressão pré e pós parto, a perturbação de ansiedade ou a psicose.

 

Foto.jpg